O vacilo fatal?

O time do Corinthians vacilou na Bahia, não jogou como Corinthians. Empatou contra o Vitória e deixou a liderança escapar.

Ronaldo jogou apenas 28 minutos, depois saiu com uma lesão. Durante esse tempo, foi decisivo, deixou Danilo na cara do gol para abrir o placar, depois deixou Jorge Henrique em jogada semelhante, mas este não marcou.

O time do Vitória não se encaixava no primeiro tempo, mas com a entrada de Iarley, o time corinthiano não conseguia mais pressionar. Com isso, aos 43 do primeiro tempo, Ralf pôs a mão na bola, desviou o trajeto da mesma: Pênalti. Viafara empatou.

O time se desestruturou. Já no intervalo começaram a reclamar da arbitragem, lembrando o cruzeiro da semana passada. O único com a cabeça no lugar era Roberto Carlos, que dizia: – Tem mais 45 minutos!

Mas os demais 45 minutos não tiveram efeito. O time sentiu muito a falta de um 9. Elias e Jucilei estavam irreconhecíveis, talvez cansados da viagem pela Seleção. E o sábio Tite, dessa vez não foi tão sábio:

Ele mexeu muito mal no time, tirou Jorge Henrique morto em campo, colocou o volante Paulinho, depois faltou coragem pra arriscar, não colocou William Morais pra tentar a vitória, quando o jogo em Barueri estava SPFC 1 x 4 Fluminense.

Os torcedores baianos reclamaram muito ainda de um penalti do ótimo goleiro Júlio Cesar em cima de Adaílton, num lance muito similar de Gil e Ronaldo 7 dias antes.

Na coletiva depois do jogo, 15 de 10 perguntas foram sobre a arbitragem. Muita gente queria polêmica, falar mal dos juízes ao invés de ver que o vacilo do timão foi dentro de campo. Dessa vez Tite foi sábio, não caiu nas polêmicas, não entrou em desespero, não bateu na mesa. Queria explicar ao torcedor o que aconteceu em campo, com a bola em jogo, mas a imprensa não deixou.

Não foi o apito que empatou o jogo. O Vitória foi muito melhor que o Corinthians.
E agora, o vacilo foi fatal?

Abraços.
Caio di Pacce

FOTO: Lancenet!

A mística de Felipão. Palmeiras classificado.

Que jogaço no Estádio do Pacaembu! O Palmeiras recebeu o Vitória em jogo válido pela Taça Sulamericana precisando vencer por mais de 2 gols de diferença. O jogo também marcou a 500a partida de Marcos com a camisa alvi-verde. A torcida se fez presente, empurrou, cantou, gritou: Palmeiras 3×0 e a mística de Luiz Felipe Scolari está de volta.

O time do Palmeiras começou o jogo confuso, nervoso, mas aplicado e com muita vontade. Tadeu estava sendo xingado, mostrava insegurança. Porém o Vitória ajudou, errou a saída de bola e o atacante palmeirense abriu o placar. A classificação começou a se tornar factível.

No começo do segundo tempo, o goleiro colombiano Viafara, em um momento de Higuita, fez uma lambança homérica, entregou a bola para o bom zagueiro Fabrício, que jogou a bola para área. Tadeu completou: 2×0 e o jogo iria para os penaltis.

O casamento entre o Palmeiras e Scolari nos anos 90 foi banhado de jogos emocionantes, vitórias suadas, viradas históricas, gols nos últimos minutos. E hoje não fora diferente. Aos 44 minutos uma falta perigosa para Marcos Assunção cobrar.

A cobrança foi mais do que perfeita, ao melhor estilo Zico, Neto entre outros, na gaveta. Palmeiras 3×0 e a classificação garantida.

O jogo de hoje renovou as energias do clube, com o elenco reforçado com Valdívia, Kléber, Lincoln, grandes times eliminados como Santos e Grêmio da Sulamericana. O segundo semestre pode gerar alguns frutos alvi-verdes.

Abraços.
Caio di Pacce.

Foto: Globoesporte

Marcos: 500 jogos

Na noite de amanhã, o maior goleiro que vi jogar alcançará mais uma marca histórica. Pode ser que seja a última vez que nós, apaixonados pelo futebol, veremos algo dessa grandeza e dessa dimensão. Talvez um último suspiro do romantismo do esporte, um raro lampejo de comprometimento com uma história, mais do que um projeto. Um compromisso com pessoas e com a paixão que elas movem.

Marcos completará 500 jogos com a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras. Com isso, se torna o sétimo atleta que mais atuou pelo time. Como goleiro, fica atrás somente de Leão, que tem 617 jogos.

A partida em si não poderia ser mais emblemática. Contra o Esporte Clube Vitória, histórica pedra no sapato do escrete palestrino. A situação também não poderia ser outra: o Palmeiras precisa derrotar o time baiano para seguir vivo na competição sul-americana. Todos os ingredientes que o Santo precisa para operar seus milagres.

Para mim, Marcos é o exemplo de que o futebol pode ser bem jogado se for jogado com o coração. Exsitem milhares de excelentes jogadores que não hesitam em beijar a camisa e declarar amor para diferentes clubes. Marcos é a prova de que existe caráter, compromisso e profissionalismo independente de cifras milhonárias.

Fiz uma promessa de que não iria aos jogos do Palmeiras nesse ano, devido ao fiasco do Campeonato Brasileiro de 2009. No entanto, acho que hoje vou abrir uma exceção. Pois essa história, não verei mais no nosso esporte.

(Foto: Chuteira que São Marcos usará no confronto de hoje a noite)