Bodas de Estanho

Quando um casamento completa dez anos, reza a tradição que comemora-se as Bodas de Estanho. A origem da palavra “bodas” é latina, e significa “promessa”. Latina também é a origem dos dois principais times paulistas oriundos das duas colônias mais numerosas de São Paulo: o Palmeiras, que já foi Palestra Itália, e a Portuguesa, que sempre foi Portuguesa mesmo.
Este ano os dois comemoram dez anos do rebaixamento no Brasileirão. Nota-se que comemorar não significa festejar, e sim rememorar. Logo, o termo comemoração cabe. Sendo assim, com tanto Palmeiras quanto Portuguesa fazendo uma força desgraçada pra cair (o Palmeiras vem sendo mais “feliz” na tarefa), deve ter acontecido a seguinte conversa entre os presidentes:
Imagem: Jorge Aguiar (Lancenet)
– Alô, é o Mané?
– Depende. É algum credor?
– Não, é o Tirone.
– Ah, presidente Tirone, então é o Mané sim. O quê manda?
– Presidente, eu? Ah, é verdade, às vezes me esqueço disso. Escuta, belo, esse ano a gente completa dez ano de rebaixamento, capiche? Eu tava pensando em alguma coisa pra marcar a data, uma comemoração, sabe?
– Rapaz, comemoração? Deixa eu pensar… A gente não costuma comemorar muita coisa, sabe?
– Sei, sei sim, mas a data é importante, amico!
– Ah, já sei! Você quer um negócio grandioso, não quer?
– Sim, é isso mesmo!
– Então faz assim: por que vocês não caem de novo. Eu tava pensando, no ano passado a gente ficou famoso ganhando a segunda divisão. Até na Espanha falaram de nós.
– Mas será que funciona? Num sei, o pessoal aqui pode ficar bravo.
– Que nada, vocês ganharam título esse ano, nós ganhamos um troféu de um jogador do Curíntia. Então o ano já tá ganho.
– Ah, entendi. A gente cai junto, comemora os dez anos e chama torcida pra apoiar e tenta ser o primeiro time grande bicampeão da Série B.
– Isso mesmo, Tironinho.
– Ma che! Que ideia essa! Gostei! Vou chamar o Frizzo pra ver o que ele acha. Frizzo! Cazzo, Frizzo, vem cá! O Mané deu uma ideia da gente comemorar juntos os dez anos de rebaixamento. Vamos trabalhar nisso, hein?!
– Chama lá que eu já falei com o Iaúca. A gente caiu no Paulistão, mas no Brasileirão tem mais impacto, entendeu?
– Entendi sim. Abraço, Manezinho! Arrivederci.
– Tá bom, pá. Até logo, presidente.
– Presidente? Quem?
– Ah, deixa pra lá. Vou avisar o Candinho!
A ligação termina.
Palmeiras e Lusa caíram em 2002. Dez anos depois, essa tragicomédia está prestes a se repetir, inclusive no roteiro: o Palmeiras cheirando a descenso o campeonato todo e a Lusa precisando de poucos pontos nas últimas rodadas. Já são três derrotas seguidas. Assim como naquele ano, quando se casaram com a incompetência.
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Palmeiras = Libertadores + Série B

A vida do torcedor palmeirense variou demai no ano de 2012, após um primeiro semestre perfeito, celebrado desde a festa para São Marcos até com o bi-campeonato da Copa do Brasil, após partidas excepcionais, principalmente, contra Grêmio e Coritiba. Felipão voltou a sorrir, a torcida fez uma festa linda nas ruas de São Paulo, voltamos a celebrar como há tempos não fazíamos.

Mas, veio o segundo semestre. Para que o time vencesse a Copa do Brasil, abrimos mão do Brasileirão. Abrimos mão demais, o time conquistou 27 pontos em 29 rodadas, menos de 1 ponto por rodada em média. E, depois da derrota em Araraquara contra o Coritiba, o caixão foi enterrado. Sim, sim, ainda tem mais rodadas, mas o time está todo desfalcado e sentido.

Só o Palmeiras é capaz de dar tanta alegria e tristeza para o seu torcedor em tão pouco tempo. Eu vou lembrar de 2012 como o ano da despedida de São Marcos, e vou lembrar daquele 12/07 onde celebrei, gritei, chorei, cantei. Daquele dia que saí da Pompéia com os amigos, cantando no carro e fui para a Paulista celebrar a taça conquistada.

Que venha a Libertadores e a série B. Amarei meu clube do mesmo jeito, em ambas as competições.

Abraços.
Caio di Pacce.

Nosso dia chegou: Lusa campeã!

O nosso dia chegou. A Portuguesa de Desportos é campeã! Ninguém merece mais que nós esta taça, esta glória. É o fim de uma página triste, quiçá a mais triste de todas. Mas um fim glorioso, inesquecível. Com o estádio lotado, com todas as nossas glórias reunidas. Com um comandante de caráter, que conhece a Portuguesa como ninguém. E só quem conhece a Lusa seria capaz de compreendê-la.

Foi um trabalho árduo, difícil, cheio de obstáculos, com quedas, momentos vergonhosos, não para se esquecer, pois é nos erros que se aprende. Deve-se, sim, lembrar de todos os erros, equívocos, e usá-los como um mantra, para que nunca mais a Portuguesa saia do seu lugar.

E seu lugar é onde sempre foi: entre os grandes. Não são as quedas que apequenam. O que diferencia os grandes dos demais é a capacidade de se reerguer. E nisso a Portuguesa foi gigante.

E a Lusa é gigante. É enorme. Sem essa de Barcelusa. Hoje não. Hoje é Portuguesa, apenas Portuguesa, e isso nos basta. E isso ninguém nos tira. A glória da nossa história, a força, a tradição e a certeza, agora sim, inquestionável, que a Portuguesa é um time campeão.

Viramos a faixa

Viramos a faixa. Finalmente. Desde a queda, em 2008, a exigente e chata torcida da Portuguesa passou a colocar a faixa virada de ponta-cabeça. Era a forma de protestar não só contra a queda após apenas um ano na elite, mas a série de desmandos, erros e sacanagens que fizeram da Lusa um time qualquer, sem essência, sem respeito nem dos adversários tampouco de si própria.

Depois foram dois anos batendo na trave, ficando pelo caminho por um ponto, na quinta colocação, perdendo para os Vila Novas, Campinenses e Duques de Caxias da vida, em casa. E o Canindé sempre virava um inferno, com a torcida jogando contra. E a faixa continuava virada.

Mas como condenar a atitude após quase 40 anos em jejum? A torcida é o espelho do time. E os apupos e vaias, tão criticados por mim, nada mais eram que o amor sob protesto. Pior seria a indiferença, mas esta sempre passou ao largo das frias bancadas do Canindé. Mesmo assim, a faixa continuava virada.

Mas este ano foi diferente. A torcida vestiu, literalmente, a camisa e jogou junto, de verdade, como a brilhante campanha de marketing colocou no próprio manto luso. Manto este inspirado nas cores de Portugal. Sim, nossos ascendentes são portugueses, com muito orgulho, com raça e com trabalho. E foi com trabalho que voltamos. E o melhor: jogando muita bola. Com Jorginho e com Edno, os maiores símbolos desta equipa de gigantes.

Que a Série-B seja apenas um rico capítulo da nossa história. Que seja o ponto de partida para voltarmos a ser grandes. Voltarmos não a ter orgulho, pois nunca o perdemos, mas a mostrar, de cabeça erguida, a Cruz de Avis da nossa camisa. Viramos a faixa. Viramos a página.

Imagens: Web Rádio Lusa

Hoje é dia de subir, Lusa

Chegou o dia. Hoje a Portuguesa terá a chance de ratificar a sua volta para a divisão principal do futebol brasileiro. O adversário será, curiosamente, o Vitória, que é treinado pelo Benazzi, que foi o responsável pelo último acesso luso, ainda em 2007.

Matematicamente ainda não será hoje, mas a matemática não joga, e quando joga, o faz mal pra caramba. A condição não é aritmética, é técnica. O quarto colocado não fará mais que 63 pontos, e a Lusa já tem 61.

Honestamente, não sei quais são os desfalques. Só sei que o Ananias está suspenso, por causa da cartolina encarnada que tomou diante do BOA, na terça-feira passada. Não sei nem quem entra, se é o Timbó, o Ivo ou o Lucas Gaúcho. O fato é que, quem entrar, terá a oportunidade de fazer história.

A campanha é fantástica: são 61 pontos, 17 vitórias, apenas três derrotas, 62 gols marcados, 33 de saldo. No primeiro turno, igualou as marcas de Corínthians, em 2008, e Vasco, em 2009, com 38 pontos.

Ninguém no Brasil tem números tão expressivos. É claro que os adversários não são do mesmo nível dos times da Série-A, mas o investimento no time também não é. A comparação, portanto, deve ser proporcional.

Com números tão superlativos, que a torcida faça a sua parte, seja em números, seja em animação. Que cada um dos pouco mais de 5 mil lusos que estarão no Monumental do Pari nesta noite fria e talvez chuvosa de terça-feira valham por 10.

Hoje é dia de torcer pra Lusa bebendo vinho. É o dia A, de acesso.

Portuguesa 1 x 1 BOA, nós fomos conferir

Nessa terça-feira, véspera de Feriado, os Copeiros foram assistir o jogo que poderia garantir o acesso à Portuguesa para a Série A do Brasileirão.

Chegando no estádio, era só festa. A torcida cantava e esperava a vitória sobre o BOA Esporte de Varginha, o atual 5o lugar da competição e detentor da melhor defesa do campeonato.

Veja o vídeo dos copeiros no Canindé:

Abraços.
Caio di Pacce.

O Coxa voltou

Após uma trágica queda em pleno ano do Centenário, o Coritiba está de volta a elite do futebol nacional.

O time paranaense bateu ontem o Duque de Caxias em um jogo emocionante, com muitos gols: 3×2 em pleno São Januário. Marcos Aurélio foi o autor do tento salvador.

O Coxa garantiu o acesso com quatro rodadas de antecedência e tem tudo para conseguir o bi-campeonato da série B. Já que foi campeão em 2007.

Coxa, bem-vindo de volta à elite do futebol brasileiro. E Boa sorte em 2011.

Abraços.
Caio di Pacce.