Massacre canarinho

Nova Jersei, EUA, local da estréia de Mano Menezes e dos meninos da Vila com a camisa verde-amarela. O rival dono da casa veio empolgado, com uma bela apresentação na Copa do Mundo. Todos os analistas brasileiro estavam preparando um discurso cauteloso, de preparação do time para 4 anos. Mas todos se surpreenderam, o Brasil massacrou.

O placar marcou 2×0 após os 90 minutos, mas o placar moral foi 7,8,9,10×0 contra os norte-americanos. O time veio num 4-3-3 ofensivo, pra frente, jogando bonito. Um futebol moderno, mas romântico. Ao melhor estilo brasileiro.

A dupla de zaga David Luiz e Tiago Silva foram seguros, mostrando que essa dupla poderá dar caldo. O meio de campo com o firme Lucas, o veloz e astuto Ramires e o incrível Ganso, que mesmo quando a gente espera um futebol espetacular dele, o garoto continua a nos surpreender.

E o ataque, o melhor setor do time brasileiro, funcionou muito bem. Neymar parecia vestir o branco da camisa do Santos, fez de cabeça gol na estréia, o primeiro do Brasil e Pato também foi preciso, guardou o segundo driblando o goleiro. Tudo isso no primeiro tempo.

No segundo tempo, o time massacrou, parecia jogo treino, era defesa contra ataque, mas o time oscilou um pouco nas finalizões, mas foram muito bem. Mesmo os que entraram, Herandes, Carlos Alberto, Jucilei foram bem. Único destaque negativo foi a triste estréia de Ederson, que sentiu a coxa em seu primeiro lance e teve que sair.

Kaká, Maicon,  Luís Fabiano terão que jogar muita bola para poder voltar a ser titular da seleção. E pra quem dizia que o Mano era retranqueiro, a resposta está aí. Um jogaço.

Abraços.
Caio di Pacce.

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Santos, Campeão do Brasil

A derrota para o Vitória deu o título inédito da Copa do Brasil ao Santos Futebol Clube. O time da baixada paulista agora se iguala ao Palmeiras, em número de títulos nacionais, computando nove canecos no total.

O jogo em si esteve longe de ser uma final de campeonato. O péssimo gramado do Barradão não ajudou nem o limitado time da casa. A chuva persistiu em roubar a estética do jogo e os chuveirinhos eram inevitáveis.

Antes arma secreta do time baiano, foram os paulistas que utilizaram o jogo aéreo para abrir o placar e bater o último prego no caixão do Vitória. O time não desanimou e buscou o resultado, mas todos dentro das quatro linhas sabiam que já era tarde. Não vou elogiar a torcida, pois sempre que vejo os gols do Vitória no Fantástico, o estádio está vazio. Tudo bem que era final de campeonato, mas a torcida tem que estar presente. Sempre.

O título da Copa do Brasil vem coroar essa geração santista que encantou e alvoroçou o futebol nesse último ano. O desmanche é inevitável e começou antes de acabar o jogo. Substítuido no segundo tempo, Robinho dá mais um adeus para a Vila Belmiro.

Como idealista do futebol, fico feliz que um time com a pegada do Santos tenha sido vitorioso no primeiro semestre. Claro, torço a cara para atitudes imbecis de Robinho, Madson, Felipe e toda a patota do mal. No entanto, não seria justo, nem comigo mesmo, negar que gosto de ver o Santos jogando.

Dá uma esperança no peito, saber que existem times que ainda se preocupam em fazer gols.

Agradecimento ao Cadu Martins

Foto: Agência Lance!

Cavando o Vitória.

Existe um ditado que diz que é mais dificil se manter no topo do que chegar lá. De fato, quando conquistamos alguma coisa, a sensação de vitória é efêmera. Por isso que pessoas que conseguem sucessos consecutivos na vida são admirados. Ou invejados.

Sou um grande crítico do Santos atualmente. Gosto muito do futebol que os garotos vem apresentando, mas isso para mim não basta. Sou daqueles românticos, peladeiros, que quer enxergar além dos passes e dribles bonitos.

Ontem, na Vila Belmiro, Neymar errou um pênalti. Tudo bem, ele já havia batido da mesma maneira em outras oportunidades e convertido. No entanto, essa cobrança, naquele momento, naquela hora, mostrou falta de tato do terceiro raio santista.

Muitos estão comparando o evento com a cobrança de Loco Abreu contra Gana. Na verdade, não há a mínima comparação. A diferença entre a cobrança de Neymar e do uruguaio, pode ser entendida como assimetria de informação.

Certamente os ganeses não se tocaram que Loco Abreu havia batido um penâlti desse tipo em uma final de estadual aqui no Brasil. No entanto, os baianos do Vitória acompanham todo o estardalhaço que Neymar anda fazendo pelos campos tapuias. Ou seja, os ganeses não sabiam (ou não acreditavam), mas os baianos sabiam (e consideraram a hipótese).

Ao cobrar a penalidade dessa maneira, Neymar mostrou displiscência e arrogância. Poderia ter deixado, logo, seu time em maior vantagem. Poderia ter mostrado maturidade. Assim como Ganso, que controla o deslumbramento a la Robinho.

Do mais, o Santos conseguiu uma bela vitória. Isso por que é muito mais time que o Vitória. Os times do Nordeste costumam esbravejar que os visitantes sofrerão no “caldeirão” nos jogos de volta.

Só que dessa vez, não há possibilidade. Os meninos da Vila saíram de casa com uma mão na taça.

Foto: Portal Abril

O Santos não dá mais bola.

O time do Santos foi o Beatles do primeiro semestre. Um frenesi incontrolável tomou conta da crônica esportiva e do torcedor comum. Em uma doce nostalgia, acreditávamos na ressurreição do futebol bem jogado, bonito, alegre e efeciente. A era das carrancas havia ficado para trás. Finalmente!

Lembro do retorno de Robinho ao time da Vila. Pelé o conduziu do helicóptero para o altar, onde Chorão o esperava. A cerimônia foi recheada de gírias e acenos. Os convidados presentes se deliciavam com um buffet de nostalgia e uma esperança de que a magia de 1962 estava de volta ao litoral paulista. Ganso, Neymar, André e Robinho: o casamento perfeito.

A Copa do Mundo deixou os prodígios do Santástico aqui no Brasil. Como todo profissional, de qualquer área, Robinho soube vender seu peixe e acompanhou a Seleção no fiasco africano. Não jogou muito bem, mas apareceu em duas partidas fazendo belos gols.

De volta do protetorado de Dunga, Robinho foi um dos primeiros a enfrentar a imprensa. Ato louvável, mesmo que a coletiva tenha sido uma coleção de frases-prontas e panos-quentes. Assim como vemos no mundo corporativo.

Enfim, o futebol brasileiro voltou a realidade. As rodadas do Campeonato Brasileiro retomaram a atenção do povo e a Copa já está ficando para trás. E surpreendentemente, o Santos também.

O estopim foi a confusão entre Wesley e o nosso Robinho. Ninguém de fato sabe o que aconteceu, mas alguma coisa aconteceu. Por que no futebol, assim como na vida, onde tem fumaça, geralmente tem fogo.

Dorival botou panos quentes, mas ninguém de fato espera uma atitude mais enérgica do sereno treinador. Passivo e crente na magia do time praiano, o Dorival fecha os olhos e aguarda que o pesadelo acabe e que a chuva de gols volte a molhar sua horta.

A pergunta que fica é se houve falta de pulso em forjar o ímpeto da juventude santista. Será que o Santos que vemos é a antonímia da Seleção que vimos? Será que são dois extremos em que, embora trouxessem resultados, acabaram de forma melancólica?

Espero que o Santos responda essas minhas perguntas. Dentro de campo.

Foto: lazeresportes.com

Chato e perigoso



Não gosto do futebol da seleção brasileira há muito tempo. Mesmo assim, não sou daqueles de torcer contra. No entanto, se você não é o Galvão Bueno, você também não deve ter ficado satisfeito com a apresentação que a canarinho fez frente aos patrícios no dia de hoje.

Na partida pudemos mais uma vez constatar a fragilidade do carrancudo time de Dunga: a ausência de criatividade. No primeiro confronto contra uma equipe que sabe razoavelmente trabalhar a bola, o que se viu foi uma seleção viciada em fazer jogadas por um lado só do campo. Nesse sentido, Maicon foi muito exigido e respondeu a altura.

Mas, ele não pode fazer tudo sozinho. Nem ele, nem o Lúcio, que foi o melhor em campo disparado. Muito superior ao engomadinho Cristiano Ronaldo. Ou só Ronaldo, como ele prefere ser chamado. O zagueiro brasileiro lavou, passou e cozinhou para o time; mostrando competência e muita lealdade.

Felipe Melo continua desfilando sua ruindade pelas gramas internacionais. O pior jogador do campeonato italiano ainda quase prejudicou a equipe, com seu estilo pit-bull de Deus e suas rixinhas com o Pepe. Dunga foi sábio em sacá-lo logo no primeiro tempo.

O destaque positivo depois de Lúcio fica para Nilmar, que joga muito mais bola que o Robinho. Sem estrelismo e jogando para o time, o ex-Inter de Porto Alegre criou boas oportunidades para o insosso ataque brasileiro. Merece a titularidade.

Antes de começar o jogo, já sabia que seria uma partida modorrenta. Isso por que o empate servia para a classificação da colônia e da metrópole. Agora na segunda fase, certamente teremos, finalmente, emoções nos jogos do Brasil. Mesmo que com essa bolinha que o time apresentou, sejam emoções negativas.

Foto: Getty Images

Classificação paulista!

Hoje dois grandes jogos aconteceram, duas classificações importantíssimas em dois grandes clássicos do futebol brasileiro. No Morumbi, o São Paulo recebeu o Cruzeiro podendo perder até por 2 gols de diferença, em jogo válido pelas quartas-de-final da Copa Libertadores.

Na Vila Belmiro, o palácio do futebol brasileiro, recebeu um jogaço entre Grêmio e Santos, válido pela semi-(final) da Copa do Brasil, no qual o time da casa precisava ganhar do tricolor gaúcho. A disputa dos dois melhores times do Brasil, na minha humilde opinião.

A missão do São Paulo não era difícil, e ficou muito mais fácil quando Kléber foi expulso no primeiro minuto de jogo, após isso, o São Paulo manteve a posse de bola e soube controlar toda a partida. Os gols tricolores foram meros detalhes, Hernanes abriu o placar no primeiro tempo e Dagoberto completou no segundo: 2×0 e um massacre tricolor. Classificação merecida.

O Santos sofreu muito, principalmente no primeiro tempo, quando o Grêmio marcou muito, conseguiu anular as principais jogadas dos jogadores santistas, e quase abriu o placar. Mas quem vacila contra o Santos, principalmente na Vila, sofre.

No segundo tempo o clube da baixada começou avassalador, o Grêmio marcava muito, mas talento é muito dificil de se marcar, em uma linda jogada PH Ganso, num petardo de longa distância, o Santos abriu o placar. Minutos depois, um contra-ataque rápido e Robinho mostrou porque joga na seleção, encobriu o Vitor e ampliou o placar.

Mas o Grêmio é forte, principalmente na bola aérea, numa falta boba Jonas cabececou e Rafael Marques diminuiu. A partir dali era um jogo aberto, sem tática e muita vontade. Nessa batalha o Santos falou mais forte, Wesley definiu o placar: 3×1.

Parabéns ao São Paulo e ao Santos.

Abraços.
Caio di Pacce.

FOTOS: LANCENET!

Mas que jogaço!

Um jogo digno de final de Campeonato Paulista,  Santos e Santo André entraram no Pacaembu para começar decidir o regional mais importante do país. Era o confronto das duas melhores equipes, das duas melhores campanhas do Paulistão.

E o jogo começou eletrizante, o Santo André fez um ótimo primeiro tempo, soube neutralizar as investidas santistas, com uma marcação implacável sobre a dupla dinâmica Neymar e Ganso. E era muito perigoso nas jogadas de velocidade com Gil, Branquinho, Nunes e Rodriguinho.

Eram tão perigosos que em uma dessas investidas, Dracena fez falta perigosa, Bruno Cesar cobrou bem e abriu o placar 1xo Ramalhão. O time do ABC teve mais chances claríssimas de ampliar o placar, mas não soube definir o jogo, principalmente Nunes em um contra-ataque fulminante.

Neymar foi substituído por André, e o jogo mudou completamente. O Santos entrou para a segunda etapa com muita vontade, e o Santo André se retraiu, assim aos 10 minutos Ganso achou o camisa 17 para empatar o jogo.

Enquanto isso, Neymar que machucou o olho em um lance no primeiro tempo, assistia o jogo no vestiário de gola alta, boné e corrente de ouro. E via Wesley virar o jogo em uma linda triangulação com Pará e Robinho.

O jogo foi de Wesley, em lance muito parecido, a zaga andreense falhou, o camisa 9, que jogou de volante e lateral direito, aproveitou para ampliar a partida. Neymar vibrava cada gol e jogada santista com seu boné e gola alta.

Mas o valente Santo André foi valente, mesmo com 10 em campo, dada a expulsão de Toninho, conseguiu diminuir o placar com Rodriguinho, e deu sufoco ao Santos até o apito final.

Um jogaço, com lances lindos, inversões no placar, golaços. Um jogo digno de uma final de Paulistão.

Abraços.
Caio Di Pacce.