E o River caiu.

Caiu depois de três péssimas temporadas, marcadas por uma má administração que refletiu dentro dos gramados. Isso não é novidade, nós brasileiros sabemos bem como funciona tudo isso.

Daniel Passarela deixou seu posto de mito, mergulhando na lama da cartolagem sul-americana. Sua galeria de glórias agora está manchada pelo pior pesadelo entre os piores fracassos. Passarela que levou seu time do coração a dominar a década de 1970, no dia de ontem foi um dos responsáveis pela sua pior tragédia.

O descenso é um castigo. Principalmente para os grandes. Afinal, time grande não cai. E a queda geralmente vem misturada de vergonha e é o desfalecimento de um estado crítico, cozinhando por anos de erros e negligência.

Ainda mais na Argentina, onde existem os promedios, que computam o desempenho dos últimos três anos das equipes. Assim, o River não fez um torneio Clausura 2011 ruim. Nem alguns jogos ruins. O time de Nuñes vem amargando campanhas pífias desde 2008.

Passarela assumiu no começo de 2010. Sua paixão e trabalho pelo clube não foram suficientes para evitar o destino. Assim como Roberto Dinamite, teve de cair para limpar a lama deixada por Eurico Miranda em anos de usurpação do Vasco.

Mas o descenso não é só dor. É o momento onde pode se deixar de lado o que há de pior no clube. E trazer de volta, para perto, tanto o torcedor quanto o bom futebol.

Amor à camisa.

Cada dia que passa, mais raro fica o laço entre um jogador e um clube. Quando todos nascemos, somos incubidos à escolher um clube de futebol para torcer, alguns de maneira forçada pelos pais/amigos, outros de maneira natural, esse processo é o mesmo para os jogadores.

Já faz tempo que é escasso um jogador ter amor à camisa que veste, hoje (desde os anos 90, principalmente) o que interessa ao jogador é puramente o dinheiro. Exemplos como Marcos, Rogério Ceni, Riquelme, Palermo, Maldini, Gattuso, são cada vez mais escassos.

Porém, em uma desses fuçadas no youtube, achei um vídeo que valeu o dia: Um vídeo de Fernando Cavenaghi alentando com os Borrachos Del Tablón no superclássico argentino. Segue o vídeo:

Mesmo jogador do Bordeaux da França, o grande atacante argentino carrega sua paixão pelo River Plate, e não hesita em demonstrar. Ao ver o vídeo pensei: Qual jogador brasileiro faria isso? Qual jogador, em suas férias, ou em período de lesão, sairia de sua casa, iria ao estádio, pagaria entrada de arquibancada e ficaria no meio da bateria do clube alentando, como um torcedor comum?

Percebi que o futebol moderno ataca mais o futebol brasileiro do que o argentino. Um salve aos Hermanos.

Abraços
Caio di Pacce.