Falar o que?

A Portuguesa segue se arrastando, se afundando, se apequenando. Após mais um desempenho pífio, desta vez frente o Oeste, em Itápolis, colocou o pé no fundo do poço. Se das outras vezes o problema era furar uma defesa bem postada, o que se viu na noite do interior paulista foi um time que abriu 2 a 0 antes do meio tempo, sabe-se lá como, e que não soube segurar sequer o empate, levando dois gols de um atacante reserva com nome de passarinho.

Quem são os culpados? Se no ano passado, a partir do início da Série-B tudo começou a dar certo, agora a coisa virou. Os reforços são ruins, tanto que dois já foram dispensados, o time é mal feito e o elenco é desequilibrado. Os meias que foram contratados não reúnem condição física, quiçá técnica, para atuar pela Portuguesa.

Assim, da mesma forma que o mérito pela espetadular campanha do ano passado foi da diretoria e, principalmente, da comissão técnica, hoje eles devem carregar o ônus da responsabilidade por terem feito esse troço que veste uma camisa horrorosa, a despeito da tradição lusitana.

A todo momento as pessoas me perguntam o que aconteceu com a Lusa. Não sei o quê dizer, e duvido que alguém no Canindé saiba. O fato é que não dá mais pra lamentar os reforços que não vieram ou osjogadores que saíram. E nem me refiro a resultados, pois se o trabalho é bem feito, tem consistência, eles vêm. Falo do futebolzinho mequetrefe, acéfalo, sem nada, que a Lusa vem jogando.

2012 é o ano que marca o retorno da Portuguesa entre os grandes. É o ano mais importante da história recente do clube. É o ano em que o time decidirá se volta a ser grande e se mantém na elite, para que, mais bem estruturada, possa alcançar portos mais distantes, ou retorne sem honras à Segunda Divisão, como um barco à deriva que rumava aos abismos imaginários que haveriam nos mares, antes da era das navegações.

É hora de repensar o trabalho. E ver o que dá pra salvar. E ver quem está disposto a ajudar. E ver se o objetivo é voltar a ser grande ou assumir a pequenez de vez.

O circo dos horrores

No sábado fui ao Canindé assistir à Portuguesa contra o Catanduvense, pelo Paulistão. Confesso que, desde o fim da Série-B, foi o primeiro jogo ao qual assisti in loco. Não por desleixo, mas por absoluta falta de tempo.

O que vi, malta, nem de longe lembra a equipa do ano passado. A Lusa foi um time absolutamente perdido em campo. Tinha, naturalmente, a posse da bola durante a maior parte do jogo, mas não sabia o que fazer com ela. A Lusa modelo 2012 é um time acéfalo, que corre, corre, corre e não chega a lugar nenhum. Tem uma defesa bem postada, um goleiro que continua operando milagres e um meio-campo que marca muito bem. E só.

Com a bola no pé era o seguinte: bola com Guilherme, que passa para Boquita, que volta com Guilherme, que, sem ter como iniciar a jogada ofensiva, busca Léo Silva. Este aciona Raí, e bola para a lateral. Ou para o adversário. Ou ele tropeça sozinho. Ou erra o passe. Raí é o típico caso de engano da cigana. É inadmissível que um time que disputará a Primeira Divisão tenha um “jogador” como ele.

No mais, Jorginho armou o time com os três trincos citados que habitualmente têm jogado. À frente, Ananias e Henrique jogavam abertos, pelo flancos, e Ricardo Jesus, isolado, brigava com os zagueiros – e com a bola nas poucas vezes em que foi acionado. Talvez assim Jorginho quisesse abrir a defesa do Catanduvense, mas não foi isso o que aconteceu, sobretudo porque Ananias esteve muito mal.

Depois do meio tempo o time voltou com o avançado Vandinho no lugar de Léo Silva. O rombo na criação ficou maior ainda, sendo resolvido somente quando o treineiro luso sacou o inoperante Raí (óóóóó!) para a entrada de Maylson, que também é jogador de contenção, mas dos volantes lusos é o que tem melhor passe, e passou Boquita para fazer a lateral-esquerda.

Quando o empate parecia inevitável, a bronca do torcedor foi direcionada às tribunas, onde estava o presidente Mané da Lupa. Chamado de ladrão para baixo, sugeriram que ele levasse o jogo para Catanduva, pois lá haveriam mais torcedores que os pouco mais de nil heróis que pagaram para ver o espetáculo dantesco que teve lugar no Canindé, uma vez que ele já havia vendido o mando de campo na partida contra o Corinthians.

A Portuguesa perdeu peças-chave, é verdade, mas não repôs. Ou melhor, contratou jogadores que sequer estrearam com a camisa do time. Quando o fizerem, talvez seja tarde. Para o Paulistão, a impensáveis sete pontos do oitavo colocado, a vaca  rubroverde já deitou. Meu medo é a Série A do Brasileiro. Com cara de bate-volta, corremos o risco de ser o Duque de Caxias da elite.

Assim, a Primeira Divisão será um enorme circo de horrores, onde o palhaço, mais uma vez, será o torcedor da Portuguesa.

O preço da ganância

Como já é sabido, a Portuguesa perdeu o clássico contra o Corinthians, que foi disputado no estádio do Pacaembu na noite de quarta-feira. Como também é da ciência de todos, apesar de o jogo ser no estádio municipal, o mando era da Lusa. E a diretoria rubro-verde não só abriu mão do mando, o que é discutível, como o deu para o adversário, o que é inaceitável.

A versão oficial da direção do time do Canindé para justificar a inversão foi a possibilidade de obter uma renda maior. Não discuto a necessidade de que seja necessário fazer caixa, mas daí dar o mando para o adversário vai uma diferença descomunal.

Um clássico, qualquer que seja, é marcado pelo equilíbrio e, dessa forma, um detalhe pode fazer a diferença. Não quero dizer que se o jogo fosse no Canindé a Portuguesa massacraria o oponente, mas as possibilidades de vencer seriam maiores, bem maiores. Se é pra fazer caixa, que mantivessem o jogo no Dr. Osvaldo Teixeira Duarte e liberassem a maior parte dos ingressos para o distinto co-irmão.

Mas não! Por meia dúzia de moedas abriu mão de jogar em casa. O mais perto da condição de mandante que o time do Jorginho chegou foi usar o balneário de número um, o que não significa absolutamente nada. Resultado: o Corinthians jogou em casa, o que era tão certo quanto dois e dois são quatro, venceu e o saldo líquido da bilheteria proporcionada pelos cerca de seis mil pessoas que foram ao Pacaembu foi de pouco mais de vinte e quatro mil reais.

Há muto tempo a Portuguesa quer respeito, quer ser tratada como grande. No entanto, deve se dar o respeito para tal, pois se vende o mando de campo por uns caraminguás quaisquer, pode colocar mais duzentos mirréis e combina também o placar do jogo. De qualquer forma, o saldo seria positivo, pois quem se vende sempre recebe mais do que realmente vale.

Tempo de maturação

A Portuguesa vive um tempo de dificuldades na disputa pelo título do Paulistão. O futebol vistoso do ano passado deu lugar a um time que ainda prioriza a posse de bola, mas dá a sensação de que tenta correr na subida. É um futebol amarrado, claudicante, de muita dificuldade e pouca penetração. A despeito dos erros de arbitragem que (como sempre) têm nos atrapalhado, o desempenho não é o mesmo.

O motivo para a queda do rendimento é claro: a saída de dois jogadores. Deixaram o clube do Canindé jogadores-chave como Edno e, sobretudo, Marco Antonio. Estes eram os dois que faziam a Barcelusa funcionar. Edno era o desafogo, aquele que rompia as defesas contrárias na base da força, além de trazer a marcação para si, abrindo espaços para os meias e volantes que chegavam de trás com excelentes possibilidades de marcar. Já Marco Antonio era o diferencial. Aquele dos passes precisos e profundos, que fazia da bola parada uma arma letal, que ditava o ritmo da equipe do técnico Jorginho.

Sem eles, a Lusa tornou-se um time comum, como tantos outros, e é preciso que haja tempo para o time reaprender a jogar. Jorginho tem toda capacidade de fazer o time render, não da forma que era antes, pois não tem jogadores à mão para que exerçam a função dos que sairam.

Agora cabe à diretoria arrumar uma forma de trazer atletas que possam preencher as lacunas. A chegada de um homem de referência, uma carência vista no time durante boa parte da época passada, como Ricardo Jesus, veio muito a calhar.
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Dois jogadores que encaixariam como caneta em orelha de comerciante português seriam Diogo e Zé Roberto, que têm condição de exercer as funções dos que se foram. São aquisições complicadas, difíceis e caras, principalmente porque trata-se de atletas de que têm mercado.

Enquanto não chegam, se é que chegarão, o jeito é esperar que a equipa lusa ganhe corpo, pegue no breu. Sem comparações com o time do ano passado. A Barcelusa passou e, dificilmente, voltará nos mesmos moldes. Mas dá para jogar com objetividade, mesmo sem tanta beleza. E o nosso Cantinflas pode arrumar isso, mais que qualquer um.

Nosso dia chegou: Lusa campeã!

O nosso dia chegou. A Portuguesa de Desportos é campeã! Ninguém merece mais que nós esta taça, esta glória. É o fim de uma página triste, quiçá a mais triste de todas. Mas um fim glorioso, inesquecível. Com o estádio lotado, com todas as nossas glórias reunidas. Com um comandante de caráter, que conhece a Portuguesa como ninguém. E só quem conhece a Lusa seria capaz de compreendê-la.

Foi um trabalho árduo, difícil, cheio de obstáculos, com quedas, momentos vergonhosos, não para se esquecer, pois é nos erros que se aprende. Deve-se, sim, lembrar de todos os erros, equívocos, e usá-los como um mantra, para que nunca mais a Portuguesa saia do seu lugar.

E seu lugar é onde sempre foi: entre os grandes. Não são as quedas que apequenam. O que diferencia os grandes dos demais é a capacidade de se reerguer. E nisso a Portuguesa foi gigante.

E a Lusa é gigante. É enorme. Sem essa de Barcelusa. Hoje não. Hoje é Portuguesa, apenas Portuguesa, e isso nos basta. E isso ninguém nos tira. A glória da nossa história, a força, a tradição e a certeza, agora sim, inquestionável, que a Portuguesa é um time campeão.

Viramos a faixa

Viramos a faixa. Finalmente. Desde a queda, em 2008, a exigente e chata torcida da Portuguesa passou a colocar a faixa virada de ponta-cabeça. Era a forma de protestar não só contra a queda após apenas um ano na elite, mas a série de desmandos, erros e sacanagens que fizeram da Lusa um time qualquer, sem essência, sem respeito nem dos adversários tampouco de si própria.

Depois foram dois anos batendo na trave, ficando pelo caminho por um ponto, na quinta colocação, perdendo para os Vila Novas, Campinenses e Duques de Caxias da vida, em casa. E o Canindé sempre virava um inferno, com a torcida jogando contra. E a faixa continuava virada.

Mas como condenar a atitude após quase 40 anos em jejum? A torcida é o espelho do time. E os apupos e vaias, tão criticados por mim, nada mais eram que o amor sob protesto. Pior seria a indiferença, mas esta sempre passou ao largo das frias bancadas do Canindé. Mesmo assim, a faixa continuava virada.

Mas este ano foi diferente. A torcida vestiu, literalmente, a camisa e jogou junto, de verdade, como a brilhante campanha de marketing colocou no próprio manto luso. Manto este inspirado nas cores de Portugal. Sim, nossos ascendentes são portugueses, com muito orgulho, com raça e com trabalho. E foi com trabalho que voltamos. E o melhor: jogando muita bola. Com Jorginho e com Edno, os maiores símbolos desta equipa de gigantes.

Que a Série-B seja apenas um rico capítulo da nossa história. Que seja o ponto de partida para voltarmos a ser grandes. Voltarmos não a ter orgulho, pois nunca o perdemos, mas a mostrar, de cabeça erguida, a Cruz de Avis da nossa camisa. Viramos a faixa. Viramos a página.

Imagens: Web Rádio Lusa

Hoje é dia de subir, Lusa

Chegou o dia. Hoje a Portuguesa terá a chance de ratificar a sua volta para a divisão principal do futebol brasileiro. O adversário será, curiosamente, o Vitória, que é treinado pelo Benazzi, que foi o responsável pelo último acesso luso, ainda em 2007.

Matematicamente ainda não será hoje, mas a matemática não joga, e quando joga, o faz mal pra caramba. A condição não é aritmética, é técnica. O quarto colocado não fará mais que 63 pontos, e a Lusa já tem 61.

Honestamente, não sei quais são os desfalques. Só sei que o Ananias está suspenso, por causa da cartolina encarnada que tomou diante do BOA, na terça-feira passada. Não sei nem quem entra, se é o Timbó, o Ivo ou o Lucas Gaúcho. O fato é que, quem entrar, terá a oportunidade de fazer história.

A campanha é fantástica: são 61 pontos, 17 vitórias, apenas três derrotas, 62 gols marcados, 33 de saldo. No primeiro turno, igualou as marcas de Corínthians, em 2008, e Vasco, em 2009, com 38 pontos.

Ninguém no Brasil tem números tão expressivos. É claro que os adversários não são do mesmo nível dos times da Série-A, mas o investimento no time também não é. A comparação, portanto, deve ser proporcional.

Com números tão superlativos, que a torcida faça a sua parte, seja em números, seja em animação. Que cada um dos pouco mais de 5 mil lusos que estarão no Monumental do Pari nesta noite fria e talvez chuvosa de terça-feira valham por 10.

Hoje é dia de torcer pra Lusa bebendo vinho. É o dia A, de acesso.