Copeiros – Palmeiras 0 x 1 Ponte Preta (05.02.2015)

Fui ao Palestra Itália ver a derrota do Palmeiras contra a Ponte Preta por 0×1, comentei o jogo e dei a minha opinião. Confiram!

Abraços.
Caio Di Pacce

Por um futebol mais justo

Depois que a Ponte Preta venceu o badalado Santos por 3 a 1 pelo Paulistão, o técnico do time de Campinas, Guto Ferreira, deu uma declaração interessante. Mais que isso, foi um desabafo pela condição do futebol do interior paulista.

”No começo, quando ninguém prestava atenção na gente nem via nossa dificuldade em contratar, treinar e arranjar dinheiro, éramos só mais um. Agora, depois de tirar leite de pedra, viramos favoritos. Se cairmos, seremos decepção. É sempre assim. Ninguém falará que ganhamos muito menos do que os grandes. Que não temos o apoio que eles têm. Estão ocupados demais para ver que o dinheiro não é distribuído como devia. Estou em um dos 20 clubes da primeira divisão. Mas somos tratados como um dos da última. Não sei se seremos campeões. E nem me importo. Mas o sonho do título e a esperança de que continuaremos incomodando e forçando os riquinhos a nos respeitar, isso TV ou dinheiro nenhum vai nos tirar. É o que mantém vivo o futebol brasileiro. Essa paixão e perseverança. Seria fácil para os 15 mil que vieram aqui hoje torcer pra um dos quatro. Mas não teria graça. É por eles que temos de ganhar. Não pra uma TV que nunca pensa na gente dizer que o título é caipira”.

Guto coloca o dedo na ferida, sem dó. Fala das distorções causadas pela péssima distribuição dos recursos da TV, que irá explorar ao máximo o fato de o lado preto-e-branco de Campinas liderar o campeonato, para depois jogar o bagaço fora. Também fala, indiretamente, da Federação Paulista de Futebol, que está instalada num suntuoso prédio do valorizado bairro da Barra Funda, na Zona Oeste da capital, enquanto seus filiados estão à míngua. É assim desde os tempos do presidente Farah, que sucateou o futebol do interior. O que Marco Polo Del Nero faz é continuar com o trabalho. Mais que isso: é aumentar o abismo entre os quatro queridinhos da mídia e o resto.

Mas que o dirigente não se iluda. Isso é como dar tiro no pé. É só ver pelo seu Palmeiras. Alguns dos grandes ídolos da gloriosa história palestrina foram buscados no interior. O Luis Pereira veio do São Bento; o Leão, do Comercial; o Dudu, da Ferroviária. Onde estão esses times? E onde está o próprio Palmeiras? Será que é saudável matar os estaduais em beneficio de meia dúzia de times com grandes torcidas?

Não se enganem! Se matarem os times pequenos, condenarão o Brasil a ser um país continental com quatro times grandes e um monte de zumbis servindo de sparrings.

Mortos abraçados.

Dançamos Tchê.

Dançamos Tchê.

Palmeiras e Corinthians jogaram contra Guarani e Ponte Preta nesse domingo, pelas quartas de final do Paulistão, disputas válidas em jogo único, quem vencesse levava a vaga para as semi-finais. Corinthians chegou como líder, enfretou o oitavo lugar em um Pacaembú abarrotado. O Palmeiras foi à Campinas, como 5o lugar, visitou o 4o lugar da primeira fase, o Guarani no Brinco de Ouro.

O embate entre os alvi-negros foi emocionante, a Ponte Preta fez um primeiro tempo brilhante, matou o time do Corinthians, e jogava nos contra-ataques, com a velocidade de Cicinho, Caio, maestrados por Renato Cajá. É verdade que contaram com uma ajuda do goleiro Júlio Cesar para abrirem o placar. Falta de William Magrão que o goleiro careca aceitou.

Em seguida o time da capital veio pra cima, mas era neutralizado, e na velocidade a Macaca era perigosa, em uma dessas investidas, Roger ampliou. Na segunda etapa, Tite veio com tudo, colocou Douglas, Alex e William, tirou Danilo, Jorge Henrique e o zagueiro Marquinhos.

A Ponte só se defendeu, com maestria, até que William furou o bloqueio. Aí Gilson Clena foi inteligentíssimo, eu teria feito a mesma coisa se fosse o meu time, arranjou confusão com o árbitro, foi expulso e enrolou cerca de 5 minutos de jogo, no momento que a Fiel mais explodiu no estádio, e que o time corinthiano estava mais aceso no jogo, ele conseguiu esfriar a partida e aumentar a pressão e o nervosismo dos jogadores do Timão.

Júlio Cesar ainda falhou novamente, em saída de bola, num tiro de meta de futebol juvenil, a bola bateu em Ralf, e sobrou para o time da Ponte, Pimpão foi lançado e ampliou. Ainda teve tempo para Alex diminuir, mas já era tarde. Corinthians eliminado.

Passados 30 minutos, o Palmeiras enfrentou o Guarani, um dos maiores algozes palestrinos do futebol do interior paulista, principalmente no Brinco de Ouro. O time do Bugre é um time ajustado, que joga na velocidade pelos flancos, e tem um jogo aéreo forte. E o time do Palmeiras sabia disso e tentou se prevenir.

Luan voltou ao time, na tentativa de privar Oziel de subir ao ataque, alternativa eficiente na primeira etapa, quando o time do Palmeiras dominou o jogo, teve algumas oportunidades de abrir o placar. Mas o Bugre soube se defender e chegou uma vez com perigo, com o meia Danilo.

Na segunda etapa, os mesmos problemas de posicionamento na defesa fez com que o Bugre chegasse mais, na bola alçada, Fumagalli, sim aquele mesmo, abriu o placar num gol olímpico. E logo em seguida, em uma cobrança rápida de lateral, Henrique teve que sair da zaga para dar o combate, dando espaço para Fabinho, que concluiu com perfeição para amplicar.

Logo em seguida, Luan fez bela jogada pelo flanco esquerdo, driblando dois jogadores e finalizou cruzado, no rebote Assunção diminuiu. Com 9 minutos do segundo tempo, a partida tinha 3 gols, com vantagem para o time da casa. Nisso, Felipão avançou o time, colocou Valdívia no lugar do esforçado João Victor, Palmeiras dominava as ações, mas carecia de organização: era muita vontade, mas pouca inspiração, o time martelava, mas pecava no momento de definição.

Com isso, o espaço atrás aumentou, e mais uma vez Fabinho teve chance para ampliar, e mais uma vez concluiu com perfeição: 3×1 bugre. Nos acréscimos Henrique descontou, mas não dava tempo para mais nada.

Palmeiras e Corinthians morreram abraçados no Paulistão, e o derbi que todos esperavam, não será o derbi da capital, mas sim o derbi campineiro: Guarani x Ponte no Brinco de Ouro, um jogo que ninguém pode perder.

Abraços.
Caio Di Pacce.

Quando a zebra não tem vez

Nesse fim de semana aconteceram as quartas-de-finais do Paulistão, era um jogo só, quem vencesse levava, o empate iria para os penaltis. Um prato cheio para que as zebram aparecerem, mas elas não tiveram vez:

Nos jogos de sábado, o Santos recebeu a Ponte Preta, no que seria o jogo mais complicado das quartas, mas não foi. Neymar foi logo querendo resolver a partida e abriu o placar ao receber passe de Elano, na única jogada que estava desmarcado. O time campineiro foi até valente, mas não conseguiu preocupar muito o goleiro Rafael. Santos classificado.

O Corinthians, que recebeu o Oeste, começou o jogo eletrizante, abriu logo o placar em belíssima jogada de Bruno César, Dentinho para a conclusão de Liedson. E, começou a perder um gol atrás do outro. No único ataque do time de Itápolis do primeiro tempo, em um erro de saída de bola, o jogo ficou empatado. Mas, após outro festival de gols perdidos, Willian saiu do banco para fazer um golaço e resolver o jogo.

Já no Domingo, o São Paulo enfrentou a Lusa, que nobremente se classificou perante o São Bernardo. E o tricolor, pressinou muito o time do Canindé, até que Ilsinho abriu o placar de cabeça. A Lusa tinha que sair, até criava as jogadas, mas não conseguia finalizar corretamente. O time do SPFC, mesmo sem Lucas, é muito veloz, e em um contra-ataque matou o jogo com Dagoberto: 2×0 e vaga garantida.

O jogo do Palmeiras contra o Mirassol, foi muito parecido com o do Corinthians, Valdívia fez um golaço de fora da área logo aso 12 minutos da primeira etapa, e o time do Palestra perdeu alguns gols feitos. No único ataque do Mirassol, o jogo ficou empatado. No segundo tempo, Kléber rolou pra Luan dentro da área, que chutou no zagueiro e a bola sobrou para Márcio Araújo, que fizera um partidaço na última quinta-feira contra o Santo André, desempatar: 2×1 e vaga garantida.

Agora é São Paulo x Santos, Palmeiras x Corinthians, um jogo só. Quem passa?

Abraços.
Caio di Pacce.

A valentia e a mística da Lusa do Canindé

Canindé mais uma vez foi palco de uma grande partida. Na noite de ontem, a Fabulosa mediu forças com a Macaca pela Copa do Brasil. A primeira perna do confronto fora um empate sem sal em 1 a 1 no interior paulista.

De luto pela perda da vaga no G4 do Paulistão, a Lusa vestiu seu uniforme negro e entrou no gramado sem Hevérton. Como mandante, começou o jogo de forma cadenciada, insistindo pelas laterais. Do outro lado, uma Ponte Preta cautelosa e veloz explorava os contra-ataques.

Nesse ritmo, a Portuguesa abriu o placar depois de uma boa jogada que terminou nos pés de Luiz Carlos. Saira o primeiro zero do placar no vazio e magoado Canindé.

O primeiro tempo acaba com uma boa atuação do polêmico Domingos. Além de cumprir sua função, o truculento zagueiro ainda fez bons passes e ajudou organizar o meio campo lusófono.

Mas outro jogador também chamaria a atenção: Celsinho. Na saída dos jogadores para o vestiário, a torcida começa a insultá-lo. Vagabundo e cachaceiro foram os mais leves apelidos que lhe deram. Em um destempero, o jovem jogador reage,mostrando o dedo médio para a torcida.

Na volta para o segundo tempo, a tensão entre jogador e torcida se mantém. O aquecimento dos reservas atrás do gol é recheado de insultos. Até que o jogador X intervém e pede calma para os torcedores.

Sérgio Guedes voltou com a Ponte mais veloz e organizada pressionando o time da casa. Tanto que explorando o costado dos laterais da Lusa, Finazzi recebe um passe a meia altura e com um voleio bate de chapa para igualar o placar. Belo gol que levaria o jogo para as penalidades.

Benazzi então mexeu no time. Mesmo aos gritos de “burro”, colocou o uruguaio Bizcayacu  e o polêmico Celsinho. Mudanças que surtiram efeito e lançaram o time à pressão.Até que em um passe de profundidade, o judas Celsinho cruza mascado e El Grilo só tem o trabalho de completar: 2 a 1 – a Lusa estava nas oitavas de final da Copa do Brasil.

Na comemoração, Celsinho se dirige vagarosamente para a torcida e com as mãos em prece roga trégua. Ainda ressabiados, os torcedores resolvem aceitar e passam aplaudir o camisa 17.

No reínicio da partida, Finazzi é expulso e na continuação da jogada o mesmo Celsinho chuta a bola em cima do jogador ponte-pretano que estava no chão. A discussão começa e o juíz expulsa dois jogadores lusos: Preto Costa e o místico Celsinho.

Já ao som de “e-li-mi-na-do”, o juíz encerra a partida. Agora a Lusa vai pegar o Fluminense nas oitavas de final da Copa do Brasil.

Avraços.

Caio di Pacce e Flaco Marques.