Judas interista

Judas Interista: Era o que estava escrito em uma faixa gigante no San Siro na torcida do Milan ontem no clássico della madoninna, Milan x Inter. Era uma mensagem para Leonardo, o treinador da Inter, que fez a carreira no rossoneri.

Essa pressão em cima de Leonardo caiu nas costas dos jogadores, que não entraram ligados e tomaram um gol bobo no primeiro minuto de jogo: Pato 1×0 pro Milan.

Com esse gol tomado, o Inter ficou ainda mais nervoso e não conseguiu criar nada. E o time do Milan, que não tinha nada com isso, aproveitou, dominou o jogo, pressionou, criou. No segundo tempo, Pato ampliou, fez 2×0 em uma belíssima jogada de Seedorf.

E ainda ampliou com Cassano, 3×0, de pênalti.

Essa vitória praticamente decretou o título para o Milan, já que abriu mais 3 pontos do vice-líder Inter.

Abraços.
Caio di Pacce.

 

Em Madrid, quem manda é o Real.

Ontem o Real Madrid recebeu o Milan pela UEFA Champions League. O confronto mais esperado da primeira fase do torneio mais importante da Europa, o Santiago Bernabéu era um mar merengue.

Ronaldo Assis estava de volta ao estádio que o aplaudiu de pé, quando jogava pelo Barcelona. Naquela oportunidade o Real perdeu por 3×0 no superclássico e a torcida merengue aplaudiu de pé o brasileiro. O mesmo já ocorrera com Maradona e Del Piero.

Mano Menezes estava na platéia e viu um Milan cansado e dominado pelo time da casa. Mourinho escalou um time aberto, com Cristiano Ronaldo e Di Maria abertos, Ozil armando pelo meio e Higuaín na frente.

E essa formação funcionou. O Milan não viu a cor da bola e o time da casa venceu por 2×0. O primeiro de falta cobrado por Ronaldo aos 12 da primeira etapa, o segundo foi marcado contra por Bonera, após chute de Ozil.

Especulava-se que Mano queria ver Ronaldinho para convocá-lo contra a argentina em Novembro, no primeiro grande embate de Mano Menezes pela seleção, mas o treinador não deve ter gostado do que viu.

Quem sabe da próxima vez Ronaldinho tenha mais sorte.

Abraços.
Caio di Pacce.

FICHA TÉCNICA

REAL MADRID 2×0 MILAN

ESTÁDIO: Santiago Bernabéu, Madri (ESP)
ÁRBITRO: Pedro Lourenço (POR)
CARTÕES AMARELOS: Bonera, Boateng (MIL); Di María (REA)
GOLS: Cristiano Ronaldo (1-0), aos 12’/1ºT; Özil (2-0), aos 13’/ºT

REAL MADRID: Casillas; Arbeloa, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Granero, 40’/2ºT), Özil (Lass Diarra, 37’/2ºT), Cristiano Ronaldo; Higuaín (Benzema, 42’/2ºT)
TÉCNICO: José Mourinho

MILAN: Amelia; Zambrotta, Bonera, Nesta, Antonini; Pirlo, Gattuso (Boateng, 13’/2ºT), Seedorf, Ronaldinho Gaúcho (Robinho, 16’/2ºT): Alexandre Pato (Inzaghi, 33’/2ºT) e Ibrahimovic
TÉCNICO: Massimo Allegri

FOTO: Lancenet!

La Squadra Migliore Vince Sempre

O fim de semana em Milão teve um crepúsculo azul e negro. Giuseppe Meazza adormeceu com uma soberania herege sobre San Siro. Pela quinta vez consecutiva, a Internazionale de Milano conquistou o Scudetto.

O time de Mourinho faz jus ao seu nome. Dentre os vinte quatro jogadores do plantel, apenas cinco são italianos. Sendo que, no primeiro quadro, apenas Balotelli e Materazzi experimentaram alguma titularidade.

A taça era erguida contra o Siena após um solitário gol de Diego Milito. Enquanto que do outro lado do muro, um melancólico Milan ganhava da vecchia signora na despedida do rubro-tricolor paulista Leonardo. A cartolagem de bicheiro de Berlusconi pode custar a grandeza do time de San Siro nas próximas temporadas. A forma com que se deu a saída do educado Leonardo serve de alerta para um futuro de trevas.

O título da Inter deve ter soado muito bem aos ouvidos de Dunga. Afinal, a linha defensiva da seleção canarinha é a mesma que anulou a infantaria de todo o Calcio desse ano (sem falar no Barça). Júlio Cesar, Lúcio e Maicon mostram entrosamento. Os dois primeiros estão em grande forma técnica, enquanto que o terceiro esbanja vigor físico.

Em comemoração ao décimo oitavo Scudetto da história do clube, seu fornecedor de material esportivo está lançando uma camisa comemorativa. Mesmo com o design moderno, com uns tribais do lado, trata-se de um manto bonito. Assim como são todas as camisas desse belo time italiano.

Fotos: http://www.inter.it

Kaká é evacionado em Milão.

Hoje jogaram pela Champions League Real Madrid, de Kaká x  Milan de Ronaldinho Gaúcho. Mas o vendadeiro encontro dessa noite em Milão foi a torcida rossonera com seu grande ídolo Kaká, que vestira a camisa milanista por 4 temporadas.

O Real jogou melhor no primeiro tempo, muito em função do brasileiro, pressionou o time de Milão até abrir o placar com Benzema. O time da casa reagiu e empatou em um lance duvidoso de penalti, com uma cobrança precisa de Ronaldinho Gaúcho.

O segundo tempo foi mais fraco, muito brigado, com menos chances de gol, porém com defesas importantes do veterando Dida. O jogo terminou em um empate, que não foi tão bom para nenhuma das duas equipes, empatadas com 7 pontos, mas que agora veem o O. de Marselha encostado com 6 na terceira posição, já que o time francês goleou o fraco Zurich por 6×1 em casa.

Ao término do jogo, Kaká parecia tímido, comprimentou os ex-companheiros de clube, e não se aguentou: Foi aplaudir a torcida milanista. E a galera italiana retribuiu cantando: – Olê, Olê Olê, Kaká! Kaká! Uma cena rara para os dias de hoje de futebol moderno. É bom lembrar que o brasileiro recusou uma proposta irrecusável do Manchester City, de mais de 100 milhões de Euros, os dirigentes milanistas já estavam pensando no que fazer com a grana quando o craque declinou a proposta.

Claramente Kaká não pensa só em dinheiro, sente o peso da camisa. Mesmo quando foi para o Real Madrid disse que jamais se esqueceria do Milan, ele só saiu de lá, segundo sua declaração, pois o clube precisava realmente do dinheiro e que o Real era um clube de tamanho igual ao rubro-negro do norte da Itália.

Forza ao Kaká, é bom ver esse exemplo em tempo de Robinho e Adebayor.

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Abraços.
Caio di Pacce.

Milan e a Geopolítica

Um dos esportes mais populares do planeta, o futebol representa e pode ser analisado por diversos escopos. Seja pelo seu aspecto social de inclusão, pela facilidade de sua prática; seja pelo aspecto fisiológico de seus benefícios à saúde; pela sua essência de Esporte.

No entanto, nesse novo paradigma pós-moderno que o século XXI se insere, o futebol tem de ser analisado de uma forma global. Hoje em dia, independente dos motivos (globalização, progresso técnico, etc), o futebol é uma instituição social para muitas comunidades e nações.

A prova disso é a possível compra dos ativos do AC Milan por um investidor albanês. O clube atualmente pertence ao octopus italiano Silvio Berlusconi, uma espécie de Sarney da Bota. O também primeiro ministro se enrolou com fisco e tramóias contratuais, sendo punido pela Justiça italiana a pagar uma multa de aproximadamente 700 milhões de Euros.

Segundo o jornal Brasil Econômico, o possível comprador do clube é o albanês Rezart Taci, uma espécie de Sarney dos Balcãs. A oferta inicial é de 750 milhões de Euros. Taci é dono de toda Albânia, controlando principalmente a exploradora de petróleo, a principal distribuidora de combustíveis do país e também um time. No começo desse ano ele promoveu a Taci Oil Cup, torneio qual o Milan sagrou-se campeão.

O mais interessante dessa negociação toda é a ironia histórica. Na época do fascismo, Benito Mussolini, depois de ter feito uma oferta pelo território e não ter concordado com a sucessão monárquica, invadiu a Albânia a 7 de abril de 1939.

Durante a Guerra Fria, o fluxo de albaneses refugiados para a Itália era constante. Isso foi alimentando a xenofobia  e hoje, os albaneses assim como os negros, sofrem perseguições e violência. Como a que aconteceu em março, quando dois albaneses foram espancados até a morte em Roma.

O tapa de luvas de pelica da História nunca tarda. Os milanistas e toda Itália vão ter que engolir a seco essa negociação. Mostrando infelizmente, que a única coisa que é dispída de preconceitos é o dinheiro.

Tom Zé perguntaria aos arianos: Com quantos quilos de medo se faz uma tradição?

Podem botar preço, por que para os albaneses isso não parece ser problema.