O futuro chegou

Desde a época em que Roger Milla fez com que o mundo voltasse os olhos para o futebol africano, esperava-se algo desse tipo. Em 2006, Gana chegou as oitavas de final contra o Brasil na Copa da Alemanha. Parecia que a hora de algum time do continente negro chamasse de fato a atenção.

 

O Congo firma a África no futebol mundial. Azar gaúcho.

Não que o Mazembe tenha dividido as águas ao vencer o Inter de Porto Alegre. No entanto, o escopo agora mudou: os times africanos serão respeitados. Ainda não temidos, mas respeitados. E isso já é um grande passo.

O futebol do Congo não é tão conhecido como o marfinês, nem o camaronês. Mas demonstrou ser composto por jogadores que chegaram a um patamar de obediência tática razoável. A técnica ainda precisa ser apurada, mas para empurrar a bola pra rede, ela nem sempre é necessária.

O que sobrou para o time africano foi vontade. O que aparentemente o Inter deixou aqui no Brasil. Acostumado com a pegada portenha do futebol latino, uma espécie de empáfia apática tomou conta do Colorado. Uma pena. O gigante da Beira Rio foi punido por um gol em cada tempo.

Celso Roth volta para casa sem nada nas mãos. A imprensa gaúcha fez um frenesi tremendo e investiu muita grana nesse evento. Nem sempre, nem sempre, excesso de apoio gera bons resultados. Outra lição que fica.

Cabe agora ao Mazembe, surpreender mais uma vez. No entanto, mesmo que perca para a animada, embora desacreditada Internazionale, o marco histórico já está lançado. E a Fifa agradece. O Mazembe engrenou esse novo formato do Mundial de Clubes.