Marcos: 500 jogos

Na noite de amanhã, o maior goleiro que vi jogar alcançará mais uma marca histórica. Pode ser que seja a última vez que nós, apaixonados pelo futebol, veremos algo dessa grandeza e dessa dimensão. Talvez um último suspiro do romantismo do esporte, um raro lampejo de comprometimento com uma história, mais do que um projeto. Um compromisso com pessoas e com a paixão que elas movem.

Marcos completará 500 jogos com a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras. Com isso, se torna o sétimo atleta que mais atuou pelo time. Como goleiro, fica atrás somente de Leão, que tem 617 jogos.

A partida em si não poderia ser mais emblemática. Contra o Esporte Clube Vitória, histórica pedra no sapato do escrete palestrino. A situação também não poderia ser outra: o Palmeiras precisa derrotar o time baiano para seguir vivo na competição sul-americana. Todos os ingredientes que o Santo precisa para operar seus milagres.

Para mim, Marcos é o exemplo de que o futebol pode ser bem jogado se for jogado com o coração. Exsitem milhares de excelentes jogadores que não hesitam em beijar a camisa e declarar amor para diferentes clubes. Marcos é a prova de que existe caráter, compromisso e profissionalismo independente de cifras milhonárias.

Fiz uma promessa de que não iria aos jogos do Palmeiras nesse ano, devido ao fiasco do Campeonato Brasileiro de 2009. No entanto, acho que hoje vou abrir uma exceção. Pois essa história, não verei mais no nosso esporte.

(Foto: Chuteira que São Marcos usará no confronto de hoje a noite)

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Asa Verde no Choque-Rei

Em uma noite chuvosa típica paulistana, o virtual campeão da América venceu o desabrigado alviverde pelo placar mínimo. Essa vitória do São Paulo é a primeira em clássicos no ano de 2010.

O Palmeiras entrou com medo de perder. No jargão do futebol, isso é imperdoável: o medo de perder, tira a vontade de vencer. E foi mais ou menos isso que ocorreu. O técnico Parraga recheou o time de volantes e se não fosse a boa atuação de Lincoln no meio, o Palestra não conseguiria nem sequer flertar com as redes tricolores.

Por outro lado, o São Paulo entrou embalado e confiante. A mística dessa fase inicial de Fernandão no time se confirmou. O camisa 15 era a peça que faltava no quebra-cabeça Dagoberto, Hernanes e Marlos.  O quarteto dominou por completo o primeiro tempo, fazendo Marcos exercitar solitário sua santidade. Até os 25 minutos de jogo, o tricolor havia criado pelo menos cinco boas chances de gol.

A partir daí a bruxa resolveu visitar o Morumbi. Cleiton Xavier sentiu a antiga lesão no joelho e pediu para ser substítuido. Pouco depois, Marlos pelo São Paulo se contundiu sozinho. No seu lugar entrou a promessa Fernandinho. E isso mudaria o jogo.

Logo no começo do segundo tempo, o atacante recebeu passe de Richarlysson pela esquerda. Passou pelo recém-chegado Maurício Ramos e cruzou na área. No estilo mais copeiro, de carrinho, Fernandão entroniza a mais recente dupla sertaneja dos gramados brasileiros. São Paulo um a zero.

De certa maneira, até o mais fervoroso palestrino já se conformaria com esse resultado. No entanto, o certame ganhou tons dramáticos aos 43 minutos. Dos pés do bom Lincoln, Ivo recebe na área e é derrubado pelo ainda vacilante Cicinho. O juiz aponta a marca da cal.

Mas quem cobraria? Robert não está mais. Diego Souza não quer mais estar. Cleiton se contundiu. Então, em raro heroísmo, Ewerthon pega a bola e se prepara para a cobrança. O que se seguiu é mais um traslado da péssima fase do alviverde palestrino. O atacante ex-corintiano coloca fraco e a meia altura. Um desrespeito ao torcedor. Um desrespeito a excelência de Rogério Ceni, que levou a torcida ao delírio com a defesa.

Logo depois do recuo de Ewerthon para Ceni, uma bomba caseira explodiu na torcida palmeirense. Os ânimos foram amainados pelo político dirigente Marco Aurélio Cunha. Por fim, nem os esforços apaixonados de São Marcos na busca da cabeçada sagrada foram suficientes. O Palmeiras voltaria para a Pompéia derrotado.

O bom jogo tricolor foi ofuscado pela péssima atuação e fase do Palmeiras. O time palestrino não vê a hora da Copa começar para que os holofotes se apaguem. E quem sabe a asa negra resolva debandar para outros lados.

Foto: Uol Esporte

Deus não faz milagres sozinho

O Palmeiras foi eliminado por mais uma surpresa na Copa do Brasil, historicamente o clube tem esse tipo de eliminação, já foi Ipatinga, Santo André, Asa de Arapiraca, dessa vez pelo Atlético Goianiense.  

O time do Parque Antártica começou melhor o jogo, pressionou bastante no primeiro tempo, perdeu grandes e boas chances de matar a partida, principalmente com Robert. Porém o time alvi-verde mostrava-se em campo um time sem vibração, sem tesão de jogar, sem gana de vencer.

Já o segundo tempo foi o inverso, o time da casa pressionou muito o Palestra, principalmente após a expulsão do volante Pierre. E como diz o ditado, a água bateu tanto que acabou furando, o Atlético abriu o placar e levou os jogos para as penalidades.

Marcos é famoso por defender penaltis, por crescer nesse tipo de decisão. E ele cresceu mais uma vez. Mas uma andorinha só não faz verão, e Deus não faz milagres sozinho, o Palmeiras teve a capacidade de perder 4 penalidades e ser eliminado.

Parabéns ao goleiro artilheiro Márcio do Atlético, e ao próprio Atlético-GO.

FOTO: Lancenet!

Abraços.
Caio di Pacce.

Enfim vitória.

O Palmeiras veio ao Palestra pressionado,  sem vencer mais de um mês, sua última vitória foi contra o Santos na Vila Belmira. E a missão do time de Pq. Antártica não era fácil, tinha que bater o embalado Atlético Paranaense, para encaminhar sua classificação para as quartas-de-final da Copa do Brasil.

E o time vinha desfalcado, principalmente do camisa 10, o Cleiton Xavier, por isso Antônio Carlos improvisou, avançou Diego Souza (coisa que ele disse que não faria), puxou Marcio Araújo para a lateral direita e colocou Figueroa na meia, na re-estréia do chileno após aos terremotos em sua terra natal.

Eu mesmo achei que o treinador iria cavar sua cova com essas mudanças, mas felizmente me enganei. O time ganhou muita qualidade de passe pela direita, soube criar os espaços no campo de ataque e em um belo passe de Edinho, Robert abriu o placar em um chute forte rasteiro.

O camisa 20, artilheiro do Palmeiras agora com 14 gols, fez boa partida, além de abrir o placar, conseguiu causar alguns problemas para a zaga paranaense, principalmente em jogadas aéreas.  Após o gol, o Atlético começou a atacar e também na bola alta, alçadas pelo veterano Paulo Baier, conseguiu gerar perigo, mas faltou eficiência.

Na segunda etapa o clube palestrino administrou a vantagem e o Atlético não conseguiu gerar muitos perigos, só uma cabeçada para uma boa defesa de Marcos, qu estava de volta ao time titular. Paulo Baier ainda fez uma falta feia em Pierre e levou o vermelho.

Foi um bom jogo, o Palmeiras jogou bem, conseguiu ser compacto, principalmente na defesa. Ainda faltou mais criatividade no ataque, porém o time melhorou bastante. Agora a vantagem para o Palmeiras é boa, mas jogar na Arena é bem complicado.

Abraços.
Caio di Pacce.

Foto: LANCENET!

Marcos cansado.

Durante um coletivo no treino de ontem do Palmeiras, após duas falhas de posicionamento de sua zaga e dois gols sofridos, Marcos se irritou com o time e saiu do treino. E saiu reclamando.

Os principais alvos durante o coletivo eram Diego Souza e Maurício Ramos. Enquanto buscava a bola dentro do gol, levou a mão na região da virilha e disse que não ia treinar mais.

Marcos saiu de campo e falou com o Otávio Vilhena, médico do Palmeiras, dizendo que iria parar de treinar.

Não sei se são as dores, se é o cansaço, ou o fato de olhar para o time do Palmeiras e não ver uma squaddra vencedora, mas a verdade é uma só: Marcos não está em seus melhores dias no Palestra, o Santo sempre foi polêmico, mas está repetidamente na mídia por lances extra-campo.

Forza Marcão.

Abraços.
Caio di Pacce.

Foto: Lancenet!

Um time de brio.

O melhor do jogo do ano, até agora, foi o de hoje na Vila Belmiro. O time do Palmeiras vinha de uma vitória nada convincente, mas na raça, contra o lanterna Sertãozinho por 3×2 na Arena Barueri. O Santástico vinha da segunda maior goleada da história do clube, 10×0 contra o fraco Naviraíense, em um show de Neymar, Robinho, Ganso, Madson e cia.

Como diria o sábio (e rechunchudo) goleador Jardel, “Clássico é Clássico, e vice-versa”. E assim foi a partida. O Santos começou jogando da maneira que qualquer time joga contra o Palmeiras, esperando o erro de passe na intermediária, que vieram 2 vezes, chances aproveitadas por Pará e Neymar: 2×0 Santos aos 30 do primeiro tempo.

Todos acharam que viria uma goleada histórica na Vila Belmiro, mas o Palmeiras tem camisa, tem brio e como disse Jardel, “Clássico é Clássico, e vice-versa”. O Palmeiras em questão de 3 minutos empatou a partida com Robert, em duas bolas cruzadas, ao bom e velho estilo Muricy.

O segundo tempo começou aberto, com chances de lado a lado, até que em outra bola na área, Diego Souza completou de cabeça para o terceiro gol verde na Vila Belmiro. E o jogo seguia eletrizante, o Santos pressionava como poucos times conseguem fazer, até que Madson recebeu um lindo passe de Ganso e empatou novamente a partida: 3×3.

Logo após o gol de empate, Neymar perdeu a cabeça, entrou por trás em Pierre e recebeu um bobo cartão vermelho, quando o Santos poderia virar novamente o jogo, já que faltava cerca de 12 minutos para o término do certame.

Assim, o Palmeiras voltou a atacar, e dessa vez aproveitou de uma falha de passe dos volantes santistas, Lincoln, que fez boa estréia, passou para Robert, que dominou, olhou o goleiro e fuzilou no ângulo, dando números finais a partida: 3×4 Palmeiras.

Ainda teve tempo para Léo ser expulso e Marcos fazer milagre em cobrança de falta. Ao fim do jogo, todos os jogadores palmeirenses se reuniram, se abraçaram e vibraram muito com a torcida. Marcos ainda gritava: – “Isso é Palmeiras!!” Beijando o símbolo.

Palmeiras está de volta, corre contra o tempo, mas está vivo e unido nesse Paulistão.

Abraços.
Caio Di Pacce.

FOTO: Lancenet!

Amor à camisa.

Cada dia que passa, mais raro fica o laço entre um jogador e um clube. Quando todos nascemos, somos incubidos à escolher um clube de futebol para torcer, alguns de maneira forçada pelos pais/amigos, outros de maneira natural, esse processo é o mesmo para os jogadores.

Já faz tempo que é escasso um jogador ter amor à camisa que veste, hoje (desde os anos 90, principalmente) o que interessa ao jogador é puramente o dinheiro. Exemplos como Marcos, Rogério Ceni, Riquelme, Palermo, Maldini, Gattuso, são cada vez mais escassos.

Porém, em uma desses fuçadas no youtube, achei um vídeo que valeu o dia: Um vídeo de Fernando Cavenaghi alentando com os Borrachos Del Tablón no superclássico argentino. Segue o vídeo:

Mesmo jogador do Bordeaux da França, o grande atacante argentino carrega sua paixão pelo River Plate, e não hesita em demonstrar. Ao ver o vídeo pensei: Qual jogador brasileiro faria isso? Qual jogador, em suas férias, ou em período de lesão, sairia de sua casa, iria ao estádio, pagaria entrada de arquibancada e ficaria no meio da bateria do clube alentando, como um torcedor comum?

Percebi que o futebol moderno ataca mais o futebol brasileiro do que o argentino. Um salve aos Hermanos.

Abraços
Caio di Pacce.