Mas que jogaços nesse domingo!

Esse domingo nos proporcionou dois belíssimos jogos nas oitavas de final da Copa do Mundo. Argentina e Alemanha, que se enfrentam nas quartas de final, jogaram bem e mereceram a classificação, mesmo tendo uma senhora ajuda da arbitragem.

Alemanha x Inglaterra
Simplesmente um jogaço! O melhor jogo dessa Copa do Mundo: A Alemanha começou melhor, na verdade avassaladora. Abriu 2×0 logo de cara, primeiro com um belo lançamento do goleiro Neuer e a conclusão de Klose. O segundo em uma jogada rápida de seguidas tabelas, que deixou Podolski na cara do gol.

Até que o time inglês resolveu acordar, e diminuiu com Barry. No lance seguinte, o lance do jogo, Lampard chutou meio desequilibrado e encobriu o goleiro alemão. A bola bateu na trave ENTROU e voltou para as mão de Neuer. O fantasma de 1966 fez sua revanche: o juiz não deu o gol.

Com isso, o time inglês foi para o ataque e deu o contra-ataque para a Alemanha. Erro mortal. Com 2 gols de Muller, a Alemanha goleou.

Argentina x México
A Argentina é muito mais time do que o México, e o time da América Central historicamente perde para os Hermanos, mas foi o México quem começou melhor. Chegou por duas vezes com muito perigo, porém o mesmo problema da fase de grupos apareceu: A finalização. O time do México não chutava no gol.

E perder gols contra a Argentina é fatal. O time de Maradona é muito rápido, e em uma dessas investidas de Messi, Carlitos cabeceou em impedimento, quase 1m impedido, mas o juíz e o bandeira validaram o gol, mesmo vendo que tinham errado pelo telão.

Depois do gol, os Hermanos melhoraram e dominaram a partida. Higuaín fez o segundo com um presente de Osório. No segundo tempo Tevez fez um golaço de fora da área, batendo com raiva na Jabulani. O México bem que tentou, e até diminuiu, mas já era tarde. O time de Maradona passou para a próxima fase.

Visão Copeira
Foram dois jogaços, dois dos melhores jogos da Copa. A arbitragem ajudou e muito os times classificados, mas mesmo sem a ajuda eles iriam se classificar, com certeza. A Alemanha foi superior em 80 dos 90 minutos disputados e a Argentina é muito superior ao bom time mexicano.

Hoje é dia de Brasil!

Abraços.
Caio di Pacce.

Maradona: Uma benção para a Copa do Mundo – Coletivo Marte

Minha Coluna Copa em Marte no @coletivomarte:

Olá caros amigos e leitores do @coletivomarte!

Uma semana se passou desde que escrevi a primeira coluna Copa em Marte aqui, também faz quase uma semana do começo da Copa do Mundo. Fiquei pensando sobre o que escrever para vocês; poderia ser sobre a participação alegre dos Bafana-Bafana, ou a surpreendente goleada da tradicional Alemanha, quiçá sobre o placar magro e decepcionante do nosso escrete canarinho.

Mas não, eu queria comentar sobre o bem que Dom Diego Maradona faz à Copa do Mundo. Desde o dia 25 de Junho de 1994, na vitória celeste contra a Nigéria, com dois tentos de Caniggia, El Pibe não dá o ar de sua graça ao principal torneio de futebol do mundo.

Naquele jogo ele saiu do gramado com as mão dadas para a enfermeira do Estádio para fazer o exame anti-doping, que daria positivo para Cocaína e o excluiria do futebol por alguns anos. Maradona é mais do que um jogador para um povo argentino, é um messias, até religião ele tem.

E foi contra a mesma Nigéria que ele fez seu debute como treinador na África do Sul. Desta vez vestindo um terno, a pedidos de sua filha, todo elegante, mas com o característico relógio em cada mão. Fez suas superstições de fazer repetidamente o sinal da cruz. A Argentina ganhou de 1×0.

O segundo maior jogador de futebol do mundo, em minha opinião, só não perde para Pelé na mística. Ele emana um anti-heroísmo em suas ações. Se Mário de Andrade fosse criar um Macunaíma platino, com certeza se basearia nele.

Seu espírito anti-herói vem desde os tempos de jogador com seu gol com a mão de Deus, seu histórico ilícito extra-campo, suas declarações polêmicas, seus problemas financeiros etc. Sem contar seu lado político, mal visto por muitos do meio futebolístico, é aliado de Chavez, amigo particular de Fidel Castro, sempre deixando a mostra sua tatuagem de Che Guevara.

Na África do Sul ele está recheando e colorindo a Copa fora dos gramados. Nesta Copa que ainda não demonstrou tanto brilho ludopédico, ele vem dando show mesmo antes do começo das partidas.Primeiramente por prometer ficar nu caso ganhe a Copa, depois por ensinar a todos os “estrelinhas” da Copa como se domina a sobrenatural Jabulani, enquanto fumava um belo cubano.

Ver Dom Diego de volta aos gramados, mesmo torcendo contra a Argentina é bom demais! Ele traz mais brilho a esse mundo de futebol moderno, repleto de estrelas intocáveis e cifras astronômicas.

Abraços.
Caio di Pacce,
Do blog @copeiros – https://copeiros.wordpress.com

Belíssima ilustração de Rafael Nunes !(@RafahellNunes) Excelente ilustrador de Santo André.

Diário da Copa: 1º fim-de-semana

Finalmente o futebol resolveu aparecer na Copa. Após muitos espetáculos e expectativas, a bola foi tratada gentilmente. Os favoritos confirmaram seu poder de fogo e a asa-negra dos goleiros ingleses em Copas deu o ar da graça.

Argentina 1 x 0 Nigéria

Maradona tentou trazer o esquema do Barça para dentro da Argentina. No entanto, não possui um plantel do calibre do time catalão. Mesmo assim, Messi conseguiu brilhar. O abraço de urso de Samuel no zagueiro nigeriano é parte do futebol. O goleiro do time africano foi o destaque da partida ao lado da Pulga.

Coréia do Sul 2 x 0 Grécia

Mesmo que não pareça, deu a lógica. O time grego é burocrático, feio e velho. A base da seleção é de 2004 e a criatividade está para nascer. O elenco está rachado e os helênicos vão ficar pela primeira fase mesmo. Os empolgados sul-coreanos jogaram bem, mostrando disciplina tática e muita velocidade.

Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos

Toda a análise do jogo se perde para o frango do goleiro Green. A Inglaterra tem um bom time, mas precisa mostrar mais consistência ao longo da partida. Os americanos dependem muito de Donovan, mas não devem fazer feio e se classificam para a segunda fase.

Eslovênia 1 x 0 Argélia

Não vi esse jogo, mas deu a lógica pelo fato da Eslovênia ter se classificado na Europa. Simplesmente.

Sérvia 0 x 1 Gana

O destaque foi a saída emburrada do técnico de Gana, que é sérvio. Do mais, foi um jogo feio. Gana traz os mesmos defeitos de 2006: a dificuldade em finalizar. Já a Sérvia, precisa de um atacante que tenha mais trato com a bola. Ganhou quem fez primeiro.

Alemanha 4 x 0 Austrália

Os aussies apresentaram um futebol ridículo e tacanho. Insistiam em bolas aéreas quando a média de altura dos alemães era de mais de 1,80m. Aquele Garcia é razoável, mas sozinho só vai levar o time de volta para casa. Já a Alemanha confirmou o que se esperava. O gol do brasileiro Cacau mostra a modernidade e mágica do esporte. O que Goebbels diria?

Visão Copeira:

A Copa começou a ficar legal. Mais uma vez a Inglaterra não convence, apesar do favoritismo. A surpresa do fim de semana ficou por conta da Coréia que mostrou um bom futebol. Ainda é cedo para comentar de Gana, já que Camarões estréia hoje e a Costa do Marfim amanhã.

Fotos: Getty Images

A Copa de Diego.

Após sofrer as agruras de uma das ditaduras militares mais violentas na América do Sul, a entrada na segunda metade da década de 80 representava a aurora da democracia para a Argentina. Tal qual no Brasil a identificação e os reflexos da seleção argentina de futebol na sociedade sempre foram evidentes. Se 1978 representara a legitimidade máxima dos militares argentinos e do discurso de caráter autoritário e nacionalista (do mesmo modo que em 1970, no Brasil) com a conquista do mundial como donos de casa, a Copa do Mundo de 1982 se revelou um verdadeiro fracasso.

Marcada como a “tragédia de Sarriá” pelos brasileiros, a competição também não fora nada agradável para os hermanos que na estréia do já consagrado Maradona em Copas, viram o ídolo sofrer com a forte marcação e as expulsões em jogos decisivos. No mesmo ano, outro fracasso, dessa vez fora do campo marcaria a história do país para sempre. Numa atitude tresloucada do governo militar, a Argentina declarou guerra à Inglaterra, reivindicando a posse do território das Ilhas Malvinas (denominadas de Falkland pelos ingleses). O resultado, já esperado, foi a vitória acachapante dos europeus, levando os argentinos a abominar não só seu próprio regime governamental, responsável pela morte de cerca de 600 jovens, mas também os próprios ingleses, tidos a partir de então como inimigos declarados.   

Chegava 86 e, embora a busca por justiça e a consolidação progressiva da liberdade no país estivesse a pleno vapor, a herança econômica dos governos militares era um câncer inevitável. O clima de desconfiança fruto do ápice da “década perdida” rondavam o ar. Nem mesmo a convocação de Diego era uma certeza nacional. Setores da imprensa divergiam em relação a real capacidade do jogador ainda sem destaque na equipe do Nápoli. Mas um sentimento era compartilhado: era preciso reorganizar a Argentina e, sobretudo, reconquistar o orgulho ferido de um povo maltratado.

Após ser escolhida como sede, a Colômbia desistiu da competição devido a graves problemas econômicos. A escolha mais sensata acabou sendo o México, cuja estrutura de 1970 ainda era plenamente favorável à disputa do campeonato. A previsão era de uma acirrada disputa, fundamentada pelo contraste de gerações. A Itália era a atual campeã, a França veria sua última Copa com Michel Platini, a Alemanha vinha com uma eficiente equipe liderada por Lotthar Matthaus, e o Brasil, comandado por Telê Santana, trazia ao mundo o craque Zico, ao lado de Sócrates, Careca e Branco. A Argentina corria por fora.

E assim foi ao longo da 1ª fase. A equipe azul e branca venceu as fracas Coréia do Sul e Bulgária, e ficou apenas no empate com a Itália (que não apresentava nem sombra do futebol de quatro anos atrás, sendo eliminada pela França nas 8as).

A equipe argentina vinha com uma mistura interessante de jogadores experientes com novos talentos, a ponto de relegar o veterano Daniel Passarela à condição de reserva. Nas oitavas, venceriam o Uruguai por 1 a 0, naquela que Maradona considera a melhor partida de sua carreira. Para a maioria dos críticos e fãs, contudo, essa partida viria a seguir, quando nas quartas de final o adversário seria a Inglaterra.

Impossível não relacionar a partida ao conflito militar protagonizado pelos dois países e ainda muito vivo na mente dos argentinos, cujo orgulho mantinha-se ferido. A equipe inglesa vinha gabaritada por seu elenco experiente e talentoso, com nomes como Glenn Hoddle, Peter Beardsley e Gary Lineker (artilheiro da Copa de 86), mas uma campanha irregular na 1ª fase a deixavam sob o foco da dúvida.

O clima do jogo era inevitavelmente tenso- tanques de guerra mexicanos faziam a segurança do lado de fora do Estádio Azteca. E do mesmo modo iniciou a partida. Jogando com seu uniforme reserva a Argentina era protagonista das ações no inícios do jogo, embora a violência tomasse conta da partida em ambos os lados. O jogo truncado era reflexo do clima que o envolvia. Maradona era caçado em campo e o máximo que conseguia eram algumas arrancadas infrutíferas em direção ao gol inglês. O 1º tempo terminava sem gols.

A volta dos vestiários mostra uma Inglaterra mais disposta, com domínio de jogo e executando forte marcação. Mas apenas seis minutos depois, num dos lances mais antológicos da história do futebol, a Argentina sairia na frente: após a bola alçada na área, Maradona ergue a mão junto à cabeça, praticamente fazendo um gol com um soco. “La mano Del diós”, ou a mão de deus, da divindade chamada Maradona que transgredia ali todas as convenções do esporte, como se estivesse acima de tudo e de tudos. Ele podia.

Após protestos infrutíferos junto ao árbitro, os ingleses buscavam reagir, mas o pesadelo só aumentaria. Três minutos depois de abrir o marcador a Argentina ampliaria o placar naquele que é considerado o gol mais bonito de Maradona em sua carreira, e provavelmente um dos mais belos da história das Copas. O craque recebe um passe na intermediária, e no domínio já tira um inglês da jogada. Numa disparada violenta, deixa nada menos que três jogadores da equipe adversária para trás, e num retoque de perfeição, ainda tem tempo de driblar o goleiro Peter Shilton, para tocar no fundo das redes: 2 a 0. Um caminhão chamado Maradona passava por cima da experiente equipe inglesa, que estava completamente atordoada.

Com uma excelente vantagem os argentinos passaram a administrar o jogo, e valorizar o resultado conquistado. Apenas aos 35 do segundo tempo a Inglaterra conseguiria diminuir, com o artilheiro Garry Lineker, mas não seria suficiente. O apito final declarava e o inevitável sentimento de vingança, promovido por um meia marrento e sua camisa de número 10. A Argentina ainda enfrentaria a Bélgica e a Alemanha Ocidental, antes de se sagrar bi campeã do mundo em 86.

Orte

Maradona surpreendeu a todos com a convocação do veterano Ariel Ortega para o amistoso argentino contra a seleção do Haiti no dia 5 de Maio.

Em fim de carreira, o atacante riverplatense está decadente. Além da má fase dos Millonarios no Clausura desse ano, Ortega teve seus problemas com bebida amplamente debatidos na imprensa argentina.

Com 36 anos, ao saber da convocação de Maradona, el Burrito disse estar “surpreso e muito agradecido” e que ter jogado pela seleção foi o ponto alto de sua carreira.

Ortega marcou época pelos seus dribles e gols de cavadinha. Caindo pela esquerda, formava um ataque respeitável ao lado de Crespo e Batistuta. Disputou três copas entre 1994 e 2002.

Essa convocação trata-se de uma homenagem justa para um grande esportista. Em um momento de sensibilidade, Maradona pode não só ter resgatado o futebol do jogador, mas também a dignidade do ser humano.

Deixando as rivalidades de lado, espero que esse exemplo ecoe nos corredores da CBF.

Arte: Blog Que La Chupen Ahora (quelachupenahora.wordpress.com)

Maradó 10

091027_cerveza_maradona_3Ocorreu ontem no México, a apresentação da cerveja que homenageia o maior ídolo argentino de todos os tempos. A empresa Cerveceria Revolucion anunciou seu novo produto, a cerveja “Maradó 10”.

A companhia possui em seu portfolio outras cervejas como a Che Guevara, Zapata e a Maquiavelo – Por que el fin justifica los medios/ Creamos una bebida de principes.

O produto ainda não foi lançado oficialmente, mas cerca de 200 caixas da cerveja foram distribuídas no Festival da Cerveja de Guadalajara nesse último fim de semana. A marca ainda aguarda a autorização do próprio pibe para empezar la produccion.

A cervejaria mexicana possui um forte trabalho social, buscando o desenvolvimento do futebol em comunidades rurais do México. No entanto, disse que parte dos recursos também serão destinados para as torcidas organizadas do Chivas e do Atlas, ambos de Guadalajara.

Segundo De Alba, diretor da companhia, essa prática é para gerar identificação dos torcedores com o produto – para que eles considerem a cerveja como propriedade deles também.

Certamente é uma atitude perigosa envolver uma marca com torcidas organizadas. São grupos muito instáveis e bem próximos de atividades ilegais, o que pode prejudicar os negócios da empresa. Mostrando mais uma vez que, ao se misturar esporte e negócios, os termos devem ser muito cautelosamente estudados.diamante-negro

Maradona não é o primeiro jogador a ser homenageado com algum produto. Na década de 1930, Leônidas da Silva teve seu apelido transformado em chocolate pela empresa Lacta, dando origem ao “Diamante Negro”.

Até Dunga já teve seu nome em um produto. No final dos anos 80, a empresa Motorádio produzia um rádio-portátil que levava seu nome.

Dunga II Motoradio

Fontes: http://www.timesoftheinternet.com/espanol/64966.html#at

ocruzadomissionario.blogspot.com