Não tem mais bobo no futebol

Si, se puede Ticos!

Se há um dos jargões que essa Copa do Mundo esta corroborando, ele é o: “Não tem mais bobo no futebol“.  As grandes potências do futebol estão sofrendo pra classificar, ou até mesmo voltando mais cedo pra casa, diante de seleções menores, ou de menor expressão.

O maior exemplo é a classificação em primeiro lugar da Costa Rica em pleno grupo da morte. Os “Ticos” saírem invictos, passando por 3 campeões do mundo: Uruguai, Inglaterra e Itália. Venceu também a Campeã européia de 2004 a não tão importante Grécia e se classificou pela primeira vez na história para as Quartas-de-Finais.

Outra grande surpresa é a Argélia, o esforçado time africano ganhou a vaga da Rússia de Fábio Capello, e deu um trabalho enorme para a gigante e simpática Alemanha, caiu na prorrogação. Até mesmo o Irã que quase arrancou um empate da Argentina de Messi.

E o que falar da Colômbia, time com o artilheiro da Copa, que vem demonstrando um futebol alegre e preciso, com 4 vitórias e melhor campanha da competição. É verdade que o único time grande que a Colômbia enfrentou foi um Uruguai sem Suarez e desmoralizado. Mas vem jogando muito. Ou um Chile que tirou a atual campeã do mundo Espanha da Copa.

O principal fator disso é o velho papo de Globalização do futebol, os principais jogadores dessas seleções estão jogando nas principais ligas européias, mesmo que em times secundários. Isso faz com que eles ganhem experiência e cancha, ou seja, eles estão acostumados a enfrentar os principais jogadores das principais ligas, com isso o gap fica menor, e os jogos tornam-se mais disputados, mais competitivos.

Não há mais bobos em Copa do Mundo, pelo menos na Copa das Copas.

Abraços.
Caio di Pacce.

Andrea Pirlo, jogador completo

Andrea Pirlo, nascido em Fiero, Itália, no dia 19 de maio de 1979, 35 anos, jogador da Juventus e da seleção italiana. Veste a camisa 21 e é o gênio que conduz a Azzurra nessa Copa do Mundo.

É o Pirlo ou o Braddock?

É o Pirlo ou o Braddock?

Nesse sábado, no embate da Azzurra contra o English Team ele foi incrível mais uma vez, conduziu a bola da defesa para o ataque com perfeição, ora com toques curtos e laterais, ora com lançamentos profundos de longa distância. Onde a bola estava, você via Pirlo perto dela, via ele no seu trote característico, recebendo a bola, levantando a cabeça e decidindo rápido pra onde a bola ia. Ouso dizer que é o jogador mais técnico dessa Copa do Mundo.

Você sabe quando um jogador é craque quando você vê o jogador fazendo a bola correr, não o jogador correndo atrás da bola. No primeiro gol italiano, ele mesmo sem tocar a bola deu uma assistência perfeita, num corta luz preciso, deixando Marchisio com espaço para o Arremate. Depois, em uma cobrança de falta perfeita, que por obra do destino tocou o travessão. A bola que fez duas curvas, num “S”, deixou o goleiro Hart parado com cara de desespero, pena que não entrou.

O time da Itália vai longe nessa Copa, se conseguir vencer o desgaste físico, pois é um time que tem uma defesa forte, com a volta de De Sciglio para a Lateral Esquerda, um meio campo marcador e criativo, com De Rossi, Candreva, Verratti, Pirlo e um comando de ataque com o matador Balotelli, que tem muito faro de gol.

Essa pode ser a Copa de Pirlo.

Abraços.
Caio Di Pacce.

“sai perche’ mi batte il corazon? Ho visto Balotelli”

A Itália vem pra essa Copa com um time bem envelhecido, principalmente Andrea Pirlo, o cérebro do time, sem Montolivo, porém com algumas jovens esperanças, a maior esperança de gols da squaddra Azzurra é Mario Balotelli. Um atacante nato, centro-avante, rápido, forte, de ótima finalização e de muito carisma. Ah! E de muita “Marra” também.

Olha a imagem que ele postou, dizendo: “- Estamos chegando!”

Balotelli

sai perche’ mi batte il corazon? Ho visto Balotelli

O time italiano precisa demonstrar mais força, para apagar o vexame de 2010. Apesar de ter feito uma boa Eurocopa, chegando à final, eliminando a poderosa Alemanha (com um golaço de Balo). A Itália precisa se provar. E é nessa hora amigo, que a camisa azul de 4 estrelas pesa. Foi assim em 82, foi assim em 2006. Não sei se será assim em 2014. Mas é sempre bom respeitar!

Forza Mário, ti auguro un sacco di gol!

Abraços.
Caio Di Pacce

Uma aula de Futebol

Uma aula de futebol. Assim pode ser visto o que o time da Espanha fez contra a Itália, na final da Euro 2012. Um 4 a 0 inquestionável, que não deixou dúvida nenhuma sobre não só quem é a melhor seleção do mundo, mas também quanto à eficácia do futebol hipnótico que pode praticar.

O espetáculo espanhol tem mais valor ainda por ter tido, como vítima, uma Itália que vinha embalada, sobretudo pelas atuações do super guardarredes Buffon (um dos maiores da história), do meia Pirlo e do atacante Balotelli, com o juízo razoavelmente no lugar – para os padrões Balotelli.

Como era de se esperar, a Itália baseou seu jogo na marcação, que era feita no campo todo e com todos os jogadores. Nas poucas vezes em que teria a posse de bola, caberia ao gigantesco meia Pirlo municiar os perigosíssimos Cassano e Balotelli. Já a Espanha, questionada pelos inúmeros detratores por não ter sido brilhante até a final (como se fosse obrigação), apesar do nível dos adversários, manteve seu toque de bola paciente de sempre, mas, desta vez, Xavi queria jogo.

E foi com o meia cerebral do Barcelona que a Espanha trucidou a Itália. Primeiro por não deixar Pirlo respirar; depois, por ter participado de quase todas as jogadas de gol da Furia, com duas assistências para os gols de Alba e Torres. Com 2 a 0 na frente e a atuação perfeita que fazia, o jogo ficou completamente à feição da Espanha.

Com o relógio correndo ao seu favor, o time de Vicente Del Bosque pode fazer o que sabe de melhor: ficar com a bola. Depois que Thiago Motta se machucou, deixando a Azzurra com dez, já que Cesare Prandelle tinha feito as três substituições, as chances italiana se reduziram a pó e a Espanha brincou de jogar futebol.

Mais que isso: a Espanha hipnotizou a Itália. Ficou com a bola o tempo todo e o time azul que se virasse para correr atrás e recuperá-la. Assim, o desgaste era italiano e a Espanha terminou a partida inteirinha. É simples: quem tem a bola se desgasta menos, pois não precisa correr para ter sua posse. Joga simples, na base da posse de bola e aproximação. Sem vaidade. Sem pressa. Pela campanha que fez, a Itália não mereceu o castigo desta final. Pela final que fez, a Espanha poderia ter feito ainda mais.

A Furia não é apenas uma seleção que bate recordes, que é a primeira a vencer não só a Eurocopa por duas vezes seguidas, e com a Copa do Mundo no meio. A Espanha já está no panteão dos times que reescreveram a história, como a Hungria das décadas de 40 e 50 e o Carrossel Holandês de Rinus Michels, equipes que revolucionaram e reinventaram o jeito de jogar futebol.Criticar este estilo de jogo é coisa de gente recalcada. Eles estão fazendo história e a inveja impede que alguns vejam (ou admitam). E esses recalcados esperarão pelo próximo tropeço.

Apressado sequer come

Pela primeira rodada do Grupo C da Eurocopa, Espanha e Itália empataram por 1 a 1 na Arena Gdansk, Polônia. Foi o suficiente para que as duas seleções tivessem suas qualidades postas em cheque.

Esquecem, porém, que em campo estavam cinco títulos mundias, os dois últimos, inclusive, e três europeus, dentre os quais o atual. Tradição não entra em campo? É discutível, mas a mística destas camisa não é.

A história da Squadra Azzurra não pode ser desprezada, e nessa tradição estão as classificações sofridas. Na Copa de 1970, por exemplo, passou à Segunda Fase com uma vitória e dois empates, tendo marcado apenas um gol. A partir daí deslanchou, parando apenas na final contra o Brasil, que tinha talvez o maior time que a humanidade já viu, mas jogou contra uma Itália arrebentada pela histórica semi-final contra a Alemanha Ocidental, no maior jogo da história das Copas.

Em 1982, a Itália chegou à Copa afundada numa enorme crise, sem vencer nos amistosos de preparação e em greve de silêncio com a imprensa. Para piorar, seu maior nome, oatacante Paolo Rossi, estava suspenso até pouco antes do mundial, envolvido no famoso escândalo de manipulação de resultados que ficou conhecido como  Totonero.

Passou na bacia das almas, em segundo no grupo da Polônia de Lato e Boniek por ter marcado um gol a mais que Camarões, após três empates. E a imprensa malhando. A partir daí venceu a então campeã mundial Argentina, de Maradona, e o Brasil de Telê Santana, na fase seguinte, para vencer na meia-final a Polônia e, na decisão, mais uma vez, a Alemanha Ocidental. Foram as únicas quatro vitórias em quase dois anos, justamente as que precisava vencer. Sempre sofrido.

Já a Espanha é diferente. Nos acostumbramos a ver a Fúria dar espetáculo, a não deixar o outro time sequer tocar na bola. Os atuais campeões europeus e mundiais praticam algo parecido com futebol, mas num plano superior. No entanto, não é invencível. Mesmo na Copa de 2010, sucumbiu na estreia ante o ferrolho literalmente suíço.

Naquela ocasião, a derrota por 1 a 0 para a Suíça foi o suficiente para deixar todos os pés possíveis atrás, mesmo a Espanha já sendo campeã da Europa. Era compreensível, pois nunca havia passado sequer das quartas-de-final. Mas agora não. Não se pode duvidar de um time que tem Casillas, Xavi e Iniesta. E bastou um empate para que todos duvidassem, mesmo (ou justamente por isso) este sendo com a Itália. Eis que a primeira fase prosseguiu, la Fúria esmagou a Irlanda e venceu, no sufoco, o bom time da Croácia,il Azzurri tropeçaram na Croácia e superaram, com as calças na mão, a Irlanda, no melhor jeito italiano de ser.

No fim das contas, Espanha e Itália apuraram-se aos quartos-de-final, e os apressados, que normalmente comem cru, sequer comeram.

O rabo que abana o cachorro

Todos nós sabemos, de longa data, que o futebol é paixão. A maioria de nós sabe, há algum tempo, que uma vez apaixonados, ficamos cegos. Alguns de nós sabemos, recentemente, que essa cegueira pode ser perigosa. Agora, nenhum de nós entende perfeitamente essa reação exagerada que a Copa está causando em alguns países.

Tudo bem, a Itália ter sido eliminada na primeira fase é feio. Merece as reações mais cegas e apaixonadas por parte dos italianos. É justificável. Assim como também é toda a frustração inglesa em ver seu bom escrete performar medíocremente no torneio. No entanto, para tudo tem um limite. Até para as paixões.

O exagero começa com a eliminação da França. O país está em uma convulsão social lenta e silenciosa. A questão migratória e o declínio do estado de bem estar tem gerado conflitos marcantes nesses últimos três anos. A União Européia enquanto mercado comum está pedindo socorro. Então, por quê o Henry teve de se explicar para o Sarkozy? Por que o Domensque se explicou perante a Assembléia Nacional Francesa?

Esse exagero não se basta no primeiro mundo. O presidente da Nigéria anunciou que “vai retirar a seleção de futebol do país de competições internacionais por dois anos, após o fraco desempenho da equipe na Copa do Mundo da África do Sul.” O governo também admite reavaliar o comitê que coordenou a campanha dos nigerianos no Mundial.

A Nigéria tem 70% da sua população abaixo da linha da pobreza, mesmo possuindo o trigésimo segundo maior PIB do mundo. Se você tivesse uma expectativa de vida de 50 anos, você estaria preocupado com a eliminação da seleção brasileira na Copa?

Aparentemente a resposta seria não. Todos nós temos o dedo em riste frente a tamanho ultraje. No entanto, olhemos para nosso próprio umbigo: quantas bandeiras brasileiras vemos estampadas com orgulho fora da época de Copa?

Se compararmos a situação, estamos mais preocupados com os problemas físicos do Elano do que com a eleição que se aproxima. Nos interessamos mais pela maleducação do Dunga, do que pela corrupção parlamentar.

O Futebol representa muitas nuances da vida. É o resumo da ópera econômica, social e cultural do globo. É como o rabo de um cachorro. Somente uma parte.

E quem abana o rabo é o cachorro. Não o contrário.

Foto: upstreamonline.com

O futebol velho do velho continente

Os campeonatos europeus são os mais ricos do mundo. A estrutura organizacional das competições permitem investimentos seguros que dão aos clubes saúde financeira para desenvolver suas atividades. Esse conforto é tal que alguns clubes europeus chegam a ser cotados nas bolsas de valores de seus países.

A mercantilização do esporte no velho continente já é assunto velho. Existe um ciclo vicioso (ou virtuoso?) que envolve a forja de um atleta desde seu berço. Entre outros fatores, a baixa natalidade do continente faz com que os clubes passem a importar mão-de-obra qualificada, ao invés de desenvolver seus próprios craques.

O time campeão dos clubes europeus é um exemplo triste disso. Como eu já havia dito por  aqui mesmo, o plantel da Inter de Milão conta com 4 jogadores italianos em um universo de 23. Desses quatro, nenhum está disputando o  Mundial da África.

Esse fenômeno se espalha pelos principais campeonatos da Europa. Além do italiano, os campeonatos da Holanda, Alemanha, França, Espanha e Inglaterra já não são mais nacionais. Deviam se chamar campeonatos transnacionais. A internacionalização produtiva finalmente cobrou sua cota no mundo do esporte.

Deixando de lado o esfacelamento político (e econômico) da zona do Euro, o que vemos na Copa é a decadência do futebol europeu. O tetra-campeonato italiano em 2006 não passou de um remédio paleativo, para aliviar as dores crônicas que estamos presenciando em super slow nos gramados africanos.

A começar pela França, que superou até as mais pessimistas expectativas. Formada na sua intensa maioria por jogadores da segunda geração de imigrantes, mostrou ser um time sem identidade e comprometimento. A la Luis XIV, o técnico francês Domeneche não conseguiu traduzir sua excentricidade em resultados. Thierry Henry vai se explicar para o presidente.

Por sua vez, a Itália que busca a classificação hoje, não empolgou ninguém. Um empate com a promessa paraguaia e outro com a zebra neozelandesa. O asilo que Marcelo Lippi montou mostra claramente que no país da bota não nasceram mais Baggios e Baresis nos últimos tempos.

No entanto, a grande decepção do torneio é a Inglaterra. Mesmo contando com grandes jogadores forjados in loco, Rooney, Gerard e Lampard parecem sentir falta dos seus companheiros estrangeiros para completar as jogadas.

Por outro lado, os países que tem campeonatos mais “fechados” como Holanda e Alemanha estão desenvolvendo um bom papel. Apesar do tropeço contra a Sérvia, os alemães são favoritos para derrubar o English Team nas oitavas. Já a sempre franca atiradora Holanda, precisa passar por algum time representativo para consolidar seu poderio. Até agora, tem confirmado as expectativas.

Contrariamente ao que ocorre na Economia, a liberalização dos mercados no futebol não tem gerado ganhos para as nações européias. Seria a hora de um programa de substituição de importações? Talvez, pois as vantagens comparativas nos gramados estão começando a se perder no tempo.

Foto: Associated Press