Por um futebol mais justo

Depois que a Ponte Preta venceu o badalado Santos por 3 a 1 pelo Paulistão, o técnico do time de Campinas, Guto Ferreira, deu uma declaração interessante. Mais que isso, foi um desabafo pela condição do futebol do interior paulista.

”No começo, quando ninguém prestava atenção na gente nem via nossa dificuldade em contratar, treinar e arranjar dinheiro, éramos só mais um. Agora, depois de tirar leite de pedra, viramos favoritos. Se cairmos, seremos decepção. É sempre assim. Ninguém falará que ganhamos muito menos do que os grandes. Que não temos o apoio que eles têm. Estão ocupados demais para ver que o dinheiro não é distribuído como devia. Estou em um dos 20 clubes da primeira divisão. Mas somos tratados como um dos da última. Não sei se seremos campeões. E nem me importo. Mas o sonho do título e a esperança de que continuaremos incomodando e forçando os riquinhos a nos respeitar, isso TV ou dinheiro nenhum vai nos tirar. É o que mantém vivo o futebol brasileiro. Essa paixão e perseverança. Seria fácil para os 15 mil que vieram aqui hoje torcer pra um dos quatro. Mas não teria graça. É por eles que temos de ganhar. Não pra uma TV que nunca pensa na gente dizer que o título é caipira”.

Guto coloca o dedo na ferida, sem dó. Fala das distorções causadas pela péssima distribuição dos recursos da TV, que irá explorar ao máximo o fato de o lado preto-e-branco de Campinas liderar o campeonato, para depois jogar o bagaço fora. Também fala, indiretamente, da Federação Paulista de Futebol, que está instalada num suntuoso prédio do valorizado bairro da Barra Funda, na Zona Oeste da capital, enquanto seus filiados estão à míngua. É assim desde os tempos do presidente Farah, que sucateou o futebol do interior. O que Marco Polo Del Nero faz é continuar com o trabalho. Mais que isso: é aumentar o abismo entre os quatro queridinhos da mídia e o resto.

Mas que o dirigente não se iluda. Isso é como dar tiro no pé. É só ver pelo seu Palmeiras. Alguns dos grandes ídolos da gloriosa história palestrina foram buscados no interior. O Luis Pereira veio do São Bento; o Leão, do Comercial; o Dudu, da Ferroviária. Onde estão esses times? E onde está o próprio Palmeiras? Será que é saudável matar os estaduais em beneficio de meia dúzia de times com grandes torcidas?

Não se enganem! Se matarem os times pequenos, condenarão o Brasil a ser um país continental com quatro times grandes e um monte de zumbis servindo de sparrings.

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O vizinho que me odeia

Por Juliano Barreto

Eu não sei se ela fez feitiço, macumba, ou coisa assim. Só sei que estou bem com ela, e isso é melhor para mim. Deixei de ser vagabundo, deixei de ser pé de cana. Aumentei minha fé em cristo e sou bem quisto por todo mundo. Quer dizer, todo mundo não, porque meu vizinho me odeia.

Nunca fiz nada para ele. Juro. Passei muito tempo pensando no passado e no presente dessa nossa relação. O cara ouve som alto todas as noites, minhas paredes tremem quando ele toca Roberto Carlos ou quando está vendo o Jornal Nacional. Na garagem, o carro dele sempre está com duas rodas dentro da minha vaga –se tivesse um jeito mais escroto de estacionar, ele estacionaria desse jeito ainda mais escroto. Preciso fazer um baita esforço para não bater no carro dele. O cara não faz esforço nenhum, tanto que percebi que meu carro está amassado de tanto ele bater a porta dele na minha lataria.

Mesmo assim, nunca reclamei dele para as autoridades responsáveis, o porteiro Sr. Antônio e a síndica, dona Maria de Lourdes . Achei que suportar essas pequenas grosserias criaria alguma cumplicidade entre nós. Não reclamando de tudo isso, ele também não reclamaria das vezes em que eu recebo meus amigos para assistir aos jogos do Corinthians ou dos jogos em que eu não recebo ninguém em casa, mas fico berrando a cada gol, falta, passe errado ou lateral mal cobrado. De fato, ele também nunca reclamou disso. Mas o cara me odeia.

Nas ocasiões em que nos vemos por acaso, ele faz questão de fazer uma expressão de nojo antes de virar a cara para o outro lado. Nunca o ouvi dizer bom dia, boa tarde, boa noite ou mesmo um simples opa. Não que eu não tenha tentado. Sempre cumprimento o gordão, e ele, no máximo, esboça um rosnado curto.

Cheguei a pensar que o cara era um rabugento, solitário, aquele tipo que não fala com ninguém. Mas percebi que praticamente em todo comecinho de noite, o vizinho está sentado largadão na mesa do boteco da esquina, dando risada e cercado de gente. Uma vez tinha até um violão na mesa e o cara estava batucando na mesa e cantando, vermelho de cachaça.

Só descobri a origem da raiva do fulano por causa de um time chamado Horizonte. A desconhecida agremiação do Ceará enfrentou o Palmeiras pela Copa do Brasil. E, ao que consta, o Palestra fez uma partida bem razoável, vencendo por 3×1. Não vi o jogo, não ouvi um rojão sequer, claro que teve gol de falta do Assunção, mas no outro dia, no caminho para a padaria…

Vejo o vizinho com uma camisa do Palmeiras! E nesse dia, ele olhou para mim com um ar de superioridade e rosnou um pouco mais manso. Vencer o Horizonte e desfilar orgulhoso pela rua Fernão Dias vestindo verde, coisa que há muito ele não fazia, começou a tirar o ranço do rosto do gordão. E me ver ali, desavisado, fez com que ele descontasse um pouco da raiva que sente por ter me ouvido gritar tantos gols e até alguns “é campeão” na orelha dele.

Bem que eu podia juntar todos os corinthianos que eu conheço lá em casa para assistir ao próximo Corinthians e Palmeiras. Fazer muito barulho, fazer as paredes dele tremer a cada gol e meter uma bandeira do Timão no meu carro, para irritar ele ainda mais na garagem. Mas falei para você que não sou mais disso. Não perco mais uma noite à toa. Não traio nem troco a minha patroa…

Classificação, goleada e festa na Mooca!

Hoje a Pascoa foi mais bonita para os juventinos, principalmente aqueles que presenciaram a festa na Rua Javari, um sonoro 4×0 e a classificação para a próxima fase da A3. O time precisava vencer e torcer para que outros times não vencessem, o time fez em campo o que era preciso e os resultados vieram. O Juve segue vivo na A3!

O jogo foi tranquilamente dominado pelo time da capital, as investidas dos bons laterais Tony e Lucas Pavone surgiram efeito, Elvis era o dono do meio campo e o ataque seguia afiado. Mesmo o bom time do Capivariano, não conseguia pressionar. Vencer o Juve com a Javari é complicado amigo.

O Moleque Travesso abriu logo 2×0 no primeiro tempo, e simplesmente cozinhou o jogo, esperou o time do interior que não conseguia pressionar, os dois times tiveram algumas boas chances, principalmente o Juve no contra-ataque. Quando o time de Capivari começava a dominar terreno, já no segundo tempo, com algumas faltas perto da área, Ferreira colocou Thiaguinho para botar velocidade e fogo no jogo.

Com a velocidade de Thiaguinho, o espaço que a zaga adversária e a precisão de Fernando, o time conseguiu marcar mais dois para explodir a festa na Javari. Um sonoro 4×0 num time que está em 4o na competição, mais do que merecida vitória.

Após o jogo a festa se desenrolou, a sempre louca e fanática torcida do Setor 2, veio marchando até as numeradas, e o que se viu foi um único canto na Javari, soando um Dale Dale Juventus, junto com os Jogadores que vieram até a grade comemorar com a torcida. Uma festa belíssima, que mostra que o Juventus é bem maior do que a A3, e que merece voltar para a elite do Futebol Paulista. Vamo que podemo Juve, a batalha ainda não está ganha, continuamos vivos e fortes para os próximos e derradeiros embates!

Segue o vídeo dos golos e da festa na Javari:

FORZA JUVE!!

Abraços.
Caio Di Pacce.

O preço da ganância

Como já é sabido, a Portuguesa perdeu o clássico contra o Corinthians, que foi disputado no estádio do Pacaembu na noite de quarta-feira. Como também é da ciência de todos, apesar de o jogo ser no estádio municipal, o mando era da Lusa. E a diretoria rubro-verde não só abriu mão do mando, o que é discutível, como o deu para o adversário, o que é inaceitável.

A versão oficial da direção do time do Canindé para justificar a inversão foi a possibilidade de obter uma renda maior. Não discuto a necessidade de que seja necessário fazer caixa, mas daí dar o mando para o adversário vai uma diferença descomunal.

Um clássico, qualquer que seja, é marcado pelo equilíbrio e, dessa forma, um detalhe pode fazer a diferença. Não quero dizer que se o jogo fosse no Canindé a Portuguesa massacraria o oponente, mas as possibilidades de vencer seriam maiores, bem maiores. Se é pra fazer caixa, que mantivessem o jogo no Dr. Osvaldo Teixeira Duarte e liberassem a maior parte dos ingressos para o distinto co-irmão.

Mas não! Por meia dúzia de moedas abriu mão de jogar em casa. O mais perto da condição de mandante que o time do Jorginho chegou foi usar o balneário de número um, o que não significa absolutamente nada. Resultado: o Corinthians jogou em casa, o que era tão certo quanto dois e dois são quatro, venceu e o saldo líquido da bilheteria proporcionada pelos cerca de seis mil pessoas que foram ao Pacaembu foi de pouco mais de vinte e quatro mil reais.

Há muto tempo a Portuguesa quer respeito, quer ser tratada como grande. No entanto, deve se dar o respeito para tal, pois se vende o mando de campo por uns caraminguás quaisquer, pode colocar mais duzentos mirréis e combina também o placar do jogo. De qualquer forma, o saldo seria positivo, pois quem se vende sempre recebe mais do que realmente vale.

Bomba no Juve! Elvis vestirá grená em 2012.

- Sou decisivo!

Vocês podem estar se perguntando: Quem é Elvis? Se você fez essa pergunta, não torce pelo Flamengo ou não gosta do Santo André. Elvis foi um dos líderes daquele time do Ramalhão que desbancou os grandes e bateu o Flamengo no Maracanã por 2xo e levantou a Copa do Brasil em 2004. Jogador esse que guardou um dos tentos dessa peleja.

Um bom meia-atacante, um pouco mais veterano, com 33 anos, ele é o primeiro camarão que o Presidente Rodolfo Cetertick trouxe para levar o time grená de volta para a série A2 do Paulista. Todos que lembram daquela partida sabem do que Elvis é capaz.

Vestirei grená

Creio que seja um bom reforço pro Juventus. Trará boas energias ao Moleque!

Abraços.
Caio di Pacce

Isso é Palmeiras x Corinthians

Semi-final do Paulista, Palmeiras x Corinthians. Jogo eletrizante, CHEIO DE POLÊMICA, e sim, um jogaço, um clássico como a tempos não era visto. Os dois maiores clubes do Estado jogando por uma vaga, um jogo sem empates, com vitorioso e um derrotado. Uma vitória para o campeonato.

Tudo isso em jogo, mas um homem de amarelo com um apito, querendo estragar tudo, Paulo César de Oliveira. Podem falar o que for, nos últimos jogos do Palmeiras apitados por ele, TODOS tiveram polêmica e o time verde saiu prejudicado. E hoje não seria diferente.

Aos vinte minutos, Danilo entra em uma dividida com um carrinho com força excessiva, Liedson vem por cima chutando o zagueiro, que sai sangrando. Resultado: Palmeiras com 10 em campo, Corinthians com 11. Palmeiras entrou na pilha, perdeu a cabeça. Felipão, que não tem sangue azul, fez o sinal que nenhum juíz quer ver. Outro expulso.

Antes de tudo isso, Valdívia era o nome do jogo até dar um chute no vácuo e reclamar de dores, aos 15 minutos. Jogo que ELE não pode dar o luxo de ficar de fora. Pra mim, precisa dar uma resposta a isso para a torcida. Ter que pelejar como os outros jogadores de verde fizeram, e fazem nessa temporada.

Mas o Palmeiras é um time operário, brigador, guerreiro, mesmo com 10, prejudicado, queria jogo. Foi pra cima e abriu o placar. 1×0 com Leandro Amaro, que entrou pra recompor a defesa.

O Corinthians tinha a posse de bola, mas não criava. Jogava muito pouco, mas em um escanteio, e na única falha de Deola com a camisa do Palmeiras, empatou o jogo. Willian, que entrou no lugar do reclamão Dentinho.

Fim dos 90 minutos e jogo para as penalidades. E o Corinthians levou a melhor, 6×5. João Vitor ficou nas mãos de Júlio Cesar. E o Timão na final.

O juiz quase tirou o brilho do jogo. O Palmeiras foi gigante, Márcio Araújo, M. Assunção, Kléber, Luan foram guerreiros, mas a final do Paulistão será alvi-negra. Que o Corinthians que se cuide, pois se jogar assim, nem com Paulo César de Oliveira, o Santos vai dar uma coça e levantar a taça outra vez.

Abraços.
Caio di Pacce.

Com a manteiga para cima

Foi um suplício só. Durante quase todo o campeonato a Portuguesa esteve fora da zona de classificação para os quartos-de-final, jogando um futebol (se é que pode ser chamado de) abaixo da crítica. Como sempre, trocaram o comando técnico, saindo o Sérgio Guedes, que tinha feito uma campanha muito boa na Série-B, mas que caiu demais de produção no Paulista.

Mas dessa vez o igual foi diferente: veio o Jorginho, luso desde as bancadas. Ele conhece a Portuguesa como poucos. E apesar de não ter conseguido apurar a Lusa pela Copa do Brasil, o saldo do seu trabalho tem sido extremamente positivo.
 
Ainda assim, a apuração foi mais dramática que um fado da Amália. Quando parecia que ia pegar no breu, tropeçou nos moribundos Santo André e Noroeste, em casa; daí ninguém mais acreditava, mas veio a vitória nos estertores diante do Paulista, rival direto na luta pela vaga. Na última ronda precisava ganhar e torcer contra Paulista, que enfrentaria o mistão do classificado Santos, e São Caetano, que receberia um Linense na briga contra a degola.
 
Mal começaram as pelejas e o Peixe já marcou logo dois (faria ainda o terceiro). No Anacleto não acontecia nada e a Lusa tomando sufoco, em casa, do São Bernardo. E o tempo passando e nada. Até que o Linense abriu o escore com um golo do ex-luso Éder.
 
Mas ainda faltava um golo, fosse no ABC ou no Canindé. Mas sabem como é, né? Na Lusa e com a Lusa tudo é mais difícil, chorado. Chorado como foi o chute do Ananias, mascado, de canela, de qualquer jeito, ou sem jeito algum.
 
Sem jeito, aliás, ficaríamos nós se não passássemos de fase. Em vez de protestos, aplausos, gritos de alegria e a certeza de que dias melhores virão. Pelo menos até o clássico contra o São Paulo.