Existe esporte limpo?

O médico da seleção francesa campeã de 1998 botou fogo no circo ao declarar ontem que alguns jogadores franceses, após a final do Mundial, apresentavam “análises de sangue suspeitas”. Jean-Pierre Paclet trabalhou para a Federação Francesa entre 1993 e 2008.

Lídio Toledo, que estava do outro lado do certame final de 1998, disse que é uma grande besteira de Paclet comentar algo que aconteceu há 10 anos. O médico brasileiro também afirmou que nunca presenciou algo desse teor nas seis Copas em que esteve presente.

Não é de hoje que alguns consideram que “esporte limpo” é um oxímoro. No futebol em especial, antes da profissionalização, era comum os jogadores tomarem as chamadas bolinhas, que nada mais era do que anfetaminas que aceleravam o metabolismo (se tiver algum médico lendo, por favor me corrijam). Garrincha mesmo se utilizou do artifício.

E mesmo na profissionalização, as injeções de vitamina B12 eram comuns nos anos 1970. Conheço vários relatos de jogadores, que eram aspirantes na época, sobre os vestiários repletos de seringas da vitamina injetável. Com o advento e progresso dos exames laboratoriais, o doping ficou mais detectável. Maradona que o diga em 1994.

Acredito que Paclet fez essa declaração para chamar a atenção para seu livro. Ninguém aqui é bobo de acreditar que todos jogam 100% limpos. Existe aquela prática comum do doping legal, que é a injeção de substâncias que aumentam o desempenho, mas não são detectáveis pelos exames laboratoriais. Há ainda, aquelas substâncias que podem ser encontradas em medicamentos comum, assim são passíveis de uma contra-argumentação em caso de prova positiva.

Agora, outra coisa: será que 1998 é uma nova 1978? Será que vinte anos depois, houve uma omissão (ou intervenção no caso argentino) das autoridades competentes para garantir que o time da casa vencesse o torneio, salvando assim o futebol francês? Não sei. Já vimos outros personagens irem mais longe em nome do título do mundo.

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O rabo que abana o cachorro

Todos nós sabemos, de longa data, que o futebol é paixão. A maioria de nós sabe, há algum tempo, que uma vez apaixonados, ficamos cegos. Alguns de nós sabemos, recentemente, que essa cegueira pode ser perigosa. Agora, nenhum de nós entende perfeitamente essa reação exagerada que a Copa está causando em alguns países.

Tudo bem, a Itália ter sido eliminada na primeira fase é feio. Merece as reações mais cegas e apaixonadas por parte dos italianos. É justificável. Assim como também é toda a frustração inglesa em ver seu bom escrete performar medíocremente no torneio. No entanto, para tudo tem um limite. Até para as paixões.

O exagero começa com a eliminação da França. O país está em uma convulsão social lenta e silenciosa. A questão migratória e o declínio do estado de bem estar tem gerado conflitos marcantes nesses últimos três anos. A União Européia enquanto mercado comum está pedindo socorro. Então, por quê o Henry teve de se explicar para o Sarkozy? Por que o Domensque se explicou perante a Assembléia Nacional Francesa?

Esse exagero não se basta no primeiro mundo. O presidente da Nigéria anunciou que “vai retirar a seleção de futebol do país de competições internacionais por dois anos, após o fraco desempenho da equipe na Copa do Mundo da África do Sul.” O governo também admite reavaliar o comitê que coordenou a campanha dos nigerianos no Mundial.

A Nigéria tem 70% da sua população abaixo da linha da pobreza, mesmo possuindo o trigésimo segundo maior PIB do mundo. Se você tivesse uma expectativa de vida de 50 anos, você estaria preocupado com a eliminação da seleção brasileira na Copa?

Aparentemente a resposta seria não. Todos nós temos o dedo em riste frente a tamanho ultraje. No entanto, olhemos para nosso próprio umbigo: quantas bandeiras brasileiras vemos estampadas com orgulho fora da época de Copa?

Se compararmos a situação, estamos mais preocupados com os problemas físicos do Elano do que com a eleição que se aproxima. Nos interessamos mais pela maleducação do Dunga, do que pela corrupção parlamentar.

O Futebol representa muitas nuances da vida. É o resumo da ópera econômica, social e cultural do globo. É como o rabo de um cachorro. Somente uma parte.

E quem abana o rabo é o cachorro. Não o contrário.

Foto: upstreamonline.com

O futebol velho do velho continente

Os campeonatos europeus são os mais ricos do mundo. A estrutura organizacional das competições permitem investimentos seguros que dão aos clubes saúde financeira para desenvolver suas atividades. Esse conforto é tal que alguns clubes europeus chegam a ser cotados nas bolsas de valores de seus países.

A mercantilização do esporte no velho continente já é assunto velho. Existe um ciclo vicioso (ou virtuoso?) que envolve a forja de um atleta desde seu berço. Entre outros fatores, a baixa natalidade do continente faz com que os clubes passem a importar mão-de-obra qualificada, ao invés de desenvolver seus próprios craques.

O time campeão dos clubes europeus é um exemplo triste disso. Como eu já havia dito por  aqui mesmo, o plantel da Inter de Milão conta com 4 jogadores italianos em um universo de 23. Desses quatro, nenhum está disputando o  Mundial da África.

Esse fenômeno se espalha pelos principais campeonatos da Europa. Além do italiano, os campeonatos da Holanda, Alemanha, França, Espanha e Inglaterra já não são mais nacionais. Deviam se chamar campeonatos transnacionais. A internacionalização produtiva finalmente cobrou sua cota no mundo do esporte.

Deixando de lado o esfacelamento político (e econômico) da zona do Euro, o que vemos na Copa é a decadência do futebol europeu. O tetra-campeonato italiano em 2006 não passou de um remédio paleativo, para aliviar as dores crônicas que estamos presenciando em super slow nos gramados africanos.

A começar pela França, que superou até as mais pessimistas expectativas. Formada na sua intensa maioria por jogadores da segunda geração de imigrantes, mostrou ser um time sem identidade e comprometimento. A la Luis XIV, o técnico francês Domeneche não conseguiu traduzir sua excentricidade em resultados. Thierry Henry vai se explicar para o presidente.

Por sua vez, a Itália que busca a classificação hoje, não empolgou ninguém. Um empate com a promessa paraguaia e outro com a zebra neozelandesa. O asilo que Marcelo Lippi montou mostra claramente que no país da bota não nasceram mais Baggios e Baresis nos últimos tempos.

No entanto, a grande decepção do torneio é a Inglaterra. Mesmo contando com grandes jogadores forjados in loco, Rooney, Gerard e Lampard parecem sentir falta dos seus companheiros estrangeiros para completar as jogadas.

Por outro lado, os países que tem campeonatos mais “fechados” como Holanda e Alemanha estão desenvolvendo um bom papel. Apesar do tropeço contra a Sérvia, os alemães são favoritos para derrubar o English Team nas oitavas. Já a sempre franca atiradora Holanda, precisa passar por algum time representativo para consolidar seu poderio. Até agora, tem confirmado as expectativas.

Contrariamente ao que ocorre na Economia, a liberalização dos mercados no futebol não tem gerado ganhos para as nações européias. Seria a hora de um programa de substituição de importações? Talvez, pois as vantagens comparativas nos gramados estão começando a se perder no tempo.

Foto: Associated Press

Diário da Copa: dia 06.

Enfim Copa do Mundo. O sexto dia de competição trouxe belos momentos, grandes jogos e algumas decepções.

Argentina 4 x 1 Coréia do Sul

Um desfile de Messi. O que parecia ser o embate entre as mais fortes seleções do Grupo B foi apenas um show argentino. Messi, Tevez e Higuaín jogaram o fino da bola, esse último calou os pedidos por Milito, uma vez que fez um belo hat-trick. Maradona no banco de reservas foi outra vez um espetáculo a parte.

Grécia 2 x 1 Nigéria

O time grego entrou em campo desacreditado, desiludido, após a pífia estréia diante da Coréia do Sul. E o jogo começou mais uma vez ruim para o time europeu. Aos 16 minutos Uchê fez 1×0, mas logo após o gol, o meio-campista Kaita confundiu futebol com boxe tailandês e levou o cartão vermelho. O time grego cresceu, vibrou, e além de fazer o seu primeiro gol em copas, fez o segundo, garantindo assim seus primeiros 3 pontos na competição. O grupo embolou.

México 2 x 0 França.

Jogo fácil para os Le Bleuz, certo? Para esse time francês nada é fácil. Além de terem uma geração não tão brilhante como a de Zidane, o time está rachado. O México como não tem nada a ver com isso, aproveitou a falta de entrosamento e vontade azul e foi ao ataque. Assim fez 2×0, e praticamente eliminou a França, que ainda não fez nenhum gol no mundial

 

Visão Copeira:

Os dois primeiros grupos ainda estão embolados, exceto a Argentina que mesmo com uma fraca defesa, vem esbanjando ofensifidade e beleza em seu futebol. O time já carimbou seu passaporte para a próxima fase. A Grécia mostrou que merece respeito, é a Campeã européia de 2004, foi uma vitória heróica e emocionante. Decepções ficam para a França: Os azuis não maracaram nenhum gol na competição, vem jogando muito mal e possuem um grupo desunido e desinteressado com a Copa do Mundo. Uma desonra para com Zidane e Platini.

Abraços.
Caio di Pacce.

Fotos: LANCENET!

Um Gol de Placa ou Como Quase Voltei a Ser um Jogador de Futebol

Mudando um pouco de ares, resolvi postar um texto de @felipeluno, do blog [PinkEgo], e sua última aventura futebolística, segue o texto:

Há algumas coisas que você não pode fazer depois de crescido sem ser julgado. Chupar pirulito, brincar de trepa-trepa e andar de 4 são algumas delas. Eu, Felipe, resolvi voltar a jogar futebol. Sim, aquele esporte popular praticado no Brasil por gente de nome difícil. Foi uma tarefa para reencontrar a adolescência e um bom preparo físico e quase me deparei com a morte.

Um dia desses, acordei com muita fome. Pulei meu sobrinho, chutei o cachorro e ataquei um pacote de bisnaguinhas indefesas. Esse pique do quarto até a cozinha me deu dor de sedentário, sabe? Aquela que dá na lateral da barriga, que você sentia quando era gordinho, fazia educação física e ninguém te escolhia para o time de vôlei, lembra?

Como não estou disposto a me expor a situações sociais com gente que usa poucas roupas em academia e por considerar que lugar de gemido é dentro de quarto e não em salão de musculação, resolvi voltar a jogar futebol.  Tudo bem, mas onde? Onde? Estou muito velho para escolinhas, muito novo para jogar com a Liga dos Senhores Católicos. O jeito foi investir na quadra do meu prédio.

Para isso, é importante se preparar. Corri até uma loja esportiva, comprei um calção bonito, uma camiseta simpática, uma meia com uma cor combinando e um tênis que me daria a propulsão necessária para fugir de trombadinha manco sem deixar cair uma gota de suor. E como sou precavido, comprei uma daquelas mochilas portadas por praticantes de musculação, que parecem um saco pendurado nas costas. Ali coloquei umas balas, bolachas, chocolates e isotônicos.

Em passos de jogador rumo à convocação da seleção brasileira, compareci à quadra na espera de meus oponentes. Aparentemente, hoje, as crianças preferem jogar Fifa 2010 à uma pelada verdadeira, então é importante ressaltar que esperei um bom tempo. Mas eles vieram: gordinhos, emos, leitores de hentai,  adolescentes desempregados e afins.

Montamos os times. Eu fui o último a ser escolhido. Não julguei ninguém. Claro que eles podiam duvidar do meu talento futebolístico. Nunca me viram em campo. Fui para o gol. Aqui vem uma informação importante: ninguém te avisa o quão perigoso é jogar como goleiro. É impressionante como a minha preocupação e o meu apreço pelas partes íntimas cresceram nos últimos 10 anos. Antes, quando eu jogava, protegia para não sentir dor. Hoje, protejo para não correr o menor risco de perder o playgroung no final de semana.

Mas eu falhei, amigos. Tomei muitos gols. Tentei subornar crianças com Trakinas, joguei M&Ms nos olhos dos atacantes adversários e nada adiantava. Eu não tinha a elasticidade necessária para proteger todas aquelas traves. Era preciso alguém com menos compromisso com a área íntima. Sugeri a troca com um menino com cara de futuro passivo e ele aceitou sem maiores questionamentos.

Agora, “na linha”, como eles chamam, eu poderia me destacar. No começo, fiquei de canto, marcando o alambrado e correndo atrás da bola como se não houvesse amanhã, mesmo se a posse fosse de alguém do meu time. Aos poucos, fui aprendendo a me posicionar, à enganar o adversário correndo para o lado oposto ao indicado. E não raro, eu aparecia livre, na cara do gol, mas não acertava um chute.

Até que os deuses do futebol sorriram pra mim. Eu fui derrubado, na área. E não chorei! Segurei as lagrimas, posicionei a bola na marca do pênalti, vi Pelé, Maradona, Messi, Richarlysson, todos gritando: “Vai, garoto”. E eu fui. Olhei para o goleiro. Ele tremia. Eu tinha o dobro do tamanho dele. Nessas horas, não há técnica. Não há maldição. Chute rápido. Chute reto. Chute forte. E eu chutei.

Ouvi um grito! Era gol! Ouvi outros gritos! Era um braço quebrado! Na tentativa de defender o meu remate, o gordinho caiu no chão e quebrou o braço direito. Enquanto eu comemorava, um círculo se fechava ao redor do garoto. Eu poderia dançar o rebolation. Ninguém veria. O clima ficou tenso, achei melhor subir, comemorando meu gol, sem camiseta. Correram atrás de mim, mas o meu tênis e um bom elevador contribuíram para a fuga.

Hoje, na quadra poliesportiva do condomínio Vivenda dos Ypês, há uma placa bem grande e bonita em minha homenagem: “É proibido o uso desta quadra por maiores de 16 anos“.

Escreveu Felipe Luno

O Grupo da morte.

Minhas especulacoes foram quase exatas e o Brasil quase caiu no meu grupo da morte. A selecao canarinho tera embates complicados na primeira fase no grupo G, que tem Portugal, Coreia do Norte e Costa do Marfim.

A estreia sera contra a fraca Coreia do Norte, no dia 15/06, depois enfrentaremos o durissimo time africano do atacante Drogba (20/06). E a partida final contra os patricios  no dia 25/06.

Depois de passar por esse grupo dificil, se o Brasil nao se classificar em primeiro, muito provavelmente enfrentara a candidata Espanha nas oitavas. Ou seja, tudo oposto da mamata de 2002 e 2006. O time brasileiro tera que mostrar forca desde cedo na competicao, se quiser chegar longe.

Sera muito interessante um possivel embate entre os paises ibericos, Portugal x Espanha nas oitavas.

Enquanto isso, no grupo A, a mal-quista Franca, que nao sabe ainda se  tera Henry na Copa, enfrenta Africa do Sul, Mexico e o querido e aguerrido Uruguai. Espero que a catimba e o espirito copeiro sul-americano da Libertadores prevaleca nesse grupo, e que “Dios” Lugano ataque umas canelas francesas.

Abracos.
Caio di Pacce.

Dublin anoiteceu calada.

A noite de quarta-feira tinha tudo pra ser inesquecivel para os irlandeses. O jogo em Paris valia muito. Metade do estadio era verde, branca e laranja.  E o time de Trappatoni estava muito afim de roubar a cena e a fazer a festa fora de casa.

A partida comecou tensa, a Franca queria claramente  se defender e contra-atacar e o limitado time Irlandes insistia demais nas bolas aereas, mas jogava pra frente, querendo o resultado. A esperanca irlandesa cresceu quando o experiente Robbie Keane abriu o placar aos 32 do primeiro tempo.

O time frances estava apatico, Gorcouff e muito fraco, logo o time frances ficava sem meio campo, Anelka e Henry tinham que buscar a bola no meio campo e o jogo nao rendia. O time irlandes foi melhor no segundo tempo tambem. Teve duas chances clarissimas de gol, uma com Duff e outra com Keane, e eles as disperdicaram.

A primeira regra que meu pai me ensinou sobre futebol: Quem nao faz, toma. E isso aconteceu na prorrogacao, mesmo com um auxilio ENORME do arbitro sueco e da mao de Henry, Gallas marcou e empatou a partida.

Ao fim do jogo os irlandeses sairam pra cima do juiz, reclamando muito de sua decisao. A torcida na cidade, que so cantava C’mon you boys in green! (no ritmo de uma das musicas do Silvio Santos. Pedro de Lara la, la la…) ficou revoltada. Via-se muitos copos quebrados, cervejas ao chao, devido a essa revolta.

A Irlanda merecia essa vaga, pois jogou melhor as duas partidas, e o povo irlandes precisava dessa classificacao, ja que sua economia ainda sente muito a crise mundial. Durante a transmissao, toda vez que mostrava o Primeiro-ministro irlandes, o pub aonde estava se unia para vaia-lo fortemente.

Bem, quem sabe fica para uma proxima vez.
Forza Irlanda.

Abracos do enviado especial.
Caio Di Pacce.