O Brasil perdeu?

O Brasil acabou de empatar com o México e parece que foi uma derrota. Talvez uma derrota moral, pela tamanha atmosfera que se criou em torno da seleção de Felipão. Como assim Neymar, o mito, não colocou a defesa de um escrete inexpressivo de joelhos? E todo o marketing em volta da invencibilidade da canarinho? E a música do Itaú? E a emoção do Galvão?

Guillermo Ochoa Brasil x México (Foto: AP)

Todos esquecemos que o time brasileiro é uma equipe jovem, com pouca experiência em Copas. Alguns jogadores não encaixaram no torneio, como o Paulinho e o celebrado Daniel “Avenida” Alves. As estrelas nascentes ainda não estão completamente prontas para responder aos momentos de pressão. Apesar da paternidade, Oscar não tem cancha para assumir a responsabilidade pela criação. Já Neymar, por toda vontade que sempre demonstra, isolado, acaba por ser facilmente neutralizado.

Se nossa defesa é sólida e técnica, nosso ataque é vacilante. Jô e Bernard foram convocados à sombra de uma belíssima Libertadores que jogaram. Porém, quando testados no calor da partida, acabam por não corresponder. Hoje vimos um Jô desatento, com pouca criatividade e nenhuma presença de área. Por sua vez, Bernard poderia ter infernizado o lado direito dos chicanos, mas não teve a mesma mobilidade impressionante de seus tempos no Galo. É…o manto amarelo pesa.

Na coletiva de imprensa, pela primeira vez nesse oba-oba de Copa, Felipão foi rude e distribuiu respostas curtas. Disse que nós brasileiros esquecemos que outros times também podem jogar bem e ressaltou a partida milagrosa que o goleiro Ochoa fez. Porém, é inegável que o escrete canarinho tem problemas. Talvez seja muito tarde para perceber, já que a neblina midiática dos últimos meses começa a se dissipar.

 

Foto: Associated Press, extraída do Globo.com

Depois de 20 anos, os Estados Unidos se rendem!

Hoje (17), há vinte anos, Alemanha e Bolívia davam o pontapé inicial para a Copa do Mundo dos Estados Unidos. O Brasil se consagraria tetracampeão, mas o legado do futebol com os pés demoraria para se consolidar no coração dos americanos.

Gana e Estados Unidos fizeram um dos jogos mais dignos da Copa até agora. Trata-se de dois países que buscam o amadurecimento de seu futebol e Copa após Copa mostram progressos significativos, tanto no seu mercado, quanto na sua forma de jogar. É verdade que a partida de ontem por vezes foi ingenuamente violenta, mas os elementos do bom futebol estavam ali todos presentes: toque de bola, drible, defesa e velocidade. Muito diferente do que vimos no jogo das 16h entre Nigéria e Irã.

Fans gather in Grant Park to watch the US play Ghana in a World Cup soccer match in Chicago, Illinois 16 June 2014

Fãs se reúnem no Chicago Park para assistir a partida de ontem. Foto: BBC News

Obviamente, o ponto alto do certame foi o gol relâmpago de Dempsey, que nada teve de “sem querer” – foi uma jogada trabalhada, com inteligência tática, categoria e, claro, um ligeiro tempero da sorte. Porém, Gana não se desesperou, nem se acabrunhou como a Bósnia contra a Argentina. Os ganeses tiveram a estabilidade suficiente para buscar o empate e alternaram bem o protagonismos de suas estrelas: Gyan, Boateng e Essien. Estranhamente, esse dois últimos entraram no segundo tempo…fico curioso para saber qual a estratégia dos ganeses nessa primeira fase: será que suas estrelas só entrarão em jogos contra Alemanha e Portugal, somente para valorizar seus respectivos passes?

Pelo lado dos Estados Unidos, a mídia americana começa a dar um quinhão a mais de atenção para o soccer. Talvez seja a influência dos milhares de brasileiros que imigraram, mas também acredito que os investidores esportivos já não conseguem mais ignorar a mina de ouro que o esporte é. Tanto a audiência, quanto a celebração norte-americana pela vitória de ontem, são sinais inegáveis do que pode representar para as demonstrações financeiras das empresas, e para o esporte em si, a redenção yankee ao futebol com os pés. Bem vindos!

US soccer fans watching from the pier at Hermosa Beach, California 16 June 2014

Comemoração do gol de Dempsey em Hermosa Beach, Califórnia. Foto: AFP extraído da BBC News