Fernandinho sim, Paulinho não

Cheguei pra ficar!

Ontem o Brasil venceu por 4×1 Camarões e terminou a primeira fase como líder do Grupo A. Quem somente vê o resultado do jogo, não terá a real percepção do que foi, principalmente, a primeira etapa da partida.

O nosso time apresentou os mesmos problemas no meio-campo do jogo contra o México, as jogadas eram criadas de lançamentos longos da defesa para o ataque, o que seria facilmente controlado por uma defesa de qualidade, como enfrentamos o fraco time do Camarões, Neymar conseguiu brilhar e fazer dois gols.

Além disso o time estava expondo sua defesa, Luiz Gustavo precisava de um suporte defensivo de Paulinho, que não veio. Com isso, no intervalo, Felipão fez a mudança que muita gente pedia, colocou Fernandinho no lugar de Paulinho.

E o Brasil, enfim, teve um meio-campo equilibrado. A bola transitava, e, mesmo com partidas abaixo da média de Oscar e Hulk, o time conseguiu ampliar o placar, com Fred que desencantou, jogou melhor, ainda nada de espetacular, mas foi bem mais participativo. E terminou a goleada com o próprio Fernandinho, que fez uma jogada de Paulinho, infiltrando-se e aparecendo como jogador surpresa.

Paulinho é um excelente jogador, isso ninguém duvida, porém, por algum motivo físico ou psicológico, não está sendo o Paulinho que todos conhecemos. Ele não está sendo aquele Paulinho que nos acostumamos a ver decidindo partidas pelo Corinthians e pela Seleção.

Já Fernandinho está jogando bem, não está sentindo a pressão de vestir a camisa verde-amarela. Felipão deve manter essa substituição contra o Chile, pois sabe que precisa de um jogador com mais pegada para controlar as investidas de Vidal, Sanchez e Vargas. E ele está fazendo muito bem em manter essa alteração.

Abraços.
Caio Di Pacce.

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Asa Verde no Choque-Rei

Em uma noite chuvosa típica paulistana, o virtual campeão da América venceu o desabrigado alviverde pelo placar mínimo. Essa vitória do São Paulo é a primeira em clássicos no ano de 2010.

O Palmeiras entrou com medo de perder. No jargão do futebol, isso é imperdoável: o medo de perder, tira a vontade de vencer. E foi mais ou menos isso que ocorreu. O técnico Parraga recheou o time de volantes e se não fosse a boa atuação de Lincoln no meio, o Palestra não conseguiria nem sequer flertar com as redes tricolores.

Por outro lado, o São Paulo entrou embalado e confiante. A mística dessa fase inicial de Fernandão no time se confirmou. O camisa 15 era a peça que faltava no quebra-cabeça Dagoberto, Hernanes e Marlos.  O quarteto dominou por completo o primeiro tempo, fazendo Marcos exercitar solitário sua santidade. Até os 25 minutos de jogo, o tricolor havia criado pelo menos cinco boas chances de gol.

A partir daí a bruxa resolveu visitar o Morumbi. Cleiton Xavier sentiu a antiga lesão no joelho e pediu para ser substítuido. Pouco depois, Marlos pelo São Paulo se contundiu sozinho. No seu lugar entrou a promessa Fernandinho. E isso mudaria o jogo.

Logo no começo do segundo tempo, o atacante recebeu passe de Richarlysson pela esquerda. Passou pelo recém-chegado Maurício Ramos e cruzou na área. No estilo mais copeiro, de carrinho, Fernandão entroniza a mais recente dupla sertaneja dos gramados brasileiros. São Paulo um a zero.

De certa maneira, até o mais fervoroso palestrino já se conformaria com esse resultado. No entanto, o certame ganhou tons dramáticos aos 43 minutos. Dos pés do bom Lincoln, Ivo recebe na área e é derrubado pelo ainda vacilante Cicinho. O juiz aponta a marca da cal.

Mas quem cobraria? Robert não está mais. Diego Souza não quer mais estar. Cleiton se contundiu. Então, em raro heroísmo, Ewerthon pega a bola e se prepara para a cobrança. O que se seguiu é mais um traslado da péssima fase do alviverde palestrino. O atacante ex-corintiano coloca fraco e a meia altura. Um desrespeito ao torcedor. Um desrespeito a excelência de Rogério Ceni, que levou a torcida ao delírio com a defesa.

Logo depois do recuo de Ewerthon para Ceni, uma bomba caseira explodiu na torcida palmeirense. Os ânimos foram amainados pelo político dirigente Marco Aurélio Cunha. Por fim, nem os esforços apaixonados de São Marcos na busca da cabeçada sagrada foram suficientes. O Palmeiras voltaria para a Pompéia derrotado.

O bom jogo tricolor foi ofuscado pela péssima atuação e fase do Palmeiras. O time palestrino não vê a hora da Copa começar para que os holofotes se apaguem. E quem sabe a asa negra resolva debandar para outros lados.

Foto: Uol Esporte