Muricy na Seleção: Retranca com Pedigree

Muricy Ramalho é o novo técnico da seleção brasileira. O que devemos pensar disso?

Acredito que a palavra certa para esse momento seja: continuidade. O futebol canarinho não vai ganhar um banho de loja que todos esperavam. Pelo contrário, vai continuar carrancudo. Só que dessa vez com pedigree.

Ricardo Teixeira foi parcialmente coerente. Muricy sempre foi conhecido por abraçar projetos e levá-los até o fim. Até o fim vitorioso, diga-se de passagem. No entanto, ele não representa a renovação que todos esperavam. Nesse quesito, Mano Menezes calçaria melhor esses sapatos.

A carreira de Muricy é consistente. Foi campeão brasileiro pelo Inter em 2005 e depois comandou a dinastia são-paulina até 2009. Passou pelo confuso Palmeiras (que continua confuso) e chegou ao Fluminense. Deixou o escrete carioca na liderança e ruma agora para a Comary.

Nos próximos dias, teremos convocação. Nesse sentido, não teremos muitas surpresas. Certamente o time base terá muitos pilares do vitorioso São Paulo F.C. de 2007. Hernanes finalmente terá oportunidades. No entanto, algumas rebarbas de Dunga poderão sobrar, como Josué, Grafite e Luís Fabiano.

Aliás, acredito que Hernanes será o escolhido da nova era Muricy. Assim como Leomar foi para Leão e Felipe Melo para o Dunga. Sorte nossa que o meia são-paulino joga muito mais que esses outros dois.

De maneira geral, a CBF resolveu escolher um cara que aguente o tranco. A pressão vai ser descomunal e a imprensa vai pesar como nunca antes. Dunga não soube lidar com isso. E Muricy…bom, seus antecedentes falam por si só.

O Futebol venceu

A Holanda jogou sujo e feio, mas o Brasil nada jogou. Entre expectativas e fatos, a seleção brasileira provou da catimba laranja. Um veneno em que somos especialistas em produzir. E utilizar.

A malandragem do pagode e do dedinho-na-boca, morreu na testada inédita de Snijder, sobre uma das defesas mais altas da Copa. Com os dólares da Samsung garantidos, Robinho perdeu a cabeça, mesmo tendo marcado um dos gols mais bonitos da canarinho na Copa.

Kaká, ao gosto do comandante Dunga, conclamou Deus para se defender do jornalista Juca Kfouri. Mas pelo que ele apresentou no dia de hoje, aparentemente Deus defendeu o jornalista e desmascarou o jogador. Se escondeu (involuntariamente, é verdade) em campo e quando teve oportunidade, quis resolver sozinho. Não deu certo. Será que a lesão ganhou peso?

O grupo parecia sólido nas outras partidas, no entanto, se esfacelou ao tomar o primeiro gol. Tropeçou na primeira pedra maior que encontrou. Não utilizou a maturidade que demonstrava para alcançar a superação. Não foi guerreiro. Tão pouco artista.

A culpa volta toda para Felipe Mello. O Brasil já alertava. A Itália já alertava. Mas ele era o zap de Dunga. Era o personagem que seria esfregado na cara de todo o Brasil, caso o time chegasse ao título.

Apesar de tudo, o futebol saiu ganhando dessa. Era desgostoso ver o time brasileiro jogar. Não empolgava, não encantava. Era um time tático e carrancudo. Muito diferente do que a nossa vitoriosa escola da bola sempre pregou. A Holanda não joga tão bonito, mas preza menos pela modernidade do futebol marcador do credo de Dunga.

Fomos eficientes e disciplinados. E o Futebol não perdoa esse tipo de empáfia.

Foto: Reuters