Depois de 20 anos, os Estados Unidos se rendem!

Hoje (17), há vinte anos, Alemanha e Bolívia davam o pontapé inicial para a Copa do Mundo dos Estados Unidos. O Brasil se consagraria tetracampeão, mas o legado do futebol com os pés demoraria para se consolidar no coração dos americanos.

Gana e Estados Unidos fizeram um dos jogos mais dignos da Copa até agora. Trata-se de dois países que buscam o amadurecimento de seu futebol e Copa após Copa mostram progressos significativos, tanto no seu mercado, quanto na sua forma de jogar. É verdade que a partida de ontem por vezes foi ingenuamente violenta, mas os elementos do bom futebol estavam ali todos presentes: toque de bola, drible, defesa e velocidade. Muito diferente do que vimos no jogo das 16h entre Nigéria e Irã.

Fans gather in Grant Park to watch the US play Ghana in a World Cup soccer match in Chicago, Illinois 16 June 2014

Fãs se reúnem no Chicago Park para assistir a partida de ontem. Foto: BBC News

Obviamente, o ponto alto do certame foi o gol relâmpago de Dempsey, que nada teve de “sem querer” – foi uma jogada trabalhada, com inteligência tática, categoria e, claro, um ligeiro tempero da sorte. Porém, Gana não se desesperou, nem se acabrunhou como a Bósnia contra a Argentina. Os ganeses tiveram a estabilidade suficiente para buscar o empate e alternaram bem o protagonismos de suas estrelas: Gyan, Boateng e Essien. Estranhamente, esse dois últimos entraram no segundo tempo…fico curioso para saber qual a estratégia dos ganeses nessa primeira fase: será que suas estrelas só entrarão em jogos contra Alemanha e Portugal, somente para valorizar seus respectivos passes?

Pelo lado dos Estados Unidos, a mídia americana começa a dar um quinhão a mais de atenção para o soccer. Talvez seja a influência dos milhares de brasileiros que imigraram, mas também acredito que os investidores esportivos já não conseguem mais ignorar a mina de ouro que o esporte é. Tanto a audiência, quanto a celebração norte-americana pela vitória de ontem, são sinais inegáveis do que pode representar para as demonstrações financeiras das empresas, e para o esporte em si, a redenção yankee ao futebol com os pés. Bem vindos!

US soccer fans watching from the pier at Hermosa Beach, California 16 June 2014

Comemoração do gol de Dempsey em Hermosa Beach, Califórnia. Foto: AFP extraído da BBC News

Estados Unidos da América, o país do futebol.

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Em muitas áreas, os Estados Unidos são certeza de controvérsia. Como boa parte do mundo, nós brasileiros também temos nossas suspeitas quanto a maior potência do planeta. Na Política, alternamos entre alinhamento e independência. Na Economia, procurarmos assimilar ou relativizar. No Esporte, frequentemente perdemos. No futebol ainda não. Ainda.

Quem acompanhou os amistosos internacionais que precederam a Copa, certamente notou que boa parte deles se deu em terras americanas. Agora mesmo, Portugal vai batendo a Irlanda em Nova Jersey. Também ocorreram partidas em Saint Louis, Washington e Houston. Toda essa sequência faz parte de uma iniciativa denominada Road to Brazil, uma parceria da FIFA com a Major League Soccer, a confederação de futebol americana.

O torneio amistoso ocorreu entre 29 de maio e 7 de junho e contou com 10 equipes. Porém, outros jogos, como Inglaterra x Honduras apesar de não previstos no calendário inicial, também receberam o selo Road to Brazil nas transmissões da ESPN. Os artilheiros da “temporada regular” foram David Villa (ESP), Didier Drogba (CMA) e Edin Deznko (BOS) com dois gols cada um.

A realização desse torneio mostra que os americanos finalmente perceberam a importância comercial do futebol jogado com os pés. Não podemos negar que isso é um fato novo, pois o Estados Unidos é o país que mais entende de espetáculo. E no final das contas, nós espectadores gostamos de uma partida bem jogada e bem apresentada. Não é à toa que consumimos avidamente a Champions League e o SuperBowl.

Há um boato que empresas de marketing esportivo estão fazendo lobby para a unificação da CONCACAF e da CONMEBOL. Com isso, seria possível um campeonato realmente continental, nos mesmos moldes daqueles da UEFA. Os países participantes deverão ter estádios capazes de receber grandes públicos e o local da final seria eleito com antecedência. Seria um grande impulso para os patrocinadores, televisionadores e também para a indústria do turismo. Alguns países menores da América do Sul perderiam espaço, como a Bolívia e o Equador. Porém, finalmente os mexicanos conseguiriam participar de uma competição internacional de clubes de alto nível.

De qualquer forma, o Road to Brazil significa mais do que aparenta. Não será uma surpresa se, de repente, os Libertadores da América passarem a contar com George Washington e Thomas Jefferson no seu panteão.

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Foto e fonte: www.mlssoccer.com/road-to-brazil-2014

Massacre canarinho

Nova Jersei, EUA, local da estréia de Mano Menezes e dos meninos da Vila com a camisa verde-amarela. O rival dono da casa veio empolgado, com uma bela apresentação na Copa do Mundo. Todos os analistas brasileiro estavam preparando um discurso cauteloso, de preparação do time para 4 anos. Mas todos se surpreenderam, o Brasil massacrou.

O placar marcou 2×0 após os 90 minutos, mas o placar moral foi 7,8,9,10×0 contra os norte-americanos. O time veio num 4-3-3 ofensivo, pra frente, jogando bonito. Um futebol moderno, mas romântico. Ao melhor estilo brasileiro.

A dupla de zaga David Luiz e Tiago Silva foram seguros, mostrando que essa dupla poderá dar caldo. O meio de campo com o firme Lucas, o veloz e astuto Ramires e o incrível Ganso, que mesmo quando a gente espera um futebol espetacular dele, o garoto continua a nos surpreender.

E o ataque, o melhor setor do time brasileiro, funcionou muito bem. Neymar parecia vestir o branco da camisa do Santos, fez de cabeça gol na estréia, o primeiro do Brasil e Pato também foi preciso, guardou o segundo driblando o goleiro. Tudo isso no primeiro tempo.

No segundo tempo, o time massacrou, parecia jogo treino, era defesa contra ataque, mas o time oscilou um pouco nas finalizões, mas foram muito bem. Mesmo os que entraram, Herandes, Carlos Alberto, Jucilei foram bem. Único destaque negativo foi a triste estréia de Ederson, que sentiu a coxa em seu primeiro lance e teve que sair.

Kaká, Maicon,  Luís Fabiano terão que jogar muita bola para poder voltar a ser titular da seleção. E pra quem dizia que o Mano era retranqueiro, a resposta está aí. Um jogaço.

Abraços.
Caio di Pacce.