O orgulho militar argentino: A Copa de 78

A 11o Copa do Mundo foi realizada na Argentina. O país vivia um momento político conturbado, assim como os demais países da América Latina, era comandado por uma ditadura militar, um governo autoritário e violento. Assim como na Copa de 70 para o Brasil, os ditadores argentinos queriam fazer do sucesso de sua seleção o sucesso de seu governo: A Argentina tinha que ser campeã.

Foi uma copa cercada de polêmicas. O super craque Johan Cruijff se recusou a jogar a Copa de 78 como forma de protesto contra o regime militar. A organização também apresentou muitas falhas. Os estádios ficaram em alguns lugares prontos na última hora, e por isso, o gramado recém-plantado, começou a se soltar sob os pés dos jogadores.

O selecionado porteño não era ruim, tinha Kempes, Luke e o zagueiro, hoje presidente do River Plate, Daniel Passarela. Porém o time sentia a pressão por jogar em casa. Tanto que se classificou em segundo lugar em seu grupo, perdendo para a Itália. E assim, se encontrou em um grupo na segunda fase com o Brasil, Polônia e a sensação Peru, de Cubillas.

Dado a combinação de resultados desse grupo da segunda fase, o Brasil só não se classificaria  somente se a Argentina ganhasse da sensação Peru por mais de três gols, fato que não ocorrera desde que Menoti assumiu o selecionado argentino. E a maior polêmica de todas as copas ocorreu naquele jogo.

O Peru do goleiro argentino, naturalizado peruano, Quiroga, entrou apático em campo e tomou 6 gols da Argentina, alguns frangos bizarros. E dessa forma a alvi-celeste tirou o Brasil da Copa sem vencê-lo, e o selecionado canarinho foi eliminado sem perder nenhuma partida. Fato que só se repetiu com a Suiça em 2006, quando perdeu a vaga para a Ucrânia nos pênaltis.

A final contra a Holanda, sem Cruyff, foi um belo jogo, o time argentino dessa vez jogou o que não jogara nas partidas anteriores, e venceu os Países Baixos por 3×1, em um jogo eletrizante. 

A Argentina levantou a taça pela primeira vez, para delírio de seu povo, para vergonha da FIFA e para orgulho de seus generais, que conseguiram realizar o pão e circo com êxito.

Abraços.
Caio di Pacce. 

Uma cobrança que mudou uma vida.

Roberto Baggio, nascido em Caldogno – Itália, no dia 18 de Fevereiro de 1967, o melhor jogador do mundo de 1993, disputou 3 copas do mundo – 1990, 1994 e 1998. Vestiu as seguintes camisas: Vicenza, Fiorentina, Juventus, Milan, Bologna, Internazionale e  Brescia.

Era preciso, driblava, passava e finalizava como poucos. Em 1990, na Itália, ainda era jovem e reserva na squaddra azzurra, mas fez um de seus mais belos tentos contra a Tchecoslováquia. Era decisivo. Para muitos italianos, era considerado o novo príncipe, o maior ídolo depois de Paolo Rossi, aquele que fizera o Brasil chorar em 1982.

E todos esses sonhos, considerações, expectativas caíam sobre os ombros dele na Copa de 1994. Era o melhor do mundo, liderava um time muito bom, quase perfeito defensivamente; com Pagliuca, Baresi, Maldini, Benarrivo, Costacurta – os melhores da posição. E cabia a ele marcar.

E ele o fez, cresceu nas partidas de mata-a-mata, fez 2 contra Nigéria nas oitavas, mais um contra a Espanha nas quartas e mais 2 na semi-final contra a incrível Bulgária de Stoichkov. O país da bota esperava que ele decidisse mais uma vez. Todos sabem o que  aconteceu. O pênalti final, o destino nos pés dele e a bola foi pra fora.

É a imagem que todos lembram de uma carreira brilhante, de um jogador que ganhou vários títulos, com belíssimos gols, incríveis partidas e um prêmio de melhor do mundo. Ele ainda jogou em 1998, cobrou um pênalti contra a campeã França e acertou.

Uma cobrança que mudou uma carreira, que mudou um destino de uma nação, e deu um título para os brasileiros. Segue a entrevista do principe italiano:

Abraços.
Caio Di Pacce.

A Batalha de Nuremberg

Corria o ano de 1945 quando Nuremberg sediou aquele que foi o julgamento mais emblemático de todos os tempos. No dia 20 de novembro daquele ano os principais líderes do III Reich começaram a ser julgados pelos crimes cometidos durante o regime nazista de Adolf Hitler. O tribunal decretou 12 condenações à morte, 3 prisões perpétuas, 2 condenações de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de 10 anos, além de 3 absolvições. O episódio ficou para a História como o “Tribunal de Nuremberg”.

A mesma cidade alemã foi, quase 60 anos depois, o palco de um dos maiores e mais violentos jogos da história das Copas. Portugal e Holanda se degladiaram – literalmente – pela fase de oitavas-de-final da Copa de 2006. A Selecção das Quinas ficou com a vaga, mas começou a perder o Mundial naquele jogo.

O jogo marcou um duelo no mínimo interessante: Scolari x Van Basten. Quando eram jogadores, tratavam-se de atletas com características completamente opostas. Se Luís Felipe Scolari era um zagueiro tosco e de parcos recursos técnicos, tendo passado sua carreira obscuramente por clubes de pouca expressão, Van Basten foi um dos melhores atacantes de todos os tempos, tendo brilhado pela própria seleção holandesa e pelo grande Milan da década de 80.

A primeira fase foi mais tranquila pro time de Felipão do que para os comandados de Marco Van Basten. Portugal terminou em primeiro lugar no Grupo D, com três vitórias, contra Angola, Irã e México. Já a Holanda, que esteve no chamado “Grupo da Morte”, terminou na segunda colocação, com 7 pontos, ao lado da Argentina, mas com saldo de golos pior e à frente de Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro.

Um ingrediente novo esquentava o confronto: a recente rivalidade entre as seleções. Portugal fora algoz dos holandeses nas Eliminatórias da Copa de 2002, quando estes sequer foram à repescagem. Dois anos depois, na Eurocopa, Portugal voltou a despachar a Holanda, já nas semi-finais. E no dia 25 de junho, no Frankenstadion, estavam frente a frente, mais uma vez.
Para mediar o jogo a FIFA designou o árbitro russo Valentin Ivanov. Foi uma guerra. Logo aos 7 minutos o cavalo holandês Boulahrouz entrou, criminosamente, de sola no Cristiano Ronaldo, causando sua saída da partida minutos depois. Ivanov deu apenas cartão amarelo ao holandês, quando deveria expulsá-lo direto. Foi a deixa pro pau comer. Ao final do duelo, foram 20 cartões, sendo 16 amarelos (nove para Portugal e sete para a Holanda) e quatro vermelhos (dois pra cada lado). Nunca antes se mostrou tantos cartões num só jogo em Copas.

Em momento algum o árbitro teve o comando do jogo. O primeiro cartão recebido pelo meia Deco, por exemplo, ocorreu após um erro grotesco do russo: a Holanda estava no ataque quando o volante português Maniche levou uma bolada de Kuyt. A bola ficou com os portugueses, que armaram um contra-ataque letal. Inexplicavelmente, quando a bola já estava perto da área holandesa, o jogo foi parado para que o luso fosse atendido. No reinício, quando Portugal esperava que a Holanda devolvesse a bola, Heitinga partiu em velocidade contra o gol defendido por Ricardo. Deco deu no meio dele e recebeu o cartão. Minutos depois, ao retardar o reinício da partida retendo a bola, foi expulso. No mais, pouco futebol e muita, mas muita pancadaria. Nem o craque Figo passou incólume: durante uma das diversas confusões, o ex-melhor do mundo deu uma cabeçada em Van Bommel, mas só recebeu o amarelo.

Ah, o placar do jogo foi Portugal 1×0 Holanda, gol de Maniche, aos 23 minutos do primeiro tempo. Depois despachou a Inglaterra, nos pênaltis, e só caiu na semi-final (no apito) contra a França.

A Copa de Diego.

Após sofrer as agruras de uma das ditaduras militares mais violentas na América do Sul, a entrada na segunda metade da década de 80 representava a aurora da democracia para a Argentina. Tal qual no Brasil a identificação e os reflexos da seleção argentina de futebol na sociedade sempre foram evidentes. Se 1978 representara a legitimidade máxima dos militares argentinos e do discurso de caráter autoritário e nacionalista (do mesmo modo que em 1970, no Brasil) com a conquista do mundial como donos de casa, a Copa do Mundo de 1982 se revelou um verdadeiro fracasso.

Marcada como a “tragédia de Sarriá” pelos brasileiros, a competição também não fora nada agradável para os hermanos que na estréia do já consagrado Maradona em Copas, viram o ídolo sofrer com a forte marcação e as expulsões em jogos decisivos. No mesmo ano, outro fracasso, dessa vez fora do campo marcaria a história do país para sempre. Numa atitude tresloucada do governo militar, a Argentina declarou guerra à Inglaterra, reivindicando a posse do território das Ilhas Malvinas (denominadas de Falkland pelos ingleses). O resultado, já esperado, foi a vitória acachapante dos europeus, levando os argentinos a abominar não só seu próprio regime governamental, responsável pela morte de cerca de 600 jovens, mas também os próprios ingleses, tidos a partir de então como inimigos declarados.   

Chegava 86 e, embora a busca por justiça e a consolidação progressiva da liberdade no país estivesse a pleno vapor, a herança econômica dos governos militares era um câncer inevitável. O clima de desconfiança fruto do ápice da “década perdida” rondavam o ar. Nem mesmo a convocação de Diego era uma certeza nacional. Setores da imprensa divergiam em relação a real capacidade do jogador ainda sem destaque na equipe do Nápoli. Mas um sentimento era compartilhado: era preciso reorganizar a Argentina e, sobretudo, reconquistar o orgulho ferido de um povo maltratado.

Após ser escolhida como sede, a Colômbia desistiu da competição devido a graves problemas econômicos. A escolha mais sensata acabou sendo o México, cuja estrutura de 1970 ainda era plenamente favorável à disputa do campeonato. A previsão era de uma acirrada disputa, fundamentada pelo contraste de gerações. A Itália era a atual campeã, a França veria sua última Copa com Michel Platini, a Alemanha vinha com uma eficiente equipe liderada por Lotthar Matthaus, e o Brasil, comandado por Telê Santana, trazia ao mundo o craque Zico, ao lado de Sócrates, Careca e Branco. A Argentina corria por fora.

E assim foi ao longo da 1ª fase. A equipe azul e branca venceu as fracas Coréia do Sul e Bulgária, e ficou apenas no empate com a Itália (que não apresentava nem sombra do futebol de quatro anos atrás, sendo eliminada pela França nas 8as).

A equipe argentina vinha com uma mistura interessante de jogadores experientes com novos talentos, a ponto de relegar o veterano Daniel Passarela à condição de reserva. Nas oitavas, venceriam o Uruguai por 1 a 0, naquela que Maradona considera a melhor partida de sua carreira. Para a maioria dos críticos e fãs, contudo, essa partida viria a seguir, quando nas quartas de final o adversário seria a Inglaterra.

Impossível não relacionar a partida ao conflito militar protagonizado pelos dois países e ainda muito vivo na mente dos argentinos, cujo orgulho mantinha-se ferido. A equipe inglesa vinha gabaritada por seu elenco experiente e talentoso, com nomes como Glenn Hoddle, Peter Beardsley e Gary Lineker (artilheiro da Copa de 86), mas uma campanha irregular na 1ª fase a deixavam sob o foco da dúvida.

O clima do jogo era inevitavelmente tenso- tanques de guerra mexicanos faziam a segurança do lado de fora do Estádio Azteca. E do mesmo modo iniciou a partida. Jogando com seu uniforme reserva a Argentina era protagonista das ações no inícios do jogo, embora a violência tomasse conta da partida em ambos os lados. O jogo truncado era reflexo do clima que o envolvia. Maradona era caçado em campo e o máximo que conseguia eram algumas arrancadas infrutíferas em direção ao gol inglês. O 1º tempo terminava sem gols.

A volta dos vestiários mostra uma Inglaterra mais disposta, com domínio de jogo e executando forte marcação. Mas apenas seis minutos depois, num dos lances mais antológicos da história do futebol, a Argentina sairia na frente: após a bola alçada na área, Maradona ergue a mão junto à cabeça, praticamente fazendo um gol com um soco. “La mano Del diós”, ou a mão de deus, da divindade chamada Maradona que transgredia ali todas as convenções do esporte, como se estivesse acima de tudo e de tudos. Ele podia.

Após protestos infrutíferos junto ao árbitro, os ingleses buscavam reagir, mas o pesadelo só aumentaria. Três minutos depois de abrir o marcador a Argentina ampliaria o placar naquele que é considerado o gol mais bonito de Maradona em sua carreira, e provavelmente um dos mais belos da história das Copas. O craque recebe um passe na intermediária, e no domínio já tira um inglês da jogada. Numa disparada violenta, deixa nada menos que três jogadores da equipe adversária para trás, e num retoque de perfeição, ainda tem tempo de driblar o goleiro Peter Shilton, para tocar no fundo das redes: 2 a 0. Um caminhão chamado Maradona passava por cima da experiente equipe inglesa, que estava completamente atordoada.

Com uma excelente vantagem os argentinos passaram a administrar o jogo, e valorizar o resultado conquistado. Apenas aos 35 do segundo tempo a Inglaterra conseguiria diminuir, com o artilheiro Garry Lineker, mas não seria suficiente. O apito final declarava e o inevitável sentimento de vingança, promovido por um meia marrento e sua camisa de número 10. A Argentina ainda enfrentaria a Bélgica e a Alemanha Ocidental, antes de se sagrar bi campeã do mundo em 86.

O homem que fez o Brasil Chorar

Paolo Rossi nasceu em Santa Lucia di Prato, Itália, no dia 23 de setembro de 1956 . Jogador de Futebol. Ficou famoso com a camisa bianconera da Vecchia Signora, a Juventus de Turim.

Um excelente matador, jogador firme, goleador típico italiano. Teve um começo de carreira fulminante, porém em 1979 foi acusado de manipular o resultado de 2 a 2 da partida entre Perugia e Avellino, disputada em dezembro de 1978, quando Rossi estava no Perugia. Foi suspenso do futebol por dois anos.

Mas a Azzurra precisava de seu futebol, cumpriu seus dois anos de suspensão em abril de 1982, quando foi convocado para a Copa da Espanha, o mundial que mudou sua carreira e que mudou o futebol para sempre.

A seleção italiana fez uma pífia fase inicial de grupos, classificando-se em segundo lugar. Esse mundial tinha uma segunda fase com 4 grupos de 3 equipes cada e o destino fez com que Brasil, Argentina e a desprestigiada Itália ficassem num mesmo grupo. Foi nessa hora que Paolo Rossi cresceu.

E foi no dia 5 de julho de 1982 que o futebol mudou, o alegre Brasil, a maior expressão do futebol arte, do drible, toque de bola, do futebol ofensivo, enfrentava a Itália de Paolo Rossi. E o jogo foi como todos sabem. O carrasco canarinho fez os 3 gols da seleção italiana, que já havia comprado as passagens de volta pra casa, e derrubou a melhor seleção daquela Copa, da década de 80 e uma das melhores que mundo já viu.

Foi o maior triunfo do futebol força.

Paolo relata em seu livro, Fiz o Brasil chorar, lançado em 2002, que em uma visita a São Paulo, para disputar a segunda edição da Copa Pelé percebeu o que aquele jogo representou no país do futebol: “Em São Paulo, ao pegar um táxi, o motorista me olhava pelo retrovisor e, ao me reconhecer, parou o carro e me fez descer”.

Durante um jogo desse torneio, não jogou o segundo tempo após receber dos 35 mil espectadores não só olhares ameaçadores, como também cascas de banana, amendoins e moedas das arquibancadas quando se aproximava da linha lateral.

Brasil x Itália – 05/07/1982

Abraços.
Caio Di Pacce.

Brasil no fundo do poço

Depois das frustrações na Copa de 82 e 86, o Brasil chegou ao fundo do poço na Copa de 90, disputada na Itália. Para se ter uma idéia, a equipe foi eliminada na Oitavas de final da competição. Apesar do Brasil ter ficado em primeiro no seu grupo, que tinha Escócia, Suécia e Costa Rica, a Argentina por sua vez deixou escapar a primeira colocação no Grupo B para o selecionado de Camarões. Essa combinação de resultados provocou um duelo de gigantes logo após o final da fase de grupos.

O técnico Sebastião Lazaroni – uma mistura de Joel Santana sem carisma com Wanderley Luxemburgo sem terno -, passou por altos e baixos no comando da Seleção. O ponto alto e talvez único foi quando ganhou a Copa América disputada no Brasil, em 1989 – título que o País não via há 40 anos. Os pontos baixos foram as derrotas para Suécia (2 a 1), Dinamarca (4 a 0) e Suiça (1 a 0), logo no início do trabalho, em uma excursão pela Europa e, a mais vergonhosa de todas, derrota de 1 a 0 para o combinado da Úmbria, cidade onde o Brasil se concentrou na Itália, pouco antes da competição mundial começar.

Com Lazaroni o esquema adotado na Seleção era o 3-5-2, com o time base formado por Taffarel, Ricardo Gomes, Mauro Galvão e Ricardo Rocha; Jorginho, Dunga, Alemão, Valdo e Branco, Muller e Careca. Se considerarmos que o Valdo era o que o Zinho foi em 94, percebemos de bate pronto que esse foi o time mais retrancado da história do futebol nacional. Essa Seleção, assim como a atual, sentia falta de um meia de criação. Além disso tinha lá seus injustiçados – Neto (Corinthians), Raí (São Paulo) e o ponta-esquerda João Paulo (Bari) – e xodós bizarros do treinador – Tita (Vasco) e Bismarck (Vasco).

Após uma primeira fase com futebol burocrático e jogos sonolentos, por incrível que pareça o Brasil jogou contra Argentina um futebol digno de final de campeonato, sufocando o adversário desde o início. No total, durante a peleja, a Seleção carimbou a trave dos hermanos em três oportunidades. Porém, bastou sobrar uma bola para Maradona desfilar entre quatro defensores do Brasil e assim deixar Canigia na cara do gol, para resolver a partida e mandar os brasileiros mais cedo pra casa.

Se a Seleção de 82 deixou saudades para muita gente, a de 90 ganhou uma passagem sem volta para o esquecimento. Aliás, em 1990 teve Copa do Mundo ?

Holanda de 74 – A revolução tática.

Para começar a nossa série especial de posts sobre a Copa do Mundo, escolhi a Seleção Holandesa de 1974. A Laranja Mecânica, como era conhecida em alusão ao revolucionário filme de Stanley Kubrick, revolucionou o futebol, trouxe conceitos que hoje são aplicados normalmente e encantou o mundo com o seu Futebol Total.

O selecionado holandês tinha como seu mentor Rinus Michels, que enxergava o futebol como uma batalha que precisava de muita disciplina tática para vencê-la. Criou o “Futebol Total”  que é uma táctica que consiste na exclusão de posicionamento específico para cada jogador. Todos atacam e todos defendem. Rinus conseguiu aplicar com maestria sua táctica porque foi favorecido pela elevada inteligência dos seus comandados.

O maestro desse time era Johan Cruyff, para muitos o maior depois de Pelé, o camisa 14 comandava essa equipe e com seu preciso toque de bola, dribles secos e chutes fortes e bem colocados. Jogador do Ajax, de Rinus Michel, campeão da Champions League de 1971, mudou-se ao Barcelona junto com o treinador, onde fez carreira memorável, chegando até a treinar o clube catalão nos anos 90.

URUGUAI 0 x 2 HOLANDA15 de junho, 1974 – 16:00h.

Hannover, Niedersachsenstadion. Público: 53,700 – Árbitro: Palotai (Hungria)
Gols: Rep 6′, 85′

HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
URUGUAI: Mazurkiewicz, Forlan, Jáuregui, Masnik e Pavoni; Montero Castillo, Espárrago e Pedro Rocha; Cubilla (Millar), Morena e Mantegazza.

As principais inovações desse time eram:

– Posicionamento variável, todos atacavam e todos defendiam

– A criação da defesa em linha, utilizando da regra do impedimento. Vejam como a defesa holandesa se comportava no minuto 0’13, ou 1’35 e como a defesa uruguais (e a dos demais países) se comportavam no minuto 5′ 30, todos os zagueiros postados atrás, enquantos os holandeses marcavam na frente, dificultando a saída de bola.

– Marcação por pressão, como todos marcavam, os uruguaios eram constantemente apertados, desde a pequena área de sua defesa, facilitando a recuperação da posse de bola para o time holandês. Também executavam a marcação em Blitz, como no minuto 2’38.

Tanto encantamento e revolução, mas o futebol prega peças, esse time se classificou para a Copa de 74 de maneira invicta, chegou à final com 5 vitórias e 1 empate, incluindo sonoros 4×0 contra a Argentina, e 2×0 contra os autais tri-campeões: O Brasil. Mas a Alemanha jogava em casa, e era um grande time.

A final dessa Copa todos sabem, foi vencida pelos donos da casa. O resultado 2×1, os Gols foram de Neeskens 2′ (pen), para a Holanda e Breitner 25′ (pen), Müller 43′ para a Alemanha Ocidental.

Uma grande injustiça, parafraseando o mestre Calazans, aquele time não levou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo.

Abraços.
Caio di Pacce.