Polêmico ou Bonzinho?

O futebol sempre foi coalhado por esses dois tipos de figura.

O tipo “polêmico” nem sempre é um grande jogador, mas gosta de falar muito e sempre é destaque na suas atividades extra-campo.

Já o “bonzinho” também nem sempre é craque, mas cumpre religiosamente o receituário de bom senso e profissionalismo que qualquer trabalho pede.

Pelo futebol ser mais Arte do que Ciência, o atleta polêmico desfruta de uma certa tolerância no meio. Devido ao Ibope e muitas vezes ao que faz em campo, diretoria e comissão técnica apaziguam os destemperos desse tipo de jogador.

Ontem Andrade, técnico do Mengo, disse que prefere os polêmicos aos bonzinhos – uma vez que mesmo Adriano e Bruno sendo polêmicos, foram decisivos na partida contra o Vasco.

Do lado dos bonzinhos, temos Kaká como expoente máximo. Muito se  falou desse brasiliense na semana passada, pois as câmeras o flagraram desferindo os mais incabíveis despautérios na desclassificação do Raul Madrid – desmitificando o Kaká que toda sogra quer ter como genro.

A verdade é que no futebol bonzinho não vinga. Temos o comentarista bem aprumado Caio, que apesar de ter jogado em grandes clubes, nunca se destacou. Nota-se a ausência de uma certa “maldade”, inerente a profissão de jogador. Como jogador, ele realmente deu um bom comentarista.

Mas a questão persiste.: deve se preterir o polêmico em detrimento do bonzinho, ou vice-versa? Dunga parece que quer tirar a prova dos nove com a Seleção, já que com ele o “polêmico” não tem vez.

Boleiros

Escreve Tércio Silveira.

Ronaldo e Roberto Carlos no Corinthians; Adriano, Vagner Love e Pet no Flamengo; Diego Souza e Marcos no Palmeiras; Robinho, Neymar e Giovani no Santos; Dodo e Carlos Alberto no Vasco; Kléber no Cruzeiro; Rogério Ceni e Washington no São Paulo; e, por fim, Joel Santana como técnico do Botafogo.

Quando na história recente do futebol brasileiro grandes clubes reuniram tantos boleiros “de raiz” ? Todas as características que formaram a identidade do esporte bretão no país estão aí representadas: o craque decisivo, o veterano dono do time, o xodó da torcida, o artilheiro que só faz gol bonito, o moleque travesso, o tido como mascarado, o guerreiro e muitos jogadores-problema.

Pois é amigo, a temporada 2010 promete ser das melhores nos campos daqui. Bons duelos e jogadas de efeito não vão faltar. Com eles, espero que as provocações sadias voltem ao cotidiano do futebol. Apostas em quem vai fazer gol em quem, falar que o time Y é freguês do time X… e por aí vai.

Enquanto os defensores do futebol moderno pedem “Profissionalismo!”, prefiro clamar por Fanfarra!

Se os times vão funcionar com eles em campo, é outra história. Prefiro torcer e acreditar que sim, pelo bem do futebol.

Escreveu Tércio Silveira.

Foto: globoesporte.com