50 anos del Pibe de Oro

A Humanidade é corporativista. Gostamos daqueles personagens que se perdem nos mais mundanos dos sentimentos e paixões, nos vícios, nos desvios de conduta. Ao mesmo tempo, saboreamos atordoados a grandeza dos feitos impossíveis, mágicos e miraculosos.

Dale, gracias!

Diego Armando Maradona é um pouco desses dois mundos. É um tipo dos mais marcantes, daqueles que se ama ou se odeia. Profundamente. No entanto, podemos odiar e amar Maradona em um mesmo momento.

Mesmo acreditando cientificamente que Pelé foi muito melhor que Maradona, não há como se curvar para o pibe de oro. Sua genialidade aliada a sua extravagância, sua postura provocativa e sua história de vida são instigantes. E apaixonantes.

Por mais perdido que foram seus caminhos, em Nápoles ou em Cuba, não há de se negar uma atração fatal pelo camisa 10 alviceleste. Atração fatal engloba um rompante de repúdio imediato, quando esse argentino dá aquele elástico fulminante ou encaixa uma cobrança de falta bem onde a coruja dorme.

Sim, meio século de vida. De uma vida apaixonante, dramática, irresponsável e genial. Parabéns pibe, por ser um resumo vivaz da natureza humana.

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Como em 1986

Sempre se fala que o futebol brasileiro é o mais alegre, mais carnavelsco e despojado do mundo. No entanto, o que estamos vendo nesse marasmo do pré-Copa não confirma o senso comum. Temos uma constelação de jogadores, preocupados com seus contratos, com sua imagem, com sua marca. As entrevistas são tucanas, sonsas e débeis. Se os jogadores falam mal de alguma coisa é de um objeto inanimado. Kaká rebate uma provocação argentina com uma típica resposta de gerente. Robinho só aparece em comerciais.

Enquanto isso, nossos vizinhos bi-campeões é que estão recheando e colorindo a Copa fora dos gramados. Primeiro, Maradona diz que vai subir pelado o Obelisco caso a Argentina vença o tri. Depois, ao fim de um treinamento, o escrete perdedor do rachão toma uma enxurrada de boladas nas costas do time vencedor. Em seguida, Carlos Bilardo oferece seu rabo para o marcador do gol do título.

Aí então ontem, o gênio portenho resolveu mostrar como se faz.

Na hora do treinamento de faltas, Maradona se juntou a Aguero, Milito e Palermo. De cinco tiros livres que bateu, acertou dois na caixa e um no travessão. Se fosse na Reba, o pibe já estaria com 20 pontos (5 de cada gol e 10 do travessão). Por isso, teve o melhor aproveitamento dos quatro.

Me pergunto o que o Dunga poderia mostrar “como se faz” para a constelação canarinha.

O anti-heroísmo romântico de Diego vai longe. Além de demonstrar extrema facilidade em colocar as bolas onde elas devem entrar, fez isso com um belo Cohiba entre os dedos, tragado em intervalos displicentes. A fumaça expirada carrega uma certa nostalgia. Não só dos hermanos, como de nós todos, que sabemos que não veremos um outro tipo como Dieguito por um bom tempo.

Enquanto isso, na Sala da Justiça, nossos guerreiros esbravejam que não foram para a África só de passagem. Estão todos duros, burocratizados. Incitam a batalha, a glória e o sacríficio.

Ah, que saudade do Vampeta!

Foto: AFP