O futebol velho do velho continente

Os campeonatos europeus são os mais ricos do mundo. A estrutura organizacional das competições permitem investimentos seguros que dão aos clubes saúde financeira para desenvolver suas atividades. Esse conforto é tal que alguns clubes europeus chegam a ser cotados nas bolsas de valores de seus países.

A mercantilização do esporte no velho continente já é assunto velho. Existe um ciclo vicioso (ou virtuoso?) que envolve a forja de um atleta desde seu berço. Entre outros fatores, a baixa natalidade do continente faz com que os clubes passem a importar mão-de-obra qualificada, ao invés de desenvolver seus próprios craques.

O time campeão dos clubes europeus é um exemplo triste disso. Como eu já havia dito por  aqui mesmo, o plantel da Inter de Milão conta com 4 jogadores italianos em um universo de 23. Desses quatro, nenhum está disputando o  Mundial da África.

Esse fenômeno se espalha pelos principais campeonatos da Europa. Além do italiano, os campeonatos da Holanda, Alemanha, França, Espanha e Inglaterra já não são mais nacionais. Deviam se chamar campeonatos transnacionais. A internacionalização produtiva finalmente cobrou sua cota no mundo do esporte.

Deixando de lado o esfacelamento político (e econômico) da zona do Euro, o que vemos na Copa é a decadência do futebol europeu. O tetra-campeonato italiano em 2006 não passou de um remédio paleativo, para aliviar as dores crônicas que estamos presenciando em super slow nos gramados africanos.

A começar pela França, que superou até as mais pessimistas expectativas. Formada na sua intensa maioria por jogadores da segunda geração de imigrantes, mostrou ser um time sem identidade e comprometimento. A la Luis XIV, o técnico francês Domeneche não conseguiu traduzir sua excentricidade em resultados. Thierry Henry vai se explicar para o presidente.

Por sua vez, a Itália que busca a classificação hoje, não empolgou ninguém. Um empate com a promessa paraguaia e outro com a zebra neozelandesa. O asilo que Marcelo Lippi montou mostra claramente que no país da bota não nasceram mais Baggios e Baresis nos últimos tempos.

No entanto, a grande decepção do torneio é a Inglaterra. Mesmo contando com grandes jogadores forjados in loco, Rooney, Gerard e Lampard parecem sentir falta dos seus companheiros estrangeiros para completar as jogadas.

Por outro lado, os países que tem campeonatos mais “fechados” como Holanda e Alemanha estão desenvolvendo um bom papel. Apesar do tropeço contra a Sérvia, os alemães são favoritos para derrubar o English Team nas oitavas. Já a sempre franca atiradora Holanda, precisa passar por algum time representativo para consolidar seu poderio. Até agora, tem confirmado as expectativas.

Contrariamente ao que ocorre na Economia, a liberalização dos mercados no futebol não tem gerado ganhos para as nações européias. Seria a hora de um programa de substituição de importações? Talvez, pois as vantagens comparativas nos gramados estão começando a se perder no tempo.

Foto: Associated Press