O Balão de Ouro espanta a saudade

- SIIIIMMM!

– SSSSIIIIIIIMMMMMMMM!

Na última segunda-feira (12), a FIFA realizou a cerimônia de entrega de seu balão de ouro, que premiou o melhor jogador do mundo em 2014. O português Cristiano Ronaldo levou o caneco pela terceira vez, o que não foi nenhuma surpresa. Ele realmente está jogando o fino da bola e se fosse um pouco mais gente boa, conquistaria os boleiros de todos os estratos sociais.

O que realmente surpreendeu na premiação da FIFA foi a presença da dupla de zaga brasileira, David Luiz e Thiago Silva, na seleção do ano. Não que sejam jogadores ruins, mas é uma defesa que tomou 10 gols em dois jogos, no principal torneio do futebol mundial, a Copa do Mundo. David Luiz é muito motivado e transparece um comprometimento incomum com sua equipe. Thiago Silva, por sua vez, tem bom posicionamento e desempenha uma boa liderança no setor. Mas, 2014 não foi ano deles…

Exceto essas modernidades próprias do comportamento suspeito da FIFA, não é difícil concordar com o argumento do Léo Bertozzi, que o balão de ouro deixou uma mensagem clara: somos privilegiados por testemunhar uma disputa a la Proust-Senna entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi nos últimos anos. Sem falar nos coadjuvantes de peso, como Robben, Van Persie, Suarez, Ibra e toda a turma da Alemanha, campeã mundial. Do nosso lado, Neymar certamente aparecerá nesse panteão, mas ainda falta um tempo de janela nos campeonatos europeus.

Infelizmente, os torneios nacionais realmente deixam a desejar. As revelações são fracas, cheias de nomes compostos, sobrenomes, sem personalidade alguma. Ainda produzimos bons jogadores, mas aqueles fora-de-série acabaram. Atravessamos uma longa entressafra. Por isso, há de se dizer que o saudosismo é inevitável, mas talvez não seja para tanto. Afinal, o futebol sempre será uma mãe.


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Indiscutível

Hoje o Barcelona foi campeão europeu de clubes. Nada mais previsível, apesar de o adversário ser o grande Manchester, do grande Sir Alex Ferguson. Previsível também foi a partidaça que o genial Messi fez. O pequeno notável foi um monstro, de novo.
Se alguém ainda tinha dúvidas do que a equipe azul-e-grená é capaz de fazer, essas esvairam-se em Wembley. Exceto pelo início do jogo, quando o United adiantou a marcação e sufocou a saída de bola do sistema defensivo catalão, só deu a equipa (brilhantemente) dirigida pelo Pep Guardiola. Mesmo quando Rooney marcou o tento de empate, o time espanhol não mudou em uma vírgula o estilo de jogo. O placar foi 3 a 1 para o Barcelona, mas é apenas um detalhe, pois se fosse 4 ou 5 não seria exagero algum.
Há quem use os números para definir o tamanho do domínio do Barcelona, com tanto porcento de posse de bola ou tantos chutes a gol, mas os números são frios. A diferença que eu vi no lendário estádio inglês mais parecia um Diplomatão 4.1 (isso que é carro) num racha contra um Corsinha 1.0 (este é o meu carro…). O jogo flui nos pés pensantes barcelonistas, seja com Messi, Pedro, Iniesta, Daniel Alves, Xavi… Aliás, se o gênio argentino é o solista do violina na orquestra blaugraná, o maestro é o camisola de número 6.
Mesmo que não concorde este escriba, meu caro leitor, fique feliz. Afinal, somos privilegiados, pois assim como os que viram o Santos de Pelé, o Benfica de Eusébio ou o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano, somos testemunhas de um time que está fezendo história. Só falta saber o degrau que ocupará.

Barcelona x Arsenal: Um golaço e uma lambança

Ontem o Barcelona recebeu o Arsenal em casa precisando vencer com dois gols de diferença para se classificar para as quartas-de-final da UEFA Champions League, já que jogo de ida os Gunners venceram por 2×1. Mas quando o assunto é Barcelona, tudo é possível.

O jogo começou com um Barcelona implacável, tocando bola, marcando na saída de bola, com fome de jogo. Eis que Messi fez um daqueles gols que não vamos esquecer tão cedo. Um golaço, recebeu um  passe preciso de Iniesta, dominou, em um toque chapelou o goleiro e completou. Uma pintura.

No começo do segundo tempo, o Arsenal empatou o jogo em um gol contra de Busquets e começou a jogar melhor. Mas só começou, pois a lambança aconteceu: O Camp Nou é o maior estádio da Europa, quase 100 mil pagantes estavam vendo o jogo, cantando sem parar, Van Pierse recebeu o passe em impedimento, não ouviu o apito do juíz e chutou no gol, foi expulso pelo segundo amarelo.

Esse lance mudou a partida, facilitou o jogo para os blaus-grenás. Xavi fez um outro golaço numa bela triangulação espanhola com Iniesta e Villa. E Messi completou de penalti, 3×1 para os donos da casa e a vaga garantida.

Abraços.
Caio di Pacce.

Em Madrid, quem manda é o Real.

Ontem o Real Madrid recebeu o Milan pela UEFA Champions League. O confronto mais esperado da primeira fase do torneio mais importante da Europa, o Santiago Bernabéu era um mar merengue.

Ronaldo Assis estava de volta ao estádio que o aplaudiu de pé, quando jogava pelo Barcelona. Naquela oportunidade o Real perdeu por 3×0 no superclássico e a torcida merengue aplaudiu de pé o brasileiro. O mesmo já ocorrera com Maradona e Del Piero.

Mano Menezes estava na platéia e viu um Milan cansado e dominado pelo time da casa. Mourinho escalou um time aberto, com Cristiano Ronaldo e Di Maria abertos, Ozil armando pelo meio e Higuaín na frente.

E essa formação funcionou. O Milan não viu a cor da bola e o time da casa venceu por 2×0. O primeiro de falta cobrado por Ronaldo aos 12 da primeira etapa, o segundo foi marcado contra por Bonera, após chute de Ozil.

Especulava-se que Mano queria ver Ronaldinho para convocá-lo contra a argentina em Novembro, no primeiro grande embate de Mano Menezes pela seleção, mas o treinador não deve ter gostado do que viu.

Quem sabe da próxima vez Ronaldinho tenha mais sorte.

Abraços.
Caio di Pacce.

FICHA TÉCNICA

REAL MADRID 2×0 MILAN

ESTÁDIO: Santiago Bernabéu, Madri (ESP)
ÁRBITRO: Pedro Lourenço (POR)
CARTÕES AMARELOS: Bonera, Boateng (MIL); Di María (REA)
GOLS: Cristiano Ronaldo (1-0), aos 12’/1ºT; Özil (2-0), aos 13’/ºT

REAL MADRID: Casillas; Arbeloa, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Granero, 40’/2ºT), Özil (Lass Diarra, 37’/2ºT), Cristiano Ronaldo; Higuaín (Benzema, 42’/2ºT)
TÉCNICO: José Mourinho

MILAN: Amelia; Zambrotta, Bonera, Nesta, Antonini; Pirlo, Gattuso (Boateng, 13’/2ºT), Seedorf, Ronaldinho Gaúcho (Robinho, 16’/2ºT): Alexandre Pato (Inzaghi, 33’/2ºT) e Ibrahimovic
TÉCNICO: Massimo Allegri

FOTO: Lancenet!

Fase de Grupos da Champions

Agora há pouco foram definidos os grupos da fase principal da Champions.

Vamos lá:

GRUPO A: Inter Rumo ao Bi.

Inter de Milão, Weder Bremen, Totteham e Twente.

Franco favorito, o time italiano tem um caminho tranquilo. Weder Bremen e Tottenham brigarão à foice pela segunda colocação, o que pode favorecer psicologicamente os italianos.

GRUPO B:  Todo mundo pode.

Lyon, Benfica, Schalke e Hapoel TelAviv.

Lyon é o favorito,  mas terá de passar por equipes parelhas como o Benfica e o Schalke. O Hapoel Telaviv, time de Israel, terá que surpreender muito para fazer alguma cócega nos seus companheiros europeus de grupo.

GRUPO C:  Manchester na segunda fase.

Manchester, Valencia, Rangers e Buraspor.

Manchester e Valencia ficarão com as duas vagas sem muito trabalho, apesar do Rangers vir com mais coração do que técnica.

GRUPO D:  Mamão com Mel.

Barcelona, Panathinaikos, Copenhaguen e Rubin Kazan.

Messi e companhia já estão na segunda fase. Pela lógica de boteco, o segundo lugar fica com o Panathinaikos.

GRUPO E: Crescer e aparecer.

Bayern, Roma, Basel e Cluj.

O Basel da Suiça pode complicar a classificação do Roma ou do Bayern, o confronto direto com os suíços será crucial.

GRUPO F:  Alerta a frente!

Chelsea, Olympique de Marselha, Spartak Moscou e Zilina.

Dois times que podem complicar a vida do Chelsea. Se alguém quiser se garantir, que sacole o obscuro Zilina.

GRUPO G: Grupo mais legal para quem gosta de futebol de verdade e quer ver o circo pegar fogo.

Milan, Real Madrid, Ajax e Auxerre.

Coitado do Auxerre. Com certeza é o grupo que permite mais resultados surpreendentes. Teremos mais um papelão merengue?

GRUPO H: Sem surpresas.

Arsenal, Shaktar, Braga e Partizan.

Apesar do Partizan vir embalado, Shaktar e Arsenal são favoritos.  Se Felipe se comportar, o Braga também pode entrar na briga.

Os brutos também amam

Conhecidos por suas personalidades fortes e pela pinta de durões, a dupla da Inter de Milão, José Mourinho e Marco Materazzi, protagonizaram uma cena rara no meio do futebol, hoje tão associado aos interesses econômicos.  Após a vitória do último sábado, que levou a Inter ao título de campeã da Champions League, Mourinho já deixava as dependências do Santiago Bernabéu em seu carro, quando, repentinamente, ordenou que o veículo parasse. Encostado numa parede, Marco Materazzi, uma das peças fundamentais do elenco campeão da Champions (e único italiano na finalíssima) aguardava para entrar no ônibus do clube, quando foi surpreendido por um forte abraço de seu técnico, que desatou a chorar copiosamente.

Antes relegada à mera especulação, a contratação de José Mourinho pelo Real Madrid se consumou na tarde desta quarta-feira. A tendência do clube espanhol de sempre apostar na grife é mantida, e resta saber se o novo esquadrão galáctico que será formado conseguirá resultados à altura do investimento.  Para a Inter, a perda é grande. Em apenas dois anos Mourinho levou a equipe italiana a um título que não conquistava há 45 anos, além de levar o Scudetto por duas vezes seguidas. Será um recomeço para o time neroazurri.

Inter Campioni al Cubo!

Quarenta e cinco anos depois da última conquista, a Argentina resolveu conceder o título máximo de clubes da Europa à Internazionale de Milano. Os argentinos Diego Milito e Esteban Cambiasso foram os grandes destaques da partida.

Em um jogo truncado, o escrete italiano começou afobado e pressionando os bávaros-batavos do Bayern. No entanto, após os 15 minutos do primeiro tempo, o time alemão aparentou mais serenidade e dominou o jogo.

Não foi suficiente. José Mourinho enxerga tática como poucos e com o desenrolar do certame, o time da Inter foi se organizando. A infantaria interista começou a funcionar e aos 35 minutos, Milito abriu o placar.

Após os times voltarem dos vestiários, a cena do jogo mudou. O Bayern buscava o gol de empate, mas não tinha criação no meio. A jogada exaustiva pela direita com Robben era facilmente neutralizada pela boa defesa italiana.

Cambiasso muito bem posicionado, coroou a sua atuação ao afastar com a careca, um chute certeiro de Muller aos 17 do segundo tempo.

E foi Cambiasso que deu o passe para Milito aniquilar o jogo. Após uma roubada de bola na intermediária de Sneidjer, o volante argentino lança seu conterrâneo que vinha acompanhado por quatro zagueiros e Eto’o. Com frieza e categoria, Milito corta o beque alemão Van Buyten e completa contra a meta alemã.

O título da Inter nos mostra duas coisas. Primeiro que a seleção brasileira terá um defesa afinada. Apesar da partida regular, Maicon é o braço forte defensivo. Júlio César passa uma fase excepcional. Lúcio chega com experiência e muita disposição.

Por outro lado, a vacilante Argentina das Eliminatórias parece ter ficado para trás. Sem contar Higuain e Aguero, dois outros jogadores chegam a Copa em condições de tirar o sono (e sonho) canarinho: a unanimidade Messi e agora o heróico Diego Milito.