Hora de pisar no freio

Futebol não tem lógica e isso que dá a graça no Esporte. Foi por isso que o Corinthians, que briga pelo título, viu a liderança escapar ante o pandareco Atlético-MG, que recolhe os escombros do tufão Luxemburgo. E foi de virada ainda por cima.

Mas o que está acontecendo com o Timão? A resposta é simples: Adílson mudou o ritmo de jogo da equipe. Enquanto que com Mano o time era mais cadente e sereno, o novo técnico armou um esquema que só funciona à plenos pulmões. Assim, além da avaria nas peças, a forma de jogo fica muito previsível. Podem ver: nos últimos jogos, o Corinthians foi pra cima de todo mundo. Qualquer time que jogou mais compacto, mesmo sem muita qualidade, neutralizou o ímpeto são-jorgino (vide o Botafogo).

A parte mais triste dessa decadência toda está no Departamento Médico. Ontem, ver o jovem Dentinho pedir arrego logo no começo do jogo foi doloroso. Não só pelo sofrimento humano de um moleque que tem se desenvolvido e destacado com dignidade, mas também pelas coisas que esse retorno precoce significa: falta de elenco, desgaste psicológico e a gestação de rumores. Muitos rumores, pois se tratando de Corinthians as coisas amplificam.

Um deles, já paira no ar: se Adílson não pegar vaga na Libertadores, ele se mantém no cargo?

– Vocês vieram nos afundar, mas nós afundamos vocês!

Agradecimento ao Romus, pelo insight da polêmica.

O líder

O Campeonato Brasileiro acaba de ter seu pit stop para a Copa do Mundo e poucos times souberam aproveitar tão bem as primeiras rodadas da competição como o Corinthians. A última vez que o Timão teve desempenho exemplar em início de Brasileirão foi em 1999. Na ocasião, o time também vinha de um revés na Libertadores e terminou o ano campeão Brasileiro.

No jogo de ontem contra o Botafogo – empate em 2 a 2 –, a equipe do Parque São Jorge mostrou em 90 minutos todas as virtudes e falhas que podem acontecer durante toda a competição em uma equipe que briga pelo título. O primeiro tempo foi de toque de bola, controle do jogo, chutes de fora da área e jogadas bem tramadas. Numa dessas Bruno César abriu o placar. Nos últimos cinco minutos da primeira etapa o Botafogo tocou na bola apenas uma vez.

Já o segundo tempo serviu para os corintianos observarem os apagões do time. A equipe entrou desligada, parecia desinteressada e afunilava as jogadas pelo meio. Em dado momento Jucilei foi irresponsável ao não dividir uma bola dentro da área como a Fiel gosta. Gol do Botafogo. Em seguida, o time passou a sair de forma destrambelhada para o ataque. Uma falta a favor do Corinthians, pessimamente cobrada e por erro de posicionamento, virou um contra ataque arrasador do Fogão. Na origem do lance, o volante Ralf aparentemente tirou o pé da dividida (ou foi com tanta convicção de que ganharia a parada que chegou com o pé mole).

A virada do Botafogo serviu para os corintianos acordarem no jogo e buscar forças para o empate. A derrota seria muito castigo pelo primeiro tempo tão bem jogado. O gol da igualdade saiu nos acréscimos. Tento de Paulo André em cobrança de escanteio de Defederico.

Como lição cabe a Mano Menezes alertar seus pupilos que em campeonato de pontos corridos o velho clichê de que todo jogo é decisão, de fato, é uma realidade. A equipe que se satisfaz com 1 a 0, tendo ainda todo segundo tempo pela frente e volta como se estivesse jogando um rachão entre amigos, pode deixar a taça escapar pelas mãos.

foto: Agência Estado

Asa Verde no Choque-Rei

Em uma noite chuvosa típica paulistana, o virtual campeão da América venceu o desabrigado alviverde pelo placar mínimo. Essa vitória do São Paulo é a primeira em clássicos no ano de 2010.

O Palmeiras entrou com medo de perder. No jargão do futebol, isso é imperdoável: o medo de perder, tira a vontade de vencer. E foi mais ou menos isso que ocorreu. O técnico Parraga recheou o time de volantes e se não fosse a boa atuação de Lincoln no meio, o Palestra não conseguiria nem sequer flertar com as redes tricolores.

Por outro lado, o São Paulo entrou embalado e confiante. A mística dessa fase inicial de Fernandão no time se confirmou. O camisa 15 era a peça que faltava no quebra-cabeça Dagoberto, Hernanes e Marlos.  O quarteto dominou por completo o primeiro tempo, fazendo Marcos exercitar solitário sua santidade. Até os 25 minutos de jogo, o tricolor havia criado pelo menos cinco boas chances de gol.

A partir daí a bruxa resolveu visitar o Morumbi. Cleiton Xavier sentiu a antiga lesão no joelho e pediu para ser substítuido. Pouco depois, Marlos pelo São Paulo se contundiu sozinho. No seu lugar entrou a promessa Fernandinho. E isso mudaria o jogo.

Logo no começo do segundo tempo, o atacante recebeu passe de Richarlysson pela esquerda. Passou pelo recém-chegado Maurício Ramos e cruzou na área. No estilo mais copeiro, de carrinho, Fernandão entroniza a mais recente dupla sertaneja dos gramados brasileiros. São Paulo um a zero.

De certa maneira, até o mais fervoroso palestrino já se conformaria com esse resultado. No entanto, o certame ganhou tons dramáticos aos 43 minutos. Dos pés do bom Lincoln, Ivo recebe na área e é derrubado pelo ainda vacilante Cicinho. O juiz aponta a marca da cal.

Mas quem cobraria? Robert não está mais. Diego Souza não quer mais estar. Cleiton se contundiu. Então, em raro heroísmo, Ewerthon pega a bola e se prepara para a cobrança. O que se seguiu é mais um traslado da péssima fase do alviverde palestrino. O atacante ex-corintiano coloca fraco e a meia altura. Um desrespeito ao torcedor. Um desrespeito a excelência de Rogério Ceni, que levou a torcida ao delírio com a defesa.

Logo depois do recuo de Ewerthon para Ceni, uma bomba caseira explodiu na torcida palmeirense. Os ânimos foram amainados pelo político dirigente Marco Aurélio Cunha. Por fim, nem os esforços apaixonados de São Marcos na busca da cabeçada sagrada foram suficientes. O Palmeiras voltaria para a Pompéia derrotado.

O bom jogo tricolor foi ofuscado pela péssima atuação e fase do Palmeiras. O time palestrino não vê a hora da Copa começar para que os holofotes se apaguem. E quem sabe a asa negra resolva debandar para outros lados.

Foto: Uol Esporte

Desculpa à brasileira

Quase todo ano é a mesma coisa. Um time se destaca dos demais no início da temporada, cai de produção naturalmente, mas os treinadores procuram uma desculpa qualquer para justificar a queda do rendimento da equipe. Geralmente, o recurso é culpar o calendário do futebol brasileiro.

Chegou a vez do técnico Dorival Jr. aderir a essa bobagem. O engraçado é que quando o Santos estava ainda mais por cima da onda ele não falava nada, só enaltecia – como de fato tinha que fazer – a qualidade de Ganso, Neymar e Cia. Foi só as outras equipes aprenderem a derrubar o Peixes que a desculpa do “calendário massacrante” passou a fazer parte do vocubulário do treineiro da Vila.

Desde a derrota para o Santo André por 3 a 2 que Dorival culpa o calendário pelos reveses do time do litoral. Após o empate com o Ceará nesse domingo – a equipe nordestina foi prejudicada pela arbitragem -, o nhem-nhem-nhem voltou à tona. Ora, caro Dorival, desde que Charles Muller botou os pés nessa terra que o calendário do futebol tupiniquim é carregado em datas e campeonatos. Não venha reclamar que não teve tempo para os jogadores comemorarem a conquista do Paulistão, pois já tinha jogo decisivo pela Copa do Brasil no meio da semana.

Aliás, não venha dizer que o calendário brasileiro precisa ser como o europeu. Se você não sabe, na Europa as grandes equipes também jogam infinitas vezes de quarta e domingo. Na Itália, por exemplo, no meio da semana rolam as pelejas pela Copa da Itália e/ou a Liga dos Campeões da Europa e, no final de semana, é a vez do Campeonato Italiano. Procure saber se o José Mourinho está por aí reclamando do calendário italiano.

Você pode reclamar da janela de transferências, que acontece em agosto e leva os craques nacionais para a Europa na metade do Brasileirão. Mas, chiar por jogar quarta e domingo me parece mais uma desculpa esfarrapada para as derrotas.

Especulações sobre o Brasileirão

A onda de boatos de contratações começa a fervilhar nos bastidores. A imprensa já anda soltando sondagens de negociações que supostamente estariam ocorrendo. E dessa vez, elas não são nada modestas.

A vedete da hora é Riquelme. Depois da novela com o Corinthians, existem boatos que o argentino está sendo disputado por Flamengo e Fluminense. O time dá Gávea supostamente dispensaria Petkovic e bancaria a vinda do argentino com a folga financeira da volta de Adriano para a Europa.

Román não está bem no Boca. Não por deficiência técnica, que vem até sendo regular, mas por seus problemas internos e com a torcida. Seria uma boa hora para se afastar do clube e tentar novos ares por aqui.

Outro artigo de luxo disputado é Ronaldinho Gaúcho. Há rumores que a diretoria do Botafogo está com uma idéia fixa de trazê-lo para General Severiano. Por sua vez, o atacante vem passando um momento de baixa. Dentro de campo é irregular, alternando apatia e genialidade. Fato que levou o Milan a propor uma renovação com um salário 25% menor.

O último da lista é Deco. O meia nascido em São Bernardo já manifestou vontade de voltar a atuar no Brasil. Existem desinformações de que o clube interessado seria o Corinthians, time em que o jogador iniciou a carreira.

Seria muito bom para o campeonato contar com figurões desse naipe. Mesmo que não estejam no auge da forma, vão chamar o torcedor para o estádio e dar um outro sabor para a competição.

Agora, se o Gaúcho for para algum time do Rio, a cidade ficará pequena para tanta farra.