E continua tudo errado…

O goleiro Bruno é o típico estereótipo do cidadão brasileiro. Esmagado pelos vieses sociais, quando garoto buscou refúgio no futebol.  Nas quatro linhas também encontrou matéria prima para rebocar seus sonhos. Ascendeu rápido, ultrapassou expectativas e aos 25 anos já tinha um horizonte financeiro confortável.

Foi para um clube grande, mas um clube sombrio. O Flamengo é a dispensa mais bem abastecida dos vícios da nossa sociedade tupiniquim. De clientelismo a tráfico de drogas, vez ou outra pode se ver o nome rubronegro misturado em páginas além do caderno de esportes.

Pensando bem, o Flamengo também é o estereótipo da instituição brasileira:  um leviatã corrompido e lento.

Eis que agora o advogado que “defendia” o goleiro foi afastado do caso. Não por incompetência ou estratégia legal, mas simplesmente por se entitular o próprio demônio e ser viciado em crack.

Sé vida loka jão, é né fácil não...

Normalmente, pessoas viciadas em crack precisam de ajuda. São legalmente tidas como incapazes, visto que não estão no perfeito juízo mental. Além disso, sofrem de um problema de saúde que é a dependência química. Ou seja, devem ser acolhidas pelos colchões de assistência social e recuperadas.

A presença do advogado Ércio Quaresma reforça o desfile de clichês no caso Bruno. Suas bravatas desmedidas certamente permearão o folclore criminalístico. De fato, ainda não se tem o corpo da vítima. No entanto, ficar desviando o foco, dizendo que Eliza Samúdio estava nas vitrines de Amsterdã não é lá uma atitude muito profissional.

A OAB de Minas vai afastar Quaresma. A OAB não é tanto como o Flamengo, mas ao admitir um tipo como esse em seus quadros, mostra lá suas arestas institucionalmente rubro-negras. Mas isso tudo é o de menos.

Para o goleiro Bruno e seu amante Maka, tudo continua dando errado. Não seria hora de abrir a boca? Mesmo?

 

Acima do Bem e do Mal

Ser destaque em um esporte tão popular, certamente dá uma sensação de poder. Somos testemunhas exaustivas da empáfia televisiva e circense de jogadores de futebol. Entre os mais nobres exemplos estão Maradona, Cristiano Ronaldo, Neto, Edmundo e tantos outros.

O fato de desempenhar bem sua profissão, ser o centro das atenções, realmente sobe a cabeça dos mais fracos. Temos exemplos em todos os lugares da atividade econômica, principalmente no mundo corporativo dos bancos e indústrias.

As vezes, ou melhor, na maioria das vezes, esse assédio é injustificado. O profissional nem é tão bom assim. Fez algumas boas apresentações singulares e espassadas. No entanto, nossa sede por ídolos cria um gênio irreal. Esse é o caso do goleiro Bruno do Flamengo.

Bruno está sendo investigado pelo desaparecimento de sua amante. A história envolve outros tipos de atrocidades, como tentativa de aborto contra a vontade da mãe, ocultação de cadáver, abandono de incapaz. Mas o buraco, apesar de fundo, é ainda mais embaixo.

A valorização do jeito malandro do jogador brasileiro está criando seus monstros. Bruno não defendeu a seleção principal, não tem nenhum título internacional e tão pouco se esquiva de polêmicas. Seu comportamento truculento trespassa as declarações infelizes, chegando as vias de fato.

Em seu inconsiente viciado, acredita que tudo será perdoado pela sua condição profissional. Afinal, defende a meta de um dos maiores clubes do país. Milhares de pessoas o incentivam e confiam no seus talentos. Assim, acredita estar acima do bem e do mal. Acredita que é intocável.

No fim, ele é só o resumo de um inconsciente coletivo. Um produto da permissividade que sustenta o jeitinho brasileiro. Nosso apaziguador social, nossas mentiras e desvios éticos que podem nos levar ao extermínio. E esse é o caminho que seguimos.

Bruno diz que depois vai rir de tudo isso. Assim como Dantas e Malufs riram e continuam a rir.

Mas tudo bem, depois a gente dá um jeito.

Polêmico ou Bonzinho?

O futebol sempre foi coalhado por esses dois tipos de figura.

O tipo “polêmico” nem sempre é um grande jogador, mas gosta de falar muito e sempre é destaque na suas atividades extra-campo.

Já o “bonzinho” também nem sempre é craque, mas cumpre religiosamente o receituário de bom senso e profissionalismo que qualquer trabalho pede.

Pelo futebol ser mais Arte do que Ciência, o atleta polêmico desfruta de uma certa tolerância no meio. Devido ao Ibope e muitas vezes ao que faz em campo, diretoria e comissão técnica apaziguam os destemperos desse tipo de jogador.

Ontem Andrade, técnico do Mengo, disse que prefere os polêmicos aos bonzinhos – uma vez que mesmo Adriano e Bruno sendo polêmicos, foram decisivos na partida contra o Vasco.

Do lado dos bonzinhos, temos Kaká como expoente máximo. Muito se  falou desse brasiliense na semana passada, pois as câmeras o flagraram desferindo os mais incabíveis despautérios na desclassificação do Raul Madrid – desmitificando o Kaká que toda sogra quer ter como genro.

A verdade é que no futebol bonzinho não vinga. Temos o comentarista bem aprumado Caio, que apesar de ter jogado em grandes clubes, nunca se destacou. Nota-se a ausência de uma certa “maldade”, inerente a profissão de jogador. Como jogador, ele realmente deu um bom comentarista.

Mas a questão persiste.: deve se preterir o polêmico em detrimento do bonzinho, ou vice-versa? Dunga parece que quer tirar a prova dos nove com a Seleção, já que com ele o “polêmico” não tem vez.