Milan e a Geopolítica

Um dos esportes mais populares do planeta, o futebol representa e pode ser analisado por diversos escopos. Seja pelo seu aspecto social de inclusão, pela facilidade de sua prática; seja pelo aspecto fisiológico de seus benefícios à saúde; pela sua essência de Esporte.

No entanto, nesse novo paradigma pós-moderno que o século XXI se insere, o futebol tem de ser analisado de uma forma global. Hoje em dia, independente dos motivos (globalização, progresso técnico, etc), o futebol é uma instituição social para muitas comunidades e nações.

A prova disso é a possível compra dos ativos do AC Milan por um investidor albanês. O clube atualmente pertence ao octopus italiano Silvio Berlusconi, uma espécie de Sarney da Bota. O também primeiro ministro se enrolou com fisco e tramóias contratuais, sendo punido pela Justiça italiana a pagar uma multa de aproximadamente 700 milhões de Euros.

Segundo o jornal Brasil Econômico, o possível comprador do clube é o albanês Rezart Taci, uma espécie de Sarney dos Balcãs. A oferta inicial é de 750 milhões de Euros. Taci é dono de toda Albânia, controlando principalmente a exploradora de petróleo, a principal distribuidora de combustíveis do país e também um time. No começo desse ano ele promoveu a Taci Oil Cup, torneio qual o Milan sagrou-se campeão.

O mais interessante dessa negociação toda é a ironia histórica. Na época do fascismo, Benito Mussolini, depois de ter feito uma oferta pelo território e não ter concordado com a sucessão monárquica, invadiu a Albânia a 7 de abril de 1939.

Durante a Guerra Fria, o fluxo de albaneses refugiados para a Itália era constante. Isso foi alimentando a xenofobia  e hoje, os albaneses assim como os negros, sofrem perseguições e violência. Como a que aconteceu em março, quando dois albaneses foram espancados até a morte em Roma.

O tapa de luvas de pelica da História nunca tarda. Os milanistas e toda Itália vão ter que engolir a seco essa negociação. Mostrando infelizmente, que a única coisa que é dispída de preconceitos é o dinheiro.

Tom Zé perguntaria aos arianos: Com quantos quilos de medo se faz uma tradição?

Podem botar preço, por que para os albaneses isso não parece ser problema.