Libertadores na África e Futebol de Campeão.

Nesse fim de semana aconteceram os jogos das quartas de final. Muita emoção, vibração, muitos gols, alegrias e decepções. Desses quatro jogos, fora o jogo do Brasil, que deixou a nação triste, preciso destacar duas partidas: Uruguai x Gana e Alemanha x Argentina.

Uruguai x Gana:Libertadores na África.

Um roteiro de cinema, uma batalha em solos africanos, foi o que ocorreu nessa sexta-feira na partida entre Uruguai x Gana. Foi o encontro do futebol do passado, que tentava erguer-se novamente, contra o futebol do futuro da força, do contato físico, que tentava fazer história em solo natal.

O jogo foi uma epopéia, a melhor estilo Batalha dos Aflitos, ou ao melhor estilo Taça Libertadores. Após um empate de 1×1 durante os 90 minutos. Gana pressionava o cansado time uruguaio, que perdera seu capitão e líder Lugano, por contusão. Muitas bolas na área, e o time celeste salvava. Até que no último lance do jogo, a única opção de defesa foi a mão do atacante Suarez. Penalti pra Gana.

Mas o espírito copeiro estava inspirado. A bola foi na trave, e a decisão iria para os penaltis. A partir desse momento, o fator psicológico falou mais alto e dois jogadores ganeses desperdiçaram. Coube a Loco ou Mito Abreu cavar sua cobrança e sacramentar a classificação. O maio jogo da Copa, indubitavelmente.

Alemanha x Argentina:Futebol de Campeão.

Foi uma reprise das quartas de final da Copa de 2006, a Alemanha tinha mais conjunto, a Argentina tinha mais talento. Porém a molecada alemã deu show. Logo aos 3 minutos Muller abriu o placar, logo ali a partida estava na mão da Alemanha, era só contra-atacar.

Mas o time da Argentina tinha brio, mas ele não apareceu. Schweinsteiger brilhou como um Messi, todas as bolas passavam por ele, e com uma extrema precisão, a Alemanha dominava o jogo, era compacta desde a defesa até o ataque.

E assim foi-se contruindo um baile, um tango alemão, que abria o calvário da Argentina e Maradona. O resultado do jogo foi 4×0. Klose marcou duas vezes, e está apenas a 1 gol de Ronaldo. O Mr. Copa como é chamado tem tudo para ser o maior artilheiro de todas as Copas.

Maradona ao término do jogo exemplificou o que foi partida dizendo: – Parecia que eu e os jogadores levamos um soco de Muhammad Ali.

Abraços.
Caio di Pacce.

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Mas que jogaços nesse domingo!

Esse domingo nos proporcionou dois belíssimos jogos nas oitavas de final da Copa do Mundo. Argentina e Alemanha, que se enfrentam nas quartas de final, jogaram bem e mereceram a classificação, mesmo tendo uma senhora ajuda da arbitragem.

Alemanha x Inglaterra
Simplesmente um jogaço! O melhor jogo dessa Copa do Mundo: A Alemanha começou melhor, na verdade avassaladora. Abriu 2×0 logo de cara, primeiro com um belo lançamento do goleiro Neuer e a conclusão de Klose. O segundo em uma jogada rápida de seguidas tabelas, que deixou Podolski na cara do gol.

Até que o time inglês resolveu acordar, e diminuiu com Barry. No lance seguinte, o lance do jogo, Lampard chutou meio desequilibrado e encobriu o goleiro alemão. A bola bateu na trave ENTROU e voltou para as mão de Neuer. O fantasma de 1966 fez sua revanche: o juiz não deu o gol.

Com isso, o time inglês foi para o ataque e deu o contra-ataque para a Alemanha. Erro mortal. Com 2 gols de Muller, a Alemanha goleou.

Argentina x México
A Argentina é muito mais time do que o México, e o time da América Central historicamente perde para os Hermanos, mas foi o México quem começou melhor. Chegou por duas vezes com muito perigo, porém o mesmo problema da fase de grupos apareceu: A finalização. O time do México não chutava no gol.

E perder gols contra a Argentina é fatal. O time de Maradona é muito rápido, e em uma dessas investidas de Messi, Carlitos cabeceou em impedimento, quase 1m impedido, mas o juíz e o bandeira validaram o gol, mesmo vendo que tinham errado pelo telão.

Depois do gol, os Hermanos melhoraram e dominaram a partida. Higuaín fez o segundo com um presente de Osório. No segundo tempo Tevez fez um golaço de fora da área, batendo com raiva na Jabulani. O México bem que tentou, e até diminuiu, mas já era tarde. O time de Maradona passou para a próxima fase.

Visão Copeira
Foram dois jogaços, dois dos melhores jogos da Copa. A arbitragem ajudou e muito os times classificados, mas mesmo sem a ajuda eles iriam se classificar, com certeza. A Alemanha foi superior em 80 dos 90 minutos disputados e a Argentina é muito superior ao bom time mexicano.

Hoje é dia de Brasil!

Abraços.
Caio di Pacce.

O futebol velho do velho continente

Os campeonatos europeus são os mais ricos do mundo. A estrutura organizacional das competições permitem investimentos seguros que dão aos clubes saúde financeira para desenvolver suas atividades. Esse conforto é tal que alguns clubes europeus chegam a ser cotados nas bolsas de valores de seus países.

A mercantilização do esporte no velho continente já é assunto velho. Existe um ciclo vicioso (ou virtuoso?) que envolve a forja de um atleta desde seu berço. Entre outros fatores, a baixa natalidade do continente faz com que os clubes passem a importar mão-de-obra qualificada, ao invés de desenvolver seus próprios craques.

O time campeão dos clubes europeus é um exemplo triste disso. Como eu já havia dito por  aqui mesmo, o plantel da Inter de Milão conta com 4 jogadores italianos em um universo de 23. Desses quatro, nenhum está disputando o  Mundial da África.

Esse fenômeno se espalha pelos principais campeonatos da Europa. Além do italiano, os campeonatos da Holanda, Alemanha, França, Espanha e Inglaterra já não são mais nacionais. Deviam se chamar campeonatos transnacionais. A internacionalização produtiva finalmente cobrou sua cota no mundo do esporte.

Deixando de lado o esfacelamento político (e econômico) da zona do Euro, o que vemos na Copa é a decadência do futebol europeu. O tetra-campeonato italiano em 2006 não passou de um remédio paleativo, para aliviar as dores crônicas que estamos presenciando em super slow nos gramados africanos.

A começar pela França, que superou até as mais pessimistas expectativas. Formada na sua intensa maioria por jogadores da segunda geração de imigrantes, mostrou ser um time sem identidade e comprometimento. A la Luis XIV, o técnico francês Domeneche não conseguiu traduzir sua excentricidade em resultados. Thierry Henry vai se explicar para o presidente.

Por sua vez, a Itália que busca a classificação hoje, não empolgou ninguém. Um empate com a promessa paraguaia e outro com a zebra neozelandesa. O asilo que Marcelo Lippi montou mostra claramente que no país da bota não nasceram mais Baggios e Baresis nos últimos tempos.

No entanto, a grande decepção do torneio é a Inglaterra. Mesmo contando com grandes jogadores forjados in loco, Rooney, Gerard e Lampard parecem sentir falta dos seus companheiros estrangeiros para completar as jogadas.

Por outro lado, os países que tem campeonatos mais “fechados” como Holanda e Alemanha estão desenvolvendo um bom papel. Apesar do tropeço contra a Sérvia, os alemães são favoritos para derrubar o English Team nas oitavas. Já a sempre franca atiradora Holanda, precisa passar por algum time representativo para consolidar seu poderio. Até agora, tem confirmado as expectativas.

Contrariamente ao que ocorre na Economia, a liberalização dos mercados no futebol não tem gerado ganhos para as nações européias. Seria a hora de um programa de substituição de importações? Talvez, pois as vantagens comparativas nos gramados estão começando a se perder no tempo.

Foto: Associated Press

Diário da Copa: 1º fim-de-semana

Finalmente o futebol resolveu aparecer na Copa. Após muitos espetáculos e expectativas, a bola foi tratada gentilmente. Os favoritos confirmaram seu poder de fogo e a asa-negra dos goleiros ingleses em Copas deu o ar da graça.

Argentina 1 x 0 Nigéria

Maradona tentou trazer o esquema do Barça para dentro da Argentina. No entanto, não possui um plantel do calibre do time catalão. Mesmo assim, Messi conseguiu brilhar. O abraço de urso de Samuel no zagueiro nigeriano é parte do futebol. O goleiro do time africano foi o destaque da partida ao lado da Pulga.

Coréia do Sul 2 x 0 Grécia

Mesmo que não pareça, deu a lógica. O time grego é burocrático, feio e velho. A base da seleção é de 2004 e a criatividade está para nascer. O elenco está rachado e os helênicos vão ficar pela primeira fase mesmo. Os empolgados sul-coreanos jogaram bem, mostrando disciplina tática e muita velocidade.

Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos

Toda a análise do jogo se perde para o frango do goleiro Green. A Inglaterra tem um bom time, mas precisa mostrar mais consistência ao longo da partida. Os americanos dependem muito de Donovan, mas não devem fazer feio e se classificam para a segunda fase.

Eslovênia 1 x 0 Argélia

Não vi esse jogo, mas deu a lógica pelo fato da Eslovênia ter se classificado na Europa. Simplesmente.

Sérvia 0 x 1 Gana

O destaque foi a saída emburrada do técnico de Gana, que é sérvio. Do mais, foi um jogo feio. Gana traz os mesmos defeitos de 2006: a dificuldade em finalizar. Já a Sérvia, precisa de um atacante que tenha mais trato com a bola. Ganhou quem fez primeiro.

Alemanha 4 x 0 Austrália

Os aussies apresentaram um futebol ridículo e tacanho. Insistiam em bolas aéreas quando a média de altura dos alemães era de mais de 1,80m. Aquele Garcia é razoável, mas sozinho só vai levar o time de volta para casa. Já a Alemanha confirmou o que se esperava. O gol do brasileiro Cacau mostra a modernidade e mágica do esporte. O que Goebbels diria?

Visão Copeira:

A Copa começou a ficar legal. Mais uma vez a Inglaterra não convence, apesar do favoritismo. A surpresa do fim de semana ficou por conta da Coréia que mostrou um bom futebol. Ainda é cedo para comentar de Gana, já que Camarões estréia hoje e a Costa do Marfim amanhã.

Fotos: Getty Images