A última cartada

Desde que ficou alijada da disputa pelo acesso para a primeira divisão do Brasileirão, a Portuguesa tem brigado, na (in)Justiça, pelo direito de estar na elite do futebol nacional. Sabe-se que o Guarani escalou, de forma irregular, o atacante Bruno Cazarine, e é nisto que a diretiva lusa tem se agarrado para garantir a Lusa na Série A já em 2010.

Para quem não se lembra ou não conhece a querela, a FIFA proíbe que um atleta seja inscrito por três emblemas diferentes na mesma temporada, e o Bugre foi o terceiro time do atacante, que defendeu o Chapecoense-SC e o Gyeongnam, da Coreia do Sul. Como o calendário do futebol sulcoreano é similar ao brasileiro, considera-se como sendo a mesma temporada, contando de janeiro a dezembro. Levantou-se a hipótese de a Lusa incorrer no mesmo erro, já que foi o terceiro time do atacante Zé Carlos, que defendeu o Paulista e o Cruzeiro em 2009, antes de se transferir pra Lusa. Acontece que a inscrição dele no time de Jundiaí deu-se no dia 28 de dezembro de 2008, portanto, não conta para a temporada seguinte.

Considerando as normas para inscrição de jogadores, impostas pela entidade máxima do futebol mundial, a requisição lusitana é legítima. Na verdade, quem levantou a lebre foi o Figueirense, que terminou a Série-B atrás da Lusa. De forma correta, o time paulista esperou pelo final da competição para reclamar, temendo sofrer prejuízos dentro de campo (leia-se problemas com as arbitragens). A consulta à FIFA foi feita. Esta não só legitimou a intenção rubroverde como orientou a CBF a punir o Guarani. Acontece que o STJD, via Paulo Schmitt, em vez disso, arquivou o processo, dando de ombros para a Portuguesa, que dirigiu-se novamente à FIFA e, de acordo com o presidente Da Lupa, julgará favoravelmente até o fim deste mês. Assim, caberá à CBF acatar a decisão vinda de Zurique, sob pena de o futebol brasileiro ser punido com a exclusão das próximas competições internacionais, incluindo a próxima Copa do Mundo.

Não me agrada ter que apelar para a Justiça. Parece-me mais justo que faça-se o futebol apenas dentro de campo. No entanto, as regras devem ser cumpridas, incluindo as que regulam a inscrição dos jogadores. Se houve erro, apure-se e cumpra-se a lei.

Pois bem, esta é a última cartada do Manuel da Lupa. Ele, que esperneou no caso do pênalti mal cometido – mas bem apitado – no jogo que tirou a Lusa do Paulistão do ano passado, desta vez está embasado, e muito bem. Que a tal carta seja um “zap pra terceira”.

NOTA: Perdoem-me pelo enorme hiato entre esta e a minha última postagem. Questões de ordem pessoal não permitiram que eu comentasse nesta tribuna com a frequência habitual.

Uma grande quimera

Virou moda, dentro do futebol brasileiro, a transferência de responsabilidade. Ninguém assume nada. É mais cômodo “jogar para a torcida” do que assumir a própria incompetência. E esta atitude nada louvável está em todos os níveis.
No domingo, mesmo, o Botafogo venceu o São Paulo, mesmo tendo, ao fim da partida, três jogadores expulsos. Com correção, diga-se de passagem. Foi um jogão! Apesar da vitória, o comandante alvinegro Estevam Soares foi choramingar ao pé do apitador do jogo, o ótimo Sandro Meira Ricci. Foi reclamar o quê, exatamente? As três expulsões foram merecidas, ora. Em vez disso, deveria o senhor Estevam ir ao vestiário e dar aquela bronca no time. Mas não. Preferiu reclamar.
Temos casos aos borbotões. O Luxemburgo é assim. O Leão é assim. O saudoso Telê Santana era assim. O Mano Menezes, do Corínthians, é pior que todos os outros juntos!
Para não ficar só nos treineiros, vejam o zagueiro Ronaldo Angelim, do Flamengo. Foi reclamar do excesso de garra do Goiás. Levantou a hipótese de o time esmeraldino ter recebido um “incentivo extra”, digamos assim. Num português bem claro, a “mala branca”. Ora, o Goiás não almeja mais nada no campeonato e o Flamengo luta (com as bênçãos do STJD) pelo título. Quer incentivo maior que esse? Se o beque rubronegro admite que o adversário poderia estar sob efeito do suborno branco, assume, mesmo indiretamente, conhecer do assunto. Agora, assumir que seu time foi incompetente pra ganhar de um adversário que apenas cumpria tabela, isso são outros quinhentos, como diz meu pai.
Para que não digam que estou sentado no próprio rabo, não isento a diretoria da Portuguesa no referido assunto. Depois de ter perdido, vergonhosamente, o acesso mais fácil de todos os tempos para a primeira divisão, resolveram acusar o Guarani de ter escalado um jogador de forma irregular. Trata-se do atacante Bruno Cazarine, que, segundo a diretiva lusa, não poderia jogar eplo Bugre por este ser seu terceiro time na mesma temporada, o que é proibido pela FIFA. Acontece que a Portuguesa tem um jogador, aparentemente, na mesma condição, o centroavante Zé Carlos. Ele jogou, antes da Lusa, no Paulista e no Cruzeiro, ainda em 2009. Ainda se fosse um Careca ou um Amoroso, daria pra entender. Mas o Bruno Cazarini? Faça-me o favor, presidente Da Lupa!
Concordo que, caso haja alguma irregularidade, o responsável seja punido. Afinal, deve-se respeitar as leis do jogo, e estas incluem as normas para a inscrição de atletas. O que não pode passar batido é o fato de que a Lusa só está fazendo esse estardalhaço todo porque foi incompetente, o que não é nenhuma novidade, aliás. Assumir isso? Quimera, uma grande quimera.

Quem se responsabiliza?

Terminou o sonho do acesso da Portuguesa à primeira divisão do futebol brasileiro. Mesmo com a vitória contra o campeão por antecipação e cheio de má-vontade Vasco, no Maracanã, as chances de chegar à última jornada ao menos com chances remotas acabaram-se com a vitória do Atlético goiano sobre o Juventude, na serra gaúcha.

Fica a pergunta, como sempre: de quem é a culpa? Aliás, não é a única questão a ser respondida. O que faltou? Por que, mesmo com a segunda maior folha de pagamento e talvez o melhor elenco entre todos os times, não foi alcançado o acesso?

Raça não faltou, em momento algum. O problema é que a Lusa abusou do direito de errar. Não tivesse um time tão bom teria caído para a terceira divisão, tamanha a desorganização. O ano  ficou marcado pelas besteiras da diretoria e pelo quase. No Paulistão quase foi às meiasfinais, perdendo a vaga para o Santos por conta do saldo de golos e de um pênalti muito esquisito a favor do Peixe, no finalzinho do jogo com a Ponte. Trocaram o treinador após a primeira jornada, defenestrando a pré-temporada. Veio o Mário Sérgio que, bem ou mal, recolocou a equipe no caminho das vitórias. Como ele não dava ouvido à voz que vinha da bancada, foi fritado feito bolinho de bacalhau, sendo substituído pelo Bonamigo.

O gaúcho vinha fazendo também um belo trabalho. Talvez isso tenha incomodado a torcida, que também o criticava. Por que? Quem é que sabe? A principal (des)organizada da Lusa não se satisfaz com nada. É uma meia dúzia de três ou quatro de moleques mimados que fazem a crítica pela crítica. Se o time joga mal, gritam “raça! raça!” Se joga bem e, mesmo assim, perde, bradam “raça! raça!”  Tudo é motivo pra pedir raça, falte ou não.

Inexplicavelmente, a diretiva rubro-verde cedeu aos apelos dos burros das bancadas e trocou o comando, de novo, da equipe. Veio o Renê Simões e deu no que deu: três jogos, um ponto e uma confusão enorme que culminou na saída dele, Renê, do meia-atacante Edno e até na interdição do estádio luso.

Aí foram buscar o Benazzi, que saiu escorraçado do time no ano passado. Um ano depois foram buscá-lo de volta, no desespero de tentar ainda o acesso. Quer dizer, um ano inteiro jogado pela janela. E por que? Pra satisfazer o ego da “torcida”?

Enquanto a Portuguesa acolher essa gente, que tem a sede dentro do próprio clube, sofrerá sua maligna influência. O papel do torcedor é torcer, sempre, e cobrar quando for necessário. Não cabe a ele interferir nas decisões da direção. Torcedor, além de não ter preparo para tal, é um apaixonado pelo clube, e quem é movido pela paixão só faz besteira.

Confesso que estou chateado. De momento, minha decisão é não por os pés no Canindé enquanto não tirarem de lá a sede da torcida organizada. Como torcedor não tem vergonha na cara, e eu, antes de qualquer coisa, também sou torcedor, pode ser que, já no primeiro jogo em casa eu apareça. Espero que não.

Agora é hora de por a cabeça do lugar e já começar a planejar o ano que vem. De preferência, longe da torcida, que só atrapalha. E com o Benazzi no comando, pois ninguém melhor que ele irá aceitar a missão de levar a Portuguesa de volta à elite.

Quanto aos culpados, não me resta dúvida alguma: é a diretoria, que aceitou as pressões da pseudo-torcida. O presidente Mané da Lupa tinha que ter pulso firme e bancar o treinador, fosse quem fosse. E que os imbecis que ficam puxando aqueles corinhos ridículos atrás das balizas sejam expurgados das alamedas do Canindé. De uma vez por todas.

O Vasco está de volta.

vascoNa última sexta feira 13, o Vasco da Gama sagrou-se campeão da Série B do Brasileirão. Essa é a primeira taça em 6 anos que chega a São Januário. O último título cruzmaltino havia sido o campeonato carioca de 2003.

A vitória sobre o América-RN foi a coroação de um bom trabalho desenvolvido por Dorival Júnior. Apesar de alguns momentos de sonolência, a campanha vascaína foi tranquila e o ascenso veio com duas rodadas de antecedência.

O Vasco, assim como Palmeiras e Corinthians, agora está de alma lavada. Conseguiu se livrar do espólio maldito deixado pela tirania caricata de dirigentes coronelistas. Agora as portas se abrem para os trabalhos, senão mais éticos, pelo menos mais identificados com o futebol em si.

Roberto Dinamite, assim como Belluzo e (vai) André Sanches, fazem parte de uma elite de dirigentes que trazem um arejamento positivo para o futebol brasileiro.

Parabéns Vasco e bem vindos de volta!

Segundona

grande_14Após um jogo duro, o Guarani está mais perto de voltar a elite do futebol brasileiro. No sábado, no Brinco da Princesa, o bugre venceu o virtualmente rebaixado ABC por um tento a zero.

O líder da competição, Vasco da Gama, atropelou o Bahia em pleno Maracanã. Destaque para o golaço de Elton que fechou o placar. O Bahia continua na zona de rebaixamento, aumentando o calvário dos clubes nordestinos.

Contudo, o Ceará, exceção da regra, está muito perto de voltar a primeira divisão após 16 anos na série B. O técnico P.C Gusmão está otimista, mas pede cautela. O Vovô precisa de somente mais seis pontos em 7 rodadas para se garantir no acenso.

O jogo mais interessante da rodada foi a vitória do Vila Nova para cima do Campinense, após estar perdendo por 2 tentos. O resultado afundou o Campinense, lanterna da competição.

A surpresa negativa foi a goleada sofrida pela Lusa ante o instável América de Natal. O escrete rubroverde perdeu por 4 tentos e deixou de encostar no G-4. Agora enfrenta um páreo duro contra o Guarani no próximo sábado.

Uma casa de favores

Antes de mais nada, estimado leitor, perdoe-me por insistir no assunto, mas fazem-se necessárias algumas considerações sobre o STJD.

A Portuguesa, sabe-se, perdeu o mando de campo, por três jogos, em virtude do quiproquó ocorrido nos balneários lusos após a derrota contra o Vila Nova. Não é preciso re-escrever aqui os fatos. Pois bem. O (péssimo) árbitro paulista Rodrigo Martins Cintra, que prejudicou o Botafogo no jogo contra o Grêmio, foi cercado pela gente botafoguense na saída do gramado. Até aí, normal. Porém tentaram invadir seu vestiário, o que valeu denúncia por parte da procuradoria do tribunal.

O caso foi julgado e o clube da estrela-cadente solitária foi prontamente absolvido, sem maiores problemas ou repercussões. Mais uma vez o tribunal fez o preço de acordo com a cara do freguês. Ainda mais sendo o réu um time do Rio, o resultado era perfeitamente previsível. A alegação dada para absolver o time carioca é um escárnio só: o Botafogo, de acordo com o tribunal, vem sendo constantemente prejudicado pela arbitragem, portanto seria uma insensibilidade puní-lo ainda mais.

O que salta aos olhos, ouvidos e qualquer coisa que o valha é que o caso do Fogão foi muito mais grave que o da Lusa, pois envolveu gente de fora do clube, ao contrário do que houve no Canindé, que foi um assunto interno que, dada a comoção causada pela imprensa, deu no que deu. É como se, guardadas as proporções, condenassem um réu por tentativa de suicídio e absolvessem outro tentou matar alguém.

É por causa desse tipo de favorecimento que o STJD perde o pouco que resta da sua credibilidade, deixando de ser um tribunal para virar uma casa de favores.

Pitacos de um mal-humorado

Estou mal-humorado. Às vezes fico assim. Motivos eu tenho, querido leitor, e irei mostrá-los a seguir:

Começou com o embróglio envolvendo os acontecimentos pós jogo da Lusa, contra Vasco e Vila Nova. Fomos julgados e condenados em ambos os jogos, com duas e três perdas de mando, respectivamente. Não que eu ache que o tribunal deveria ser complacente conosco. O que me irritou, primeiro, foi o Canindé ser interditado preventivamente por causa de uma versão de alguém que admitiu que poderia ter tido uma impressão equivocada, que foi o caso do Renê Simões. Acontece que criou-se uma comoção exagerada. Fomos condenados já de antemão. Ocorre coisa semelhante com o Botafogo, e não fizeram nada. Nos jogos do Náutico, no Estádio dos (não por acaso) Aflitos, fazem o diabo, com direito a intimidação policial, corredor polonês na entrada do campo e tudo o mais. Faz tempo que o Timbu se vale disso pra não cair. E não acontece nada.

Continuando meu rosário de insatisfações, o Domingos, que não é nenhum monge beneditino, quebrou a perna do goleiro reserva do Santos, Rafael. Isso lhe valeu afastamento do grupo de jogadores. Isso é assédio moral. O Domingão não faria isso deliberadamente. Parece-me que foi o motivo que o treineiro-blogueiro Luxemburgo procurava. O Edu Dracena, de quem o Luxa é fã, está chegando. Veio a calhar, então, o afastamento. Tudo muito nebuloso, como foi também o afastamento do volante Roberto Brum. E como ninguém vem a público com explicações no mínimo plausíveis, dão margem a qualquer tipo de interpretação.

Por fim, o Santo André, que está se despedindo da primeira divisão, vendeu seus jogos “grandes” pra Ribeirão Preto. E o seu torcedor, que não poderá ver os principais jogos em casa? Eles não irão para Ribeirão, a não ser os torcedores ditos organizados. Ora essa, quer jogar num estádio maior, que jogasse no Pacaembu. Agora, vender o mando por qualquer 50 mirréis, é só aumentar um pouco a proposta e combina também o resultado do jogo. O Ramalhão não disputava a primeira divisão desde 1984. Sinceramente, pra fazer o que vem fazendo, sob a batuta do presidente-proprietário (ao menos pensa ser) Ronan Maria Pinto, é melhor nem disputar.

Só não estou mais de saco cheio porque Portugal vai à Copa, Rubinho ganhou e será campeão e a Lusa voltou a ser a Lusa, assim com o glorioso Benfica voltou a ser o que sempre foi: o maior time de Portugal.

E os tremoços estão deliciosos, só para constar.