Copa do Mundo – Copeiros – Brasil 1 x 7 Alemanha

Sobre trabalho e soberba

Quando o Brasil venceu com sobras a Copa das Confederações, vendeu a ideia de que o time estava pronto para a Copa. Afinal, venceu jogando bem e desbancou, com um indiscutível 3 a 0, a toda poderosa Espanha, àquela altura a mítica campeã mundial e bicampeã da Eurocopa.
Mas não estava. Não só do ponto de vista técnico, mas comportamental. Além de não ter apresentado nenhuma evolução técnica de tática desde então, o Brasil cometeu o maior dos pecados para quem tem uma competição como a Copa do Mundo pela frente, ainda mais em casa: acreditou que estava.
Felipão convocou um time absolutamente cru para o Mundial. Acreditou que Neymar e o Hino Nacional garantiriam a conquista do sexto título mundial. Desde que o time de apresentou com 18 dias apenas para se preparar para a Copa, uma esbórnia se instaurou na Granja Comary. em vez de treinar, o Brasil ficou fazendo sala para a Rede Globo, que fez o que quis em Teresópolis. Poucas foram as vezes que o time treinou de verdade.
Com o passar dos jogos, a evolução, que seria natural, não aconteceu. A Seleção não se encontrou como time em momento algum. Só que a comissão técnica e a dona da alma nacional venderam uma ideia diferente, de que o time já tinha decolado.
No jogo contra o Chile, o que se viu foi um time apavorado, desequilibrado psicologicamente, que já ficou no lucro por ter passado nos pênaltis. O jogo seguinte aconteceu seis dias depois. SEIS DIAS! E quantas vezes o time titular treinou? UMA só. O resto foi folga ou conversa.
Até funcionou, pois o time entrou com sangue nos olhos, embora o futebol em si tenha sido pobre. O time do Felipão apresentou muita luta, marcando alucinantemente a saída de bola colombiana e não deixando o ótimo time dirigido pelo argentino José Peckerman respirar. Quando o gás acabou, levou sufoco, mas passou. E todo mundo achou que, contra a Alemanha, era só repetir a fórmula, que a vaga na final estaria garantida.
É bobagem achar que a Seleção perdeu a segunda Copa em casa porque deu tudo errado na semifinal do Mineirão. Perdeu porque não trabalhou, porque não se preparou como deveria. Porque o experiente Felipão não deu suporte para que Neymar não fosse a única esperança da torcida. E perdeu porque acreditou que a camisa e a torcida que é brasileira-com-muito-orgulho-e-com-muito-amor seriam suficientes para ser campeão

Copeiros – Copa do Mundo – Brasil 2 x 1 Colômbia

Copeiros – Copa do Mundo – Brasil x Chile

Abraços.
Caio Di Pacce

Ninguém quer ser Barbosa

Ninguém quer ser Barbosa, foi o que PVC disse hoje no Linha de Passe da ESPN Brasil sobre a tensão presente nos jogadores e comissão técnica da Seleção Brasileira. Desde a estréia dessa Copa, o Brasil oscila entre bons e maus momentos, entre um turbilhão de emoções que são expressadas claramente por todos, desde o capitão do time até o mais jovem jogador da seleção.

E eu, em minha humilde opinião, concordo com PVC, o time está com medo de errar, com medo de arriscar. E com esse medo, as falhas táticas ficam mais presentes, com esse medo, o chute que é para ir no ângulo, sai rasteiro, fraco e sem direção. Esse é o principal problema da seleção brasileira, antes de pensar em resolver a lateral direita ou o setor de criação, esse deve ser solucionado primeiro.

Os jogadores não querem ser Barbosa, os jogadores não querem ser o Dunga de 1990 em pleno solo tupiniquim, não querem se tornar “bodes expiatórios” em sua terra natal. E, a cada jogo que passa, esse nervosismo fica mais presente. O que era auxílio e energia positiva na Copa das Confederações em 2013, está se tornando pressão, dívida e promessa pros jogadores em 2014.

A comissão técnica tem que trabalhar esse aspecto o quanto antes, para que a bola volte a rolar redonda para a seleção brasileira na próxima sexta-feira. Esses jogadores precisam perder esse medo de fracasso, esse medo de perder. Como dizia o “pofexô” nos anos 90: O medo de perder tira a vontade de ganhar. E esse medo, até então, é o principal rival da seleção canarinho.

Quem tem medo de ser o Barbosa de 50, jamais será o Pelé de 58 ou o Romário de 94.

Abraços.
Caio di Pacce

Fernandinho sim, Paulinho não

Cheguei pra ficar!

Ontem o Brasil venceu por 4×1 Camarões e terminou a primeira fase como líder do Grupo A. Quem somente vê o resultado do jogo, não terá a real percepção do que foi, principalmente, a primeira etapa da partida.

O nosso time apresentou os mesmos problemas no meio-campo do jogo contra o México, as jogadas eram criadas de lançamentos longos da defesa para o ataque, o que seria facilmente controlado por uma defesa de qualidade, como enfrentamos o fraco time do Camarões, Neymar conseguiu brilhar e fazer dois gols.

Além disso o time estava expondo sua defesa, Luiz Gustavo precisava de um suporte defensivo de Paulinho, que não veio. Com isso, no intervalo, Felipão fez a mudança que muita gente pedia, colocou Fernandinho no lugar de Paulinho.

E o Brasil, enfim, teve um meio-campo equilibrado. A bola transitava, e, mesmo com partidas abaixo da média de Oscar e Hulk, o time conseguiu ampliar o placar, com Fred que desencantou, jogou melhor, ainda nada de espetacular, mas foi bem mais participativo. E terminou a goleada com o próprio Fernandinho, que fez uma jogada de Paulinho, infiltrando-se e aparecendo como jogador surpresa.

Paulinho é um excelente jogador, isso ninguém duvida, porém, por algum motivo físico ou psicológico, não está sendo o Paulinho que todos conhecemos. Ele não está sendo aquele Paulinho que nos acostumamos a ver decidindo partidas pelo Corinthians e pela Seleção.

Já Fernandinho está jogando bem, não está sentindo a pressão de vestir a camisa verde-amarela. Felipão deve manter essa substituição contra o Chile, pois sabe que precisa de um jogador com mais pegada para controlar as investidas de Vidal, Sanchez e Vargas. E ele está fazendo muito bem em manter essa alteração.

Abraços.
Caio Di Pacce.

Miroslav, o Mister Copa

Comemorou assim 15 vezes em Copas.

Comemorou assim 15 vezes em Copas.

Miroslav Klose, meio polaco meio alemão, nascido no dia 09 de Junho de 1978, atual atacante da Lazio. Esse atacante de não tanto brilho técnico, mas de muito oportunismo e frieza na hora de concluir igualou o recorde de gols em Copas do Mundo, que era exclusivo de Ronaldo, com 15 gols, E pode ser chamado de “O Maior artilheiro de Copa do Mundo”.

Ninguém discute quem foi/é melhor: Ronaldo ou Klose, ninguém discute quem foi mais importante em suas seleções, mas o futebol premia a meritocracia também. Ronaldo, fez muito, mas poderia ter feito muito mais em Copas, teve um final de carreira melancólico, apesar de sua passagem positiva em 2009 pelo Corinthians. Desde 2006 com problemas acima do peso, envolvimento com travestis e sendo muito infeliz com sua vida profissional após aposentadoria. A carreira de Ronaldo poderia ter sido ainda mais brilhante.

Miroslav é conhecido como Mister Copa, esse jogador soube se cuidar, soube ser profissional e se preparar para jogar a Copa de 2014 com capacidades físicas e psicológicas para ajudar a sua seleção alemã, repleta de craques, sendo considerado o melhor elenco desse Mundial

E ontem ele foi preciso mais uma vez, no JOGAÇO de Alemanha e Gana (2×2), entrou no segundo tempo e em seu primeiro toque na bola igualou o marcador e igualou o recorde, que ainda pode ser batido mais uma vez, isolando-se na artilharia.

Scouts de Miroslav em Copas
Em 2002, na Copa da Coréia e Japão, Klose fez 5 gols, todos de Cabeça, sendo o segundo artilheiro daquela competição, junto do craque Rivaldo.

Em 2006, jogando em casa, Klose fez mais 5 gols, ganhando dessa vez a chuteira de ouro. Seu gol mais importante foi contra Argentina nas quartas-de-final, empatando a partida.

Em 2010, Klose fez na Copa do Mundo 4 gols. O mais impressionante é que ele fez os mesmo número de gol em toda a temporada 2009-2010 pelo Bayern de Munich. Klose realmente se sente em casa jogando Copa do Mundo.

Em 2014, Klose apenas (ainda) jogou uma partida e fez 1 gol. Vamos ver se ele tem a oportunidade de se isolar.

Parabéns Miroslav Klose, sua constancia, seu profissionalismo, sua frieza e oportunismo te premiaram.

Abraços.
Caio Di Pacce.

Deitado em berço esplêndido

Durou dois jogos a aura de time pronto para disputar a Copa do Mundo que pairava sobre o Brasil. Se na estreia frente ao bom time da Croácia, sob as bênçãos da arbitragem, o resultado serviu para encher de brumas os defeitos apresentados pela equipe de Felipão, o jogo contra o também apenas bom México serviu para escancará-los.

Foram as mesmas falhas na marcação das duas laterais. O mesmo buraco na frente da área por causa da necessidade de cobrir as avenidas abertas com a descida de Marcelo e Daniel Alves. O mesmo sufoco em cima dos zagueiros. Se La Tri não criou chances claras, teve diversas possibilidades de finalizar de fora da área, sempre com perigo.

A campanha da Copa das Confederações serviu para dar moral a um time desacreditado, que se arrastou por dois anos nas mãos de Mano Menezes. Mesmo com Scolari, a Seleção demorou para ganhar corpo, o que aconteceu, de fato, durante o torneio teste para a Copa do Mundo. Naquele instante, vitórias incontestáveis contra Itália, Uruguai e o bicho-papão Espanha trouxeram para a Família Scolari o apoio que faltava, da mídia e da torcida.

O problema é que, desde então, a equipe não evoluiu. As duas laterais são convites para o adversário entrar em casa e tomar conta da sala. Isso sobrecarrega os volantes, que não conseguem dar a proteção necessária ao miolo de zaga. Se diante dos croatas David Luiz foi o destaque, contra os mexicanos o papel coube ao capitão Thiago Silva, que é um extra-série. Outra vez o destaque da equipa canarinha foi um zagueiro, o que é sintomático.

O Brasil não se impôs em momento algum do jogo. Pelo contrário. Marcando a saída de bola brasileira, o México, em alguns instantes, esteve melhor que o time de amarelo, como na sequência de chutes perigosos de longa distância. Claro que o Brasil foi mais perigoso, tanto que o goleiro Ochoa foi um dos destaques da partida, mas a diferença potencial das equipes não foi vista no relvado do Castelão.

O time é fraco? Não. Longe disso. Até outro dia, pouco se contestava a qualidade da equipe. Além do mais, a comissão técnica tem experiência na prova e traz no currículo os dois últimos títulos mundiais conquistados pelo país do futebol. O problema é que é mal preparado. Nunca-antes-na-história-deste-país, uma Seleção teve um tempo tão parco para se preparar para a disputa do mundial. Foram apenas 18 dias antes do debute.

O ambiente na Granja Comary, nestas pouco mais de duas semanas, é sabido por todos. Foi uma farra, quase igual àquela vivida em Weggis, antes da Copa de 2006, quando Parreira era o treinador, ou “gestor de talentos”, como ele mesmo proclamou-se. Foi um entra-e-sai de globais para ninguém botar (mais) defeito.

Ainda na semana que sucedeu a estreia, pouco foi trabalhado técnica e taticamente. E o resultado foi esse futebolzinho mequetrefe, pobre, pouco inspirado, apresentado em Fortaleza. Ainda faltam seis dias para o jogo contra Camarões, o que é tempo suficiente

O jornalista José Trajano, da ESPN, disse que era preocupante estar tudo certinho. É lugar comum, mas os campeões são forjados na dificuldade e a Copa das Confederações não é critério. É bom abrir o olho. O banco de suplentes não é rico em opções. Paulinho e Fred, outra vez, foram figuras nulas em campo e Neymar e Oscar não estiveram bem, diferentemente da estreia. o que potencializou os erros vistos no debute. Só o resultado não se repetiu. Nem o árbitro.

Ainda na semana que sucedeu a estreia, pouco foi trabalhado técnica e taticamente. E o resultado foi esse futebolzinho mequetrefe, pobre, pouco inspirado, apresentado em Fortaleza. Ainda faltam seis dias para o jogo contra Camarões e, para corrigir, ou pelos menos amenizar as carências da equipe, terão que trabalhar muito. Só que, dessa vez, de verdade.

E a Copa Começou, 3×1 Brasil

Estréia de Neymar com 2 gols

Estréia de Neymar com 2 gols

Está tendo Copa do Mundo no Brasil. Hoje, após uma festa de abertura mais ou menos, mais ou menos, o Brasil enfrentou o bom time da Croácia num belo jogo de futebol em São Paulo. E a Copa começou bem melhor do que o jogo de estréia na África do Sul, teve muita emoção na entrada dos times e no hino nacional, teve susto com o gol contra de Marcelo, teve força de recuperação do time brasileiro, com 2 gola de Neymar em sua estréia de Copa do Mundo e um partidaço de Oscar.

O Brasil entrou em campo visivelmente nervoso, o time estava sentindo o peso da estréia, após entrarem em lágrimas no hino nacional, o selecionado canarinho demorou para transformar a energia das arquibancadas em futebol. E nesse momento a Croácia aproveitou, chegou nos contra-ataques pelos flancos, nas costas de Daniel e Marcelo, abrindo o placar.

E nesse momento, o time de Felipão mostrou um poder de reação que ainda não havia mostrado, pois sempre saía na frente do placar. E não decepcionou. Neymar mostrou que pode ser decisivo, abriu um placar num chute cirúrgico, devagar, no santinho: 1×1.

Depois disso o Brasil começou a dominar o jogo. Ganhou o meio campo, Oscar marcava por ele e por Paulinho, que foi mal. Luiz Gustavo fazia a primeira volância muito bem, não deixando Modric gostar do jogo e Davi Luiz foi um monstro atrás.

Fred estava pouco participando da partida, até que demonstrou um poder de atuação muito bom, que ludibriou o árbitro japonês que deu um pênalti para o Brasil, Neymar cobrou mal, mas a bola entrou: 2×1.

E, no final da partida, quando a Croácia voltou a jogar, o Brasil puxou um contra-ataque e o menino Oscar, de bico, lembrando Romário, completou o placar: 3×1.

A estréia foi boa da seleção brasileira e a Copa começou bem, já com cara de Copa do Mundo. Sejam bem-vindos, a Copa é aqui.

Abraços.
Caio Di Pacce.

Henrique, Anderson Polga e a lealdade de Felipão

– Eu vou pra Copa!

A convocação de Luis Felipe Scolari para a Copa do Mundo contou com poucas novidades e poucas contestações. Um dos nomes que mais geraram estranheza para o público geral foi o de Henrique, ex-Palmeiras.

Felipão é leal, ele quer ao lado dele aqueles em quem ele confia. Henrique foi jogador dele de 2010 até 2012, quando os dois defendiam a camisa alvi-verde de Palestra Itália e o ex-camisa 3 do verdão foi leal com Scolari, jogou aonde o professor mandava e foi bem em todas as posições.

Henrique se destacou também durante a Copa do Brasil em 2012, quando foi movido para a primeira volância e essa alteração deu ao Palmeiras uma consistência tática, uma marcação equilibrada e uma boa saída de bola. Além disso, quantas vezes você amigo palmeirense não via Henrique na grande área jogando de Centro-Avante e fazendo gols?

Em 2002, além da “não-convocação” de Romário, uma das maiores contestações foi Anderson Polga, jogador gremista, que ganhara a sua vaga para a Copa do Mundo após aquele tão lembrado e comemorado título da Copa do Brasil, vencido pelo tricolor gaúcho, então treinado pelo Tite, em cima do tão badalado Corinthians.

Henrique e Polga foram leais a Felipão, e ambos foram premiados por isso. O nosso treinador quer ter o elenco na mão e aposta nisso para levantar o caneco pela segunda vez.

Abraços.
Caio Di Pacce.

PS: É bom estar de volta.