De se assustar

PorXAle

Na abertura do Grupo G da Copa do Mundo, apenas a Alemanha estreou nesta tarde, em Salvador. Foi um massacre e, honestamente, 4 a 0 saiu barato, muito barato. Para Portugal faltou tudo: faltou bola, faltou reposição, faltou sorte, faltou condicionamento físico, faltou autocontrole ao zagueiro Pepe. E sobrou Alemanha. Sobrou Hummels, Boateng e Khedira. E transbordou Thomas Müller.

A expulsão do zagueiro Pepe desmoronou um time que encontraria, mesmo tendo 11 contra 11, o pior adversário possível para debutar na Copa. Cristiano, a meio pau, quase não apareceu. João Moutinho, o motor, o dínamo do time, sequer foi percebido, sequer tocou na bola. Inoperância do gancho luso? Não. Ele foi engolido pela meia-cancha alemã.

O gol logo aos 10 minutos facilitou as coisas para os germânicos, que, formando uma linha com quatro zagueiros na defesa, incluindo os laterais, obrigava Portugal a buscar jogo pelo meio. Com Miguel Veloso e Raul Meireles errando quase tudo, Moutinho, assim, não recebia a bola, e, quando era acionado, dois ou três alemães já estavam a desarmá-lo. Com a equipa muito espaçada, Ronaldo e Nani foram anulados com assustadora facilidade.

Aí veio o lance capital do jogo. Pepe deixou (deliberadamente ou não, não se sabe, mas deixou) a mão no rosto de Muller e depois, com o enorme camisa 13 caído, deu-lhe uma cabeçada bem leve, mas o suficiente para ver a cartolina encarnada. Aí a vaca deitou de vez.

Reduzido a dez homens, e com falhas individuais na defesa (leia-se Rui Patrício e Bruno Alves), Portugal foi presa fácil para os tricampeões do mundo, que só não dilataram mais o marcador porque tiraram o pé. Ainda assim, criaram hipóteses para aumentar o escore.

Como desgraça pouca é bobagem, Fábio Coentrão e Hugo Almeida saíram machucados e viraram dúvida até para o restante da Copa do Mundo, e Cristiano Ronaldo, pelo visto, ainda não está a cem por cento, embora as finalizações no fim do jogo mostram que o medo de uma nova lesão, ou o agravamento da outra, inexiste..

Faltam ainda duas partidas para a Selecção das Quinas, contra Estados Unidos e Gana, e o adversário mais forte do grupo já foi. O jogo contra os norte-americanos é daqui a seis dias, na sauna que atende pelo nome de Arena Amazônia, em Manaus. mas talvez não dê tempo para recuperar uma equipa destroçada física e moralmente.

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O lugar comum e a má vontade.

Hoje, em Carcóvia, na Ucrânia, Portugal massacrou a Holanda e garantiu a apuração aos quartos-de-final da Euro 2012. O placar de 2 a 1 para os comandados de Paulo Bento não refletiu a superioridade sobre o time de Bert Van Marwijk, que saiu na frente, mas em momento algum demonstrou ter bola e cabeça para vencer, mesmo com o placar favorável.

Nem vou falar do jogo em si, pois o leitor por certo já leu impressões de gente mais gabaritada que este que vos escreve sobre os noventa e poucos minutos de jogo. Meu negócio, hoje, é com a imprensa dita especializada.

Chega a ser irritante a má vontade da imprensa brasileira para com a Selecção das Quinas. Começou e competição e já falaram que o time português é fraco, que o Pepe é violento e que Cristiano Ronaldo é pipoqueiro, além de chamarem Portugal de “exército de um homem só”. Puro lugar comum de quem se importa mais com manchetes de jornais do que com um jogo inteiro.

Pepe tem jogado demais. Nenhum zagueiro, mesmo os badalados espanhóis e alemães, tem feito a Eurocopa que o luso-brasileiro faz. Foram três partidas soberbas, embora tenha falhado no segundo golo dinamarquês. Marca na bola, com rispidez, mas na bola, como todo defesa deve ser, diga-se. E ainda marca seus golos. No entanto, na primeira falta mais forte que fizer, já falarão que é violento.

Outro nome que está brilhando é Fabio Coentrão. Um monstro na retaguarda, um tormento aos contrários no apoio. Sem contar que foi o melhor lateral-esquerdo da Copa da África do Sul. Para a crônica tupiniquim, porém, joga menos que o chiliquento e nada confiável Marcelo. Sem contar nomes como Raul Meirelles, Miguel Veloso e João Moutinho, que não têm o reconhecimento dos críticos do NovoMundo .

No entanto, nada se compara com as críticas feitas a Cristiano Ronaldo. É praxe chamá-lo de pipoqueiro a cada atuação ruim ou decisão perdida. Citam as grandes penalidades perdidas na decisão da Champions contra o Chelsea, em 2008, mesmo sendo ele o autor do tento de sua equipa, e contra o Bayern, pelas meias-finais da última época, quando ele também marcou no tempo regulamentar, e por duas vezes.

Mesmo pelo time do Real Madrid, o qual tem levado às costas desde que chegou, é só ter um jogo mais ou menos ou uma derrota para o Barcelona, que deixa de ser o segundo melhor do mundo e vira um jogador trivial.

Hoje reconhecem o seu valor graças à atuação diante dos holandeses. Dizem até que foi sua melhor atuação na equipa nacional de Portugal, mas na primeira atuação mal conseguida que tiver todos duvidarão do seu potencial. Sorte de Eusébio não jogar nos dias que correm.

Não poderia ter sido pior

Acabou, ainda na fase de oitavas-de-finais, o sonho de Portugal de ser campeão do mundo. Os lusos foram eliminados pela Espanha, que venceu o clássico da Península Ibérica pela contagem mínima, golo marcado pelo atacante David Villa.

A atuação frente aos vizinhos foi vexatória. Carlos Queiroz armou uma equipe extremamente defensiva, num covarde 4-1-4-1, no qual usou uma linha de quatro defensores, Ricardo Costa, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fabio Coentrão, com alguma saída deste para o ataque, protegidos pelo cão de guarda Pepe. No meio, quatro jogadores de bom toque de bola, Simão, Tiago, Raul Meireles e Cristiano Ronaldo, tendo apenas a parede Hugo Almeida na frente, trombando com os zagueiros de Del Bosque.

Contra o Brasil a tática deu certo. Com Ricardo Costa na lateral direita para marcar as descidas de Daniel Alves e Michel Bastos, a seleção portuguesa pouco foi amolada. Hoje, porém, enfrentou um time cujo ponto forte é o toque de bola pelo meio, com Xabi Alonso, Iniesta e Xavi. O certo, portanto, seria reforçar a marcação no meio, escalando um lateral de ofício na beirada direita – Miguel ou Paulo Ferreira – e colocando Pedro Mendes à frente da zaga. Assim, liberaria o ala esquerda Coentrão para fazer o que sabe de melhor: apoiar o ataque.

Após uma primeira parte absolutamente equilibrada, a Espanha acertou o pé e triturou Portugal. Não fosse o guardarredes Eduardo, teria saído do Green Point com uma goleda histórica. Pelos lados espanhóis, Xavi, sem marcação especial, jogou demais. Por Portugal, Cristiano Ronaldo, como de hábito, esteve mais preocupado com o penteado e sua imagem no telão do que em honrar a braçadeira de capitão, outrora usada por gente do quilate de Coluna, Figo e Rui Costa. Ele, Ronaldo, não pode ser o líder de qualquer equipa que seja: não inspira os demais, é fominha demais, é vaidoso demais.

As apostas de Queiroz fizeram água: Pepe, que atuou na cabeça-de-área, só deu porrada nos dois jogos que fez; Hugo Almeida, que barrou o experiente Nuno Gomes, foi uma absoluta negação, técnica e táticamente. Queiroz chamou dois laterais para a direita, mas lançou mão de um zagueiro para marcar ninguém menos do que o apenas esforçado Capdevilla.

Portugal foi um time sem brio, sem luta, sem nada. Faltou de tudo para os patrícios. Faltou um líder, faltou um esquema que beneficiasse a categoria dos ótimos volantes portugueses, faltou poder de fogo. Portugal só vazou a defesa da Coreia do Norte. No mais, foram mais de 270 minutos em branco. Muito pouco para quem, após sobreviver ao inferno da repescagem durante as Eliminatórias, tinha a ambição de dobrar o Cabo da Boa Esperança com a taça de campeão a tiracolo.

Foto: Abola.pt

Podcast Copeiros: Oitavas de Final e Brasil x Portugal

Abraços
Caio di Pacce

PS: Desculpe pela falta de voz. Tive uma semana gripada! haha!

Em silêncio, mas feliz

Hoje eu passei por uma experiência interessante. Assisti ao jogo de Portugal em um hospital. Explico: minha mãe está passando por um tratamento e precisava de um acompanhante. Logo eu me prontifiquei a sê-lo.
Como fico extremamente tenso quando a Seleção das Cinco Quinas joga, ponderei que aquele seria o lugar mais apropriado para acompanhar a partida. O começo do jogo justificou esta opinião: bola na baliza, em cabeçada do becão Ricardo Carvalho. Depois a Coreia do Norte resolver engrossar o caldo verde e deu trabalho, muito trabalho.
Ao meu lado, um senhor careca ressonava, desinteressado que estava. “Esse time de Portugal é fraco”, sentenciou após um perigoso ataque dos asiáticos que o despertou. A sala de espera onde eu estava, devidamente trajado com a minha camisa verde-encarnada, tinha uma meia-dúzia de três ou quatro, se muito. Todos balançaram a cabeça, para cima e para baixo, concordando com o idoso. “Ah, nem precisa do Kaká pra ganhar”, disse outro rapaz, após (mais) um passe errado do Miguel.
Eu, da minha parte, estralava as articulações dos dedos para poupar minhas unhas e suava frio. Coçava a nuca de cinco em cinco minutos, até que Raul Meireles abriu a contagem, após passe de Tiago, açucarado feito um pastelzinho de Belém. A vontade era de sair gritando, mandando um solene “chupa!”, mas hospital é lugar de fazer silêncio. Até o fim do primeiro tempo, Portugal tentava atacar e a Coreia do Norte permanecia bem postada, dando poucos espaços para o time de Carlos Queiroz.
O intervalo trouxe um pouco de sossego, logo quebrado pelas inúmeras mensagens provocadoras recebidas via SMS. “Depois do jogo eles me pagam”, maldosamente pensei.
No segundo tempo a sala já estava repleta de secadores tupiniquins, que achavam graça no meu sofrimento silencioso. As chacotas aumentavam à medida em que a bola teimava em não entrar. A Coreia voltou do vestiário pensando que, ao contrário do que havia feito contra o Brasil, atacar seria melhor negócio. Portugal, perdulário, atacava sem parar e perdia tantas chances quantas eram criadas. Foi quando Raul Meireles achou Simão livre na área e caixa! Dois a zero e porteira aberta. Mais cinco minutos e Hugo Almeida marcou o terceiro e Tiago, o quarto. Cristiano Ronaldo, com a braçadeira, comandava, sem frescura, o time português, que não saia do campo de defesa asiático.
A esta altura, os olhares zombeteiros davam lugar a expressões preocupadas. Meu telemóvel, outrora muito requisitado, calou-se repentinamente, enquanto o capitão luso acertava outro petardo à barra, para o terror dos presentes – e o meu frisson -, que torciam desesperadamente para que o craque madridista recebesse um cartão amarelo, já que estava pendurado. O senhor careca, acordado como nunca, mudava de ideia: “Time bom esse de Portugal…”
Em campo, o camisa sete portuga distribuía generosos passes aos companheiros, deixando-os na cara do gol. A Coreia, recuada e acuada, tentava alguma coisa em tiros de longe, mas faltava-lhe competência. Competência que não faltou a Liédson, que acabara de entrar na vaga de Hugo Almeida e marcou o quinto golo.
Ao contrário dos que me acompanhavam, eu estava muito satisfeito com o que via. Enquanto eles faziam contas e, invariavelmente, confundiam-se nos cálculos de pontos, saldos, cartões e intermináveis conjecturas, eu só esperava por mais golos, que vieram pois, pelos pés de Cristiano Ronaldo e pela cabeça do Tiago, o melhor jogador em campo.
A final do jogo, os incrédulos e assustados assistentes que me fizeram companhia resolveram parabenizar-me. Diplomaticamente, respondi a todos com um sorriso e um simpático “tomara que empatemos na sexta”, estabelecendo uma politica de boa vizinhança. Intimamente, porém, eu pensava: “empate é o cacete!” Ah, os torpedos eu deixei para responder na sexta-feira à tarde.

Nossos Carlos

Caríssimos, como de hábito resolvi esperar um pouco pra tentar entender o que se passou nas listas de convocados das seleções lusófonas para a Copa. Vou ser bem sincero com vocês: não gostei de ambas.
Pra início de conversa, falemos sobre os escolhidos do Dunga. Deles eu só não esperava pelo Gomes, do Tottenham. Apostava no Victor, do Grêmio, ou no Hélton, guardarredes do Porto. No mais o Dunga não me surpreendeu. Inclusive na convocação do Grafite, já que ele esteve bem quando foi colocado em campo e eu tinha ouvido um cochicho, de fonte securíssima, quanto à sua convocação. Entretanto, se há um atacante que deveria ser convocado, pelo que vem jogando ou pelo que mostrou nas vezes em que atuou pela Seleção, este é o Diego Tardelli. Se tivesse convocado o atacante do Galo, ninguém poderia chamar o treineiro de incoerente.
No que toca aos ausentes, talvez o PH Ganso, do Santos, e o corinthiano Roberto Carlos poderiam ter lugar. O primeiro, porque seria um bom regra três pro caso de o Kaká não poder jogar. Já o experiente lateral não precisa ser testado, não é ruim de grupo e está jogando muito. Além do mais, os dois nomes chamados pra posição, Michel Bastos e Gilberto, além de jogarem no meio de campo, não vivem lá os melhores momentos da carreira.
Neymar não tem lugar, Ronaldinho Gaúcho não merece jogar outra Copa, Ronaldo é um ex-jogador em atividade e Adriano se desconvocou. Este se sobressai pelo enorme vigor físico que tem, pois tecnicamente é apenas comum. Como não tem agido como atleta, tornou-se um atacante mediano.
Embora entenda as razões que o levaram a chamar quem chamou, não significa exatamente que eu tenha gostado. Com esse inchaço de volantes e meias com características defensivas, ficou claro que a postura do Brasil de Dunga será especular e sair nos contra-ataques rápidos. Afinal, quem joga no erro do adversário, como faz o escrete nacional desde que o Capitão  do tetra assumiu o comando, não necessita de meias cerebrais. Basta ter médios que tenham um bom passe (e isso tanto Ramires, Felipe Melo e Josué têm) para acionar sobretudo os laterais, estes os principais fornecedores de bolas para os atacantes tupiniquins.
O que me preocuparia, caso estivesse torcendo para o Brasil, seria o fato de que, se marcarem as laterais e o único meia de criação, por ora Kaká, matarão o time, que dependeria exclusivamente dos lampejos do Robinho e do oportunismo do Luís Fabiano. Pra sorte do Carlos Caetano o país conta com a melhor defesa do mundo, que tem os ótimos Lúcio, Juan e Luisão, além do Júlio Cesar, melhor goleiro do planeta e que voltou a jogar bem. Ainda assim, acho pouco para uma Copa.
Pegando o voo Rio de Janeiro-Lisboa, chegamos à lista dos eleitos de Carlos Queiroz, selecionador de Portugal. Causaram-me espécie alguns nomes que constam e que faltam. Foram chamados 24 jogadores, numa referência clara de que irão esperar até o último instante pra ver se Pepe terá condições. Caso não as reúna, será cortado, estando o sportinguista Pedro Mendes já ambientado.
A presença do médio leonino foi uma das surpresas, assim como José Castro, lateral do La Coruña, Ricardo Costa, zagueiro do Lille e dos goleiros Daniel Fernandes, que atua no grego Iraklis(!), e Beto, do Porto. Ora essa! Como é que o Queiroz deixa de fora o principal goleiro do Campeonato Português, o benfiquista Quim, para chamar o Beto, que é reserva do Porto? Não por eu ser benfiquista, mas nosso arqueiro é o melhor pra posição. Agora, estranha mesmo foi a ausência do João Moutinho. Ele esteve presente em todas as convocações desde pouco antes da Eurocopa e ficou de fora. Como consolo, está na lista dos seis reservas, caso algum dos convocados não possa ir.
Particularmente, gostaria de ver o Nuno Gomes jogando sua terceira Copa, mas isso é apenas um gosto pessoal, apesar de ter que aturar o Hugo Almeida. No mais estamos bem serviços, apesar ds laterais, eterno calcanhar de Aquiles do time desde que Dimas se aposentou. Temos Deco, Simão, Nani e Cristiano Ronaldo, mas não é o suficiente para algo maior do que sonhar.
O bacalhau está de molho, os tremoços já estão na geladeira e o vinho e a sardinha só esperam para serem degustados. E quero fazê-lo, em 11 de julho, assistindo a Brasil e Portugal. Com estas listas ficou mais difícil, mas confiemos nos Carlos, o Caetano e o Queiroz.

A Batalha de Nuremberg

Corria o ano de 1945 quando Nuremberg sediou aquele que foi o julgamento mais emblemático de todos os tempos. No dia 20 de novembro daquele ano os principais líderes do III Reich começaram a ser julgados pelos crimes cometidos durante o regime nazista de Adolf Hitler. O tribunal decretou 12 condenações à morte, 3 prisões perpétuas, 2 condenações de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de 10 anos, além de 3 absolvições. O episódio ficou para a História como o “Tribunal de Nuremberg”.

A mesma cidade alemã foi, quase 60 anos depois, o palco de um dos maiores e mais violentos jogos da história das Copas. Portugal e Holanda se degladiaram – literalmente – pela fase de oitavas-de-final da Copa de 2006. A Selecção das Quinas ficou com a vaga, mas começou a perder o Mundial naquele jogo.

O jogo marcou um duelo no mínimo interessante: Scolari x Van Basten. Quando eram jogadores, tratavam-se de atletas com características completamente opostas. Se Luís Felipe Scolari era um zagueiro tosco e de parcos recursos técnicos, tendo passado sua carreira obscuramente por clubes de pouca expressão, Van Basten foi um dos melhores atacantes de todos os tempos, tendo brilhado pela própria seleção holandesa e pelo grande Milan da década de 80.

A primeira fase foi mais tranquila pro time de Felipão do que para os comandados de Marco Van Basten. Portugal terminou em primeiro lugar no Grupo D, com três vitórias, contra Angola, Irã e México. Já a Holanda, que esteve no chamado “Grupo da Morte”, terminou na segunda colocação, com 7 pontos, ao lado da Argentina, mas com saldo de golos pior e à frente de Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro.

Um ingrediente novo esquentava o confronto: a recente rivalidade entre as seleções. Portugal fora algoz dos holandeses nas Eliminatórias da Copa de 2002, quando estes sequer foram à repescagem. Dois anos depois, na Eurocopa, Portugal voltou a despachar a Holanda, já nas semi-finais. E no dia 25 de junho, no Frankenstadion, estavam frente a frente, mais uma vez.
Para mediar o jogo a FIFA designou o árbitro russo Valentin Ivanov. Foi uma guerra. Logo aos 7 minutos o cavalo holandês Boulahrouz entrou, criminosamente, de sola no Cristiano Ronaldo, causando sua saída da partida minutos depois. Ivanov deu apenas cartão amarelo ao holandês, quando deveria expulsá-lo direto. Foi a deixa pro pau comer. Ao final do duelo, foram 20 cartões, sendo 16 amarelos (nove para Portugal e sete para a Holanda) e quatro vermelhos (dois pra cada lado). Nunca antes se mostrou tantos cartões num só jogo em Copas.

Em momento algum o árbitro teve o comando do jogo. O primeiro cartão recebido pelo meia Deco, por exemplo, ocorreu após um erro grotesco do russo: a Holanda estava no ataque quando o volante português Maniche levou uma bolada de Kuyt. A bola ficou com os portugueses, que armaram um contra-ataque letal. Inexplicavelmente, quando a bola já estava perto da área holandesa, o jogo foi parado para que o luso fosse atendido. No reinício, quando Portugal esperava que a Holanda devolvesse a bola, Heitinga partiu em velocidade contra o gol defendido por Ricardo. Deco deu no meio dele e recebeu o cartão. Minutos depois, ao retardar o reinício da partida retendo a bola, foi expulso. No mais, pouco futebol e muita, mas muita pancadaria. Nem o craque Figo passou incólume: durante uma das diversas confusões, o ex-melhor do mundo deu uma cabeçada em Van Bommel, mas só recebeu o amarelo.

Ah, o placar do jogo foi Portugal 1×0 Holanda, gol de Maniche, aos 23 minutos do primeiro tempo. Depois despachou a Inglaterra, nos pênaltis, e só caiu na semi-final (no apito) contra a França.