Um Gol de Placa ou Como Quase Voltei a Ser um Jogador de Futebol

Mudando um pouco de ares, resolvi postar um texto de @felipeluno, do blog [PinkEgo], e sua última aventura futebolística, segue o texto:

Há algumas coisas que você não pode fazer depois de crescido sem ser julgado. Chupar pirulito, brincar de trepa-trepa e andar de 4 são algumas delas. Eu, Felipe, resolvi voltar a jogar futebol. Sim, aquele esporte popular praticado no Brasil por gente de nome difícil. Foi uma tarefa para reencontrar a adolescência e um bom preparo físico e quase me deparei com a morte.

Um dia desses, acordei com muita fome. Pulei meu sobrinho, chutei o cachorro e ataquei um pacote de bisnaguinhas indefesas. Esse pique do quarto até a cozinha me deu dor de sedentário, sabe? Aquela que dá na lateral da barriga, que você sentia quando era gordinho, fazia educação física e ninguém te escolhia para o time de vôlei, lembra?

Como não estou disposto a me expor a situações sociais com gente que usa poucas roupas em academia e por considerar que lugar de gemido é dentro de quarto e não em salão de musculação, resolvi voltar a jogar futebol.  Tudo bem, mas onde? Onde? Estou muito velho para escolinhas, muito novo para jogar com a Liga dos Senhores Católicos. O jeito foi investir na quadra do meu prédio.

Para isso, é importante se preparar. Corri até uma loja esportiva, comprei um calção bonito, uma camiseta simpática, uma meia com uma cor combinando e um tênis que me daria a propulsão necessária para fugir de trombadinha manco sem deixar cair uma gota de suor. E como sou precavido, comprei uma daquelas mochilas portadas por praticantes de musculação, que parecem um saco pendurado nas costas. Ali coloquei umas balas, bolachas, chocolates e isotônicos.

Em passos de jogador rumo à convocação da seleção brasileira, compareci à quadra na espera de meus oponentes. Aparentemente, hoje, as crianças preferem jogar Fifa 2010 à uma pelada verdadeira, então é importante ressaltar que esperei um bom tempo. Mas eles vieram: gordinhos, emos, leitores de hentai,  adolescentes desempregados e afins.

Montamos os times. Eu fui o último a ser escolhido. Não julguei ninguém. Claro que eles podiam duvidar do meu talento futebolístico. Nunca me viram em campo. Fui para o gol. Aqui vem uma informação importante: ninguém te avisa o quão perigoso é jogar como goleiro. É impressionante como a minha preocupação e o meu apreço pelas partes íntimas cresceram nos últimos 10 anos. Antes, quando eu jogava, protegia para não sentir dor. Hoje, protejo para não correr o menor risco de perder o playgroung no final de semana.

Mas eu falhei, amigos. Tomei muitos gols. Tentei subornar crianças com Trakinas, joguei M&Ms nos olhos dos atacantes adversários e nada adiantava. Eu não tinha a elasticidade necessária para proteger todas aquelas traves. Era preciso alguém com menos compromisso com a área íntima. Sugeri a troca com um menino com cara de futuro passivo e ele aceitou sem maiores questionamentos.

Agora, “na linha”, como eles chamam, eu poderia me destacar. No começo, fiquei de canto, marcando o alambrado e correndo atrás da bola como se não houvesse amanhã, mesmo se a posse fosse de alguém do meu time. Aos poucos, fui aprendendo a me posicionar, à enganar o adversário correndo para o lado oposto ao indicado. E não raro, eu aparecia livre, na cara do gol, mas não acertava um chute.

Até que os deuses do futebol sorriram pra mim. Eu fui derrubado, na área. E não chorei! Segurei as lagrimas, posicionei a bola na marca do pênalti, vi Pelé, Maradona, Messi, Richarlysson, todos gritando: “Vai, garoto”. E eu fui. Olhei para o goleiro. Ele tremia. Eu tinha o dobro do tamanho dele. Nessas horas, não há técnica. Não há maldição. Chute rápido. Chute reto. Chute forte. E eu chutei.

Ouvi um grito! Era gol! Ouvi outros gritos! Era um braço quebrado! Na tentativa de defender o meu remate, o gordinho caiu no chão e quebrou o braço direito. Enquanto eu comemorava, um círculo se fechava ao redor do garoto. Eu poderia dançar o rebolation. Ninguém veria. O clima ficou tenso, achei melhor subir, comemorando meu gol, sem camiseta. Correram atrás de mim, mas o meu tênis e um bom elevador contribuíram para a fuga.

Hoje, na quadra poliesportiva do condomínio Vivenda dos Ypês, há uma placa bem grande e bonita em minha homenagem: “É proibido o uso desta quadra por maiores de 16 anos“.

Escreveu Felipe Luno

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Paradinha: A polêmica e sua criação.

Caros amigos, o clássico de domingo gerou mais uma vez a polêmica sobre a paradinha. Rogério Ceni reclamou, como muitos outros goleiros também o fizeram. Mas a pergunta é: Ela é valida ou não?

A Fifa já proibiu, permitiu novamente, mas a verdade é que não há uma definição sobre essa jogada. Os goleiros reclamam, os jogadores se aproveitam e marcam gols importantes. A minha opinião é a favor da proibição da jogada. Oras, o jogador tem um lance livre direto, 9,15m de distância, sem barreira, só com o goleiro à frente (cujo precisa ficar com os pés na linha do gol). É uma senhora oportunidade para marcar!

Evair, um dos meus maiores ídolos, nunca usou desse artifício e foi um dos maiores cobradores de penaltis que o Brasil já teve, ia calmo, trotando em direção da bola e sempre colocava ela rasteira, devagar e no cantinho: Sem chances pro goleiro. Agora, o que vocês acham da “Paradinha”?

Um pouco de história: Sabe quem foi o criador da Paradinha? Essa história é interessante. Os livros remetem à criação da jogada para o Rei Pelé. Ele vinha correndo em direção da bola e mudava bruscamente sua velocidade, enganando os goleiros. Mas na verdade, a imprensa que cobriu a Copa de 1958, via Didi fazendo essa jogada durantes os treinos, porém o jogador nunca teve culhões de executá-la em partidas.


Outros rumores sobre a verdadeira criação da paradinha. (rs)

Abraços.
Caio di Pacce.