A esposa traída

A saída do técnico Mano Menezes do comando técnico da Seleção Brasileira escancarou um racha na cúpula da entidade que comanda (ou deveria comandar) o futebol deste país. O ex-treineiro corintiano chegou à Seleção depois do trabalho questionável feito pelo seu antecessor, Dunga.

Diferentemente do capitão do título de 1994, Mano chegou à Seleção pelos seus bons resultados à frente de Grêmio e, principalmente, Corinthians. Também ajudou o fato de o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez ter sido o chefe da delegação que representou o Brasil na Copa realizada no Continente Negro. Da mesma forma, Mano não conseguiu, nos quase 40 jogos em que treinou o time, encontrar uma base ou dar padrão de jogo ao escrete da camisa amarela. Tá certo que foi prejudicado, e muito, pela entressafra pela qual passa o futebol nacional. Não houve renovação desde a Copa de 2006. Tanto que não há um jogador sequer, nem mesmo Neymar, que goze de plena confiança do torcedor. Se houver, este é o volante Paulinho, que mantém na equipa nacional o altíssimo nível das suas atuações pelo alvinegro do Parque São Jorge, mas o fato é que o seu trabalho foi muito fraco.

Ainda assim, não foi por questões técnicas que o gaúcho de Passo do Sobrado deixou o cargo. Nos últimos jogos, à despeito do nível dos adversários, seu time apresentou um futebol vistoso, vertical, alegre. Isso coincidiu com o retorno do meia madridista Kaká, que passou a ser o porto seguro do jovem (e inexperiente) time brasileiro. A questão é mais profunda, ou melhor, rasteira, bem rasteira.

Sanchez chegou ao cargo de diretor de Seleções mesmo não tendo nada que justificasse a escolha, do ponto de vista técnico. No entanto, do prisma político, ou politiqueiro, fez todo o sentido. O ex-Todo Poderoso Ricardo Teixeira precisava de apoio para se manter no cargo de presidente da CBF, já que a proximidade da Copa do Mundo faria com que seus passos fossem mais “visados”, por assim dizer. O então Presidente da República Lula, desgraçadamente, gozava de prestígio em todos os âmbitos. Assim, que tal colocar o presidente do seu Corinthians lá dentro? Em troca da fidelidade canina do corintiano, um estádio novinho em folha, com participação direta do ex-mandatário da nação, bancado em parte pelo dinheiro público e feito a toque de caixa para a Copa de 2014. Pronto, estavam todos felizes.

Mudou o governo e a presidente Dilma Rousseff, que parece ter mais decência que seu antecessor, embora não precisasse de muita para isso, fechou as portas palacianas para um Ricardo Teixeira cada vez mais afundado em denúncias de corrupção. Sua queda era questão de tempo. Pelas normas da CBF, assumiria o vice-presidente mais velho, e este era José Maria Marin. Ligado umbilicalmente à Federação Paulista de Futebol, Marin representou a mudança do epicentro do futebol nacional do Rio de Janeiro para São Paulo. A indicação do atual presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, para vice-presidente da Região Centro Sul da CBF, escancarou o plano de permanência do poder. Caso o homem do cabelo acaju de gosto duvidoso e dos óculos Ambervision deixe o cargo antes das eleições, assumirá, novamente, o vice mais velho, e este é Del Nero. O constante entra-e-sai de políticos e dirigentes de todos os estados e correntes visto na sede da própria FPF deixa claro que existe algo em curso.   Mas era preciso desfazer o último laço existente entre a CBF e Teixeira. Para isso, nada melhor que trocar o questionado treinador e guardar o lugar para aquele que mais agradar a opinião pública, fator fundamental para a tal permanência no poder. Assim, Andrés Sanchez foi frito, lentamente, e viu o pouco de prestígio que seu cargo lhe conferia sumir de vez quando da queda do treinador que ajudar a içar. Ele, na condição de diretor de seleções, deveria ter voz ativa, não por mérito, mas de direito, no processo, e a ele coube apenas a desditosa missão de comunicar à imprensa e ao técnico a sua saída.

Restará a Andrés, desconfortável como uma esposa que acabou de descobrir a pulada de cerca do marido, deixar o cargo e salvar o pouco de dignidade que ainda lhe resta. E tentar articular uma oposição que viabilize seu retorno à CBF. E garantir a “renovação” do cada vez mais secundário, pobre e endinheirado futebol brasileiro.

Em Madrid, quem manda é o Real.

Ontem o Real Madrid recebeu o Milan pela UEFA Champions League. O confronto mais esperado da primeira fase do torneio mais importante da Europa, o Santiago Bernabéu era um mar merengue.

Ronaldo Assis estava de volta ao estádio que o aplaudiu de pé, quando jogava pelo Barcelona. Naquela oportunidade o Real perdeu por 3×0 no superclássico e a torcida merengue aplaudiu de pé o brasileiro. O mesmo já ocorrera com Maradona e Del Piero.

Mano Menezes estava na platéia e viu um Milan cansado e dominado pelo time da casa. Mourinho escalou um time aberto, com Cristiano Ronaldo e Di Maria abertos, Ozil armando pelo meio e Higuaín na frente.

E essa formação funcionou. O Milan não viu a cor da bola e o time da casa venceu por 2×0. O primeiro de falta cobrado por Ronaldo aos 12 da primeira etapa, o segundo foi marcado contra por Bonera, após chute de Ozil.

Especulava-se que Mano queria ver Ronaldinho para convocá-lo contra a argentina em Novembro, no primeiro grande embate de Mano Menezes pela seleção, mas o treinador não deve ter gostado do que viu.

Quem sabe da próxima vez Ronaldinho tenha mais sorte.

Abraços.
Caio di Pacce.

FICHA TÉCNICA

REAL MADRID 2×0 MILAN

ESTÁDIO: Santiago Bernabéu, Madri (ESP)
ÁRBITRO: Pedro Lourenço (POR)
CARTÕES AMARELOS: Bonera, Boateng (MIL); Di María (REA)
GOLS: Cristiano Ronaldo (1-0), aos 12’/1ºT; Özil (2-0), aos 13’/ºT

REAL MADRID: Casillas; Arbeloa, Pepe, Ricardo Carvalho, Marcelo; Xabi Alonso, Khedira; Di María (Granero, 40’/2ºT), Özil (Lass Diarra, 37’/2ºT), Cristiano Ronaldo; Higuaín (Benzema, 42’/2ºT)
TÉCNICO: José Mourinho

MILAN: Amelia; Zambrotta, Bonera, Nesta, Antonini; Pirlo, Gattuso (Boateng, 13’/2ºT), Seedorf, Ronaldinho Gaúcho (Robinho, 16’/2ºT): Alexandre Pato (Inzaghi, 33’/2ºT) e Ibrahimovic
TÉCNICO: Massimo Allegri

FOTO: Lancenet!

O puxão de orelha foi dado

A máscara do Neymar começou a render seus dividendos: hoje ele ficou de fora da lista de convocados do técnico da Seleção, Mano Menezes. É certo como dois e dois são quatro que, na próxima convocação, seu nome voltará a aparecer, mas o fato é que o recado está dado.

Neymar foi mimado desde sempre nas categoria de base do Santos. Infelizmente, tem como empresário Wagner Ribeiro (nem sei se é com “W”, mas não tem a menor importância, dado quem é), que já mostrou exercer uma influência questionável nas carreiras de outros jogadores, como Robinho e Lulinha. Por certo irão dizer que o Kaká também fazia parte do casting dele, mas ele, Kaká, tinha berço e educação diferenciada, ao contrário dos demais citados.

Neymar julga-se acima do bem e do mal, principalmente porque foi criado assim. É um pouco complicado cobrar maturidade dele, o que não significa, em hipótese alguma, que se passe a mão no seu estranhíssimo penteado a cada pisada de bola. Ele, por seu talento, já seria naturalmente visado. Com suas atitudes, então, potencializa demais o efeito da marcação adversária. Os árbitros já não caem mais no seu “cai-cai” – com o perdão do trocadilho, horroroso, por sinal – e seu jeito folgado tende a atrair mais e mais botinadas.

O fato é que, como alertou Renê Simões após o jogo da confusão, o monstro foi criado. Cabe a ele escolher o caminho que irá trilhar. Ou leva em consideração o puxão de orelha dado pelo Mano e por toda a imprensa esportiva (que está rareando) dita séria deste país e despe-se da máscara e abaixa a crista e a gola da camisa ou assume o papel lhe concedido pela frouxa diretoria santista: o de dono do time, da bola e do mundo, dando razão ao bigodudo Renê. Caso, escolha esta opção, terá que arcar com o seu ônus, que geralmente é alto. E aí, provavelmente, não terá mais seu empresário-eminência parda para defendê-lo.

Massacre canarinho

Nova Jersei, EUA, local da estréia de Mano Menezes e dos meninos da Vila com a camisa verde-amarela. O rival dono da casa veio empolgado, com uma bela apresentação na Copa do Mundo. Todos os analistas brasileiro estavam preparando um discurso cauteloso, de preparação do time para 4 anos. Mas todos se surpreenderam, o Brasil massacrou.

O placar marcou 2×0 após os 90 minutos, mas o placar moral foi 7,8,9,10×0 contra os norte-americanos. O time veio num 4-3-3 ofensivo, pra frente, jogando bonito. Um futebol moderno, mas romântico. Ao melhor estilo brasileiro.

A dupla de zaga David Luiz e Tiago Silva foram seguros, mostrando que essa dupla poderá dar caldo. O meio de campo com o firme Lucas, o veloz e astuto Ramires e o incrível Ganso, que mesmo quando a gente espera um futebol espetacular dele, o garoto continua a nos surpreender.

E o ataque, o melhor setor do time brasileiro, funcionou muito bem. Neymar parecia vestir o branco da camisa do Santos, fez de cabeça gol na estréia, o primeiro do Brasil e Pato também foi preciso, guardou o segundo driblando o goleiro. Tudo isso no primeiro tempo.

No segundo tempo, o time massacrou, parecia jogo treino, era defesa contra ataque, mas o time oscilou um pouco nas finalizões, mas foram muito bem. Mesmo os que entraram, Herandes, Carlos Alberto, Jucilei foram bem. Único destaque negativo foi a triste estréia de Ederson, que sentiu a coxa em seu primeiro lance e teve que sair.

Kaká, Maicon,  Luís Fabiano terão que jogar muita bola para poder voltar a ser titular da seleção. E pra quem dizia que o Mano era retranqueiro, a resposta está aí. Um jogaço.

Abraços.
Caio di Pacce.

Despedida Corinthiana de Mano Menezes

Após um revira-volta no caso Muricy Ramalho na seleção brasileira, já que o Presidente do Fluminense não quis liberá-lo, e a CBF não quis pagar a multa, Mano Menezes foi definido como treinador do Brasil. E fez sua despedida no domingo contra o Guarani.

E que despedida, tipicamente Corinthiana. O time verde era mais fraco, e o Corinthians jogava por Mano Menezes. Logo no início da partida, Jorge Henrique abriu o placar. Festa no Pacaembu, parecia dia de goleada.

Mas no Corinthians nada é fácil assim. O time foi se acomodando e dando espaço para o Guarani, e em uma dessas investidas fortuitas, Mazola igualou o placar. Minutos depois, Dentinho, uma das descobertas de Mano, foi expulso.

Despedida com derrota? Bruno César não quis. E fez dois gols, garantindo a liderança para o Corinthians e uma bela despedida para o Mano Menezes, que deu volta olímpica, se emocionou no gramado.

Parabéns Mano Menezes você merece essa oportunidade.

Abraço.
Caio di Pacce.

Foto: Lancenet!

Tropeço do Líder.

O líder Corinthians enfrentou o lanterna Atlético-GO no Serra Dourada ontem, no jogo que muitos pensavam ser a último jogo de Mano Menezes antes de ser anunciado o treinador da Seleção Brasileira. Porém o time do Pq. São Jorge estava irreconhecível.

A defesa, desatenta, falhando muito na marcação, cometendo faltas bobas, inclusive um pênalti, bem batido pelo capitão Robinston. Atlético-GO 1×0. Com isso o time goiano se fechou, deu espaço para o Corinthians, e logo tomou o gol de empate.

Após o gol, o timão voltou a ter o mesmo futebol burocrático e desatento, o meio campo não estava se achando, errava muitos passes, e com isso dava espaço para o time da casa contra-atacar, resultado: 2×1 Dragão.

E, mais uma vez o time da casa deu espaço para o Corinthians, que na base da vontade atacava e pressionava, até Iarley sofrer um penalti, que na minha opinião não ocorreu, para muitos analistas ele existiu, mas eu não marcaria. Foi um lance duvidoso, não penalizo o árbitro.

Mas o Corinthiano penaliza Chicão, que além de ter falhado no primeiro gol, tomou cartão amarelo ainda no primeiro tempo e perdeu a cobrança de penalti, defendida pelo goleiro Márcio, a segunda cobrança errada do camisa 3, em dois jogos.

E com isso o time paulista se desanimou, e deu mais espaços ainda para o Atlético, assim tomou mais um gol que sacramentou o placar: 3×1.

O Corinthians perdeu a invencibilidade, e pode perder hoje a liderança para o bom time do Fluminense, que cada vez mais tem a cara do Muricy Ramalho. Time sem brilho, mas com muito trabalho e determinação. Veremos.

Abraços.
Caio di Pacce.

FOTO: Lancenet!