Enfim Brasil.

O Brasil enfrentou hoje a Costa do Marfim, na minha opinião, o jogo mais difícil da primeira fase, pois trata-se de um time muito físico, de combate, que marca muito; e que encontra uma seleção brasileira ainda se encontrando fisicamente, e ainda se acostumando com a Copa de 2010.

E foi um jogo duro, principalmente no primeiro tempo, quando o time africano obrigava o Brasil começar as jogadas com Felipe Melo, brilhante ontem e Gilberto Silva, que teve uma exibição firme. Mas mesmo assim os elefantes complicavam o jogo para a seleção.

Até que o talento superou a tática, em uma triangulação entre Kaká, Robinho e Luís Fabiano, que deixou nosso camisa 9 na cara do gol. Daquele jeito, ele não perde: 1×0 Brasil.

E assim terminou o primeiro tempo, o Brasil vencendo, mas não convencendo. Já no segundo tempo, o Brasil voltou a ser Brasil. O Brasil de Dunga, da velocidade, do contra-ataque, mas com extremo brilhantismo. Luís Fabiano fez o gol mais bonito que eu já vi da Seleção em Copas do Mundo.

Com dois chapéus, num momento Pelé, e com o domínio com a mão, num momento Maradona, o camisa 9 fuzilou no campo sem chances para o goleiro: 2xo Brasil. O Brasil ainda fez o terceiro com o bom e esforçado Elano, artilheiro do Brasil na Copa.

Mas o maior ganho para a seleção foi a participação de Kaká. O nosso camisa 10 fez uma bela exibição, ainda não totalmente recuperado, mas já muito melhor do que na estréia do Brasil.

O jogo estava tranquilo para o Brasil, mas uma guerra para a Costa do Marfim. O time africano diminuiu com Drogba, em uma falha de marcação brasileira, 3×1, até aí tudo bem, mas o time do Brasil não soube se conter com as divididas duras dos africanos, e do juíz irresponsável.

A Costa do Marfim bateu, foi desleal, mas o time brasileiro não soube se controlar emocionalmente, principalmente Kaká, que caiu na catimba africana e foi expulso infantilmente, com uma cotovelada besta, deixando a seleção sem sua principal estrela.

Dunga tentou tirá-lo de campo, após tomar o amarelo, o treinador mandou os jogadores acelerar o aquecimento, mas não deu tempo, Kaká tomou o vermelho logo em seguida.

Enfim, o Brasil voltou a ser Brasil, para sorte da Copa do Mundo.

Abraços.
Caio di Pacce.

Assim foi, assim será

O Brasil finalmente debutou na Copa da África. Ontem, sob um frio cortante, venceu a figurante Coréia do Norte por dois tentos a um. Uma vitória nada convincente frente as altas expectativas do povo brasileiro.

Expectativas infundadas é verdade. Fomos embalsamados pela mística da camisa amarela, pintamos as ruas e compramos vuvuzelas. Nos aprontamos prontamente para um espetáculo de futebol. Badalamos a Seleção como sempre fizemos. Mas dessa vez, assim como da última, ficamos com a sensação de que podia ser mais.

Assim que acabou o jogo, a maioria do pessoal deve ter pensado: Só? Pois é, foi só isso mesmo. E foi aí que nossa ilusão se esvaneceu. Queríamos show e goleada, mas olhando para trás, quando foi que o time de Dunga deu espetáculo nesses quatro anos?

Talvez no amistoso contra a Itália, ou em um ou outro jogo das Eliminatórias, contra os tradicionalmente fracos do continente. No entanto, o que o país parou para ver ontem é o que vínhamos vendo desde 2007: um time que só sabe jogar na defesa.

Enquanto Kaká continuar meia-bomba, o Brasil não vai emplacar. Os gols vão continuar a sair de lances pontuais como o chute de Maicon e a qualidade de Robinho. Por sua vez, a defesa mostrou sua fraqueza. Como a Coréia não oferecia perigo, os defensores canarinhos foram ficando desatentos. Por isso, tomamos um gol bobo.

Sobre o que esperar do jogo da Costa do Marfim, vou na de José Trajano de esperar para ver. O grupo não provou nada em um jogo que poderia firmar os pés e mostrar: Ó somos favoritos e vamos passar o carro.

Parecia mais fácil nos comerciais da Brahma.

Foto: Getty Images

Entre Scolari e Lazaroni

Faltando poucos dias para o anúncio dos 23 jogadores que representarão o Brasil em mais uma Copa do Mundo, a pressão para que Dunga leve a dupla Neymar-Ganso aumenta a cada dia. Dunga não é o primeiro, nem será o último. Lazaroni não levou o hoje comentarista Neto pra Itália, assim como Felipão deu de ombros ao clamor nacional e deixou Romário no Rio, em vez de levá-lo à Ásia. A diferença, aqui, é que o Felipão voltou com a taça e ninguém mais lhe encheu o saco. Já Lazaroni…

Podemos apontar o dedo para o Dunga por diversos motivos, mas se tem uma coisa pela qual o gaúcho prima é o respeito pelos seus critérios. Assim que chegou, esquentando a cadeira até a sonhada volta de Scolari, tratou de enquadar as duas estrelas da companhia: Kaká e Ronaldinho Gaúcho. Ambos voltaram, mas este não aproveitou as infindáveis oportunidades que teve. Ele, Ronaldinho, não tem a confiança do chefe. Logo, está fora. Assim Dunga conseguiu, além de sair da sombra do Felipão, ter o grupo na mão, como reza o jargão do vernáculo futebolês. Convocar Gansos e Neymares seria arriscar perder o grupo.

Eu até gosto do Ganso. Jogador à moda antiga, joga de cabeça erguida, é rápido, tem rara visão de jogo e, como mostrou domingo passado, não treme. E o melhor de tudo: é sério. O Neymar domina todos os fundamentos básicos, como passe, chute, cabeceio e posicionamento, além e ter uma frieza que poucos veteranos têm na boca do gol. No entanto, parece que a fama lhe sobe à cabeça, não só na forma do moicano colorido, alisado e de gosto extremamente duvidoso, ou da gola da camisa levantada, mas principalmente na marra mostrada em campo e no detestável e condenável cai-cai. O jogador, sobretudo o atacante, deve ser malandro, sim, mas o que o Neymar vem fazendo beira a cafagestagem.

Não creio que Carlos Caetano os leve, embora gostaria de ver o dono da 10 do Peixe na lista. Restará esperar para saber que lugar a história reserva os treineiro do escrete nacional. Se ficará ao lado de Felipão, na galeria de heróis, ou se fará companhia a Sebastião Lazaroni, com os fantasmas do passado arrastando suas correntes atrás de si, para todo o sempre.

Polêmico ou Bonzinho?

O futebol sempre foi coalhado por esses dois tipos de figura.

O tipo “polêmico” nem sempre é um grande jogador, mas gosta de falar muito e sempre é destaque na suas atividades extra-campo.

Já o “bonzinho” também nem sempre é craque, mas cumpre religiosamente o receituário de bom senso e profissionalismo que qualquer trabalho pede.

Pelo futebol ser mais Arte do que Ciência, o atleta polêmico desfruta de uma certa tolerância no meio. Devido ao Ibope e muitas vezes ao que faz em campo, diretoria e comissão técnica apaziguam os destemperos desse tipo de jogador.

Ontem Andrade, técnico do Mengo, disse que prefere os polêmicos aos bonzinhos – uma vez que mesmo Adriano e Bruno sendo polêmicos, foram decisivos na partida contra o Vasco.

Do lado dos bonzinhos, temos Kaká como expoente máximo. Muito se  falou desse brasiliense na semana passada, pois as câmeras o flagraram desferindo os mais incabíveis despautérios na desclassificação do Raul Madrid – desmitificando o Kaká que toda sogra quer ter como genro.

A verdade é que no futebol bonzinho não vinga. Temos o comentarista bem aprumado Caio, que apesar de ter jogado em grandes clubes, nunca se destacou. Nota-se a ausência de uma certa “maldade”, inerente a profissão de jogador. Como jogador, ele realmente deu um bom comentarista.

Mas a questão persiste.: deve se preterir o polêmico em detrimento do bonzinho, ou vice-versa? Dunga parece que quer tirar a prova dos nove com a Seleção, já que com ele o “polêmico” não tem vez.

Kaká é evacionado em Milão.

Hoje jogaram pela Champions League Real Madrid, de Kaká x  Milan de Ronaldinho Gaúcho. Mas o vendadeiro encontro dessa noite em Milão foi a torcida rossonera com seu grande ídolo Kaká, que vestira a camisa milanista por 4 temporadas.

O Real jogou melhor no primeiro tempo, muito em função do brasileiro, pressionou o time de Milão até abrir o placar com Benzema. O time da casa reagiu e empatou em um lance duvidoso de penalti, com uma cobrança precisa de Ronaldinho Gaúcho.

O segundo tempo foi mais fraco, muito brigado, com menos chances de gol, porém com defesas importantes do veterando Dida. O jogo terminou em um empate, que não foi tão bom para nenhuma das duas equipes, empatadas com 7 pontos, mas que agora veem o O. de Marselha encostado com 6 na terceira posição, já que o time francês goleou o fraco Zurich por 6×1 em casa.

Ao término do jogo, Kaká parecia tímido, comprimentou os ex-companheiros de clube, e não se aguentou: Foi aplaudir a torcida milanista. E a galera italiana retribuiu cantando: – Olê, Olê Olê, Kaká! Kaká! Uma cena rara para os dias de hoje de futebol moderno. É bom lembrar que o brasileiro recusou uma proposta irrecusável do Manchester City, de mais de 100 milhões de Euros, os dirigentes milanistas já estavam pensando no que fazer com a grana quando o craque declinou a proposta.

Claramente Kaká não pensa só em dinheiro, sente o peso da camisa. Mesmo quando foi para o Real Madrid disse que jamais se esqueceria do Milan, ele só saiu de lá, segundo sua declaração, pois o clube precisava realmente do dinheiro e que o Real era um clube de tamanho igual ao rubro-negro do norte da Itália.

Forza ao Kaká, é bom ver esse exemplo em tempo de Robinho e Adebayor.

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Abraços.
Caio di Pacce.