Prazer Libertadores, parte 2!

Não está morto quem peleja!

Não está morto quem peleja!

Hoje  foi a verdadeira estréia do Uruguai nessa Copa do Mundo. No Itaquerão, o selecionado celeste fez o melhor jogo dessa (até agora) dessa Copa contra a Inglaterra, vencendo por 2×1, com dois golos de Luisito Suarez.

O camisa 9 celeste lesionou o joelho há 30 dias atrás, quem o viu de cadeira de rodas jamais pensaria que veria ele fazer essa partida incrível no renascimento do Uruguai no Brasil. Muita vontade, muita raça, muita superação, que só um verdadeiro uruguaio poderia ter por sua seleção foi o que fez Luisito jogar praticamente o jogo todo, com muita intensidade, velocidade, catimba e muita precisão nas finalizações.

Em 4 anos, o Uruguai mostrou ao mundo o que é uma Libertadores da América duas vezes, depois daquele embate mitológico contra Gana, hoje um selecionado celeste mais experiente, que jogou melhor que a Inglaterra praticamente o jogo inteiro, um time que vibrou demais, esteve presente no campo inteiro, marcou, correu, foi fatal no ataque quando precisou. Fez um partidaço!

Vi o jogo pela ESPN, com Loco Abreu nos comentários, que grande sacada, o antigo camisa 13 vibrava a cada escanteio conquistado, vibrava a cada defesa de Muslera, que fez mais uma excelente partida, reclamava da arbitragem e gritou gol duas vezes, com muita raça. Genial.

O Uruguai renasceu e agora está muito vivo. Se jogar assim contra a boa seleção Italiana, pode surpreender e se classificar. E, se passar de fase, segura os celestes, pois eles vão longe!

Abraços.
Caio Di Pacce

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Mas que jogaços nesse domingo!

Esse domingo nos proporcionou dois belíssimos jogos nas oitavas de final da Copa do Mundo. Argentina e Alemanha, que se enfrentam nas quartas de final, jogaram bem e mereceram a classificação, mesmo tendo uma senhora ajuda da arbitragem.

Alemanha x Inglaterra
Simplesmente um jogaço! O melhor jogo dessa Copa do Mundo: A Alemanha começou melhor, na verdade avassaladora. Abriu 2×0 logo de cara, primeiro com um belo lançamento do goleiro Neuer e a conclusão de Klose. O segundo em uma jogada rápida de seguidas tabelas, que deixou Podolski na cara do gol.

Até que o time inglês resolveu acordar, e diminuiu com Barry. No lance seguinte, o lance do jogo, Lampard chutou meio desequilibrado e encobriu o goleiro alemão. A bola bateu na trave ENTROU e voltou para as mão de Neuer. O fantasma de 1966 fez sua revanche: o juiz não deu o gol.

Com isso, o time inglês foi para o ataque e deu o contra-ataque para a Alemanha. Erro mortal. Com 2 gols de Muller, a Alemanha goleou.

Argentina x México
A Argentina é muito mais time do que o México, e o time da América Central historicamente perde para os Hermanos, mas foi o México quem começou melhor. Chegou por duas vezes com muito perigo, porém o mesmo problema da fase de grupos apareceu: A finalização. O time do México não chutava no gol.

E perder gols contra a Argentina é fatal. O time de Maradona é muito rápido, e em uma dessas investidas de Messi, Carlitos cabeceou em impedimento, quase 1m impedido, mas o juíz e o bandeira validaram o gol, mesmo vendo que tinham errado pelo telão.

Depois do gol, os Hermanos melhoraram e dominaram a partida. Higuaín fez o segundo com um presente de Osório. No segundo tempo Tevez fez um golaço de fora da área, batendo com raiva na Jabulani. O México bem que tentou, e até diminuiu, mas já era tarde. O time de Maradona passou para a próxima fase.

Visão Copeira
Foram dois jogaços, dois dos melhores jogos da Copa. A arbitragem ajudou e muito os times classificados, mas mesmo sem a ajuda eles iriam se classificar, com certeza. A Alemanha foi superior em 80 dos 90 minutos disputados e a Argentina é muito superior ao bom time mexicano.

Hoje é dia de Brasil!

Abraços.
Caio di Pacce.

A Copa de Diego.

Após sofrer as agruras de uma das ditaduras militares mais violentas na América do Sul, a entrada na segunda metade da década de 80 representava a aurora da democracia para a Argentina. Tal qual no Brasil a identificação e os reflexos da seleção argentina de futebol na sociedade sempre foram evidentes. Se 1978 representara a legitimidade máxima dos militares argentinos e do discurso de caráter autoritário e nacionalista (do mesmo modo que em 1970, no Brasil) com a conquista do mundial como donos de casa, a Copa do Mundo de 1982 se revelou um verdadeiro fracasso.

Marcada como a “tragédia de Sarriá” pelos brasileiros, a competição também não fora nada agradável para os hermanos que na estréia do já consagrado Maradona em Copas, viram o ídolo sofrer com a forte marcação e as expulsões em jogos decisivos. No mesmo ano, outro fracasso, dessa vez fora do campo marcaria a história do país para sempre. Numa atitude tresloucada do governo militar, a Argentina declarou guerra à Inglaterra, reivindicando a posse do território das Ilhas Malvinas (denominadas de Falkland pelos ingleses). O resultado, já esperado, foi a vitória acachapante dos europeus, levando os argentinos a abominar não só seu próprio regime governamental, responsável pela morte de cerca de 600 jovens, mas também os próprios ingleses, tidos a partir de então como inimigos declarados.   

Chegava 86 e, embora a busca por justiça e a consolidação progressiva da liberdade no país estivesse a pleno vapor, a herança econômica dos governos militares era um câncer inevitável. O clima de desconfiança fruto do ápice da “década perdida” rondavam o ar. Nem mesmo a convocação de Diego era uma certeza nacional. Setores da imprensa divergiam em relação a real capacidade do jogador ainda sem destaque na equipe do Nápoli. Mas um sentimento era compartilhado: era preciso reorganizar a Argentina e, sobretudo, reconquistar o orgulho ferido de um povo maltratado.

Após ser escolhida como sede, a Colômbia desistiu da competição devido a graves problemas econômicos. A escolha mais sensata acabou sendo o México, cuja estrutura de 1970 ainda era plenamente favorável à disputa do campeonato. A previsão era de uma acirrada disputa, fundamentada pelo contraste de gerações. A Itália era a atual campeã, a França veria sua última Copa com Michel Platini, a Alemanha vinha com uma eficiente equipe liderada por Lotthar Matthaus, e o Brasil, comandado por Telê Santana, trazia ao mundo o craque Zico, ao lado de Sócrates, Careca e Branco. A Argentina corria por fora.

E assim foi ao longo da 1ª fase. A equipe azul e branca venceu as fracas Coréia do Sul e Bulgária, e ficou apenas no empate com a Itália (que não apresentava nem sombra do futebol de quatro anos atrás, sendo eliminada pela França nas 8as).

A equipe argentina vinha com uma mistura interessante de jogadores experientes com novos talentos, a ponto de relegar o veterano Daniel Passarela à condição de reserva. Nas oitavas, venceriam o Uruguai por 1 a 0, naquela que Maradona considera a melhor partida de sua carreira. Para a maioria dos críticos e fãs, contudo, essa partida viria a seguir, quando nas quartas de final o adversário seria a Inglaterra.

Impossível não relacionar a partida ao conflito militar protagonizado pelos dois países e ainda muito vivo na mente dos argentinos, cujo orgulho mantinha-se ferido. A equipe inglesa vinha gabaritada por seu elenco experiente e talentoso, com nomes como Glenn Hoddle, Peter Beardsley e Gary Lineker (artilheiro da Copa de 86), mas uma campanha irregular na 1ª fase a deixavam sob o foco da dúvida.

O clima do jogo era inevitavelmente tenso- tanques de guerra mexicanos faziam a segurança do lado de fora do Estádio Azteca. E do mesmo modo iniciou a partida. Jogando com seu uniforme reserva a Argentina era protagonista das ações no inícios do jogo, embora a violência tomasse conta da partida em ambos os lados. O jogo truncado era reflexo do clima que o envolvia. Maradona era caçado em campo e o máximo que conseguia eram algumas arrancadas infrutíferas em direção ao gol inglês. O 1º tempo terminava sem gols.

A volta dos vestiários mostra uma Inglaterra mais disposta, com domínio de jogo e executando forte marcação. Mas apenas seis minutos depois, num dos lances mais antológicos da história do futebol, a Argentina sairia na frente: após a bola alçada na área, Maradona ergue a mão junto à cabeça, praticamente fazendo um gol com um soco. “La mano Del diós”, ou a mão de deus, da divindade chamada Maradona que transgredia ali todas as convenções do esporte, como se estivesse acima de tudo e de tudos. Ele podia.

Após protestos infrutíferos junto ao árbitro, os ingleses buscavam reagir, mas o pesadelo só aumentaria. Três minutos depois de abrir o marcador a Argentina ampliaria o placar naquele que é considerado o gol mais bonito de Maradona em sua carreira, e provavelmente um dos mais belos da história das Copas. O craque recebe um passe na intermediária, e no domínio já tira um inglês da jogada. Numa disparada violenta, deixa nada menos que três jogadores da equipe adversária para trás, e num retoque de perfeição, ainda tem tempo de driblar o goleiro Peter Shilton, para tocar no fundo das redes: 2 a 0. Um caminhão chamado Maradona passava por cima da experiente equipe inglesa, que estava completamente atordoada.

Com uma excelente vantagem os argentinos passaram a administrar o jogo, e valorizar o resultado conquistado. Apenas aos 35 do segundo tempo a Inglaterra conseguiria diminuir, com o artilheiro Garry Lineker, mas não seria suficiente. O apito final declarava e o inevitável sentimento de vingança, promovido por um meia marrento e sua camisa de número 10. A Argentina ainda enfrentaria a Bélgica e a Alemanha Ocidental, antes de se sagrar bi campeã do mundo em 86.