Enfim Espanha!

A melhor seleção do mundo. O time que joga com a bola, tocando, passando, rodando, deixando o seu adversário na roda: Enfim a Espanha é campeã do mundo!

O jogo contra a Holanda foi extremamente nervoso, brigado, até desleal. O time espanhol ficava com a bola, a Holanda se fechava, jogada no contra-ataque e matava as jogadas espanholas com faltas, qualquer tipo, até de maneira desleal. Mas a tônica do jogo era o nervosismo de ambas as equipes.

Mesmo jogando melhor, a Espanha dificilmente arriscava, ficava com a bola, mas não era tão incisiva. E foi pelo nervosismo, pelo medo, a Holanda não levou: Em lindo passe de Sneijder, a única boa jogada dele do jogo,  Robben saiu cara a cara com Casillas. O jogador tremeu e perdeu o gol mais feito do jogo.

Com isso o psicológico do time laranja abalou-se mais ainda, e assim o time foi mais violento, começou a tomar mais pressão da Espanha. Em uma atuação apagada, Villa, que também perdeu gol feito, saiu de campo para a entrada de Torres. Dessa maneira, o jogo terminara em 0x0.

Na prorrogação a Holanda perdeu a mão. Começou a bater de vez, e assim perdeu seu zagueiro Heitinga. Robben estava morto em campo, visivelmente abalado com a chance perdida. E em uma final com times que tremem em Copas, o psicológico falou mais alto.

Em um contra-ataque Iniesta fuzilou o bom goleiro holandês e definiu o placar. A Holanda ainda tentou no desespero, mas não deu para a Laranja. A Espanha entrou no hall de campeões do mundo e a Holanda sacramentou-se como o time amarelão de Copas.

O título foi merecido, a Espanha dessa vez perdeu quando pôde, soube se recuperar e foi encaixando seu futebol durante a competição.

Parabéns à Fúria, aos espanhóis e à toda a colônia espanhola aqui no Brasil.
Vibrem muito! Vocês merecem.

Ah! O melhor da Copa? Diogo Forlán. Merecidamente! Parabéns a ele também!

Abraços,
Caio di Pacce.

FOTO: LANCENET!

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A glória e o amarelão.

Minha coluna no blog @coletivomarte

Copa do Mundo é o torneio em que, geralmente, os melhores times chegam para decidir. Como disse na minha coluna inicial aqui no Coletivo Marte, a Espanha e a Holanda eram as duas melhores seleções naquele momento, que jogavam o melhor futebol, mas não as credenciavam como favoritas pelo histórico de amarelão de ambas.

Tanto a Holanda quanto a Espanha sempre tiveram bons times, mas quando chegavam na Copa do Mundo algum fator externo, ou algum chaveamento complicado, os tiravam da competição. Porém dessa vez a história vai mudar para uma delas: Em 2010, quem entrará no hall de campeões do mundo e quem será o maior amarelão das Copas?

A Holanda sempre teve times que jogavam pra frente, irresponsavelmente pra frente, num 4-3-3 aberto, que dava espaços para contra-ataques mortais. Porém o time da Laranja de 2010 joga num 4-5-1, ou como é chamado atualmente o 4-2-3-1, com dois volantes fixos e três meias que preparam a jogada para o único centro-avante do time.

Essa “retranqueira Holanda” oscilou em alguns jogos nessa Copa, mas está invícta e com 6 vitórias, com 100% de aproveitamento.

A Espanha já perdeu nessa Copa, na estréia com a Suiça, mas possui o melhor meio de campo do mundo, com Busquests, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta. Em grande parte dessa Copa fez jogos feios, com muita posse de bola, mas com pouca penetração.

Na hora de decidir, dessa vez, a Espanha não falhou. Principalmente no segundo tempo no jogo contra a Alemanha, o melhor time da Copa até então, dominou totalmente o jogo, rodou a bola de lado para abrir espaços na defesa alemã, mas sempre sendo incisiva, com um entrosamento inquestionável. Venceu por 1×0, foi muito pouco.

Essa final pra mim é um ponto de interrogação. Não sei quem vai jogar bola e quem vai sentir o jogo e tremer. A Espanha tem tudo para fazer seu jogo de posse de bola, a Holanda confiando nos seus meias habilidosos, Robben e Sneijder, que estão sendo mortais. Porém o vencedor será o que tiver mais preparado psicologicamente.

Então, quem será o verdadeiro amarelão e quem será o novo campeão?

Abraços.
Caio di Pacce.
Do Blog Copeiros
https://copeiros.wordpress.com

Uruguai: O sonho acabou.

Todos nós sabíamos que a Holanda tinha um melhor time que o Uruguai. E todos sabiam que o time celeste chegou longe até demais nessa Copa do Mundo, mas foi uma pena ver esse time ficar de fora da final.

Os uruguaios corriam, marcavam, tentavam de todas as maneiras, mas foi a Holanda que abriu o placar. Um petardo certeiro de Gio. As esperanças ainda renasceram quando Forlán, o maior desses guerreiros, empatou a partida em mais um gol de Jabulani, somado a um bocado de talento.

O Uruguai voltou melhor para o segundo tempo, mas o time sentia falta de Lugano, Suárez, Fucili e Lodeiro. E em uma das investidas laranjas, a Holanda voltou para frente no placar. Dessa vez para não mais sair. Robben ainda ampliou de cabeça:3×1.

Mas não está morto quem peleja e o Uruguai estava vivo ainda, diminuiu com Pereira, incendiou novamente o jogo, no melhor estilo Libertadores. Porém era tarde demais.

O selecionado celeste cai de cabeça erguida: o espírito de luta nunca faltou, a simpatia e a alegria dos jogadores e comissão técnica sobraram. Quando de verdade juntou-se a alegria de estar numa Copa do Mundo, com a gana, o desejo da vitória, o Uruguai mostrou que pode ser grande novamente.

Parabéns Charruas, vocês honraram o futebol sul-americano. E que fique de lição para o Brasil: Lute até o fim, com garra e comprometimento, mas não se esqueça da alegria de estar numa Copa do Mundo.

Abraços.
Caio di Pacce.

Brasil x Holanda: Batalhas Épicas.

Meu texto para a coluna COPA EM MARTE do blog http://coletivomarte.wordpress.com

Nossa seleção canarinha enfrentará a Holanda. Um encontro extremamente equilibrado, de duas das mais fortes seleções dessa Copa. Esse embate já aconteceu 3 vezes em Copas do Mundo, e foram três grandes jogos, dos mais emocionantes já visto nessa competição.

Copa de 1974: Semi-final – Holanda 2 x 0 Brasil.

 
O atual campeão rendera-se a Laranja Mecânica e seu futebol total. Aquela Holanda de Cryuff e Rinus Michels revolucionou o futebol. Toda a noção tática de hoje teve em sua fase embrionária com aquela seleção. Os adversários se espantavam com o que viam, da maneira pitoresca desse time jogar.

O Brasil, atual e indiscutível campeão do mundo de 1970, simplesmente viu o time holandês jogar, não conseguiu entender suas movimentações, o princípio de todos acatam e todos defendem era complexo demais para os brasileiros. Ou seja, a Holanda fez mais uma vítima. Destaque para a expulsão de Luís Pereira, a primeira do Brasil em Copas.

Copa de 1994: Quartas-de-final – Brasil 3 x 2 Holanda

A revanche brasileira veio com muita emoção. O time brasileiro que seria tetra-campeão do mundo enfrentava outra belíssima geração holandesa, de Berkgamp, Gullit, Rijkaard. O time brasileiro tinha mais conjunto, e dessa vez, uma melhor disposição tática, que jogava em função de um talento maravilhoso: Romário.

Após um primeiro tempo fraco, o Brasil abriu vantagem de 2×0, com Romário e Bebeto, que eternizou a comemoração do berço, em homenagem ao nascimento de seu filho. A Holanda, em questão de 5 minutos empatou a partida, e tudo parecia encaminhar para prorrogação.

Mas Cláudio Branco, jogador do Corinthians na época, que fizera história no Genoa e Fluminense, quis por fim a esse tormento: Aos 39 minutos ele sofreu uma falta, e soltou a perna esquerda, uma bomba, certeira. Deu tempo apenas para Romário desviar as costas. Resultado: Brasil 3×2 e um choro de Branco com o treinador Parreira.

Copa de 1998: Semi-final – Brasil 1 (4) x 1 (2) Holanda.

Seria a desforra holandesa, o time laranja era formado por Berkgamp, Davids, Seedorf, Kluivert, entre outros craques de um período muito fértil para os países baixos. O time do Brasil tinha Ronaldo, em ótima fase, uma boa defesa, laterais ofensivos (Cafú e Roberto Carlos), o maestro Rivaldo e o goleiro especializado em defender penaltis: Taffarel.

Após outro primeiro tempo morno, Ronaldo abriu o marcador logo na volta dos clubes ao gramado. O time brasileiro se fechou para explorar os contra-ataques. O time holandês se desesperava, porém, minutos antes dos narradores comemorarem a vitória, Kluivert cabeceou sem chances para Taffarel: 1×1.

Após uma prorrogação (de morte súbita) com algumas boas chances, a decisão foi para os penaltis. O time brasileiro estava credenciado por um título mundial conquistado nesse tipo de disputa. Tinha um goleiro especialista e um fator psicológico positivo.

Por isso deu Brasil. Taffarel pegou duas cobranças e o Brasil se classificou para a final. Em um dos jogos mais emocionantes de todas as Copas.

Quanto ao embate de amanhã, esse promete, mas creio que o Brasil vença outra vez!

Abraços.
Caio di Pacce
do blog https://copeiros.wordpress.com

Diário da Copa: dia 04.

A Copa do Mundo completa seu 4o dia com alguns jogos interessantes, mas com um Japão x Camarões para se esquecer, apesar da surpresa asiática.

Holanda 2 x 0 Dinamarca

A estréia do time holandês, um dos favoritos na minha humilde opinião, foi positiva. Já foi visto um melhor futebol apresentado pela esquadra D`Oranje, do que o futebol jogado hoje pela manhã. Porém a Dinamarca tem uma boa força defensiva, e os laranjas estavam sem Robben. Destaque para o jogo de Elia e do voluntarioso Kuyt.

Japão 1 x 0 Camarões

Uma agradável surpresa o futebol asiático nessa Copa do Mundo, apesar de um jogo horroroso entre essas duas nações. Camarões está devendo aos seus antecessores, um maltrato com a bola incrível, e nem nas jogadas físicas conseguiam se detacar contra os discipliados japoneses. A briga nipônica será interessante contra a Dinamarca pela segunda vaga desse grupo.

Itália 1 x 1 Paraguai.

A Squaddra Azzurra vinha com a banca de ser a atual campeã do mundo, e o Paraguai com a raça característica, somada ao respeito do grupo com o atacante Cabañas. Porém, mais uma vez, a Itália começou a competição jogando mal, e tropeçando quando é permitido. Mesmo sem Pirlo, o time azul tem mais camisa e melhores jogadores, mas ficou no empate. A partida ficou marcada por um futebol amarrado e de muita vontade. Parecia Libertadores.

Visão Copeira:

O jogo entre Holanda x Dinamarca decepcionou um pouco, principalmente após a expectativa criada com a estréia Alemã. Com certeza a Dinamarca não é uma Austrália, mas o futebol holandês depende muito de Robben. Van Pierse, Sneidjer não mostraram o futebol que já jogaram com a camisa laranja. Já a Itália começou uma Copa do Mundo como sempre começa: jogando mal. Cabe-se ver se ela se ajustará durante a competição, ou se será mais uma decepção para o povo italiano.

Abraços.
Caio di Pacce.

Foto: LANCENET!

A Batalha de Nuremberg

Corria o ano de 1945 quando Nuremberg sediou aquele que foi o julgamento mais emblemático de todos os tempos. No dia 20 de novembro daquele ano os principais líderes do III Reich começaram a ser julgados pelos crimes cometidos durante o regime nazista de Adolf Hitler. O tribunal decretou 12 condenações à morte, 3 prisões perpétuas, 2 condenações de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de 10 anos, além de 3 absolvições. O episódio ficou para a História como o “Tribunal de Nuremberg”.

A mesma cidade alemã foi, quase 60 anos depois, o palco de um dos maiores e mais violentos jogos da história das Copas. Portugal e Holanda se degladiaram – literalmente – pela fase de oitavas-de-final da Copa de 2006. A Selecção das Quinas ficou com a vaga, mas começou a perder o Mundial naquele jogo.

O jogo marcou um duelo no mínimo interessante: Scolari x Van Basten. Quando eram jogadores, tratavam-se de atletas com características completamente opostas. Se Luís Felipe Scolari era um zagueiro tosco e de parcos recursos técnicos, tendo passado sua carreira obscuramente por clubes de pouca expressão, Van Basten foi um dos melhores atacantes de todos os tempos, tendo brilhado pela própria seleção holandesa e pelo grande Milan da década de 80.

A primeira fase foi mais tranquila pro time de Felipão do que para os comandados de Marco Van Basten. Portugal terminou em primeiro lugar no Grupo D, com três vitórias, contra Angola, Irã e México. Já a Holanda, que esteve no chamado “Grupo da Morte”, terminou na segunda colocação, com 7 pontos, ao lado da Argentina, mas com saldo de golos pior e à frente de Costa do Marfim e Sérvia e Montenegro.

Um ingrediente novo esquentava o confronto: a recente rivalidade entre as seleções. Portugal fora algoz dos holandeses nas Eliminatórias da Copa de 2002, quando estes sequer foram à repescagem. Dois anos depois, na Eurocopa, Portugal voltou a despachar a Holanda, já nas semi-finais. E no dia 25 de junho, no Frankenstadion, estavam frente a frente, mais uma vez.
Para mediar o jogo a FIFA designou o árbitro russo Valentin Ivanov. Foi uma guerra. Logo aos 7 minutos o cavalo holandês Boulahrouz entrou, criminosamente, de sola no Cristiano Ronaldo, causando sua saída da partida minutos depois. Ivanov deu apenas cartão amarelo ao holandês, quando deveria expulsá-lo direto. Foi a deixa pro pau comer. Ao final do duelo, foram 20 cartões, sendo 16 amarelos (nove para Portugal e sete para a Holanda) e quatro vermelhos (dois pra cada lado). Nunca antes se mostrou tantos cartões num só jogo em Copas.

Em momento algum o árbitro teve o comando do jogo. O primeiro cartão recebido pelo meia Deco, por exemplo, ocorreu após um erro grotesco do russo: a Holanda estava no ataque quando o volante português Maniche levou uma bolada de Kuyt. A bola ficou com os portugueses, que armaram um contra-ataque letal. Inexplicavelmente, quando a bola já estava perto da área holandesa, o jogo foi parado para que o luso fosse atendido. No reinício, quando Portugal esperava que a Holanda devolvesse a bola, Heitinga partiu em velocidade contra o gol defendido por Ricardo. Deco deu no meio dele e recebeu o cartão. Minutos depois, ao retardar o reinício da partida retendo a bola, foi expulso. No mais, pouco futebol e muita, mas muita pancadaria. Nem o craque Figo passou incólume: durante uma das diversas confusões, o ex-melhor do mundo deu uma cabeçada em Van Bommel, mas só recebeu o amarelo.

Ah, o placar do jogo foi Portugal 1×0 Holanda, gol de Maniche, aos 23 minutos do primeiro tempo. Depois despachou a Inglaterra, nos pênaltis, e só caiu na semi-final (no apito) contra a França.

Holanda de 74 – A revolução tática.

Para começar a nossa série especial de posts sobre a Copa do Mundo, escolhi a Seleção Holandesa de 1974. A Laranja Mecânica, como era conhecida em alusão ao revolucionário filme de Stanley Kubrick, revolucionou o futebol, trouxe conceitos que hoje são aplicados normalmente e encantou o mundo com o seu Futebol Total.

O selecionado holandês tinha como seu mentor Rinus Michels, que enxergava o futebol como uma batalha que precisava de muita disciplina tática para vencê-la. Criou o “Futebol Total”  que é uma táctica que consiste na exclusão de posicionamento específico para cada jogador. Todos atacam e todos defendem. Rinus conseguiu aplicar com maestria sua táctica porque foi favorecido pela elevada inteligência dos seus comandados.

O maestro desse time era Johan Cruyff, para muitos o maior depois de Pelé, o camisa 14 comandava essa equipe e com seu preciso toque de bola, dribles secos e chutes fortes e bem colocados. Jogador do Ajax, de Rinus Michel, campeão da Champions League de 1971, mudou-se ao Barcelona junto com o treinador, onde fez carreira memorável, chegando até a treinar o clube catalão nos anos 90.

URUGUAI 0 x 2 HOLANDA15 de junho, 1974 – 16:00h.

Hannover, Niedersachsenstadion. Público: 53,700 – Árbitro: Palotai (Hungria)
Gols: Rep 6′, 85′

HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Resenbrink.
URUGUAI: Mazurkiewicz, Forlan, Jáuregui, Masnik e Pavoni; Montero Castillo, Espárrago e Pedro Rocha; Cubilla (Millar), Morena e Mantegazza.

As principais inovações desse time eram:

– Posicionamento variável, todos atacavam e todos defendiam

– A criação da defesa em linha, utilizando da regra do impedimento. Vejam como a defesa holandesa se comportava no minuto 0’13, ou 1’35 e como a defesa uruguais (e a dos demais países) se comportavam no minuto 5′ 30, todos os zagueiros postados atrás, enquantos os holandeses marcavam na frente, dificultando a saída de bola.

– Marcação por pressão, como todos marcavam, os uruguaios eram constantemente apertados, desde a pequena área de sua defesa, facilitando a recuperação da posse de bola para o time holandês. Também executavam a marcação em Blitz, como no minuto 2’38.

Tanto encantamento e revolução, mas o futebol prega peças, esse time se classificou para a Copa de 74 de maneira invicta, chegou à final com 5 vitórias e 1 empate, incluindo sonoros 4×0 contra a Argentina, e 2×0 contra os autais tri-campeões: O Brasil. Mas a Alemanha jogava em casa, e era um grande time.

A final dessa Copa todos sabem, foi vencida pelos donos da casa. O resultado 2×1, os Gols foram de Neeskens 2′ (pen), para a Holanda e Breitner 25′ (pen), Müller 43′ para a Alemanha Ocidental.

Uma grande injustiça, parafraseando o mestre Calazans, aquele time não levou a Copa do Mundo, azar da Copa do Mundo.

Abraços.
Caio di Pacce.