Porque somos tão parecidos e tão distintos?

Escreve Cadu Martins

Brasileiros e Argentinos. Latinos, sangue quente, bons de bola, campeões de tudo (nõs mais mundiais, eles mais Libertadores), exportadores de jogadores, de conceitos futebolísticos, enfim, duas potências. Mas uma pergunta sempre veio a minha mente e é uma pergunta que nunca verbalizei antes de hoje, ao redigir este texto, que foi despertada ao ler esta notícia do site da torcida do River Plate (link abaixo) que é: Porque somos tão parecidos em inúmeros pontos e em matéria de torcida somos tão diferentes?

Explico-me: a matéria aqui fala de como a torcida lotou e nos últimos anos sempre lota o Monumental de Nuñez, casa do time da “Banda Roja”, seja lá qual a situação do time “ainda que ganha ou perca”, como uma célebre frase de uma faixa muitas vezes exposta pelos Borrachos del Táblon (Barra Brava riverplatense). O time teve nos últimos anos campanhas medíocres e estádio nunca ocupado por menos de 30 mil pessoas. No domingo passado, aberturas do torneio local argentino foram quase 60 mil fanáticos lotando a também casa da seleção argentina.

Aí me pergunto novamente, a não ser os grandes times na segunda divisão (pois o brasileiro tem mania de se mexer em situações de desespero absurdo), que torcida lota estádios com essa gana de vitória ou de simplesmente, como li uma vez no fórum deles “brindar à camiseta”? Pois é pra isso que eles estão ali. Celebrar a existência do amor ao time, da paixão à aquele clube que por muitos anos foi base da seleção argentina de 78 e 86 por exemplo, campeãs do mundo.

 Para que não ficasse algo focado no exemplo River Plate (e não me nego a mostrar aqui no texto o carinho que tenho pelo clube do Rio da Prata), fui ao site do Boca Juniors, para pegar uma ilustração da torcida no jogo do seu time no domingo de noite em Mendoza contra o tie local, o Godoy Cruz, a precisos 1.040 km de distância de Buenos Aires.  Arquibancada adversária tomada:

Se me disserem em comentários sobre problemas de violência, lá eles são ainda piores. Se me disserem sobre problemas de conforto, eu lá estive por pelo menos 5 vezes e em 4 estádios diferentes e pude notar que as condições de lá são ruins tias quais as de cá. Sinceramente, a explicação não sei, mas suspeito que o amor à camisa que o jogador de lá mostra pelo clube, é o mesmo refletido na arquibancada. Não há trocas constantes, não há “traições” nem muito menos jogadores “Claudio Adão”. Só uma suspeita minha

Inter Campioni al Cubo!

Quarenta e cinco anos depois da última conquista, a Argentina resolveu conceder o título máximo de clubes da Europa à Internazionale de Milano. Os argentinos Diego Milito e Esteban Cambiasso foram os grandes destaques da partida.

Em um jogo truncado, o escrete italiano começou afobado e pressionando os bávaros-batavos do Bayern. No entanto, após os 15 minutos do primeiro tempo, o time alemão aparentou mais serenidade e dominou o jogo.

Não foi suficiente. José Mourinho enxerga tática como poucos e com o desenrolar do certame, o time da Inter foi se organizando. A infantaria interista começou a funcionar e aos 35 minutos, Milito abriu o placar.

Após os times voltarem dos vestiários, a cena do jogo mudou. O Bayern buscava o gol de empate, mas não tinha criação no meio. A jogada exaustiva pela direita com Robben era facilmente neutralizada pela boa defesa italiana.

Cambiasso muito bem posicionado, coroou a sua atuação ao afastar com a careca, um chute certeiro de Muller aos 17 do segundo tempo.

E foi Cambiasso que deu o passe para Milito aniquilar o jogo. Após uma roubada de bola na intermediária de Sneidjer, o volante argentino lança seu conterrâneo que vinha acompanhado por quatro zagueiros e Eto’o. Com frieza e categoria, Milito corta o beque alemão Van Buyten e completa contra a meta alemã.

O título da Inter nos mostra duas coisas. Primeiro que a seleção brasileira terá um defesa afinada. Apesar da partida regular, Maicon é o braço forte defensivo. Júlio César passa uma fase excepcional. Lúcio chega com experiência e muita disposição.

Por outro lado, a vacilante Argentina das Eliminatórias parece ter ficado para trás. Sem contar Higuain e Aguero, dois outros jogadores chegam a Copa em condições de tirar o sono (e sonho) canarinho: a unanimidade Messi e agora o heróico Diego Milito.

Orte

Maradona surpreendeu a todos com a convocação do veterano Ariel Ortega para o amistoso argentino contra a seleção do Haiti no dia 5 de Maio.

Em fim de carreira, o atacante riverplatense está decadente. Além da má fase dos Millonarios no Clausura desse ano, Ortega teve seus problemas com bebida amplamente debatidos na imprensa argentina.

Com 36 anos, ao saber da convocação de Maradona, el Burrito disse estar “surpreso e muito agradecido” e que ter jogado pela seleção foi o ponto alto de sua carreira.

Ortega marcou época pelos seus dribles e gols de cavadinha. Caindo pela esquerda, formava um ataque respeitável ao lado de Crespo e Batistuta. Disputou três copas entre 1994 e 2002.

Essa convocação trata-se de uma homenagem justa para um grande esportista. Em um momento de sensibilidade, Maradona pode não só ter resgatado o futebol do jogador, mas também a dignidade do ser humano.

Deixando as rivalidades de lado, espero que esse exemplo ecoe nos corredores da CBF.

Arte: Blog Que La Chupen Ahora (quelachupenahora.wordpress.com)

El Más Grande

O Boca Juniors anda mal das pernas. Ocupa uma posição intermediária no Clausura e acumula vexames. Inclusive dentro da grandiosa Bombonera.

Para sair desse sufoco, como sempre, o técnico foi sacrificado. E como na maioria das vezes, o resultado foi imediato. Nessa última segunda-feira, o Boca sacolou o Arsenal por quatro tentos. Entre eles, um histórico.

Martin Palermo ao completar o passe açucarado de Riquelme entrou para história do clube. Essa seria a ducentésima vigésima vez que o jogador balançaria o barbante vestindo o manto boquense. Nenhum outro distinto conseguiu fazê-lo nos 70 anos da existência do Clube Atlético Boca Juniors.

Natural de La Plata, El Titán cumpre sua nona temporada pelo time bonaerense. Após o título mundial de 2000, transferiu-se para a Espanha, onde atuou em times intermediários como o Bétis e o Villareal. Nesse último, foi tri-campeão da Copa do Rei.

No entanto, as coisas não estão boas para os lados do bairro boquense. Após celebrar o triunfo, Palermo falou abertamente sobre a inconsistência do plantel. Disse que não era amigo de Riquelme e o que os unia era simplesmente defender o Boca aos domingos.

Outro sinal de instabilidade foi a invasão do CT por parte da Doce antes do jogo contra o Arsenal. Os vinte torcedores achincalharam Riquelme, chamando os jogadores para brigar. Hugo Ibarra interveio e nada de pior aconteceu. Quando Román se aproximou dos torcedores, mandaram-lhe calar por que não era o mais indicado a falar.

Enquanto o gigante se debate, seu maior rival tenta fugir do rebaixamento. O antigo técnico do Hurácan, Angel Cappa assumiu essa semana o River Plate. Com um discurso fraco, disse que o time tem que “jogar para cima, para vencer”. O novo técnico também comentou a situação de Ortega, que sofre com o alcoolismo, dizendo que “ele mesmo tem que se ajudar”.

A cinco rodadas para o final do Clausura, o Godoy Cruz lidera empatado com o Argentinos Juniors em 28 pontos. Logo atrás, estão Estudiantes e Independiente com 27.

Foto: The Independent – UK

Banfield fica com o Apertura!

As cores do futebol argentino do segundo semestre são verde e branca. O Club Atlético Banfield conquistou no último domingo o campeonato Apertura de 2009. Mesmo perdendo por 2×0 na Bombonera para o Boca Júniors, o clube de 113 anos levantou a taça devido a derrota do Newell´s Old Boys por 2×0 contra o San Lorenzo em La Plata.

O Banfield, apesar de ser um clube centenário, não tem muitas tradições, o Clube possui, além do título de 2009,  9 campeonatos da segunda divisão argentina, e conta com 3 vices-campeonatos da primeira divisão. A crise dos clubes grandes hermanos é tamanha que o cenário do futebol argentino está mudando, e não é de hoje:

Em 2007, o campeão do Apertura foi o tímido Lanús, em 2008, o Tigres provocou um tringular final, e quase tirou o título do Boca. E, no Clausura de 2009, o Huracán, de Matias Defederico, só não levantou o caneco graças a arbitragem caseira do time do Vélez.

Em suma, parabéns ao Banfield pelo título e pela participação da Libertadores de 2010, que não contará com Boca e River Plate. Fato que abre caminhos para os times brasileiros.

Abraços.
Caio di Pacce.

Riquelme próximo do Pq. São Jorge

Fontes ligadas ao Grupo Sondas informaram que o grupo será responsável pela vinda do jogador argentino. Por se tratar de um veterano com poucas chances de valorização, o Corinthians vai conceder porcentagens para o Sondas em todos os jogadores da base acima de 15 anos.

Agradecimento ao amigo Tércio Silveira.

Resumo do feriado.

Esse feriado do dia 12 de outubro sobrou em emoção no futebol. A primeira parte da 29a rodada do Brasileiros contou com a vitória de virada do Flamengo sobre o São Paulo, com um show do veterano Petkovic, vacilo em casa do Inter contra o Atlético-PR, por 1×1. E um passeio corintiano em cima do Grêmio.

Mas o sábado mesmo sobrou em emoção na partida entre Argentina x Peru em Buenos Aires, 2×1 para o time de Maradona, com gol aos 47 do segundo tempo, gol do incansável Martín Palermo, em impedimento. Na comemoração “o pibe” deu um peixinho no gramado mais do que molhado do Monumental.

No domingo, o Brasil perdeu para a Bolívia por 2×1, em La Paz, numa apresentação sem ar do time de Dunga, que claramente sentiu a altitude. Situação horrível para quem não está acostumado, mas, pra mim, é um dos charmes, das catimbas das Eliminatórias.

Hoje, o time do Palmeiras não entrou em campo nos Aflitos, 3×0 pro Timbú. Nem Santos e Vitória entraram em campo no Pacaembu: 0x0. O Goiás vacilou em casa por 1×1 contra o Sport e no clássico mineiro deu Cruzeiro, 1×0 pra Raposa.

A vantagem ainda é de 5 pontos, agora faltando 9 rodadas.

peixinhomaradona

Abracos.
Caio di Pacce