¡Gracias, Fúria!

A desolação de um gigante

Chegou ao fim o domínio do futebol espanhol. Os ibéricos caíram frente ao bom time do Chile e, após ter estreado na Copa do Mundo apanhando da Holanda por 5 a 1, disseram adeus com uma rodada de antecedência e o jogo contra a Austrália não passará de mero compromisso protocolar.

A Copa das Confederações foi o último suspiro do mágico futebol praticado por La Fúria. No inédito bicampeonato europeu de seleções, o time de Vicente Del Bosque chegou trôpego àquela decisão, mas atropelou a Itália na decisão com um inquestionável 4 a 0.

Durante as Eliminatórias a classificação veio sem maiores problemas, embora sem muito brilho, em um grupo no qual tinha como principal adversário a inconstante França, e mais um monte de seleções inexpressivas.

O sonho de quebrar a escrita do bicampeonato mundial seguido (o último foi o Brasil, em 1958 e 1962) ruiu de forma inacreditável. Na estreia, contra os holandeses, o time espanhol fazia uma partida tranquila até levar o gol de empate. Depois que tomou o segundo tento, entrou em parafuso e, em momento algum, pareceu ter forças para empatar.

O jogo seguinte era contra o perigoso Chile de Jorge Sampaoli. Uma Espanha com mudanças, com Xavi e Piquet no banco, mas sem identidade, que não era nem sombra do time que mostrou ao mundo um jeito novo de jogar bola. Casillas e Xavi, dois dos maiores expoentes dessa geração, terminaram como símbolos do seu final. Enquanto o goleiro, que completava a marca de 17 partidas disputadas em Copas do Mundo, no seu terceiro mundial, e assim superava a marca do também mítico Andoni Zubizarreta, falhava clamorosamente no segundo gol chileno, o já lendário meia sequer saiu do banco de reservas.

Como eu escrevi neste mesmo blog após a já citada derrota da estreia, este time mítico não merecia um final tão triste. Em todo caso, em vez de aproveitar para tirar um sarro ou bancar o vidente o passado, considero mais digno agradecer pelos quase dez anos de um futebol mágico que poderei dizer aos meus netos que vi. ¡Gracias, Furia! 

¡Adiós, España!

No nos importa la Muerte!

Acabou o sonho do bi-campeonato da seleção espanhola. Hoje, o Chile mostrou que é a verdadeira seleção ROJA desta Copa do Mundo. Um verdadeiro baile, os chilenos massacraram os espanhóis por 90 minutos, 2×0 foi pouco pela disparidade ludopédica entre as equipes.

Chile dominou o meio campo, foi muito veloz e soube aproveitar os passes errados cometidos pela não tão furiosa seleção espanhola. Vargas, Aranguiz, Alexis Sanchez, Isla, Vidal, foram gigantes. Parecia que os comandados de Jorge Sampaoli, ou melhor dizendo, Jorge São Paoli, eram os atuais campeões mundiais, não o time envelhecido, cansado e amedrontado time espanhol.

Hoje, na tourada do futebol que aconteceu no Maracanã, o Chile teve uma tarde de toureiro e a España uma tarde de Touro. Eu já dizia que acreditava no Chile, que essa classificação era possível, mas não achei que seria tão fácil. Até mesmo a Austrália deu mais trabalho para os holandeses do que para os chilenos.

E o selecionado laranja não terá vida fácil contra o time Andino. O empate garante o time de Robben e Van Persie (que estará fora do jogo) a primeira colocação. Vamos ver quem possivelmente pegará o Brasil na próxima fase.

Abraços.
Caio Di Pacce.

Conspiração, dança eu, dança você…

O Brasil comprou esse jogo.

Muitas pessoas de dotação intelectual bastante razoável, indagaram por meio das redes sociais e demais canais de comunicação, se o jogo do Brasil contra a Espanha não teria sido comprado para acalmar os humores políticos de nossa nova massa de manifestantes.

Em primeiro lugar é bom deixar claro que não estamos na ditadura. Manobras desse tipo, por mais que vivamos governos sujos, não cabe na democracia vigente de hoje em dia. Por mais que tenhamos hospitais e escolas fora de qualquer padrão FIFA, não são mais necessárias, para controlar os clamores das ruas, medidas tão baixas quanto à supostamente usada pela Argentina nos idos do Mundial de 1978.

Caso os pensantes do Facebook queiram destilar sua desconfiança conspiratória, ataquem logo o programa Bolsa Família, que já é Judas cansado do preconceito da classe média. Aí sim, a roupa serviria facilmente ao discursinho virtualmente corajoso desses nossos internautas, conservadores por que medrosos.

Por outro lado, é de muita estranheza que a Espanha aceitasse jogar fora sua invencibilidade de 28 jogos (ou dois anos) por qualquer quantia monetária. Podemos atribuir ao cansaço da temporada europeia, a empáfia de ter ganhado todas as competições importantes nos últimos anos ou as prévias festas de bunga-bunga em nosso belo nordeste – qualquer uma dessas seria uma boa justificativa para a derrota espanhola. Suborno, mala preta ou “por fora” já é demais. Não é crível que a Espanha se rebaixaria a tal ponto.

Do mais, a Espanha só conseguiu encantar em gramados preparados para espetáculos e não futebol, futebol mesmo. Já disse isso outras vezes e volto a repetir, agora com mais razão, essa Fúria chegaria ao máximo nas oitavas de final de uma taça Libertadores qualquer. Inclusive dessa que ainda ocorre.

Podem ser jogadores que empinaram pipa no ventilador a infância inteira, mas diminuí-los por suborno, aí é tacanheza de espírito mesmo.

A Lição que a Espanha deu para o Mundo em 2010.

A Copa do Mundo é o torneio, que além de confrontar as seleções e seus melhores jogadores, põe em cheque os estilos de futebol, as culturas ludopédicas pelo mundo. E isso foi esquecido por algumas seleções.

Historicamente, os selecionados representavam, além das cores que trajavam, a cultura de seu país. Os brasileiros sempre se destacavam, quando jogavam um futebol alegre, ofensivo, plástico. Os uruguaios, mostravam a raça, virilidade de um futebol porteño banhado a sangue e suor.

A Itália mostrava-se brilhante na defesa e nos contra-ataques, maestria nas bolas paradas. Sempre era a equipe que se superava durante a competição. A Holanda era o time do brilhantismo inovativo, era o time que revolucionou o futebol.

Em 2010, maioria dos selecionados esqueceram de jogar como seu povo manda, esqueceram de quem eram, além da camisa que vestiam. Foi o caso do retranqueiro Brasil, com sua esterilidade criativa. A Itália e sua defesa esburacada. A Holanda era violenta, foi o time que mais bateu, não foi nada inovativa, sabia destruir, quebrar e contra-atacar. Vacilou quando não pôde.

Faço ressalvas aos selecionados alemães, argentinos, uruguaios e os campeões espanhóis. Esses mostraram o que eram. Os germânicos eram silenciosos, brilhantes e mortais. Os argentinos foram vilões, mas magistrais, ensinados e motivados por D10S. Os uruguaios, a sensação da Copa não preciso nem comentar, misturaram Raça, Loucura, Amor e Drama, a combinação perfeita.

Mas foram os espanhóis que conseguiram, de vez, mostrar para o mundo o que é o verdadeiro futebol ibérico. Foi o toque de bola flamenco, que ludibriava os adversários. A bola rodava de cá, pra lá, como em uma tourada, fazendo o adversário correr, lutar e cansar. E, como um toureiro, vestido de vermelho e amarelo, enfincavam a espada no dorso de sua vítima. Golpe Fatal.

E assim, exilando a sua cultura, que os espanhóis conseguiram se impor na Copa da África e entrar para o Hall dos campeões mundiais.

Abraços.
Caio di Pacce.

Enfim Espanha!

A melhor seleção do mundo. O time que joga com a bola, tocando, passando, rodando, deixando o seu adversário na roda: Enfim a Espanha é campeã do mundo!

O jogo contra a Holanda foi extremamente nervoso, brigado, até desleal. O time espanhol ficava com a bola, a Holanda se fechava, jogada no contra-ataque e matava as jogadas espanholas com faltas, qualquer tipo, até de maneira desleal. Mas a tônica do jogo era o nervosismo de ambas as equipes.

Mesmo jogando melhor, a Espanha dificilmente arriscava, ficava com a bola, mas não era tão incisiva. E foi pelo nervosismo, pelo medo, a Holanda não levou: Em lindo passe de Sneijder, a única boa jogada dele do jogo,  Robben saiu cara a cara com Casillas. O jogador tremeu e perdeu o gol mais feito do jogo.

Com isso o psicológico do time laranja abalou-se mais ainda, e assim o time foi mais violento, começou a tomar mais pressão da Espanha. Em uma atuação apagada, Villa, que também perdeu gol feito, saiu de campo para a entrada de Torres. Dessa maneira, o jogo terminara em 0x0.

Na prorrogação a Holanda perdeu a mão. Começou a bater de vez, e assim perdeu seu zagueiro Heitinga. Robben estava morto em campo, visivelmente abalado com a chance perdida. E em uma final com times que tremem em Copas, o psicológico falou mais alto.

Em um contra-ataque Iniesta fuzilou o bom goleiro holandês e definiu o placar. A Holanda ainda tentou no desespero, mas não deu para a Laranja. A Espanha entrou no hall de campeões do mundo e a Holanda sacramentou-se como o time amarelão de Copas.

O título foi merecido, a Espanha dessa vez perdeu quando pôde, soube se recuperar e foi encaixando seu futebol durante a competição.

Parabéns à Fúria, aos espanhóis e à toda a colônia espanhola aqui no Brasil.
Vibrem muito! Vocês merecem.

Ah! O melhor da Copa? Diogo Forlán. Merecidamente! Parabéns a ele também!

Abraços,
Caio di Pacce.

FOTO: LANCENET!

A glória e o amarelão.

Minha coluna no blog @coletivomarte

Copa do Mundo é o torneio em que, geralmente, os melhores times chegam para decidir. Como disse na minha coluna inicial aqui no Coletivo Marte, a Espanha e a Holanda eram as duas melhores seleções naquele momento, que jogavam o melhor futebol, mas não as credenciavam como favoritas pelo histórico de amarelão de ambas.

Tanto a Holanda quanto a Espanha sempre tiveram bons times, mas quando chegavam na Copa do Mundo algum fator externo, ou algum chaveamento complicado, os tiravam da competição. Porém dessa vez a história vai mudar para uma delas: Em 2010, quem entrará no hall de campeões do mundo e quem será o maior amarelão das Copas?

A Holanda sempre teve times que jogavam pra frente, irresponsavelmente pra frente, num 4-3-3 aberto, que dava espaços para contra-ataques mortais. Porém o time da Laranja de 2010 joga num 4-5-1, ou como é chamado atualmente o 4-2-3-1, com dois volantes fixos e três meias que preparam a jogada para o único centro-avante do time.

Essa “retranqueira Holanda” oscilou em alguns jogos nessa Copa, mas está invícta e com 6 vitórias, com 100% de aproveitamento.

A Espanha já perdeu nessa Copa, na estréia com a Suiça, mas possui o melhor meio de campo do mundo, com Busquests, Xabi Alonso, Xavi, Iniesta. Em grande parte dessa Copa fez jogos feios, com muita posse de bola, mas com pouca penetração.

Na hora de decidir, dessa vez, a Espanha não falhou. Principalmente no segundo tempo no jogo contra a Alemanha, o melhor time da Copa até então, dominou totalmente o jogo, rodou a bola de lado para abrir espaços na defesa alemã, mas sempre sendo incisiva, com um entrosamento inquestionável. Venceu por 1×0, foi muito pouco.

Essa final pra mim é um ponto de interrogação. Não sei quem vai jogar bola e quem vai sentir o jogo e tremer. A Espanha tem tudo para fazer seu jogo de posse de bola, a Holanda confiando nos seus meias habilidosos, Robben e Sneijder, que estão sendo mortais. Porém o vencedor será o que tiver mais preparado psicologicamente.

Então, quem será o verdadeiro amarelão e quem será o novo campeão?

Abraços.
Caio di Pacce.
Do Blog Copeiros
https://copeiros.wordpress.com