Conspiração, dança eu, dança você…

O Brasil comprou esse jogo.

Muitas pessoas de dotação intelectual bastante razoável, indagaram por meio das redes sociais e demais canais de comunicação, se o jogo do Brasil contra a Espanha não teria sido comprado para acalmar os humores políticos de nossa nova massa de manifestantes.

Em primeiro lugar é bom deixar claro que não estamos na ditadura. Manobras desse tipo, por mais que vivamos governos sujos, não cabe na democracia vigente de hoje em dia. Por mais que tenhamos hospitais e escolas fora de qualquer padrão FIFA, não são mais necessárias, para controlar os clamores das ruas, medidas tão baixas quanto à supostamente usada pela Argentina nos idos do Mundial de 1978.

Caso os pensantes do Facebook queiram destilar sua desconfiança conspiratória, ataquem logo o programa Bolsa Família, que já é Judas cansado do preconceito da classe média. Aí sim, a roupa serviria facilmente ao discursinho virtualmente corajoso desses nossos internautas, conservadores por que medrosos.

Por outro lado, é de muita estranheza que a Espanha aceitasse jogar fora sua invencibilidade de 28 jogos (ou dois anos) por qualquer quantia monetária. Podemos atribuir ao cansaço da temporada europeia, a empáfia de ter ganhado todas as competições importantes nos últimos anos ou as prévias festas de bunga-bunga em nosso belo nordeste – qualquer uma dessas seria uma boa justificativa para a derrota espanhola. Suborno, mala preta ou “por fora” já é demais. Não é crível que a Espanha se rebaixaria a tal ponto.

Do mais, a Espanha só conseguiu encantar em gramados preparados para espetáculos e não futebol, futebol mesmo. Já disse isso outras vezes e volto a repetir, agora com mais razão, essa Fúria chegaria ao máximo nas oitavas de final de uma taça Libertadores qualquer. Inclusive dessa que ainda ocorre.

Podem ser jogadores que empinaram pipa no ventilador a infância inteira, mas diminuí-los por suborno, aí é tacanheza de espírito mesmo.

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A esterilidade do padrão FIFA

Isso sim, é um estádio bonito. Longe do padrão FIFA.

Isso sim, é um estádio bonito. Longe do padrão FIFA.

A Copa das Confederações é a tradução máxima do futebol moderno. Equipes aquilatadas jogam um futebol cansado em cenários estéreis. Estéreis por serem projetados para serem monumentos da modernidade, com aquecimentos e luzes robotizadas. Assistir a essa copa e a qualquer outra daqui a quatro anos, será a mesma coisa. É o tal de padrão FIFA. O triste padrão FIFA que insiste em arrumar o carnaval de retalhos que o futebol é.

Recentemente as ruas mostraram o descontentamento com os gastos das próximas competições da entidade aqui no país. Não é necessário adicionar mais nenhuma vírgula aos loucos protestos que irromperam neste junho. Contudo, fica o meu lamento a respeito dessa padronização. Sei que sou nostálgico e desatinado em marketing esportivo, mas me pergunto por que todo estádio (por dentro) é igual?

Como sempre, e não só no futebol, a modernidade chega ao Brasil sempre como desserviço. Já que gastamos cântaros de recursos (públicos e privados), por que não erguer verdadeiros monumentos ao esporte, que no fim, é uma das instituições culturais mais enraizadas do povo brasileiro? Por que sempre atendemos a projetos de vanguarda em assuntos que somos nós que estamos na fronteira, que lideramos as mudanças?

Talvez seja essa nossa história de colônia, que ainda nos curva a esterilidade dos padrões. Padrão FIFA, um dos maiores inimigos do futebol.

A esposa traída

A saída do técnico Mano Menezes do comando técnico da Seleção Brasileira escancarou um racha na cúpula da entidade que comanda (ou deveria comandar) o futebol deste país. O ex-treineiro corintiano chegou à Seleção depois do trabalho questionável feito pelo seu antecessor, Dunga.

Diferentemente do capitão do título de 1994, Mano chegou à Seleção pelos seus bons resultados à frente de Grêmio e, principalmente, Corinthians. Também ajudou o fato de o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez ter sido o chefe da delegação que representou o Brasil na Copa realizada no Continente Negro. Da mesma forma, Mano não conseguiu, nos quase 40 jogos em que treinou o time, encontrar uma base ou dar padrão de jogo ao escrete da camisa amarela. Tá certo que foi prejudicado, e muito, pela entressafra pela qual passa o futebol nacional. Não houve renovação desde a Copa de 2006. Tanto que não há um jogador sequer, nem mesmo Neymar, que goze de plena confiança do torcedor. Se houver, este é o volante Paulinho, que mantém na equipa nacional o altíssimo nível das suas atuações pelo alvinegro do Parque São Jorge, mas o fato é que o seu trabalho foi muito fraco.

Ainda assim, não foi por questões técnicas que o gaúcho de Passo do Sobrado deixou o cargo. Nos últimos jogos, à despeito do nível dos adversários, seu time apresentou um futebol vistoso, vertical, alegre. Isso coincidiu com o retorno do meia madridista Kaká, que passou a ser o porto seguro do jovem (e inexperiente) time brasileiro. A questão é mais profunda, ou melhor, rasteira, bem rasteira.

Sanchez chegou ao cargo de diretor de Seleções mesmo não tendo nada que justificasse a escolha, do ponto de vista técnico. No entanto, do prisma político, ou politiqueiro, fez todo o sentido. O ex-Todo Poderoso Ricardo Teixeira precisava de apoio para se manter no cargo de presidente da CBF, já que a proximidade da Copa do Mundo faria com que seus passos fossem mais “visados”, por assim dizer. O então Presidente da República Lula, desgraçadamente, gozava de prestígio em todos os âmbitos. Assim, que tal colocar o presidente do seu Corinthians lá dentro? Em troca da fidelidade canina do corintiano, um estádio novinho em folha, com participação direta do ex-mandatário da nação, bancado em parte pelo dinheiro público e feito a toque de caixa para a Copa de 2014. Pronto, estavam todos felizes.

Mudou o governo e a presidente Dilma Rousseff, que parece ter mais decência que seu antecessor, embora não precisasse de muita para isso, fechou as portas palacianas para um Ricardo Teixeira cada vez mais afundado em denúncias de corrupção. Sua queda era questão de tempo. Pelas normas da CBF, assumiria o vice-presidente mais velho, e este era José Maria Marin. Ligado umbilicalmente à Federação Paulista de Futebol, Marin representou a mudança do epicentro do futebol nacional do Rio de Janeiro para São Paulo. A indicação do atual presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, para vice-presidente da Região Centro Sul da CBF, escancarou o plano de permanência do poder. Caso o homem do cabelo acaju de gosto duvidoso e dos óculos Ambervision deixe o cargo antes das eleições, assumirá, novamente, o vice mais velho, e este é Del Nero. O constante entra-e-sai de políticos e dirigentes de todos os estados e correntes visto na sede da própria FPF deixa claro que existe algo em curso.   Mas era preciso desfazer o último laço existente entre a CBF e Teixeira. Para isso, nada melhor que trocar o questionado treinador e guardar o lugar para aquele que mais agradar a opinião pública, fator fundamental para a tal permanência no poder. Assim, Andrés Sanchez foi frito, lentamente, e viu o pouco de prestígio que seu cargo lhe conferia sumir de vez quando da queda do treinador que ajudar a içar. Ele, na condição de diretor de seleções, deveria ter voz ativa, não por mérito, mas de direito, no processo, e a ele coube apenas a desditosa missão de comunicar à imprensa e ao técnico a sua saída.

Restará a Andrés, desconfortável como uma esposa que acabou de descobrir a pulada de cerca do marido, deixar o cargo e salvar o pouco de dignidade que ainda lhe resta. E tentar articular uma oposição que viabilize seu retorno à CBF. E garantir a “renovação” do cada vez mais secundário, pobre e endinheirado futebol brasileiro.

Quem é Robinho?

Ronaldinho Gaúcho acordou. E vai roubar a vaga do Robinho na Seleção para a Copa.

Robinho já jogou muita bola, mas contrariando a liturgia do futebol, deixou o extra-campo subir a cabeça. Com o dedinho na boca, vem se estragando lentamente.

Não quero falar dos escândalos envolvendo seu nome, para não dar mais Ibope. Vou me ater as declarações e as suas trocas de clube. Saiu do Santos pela porta dos fundos, falando grosso com a imprensa, sublinhando o pior do jeitinho brasileiro: o bom e velho sabe-com-quem-vocês-estão-falando?

Tudo bem, foi para o Real Madrid. Logo nos primeiros minutos de estréia, meteu um chapéu no lateral do Cádiz. Todo mundo pensou: Agora vai! Mas não foi. Fábio Capello era reticente com o futebol do garoto são-vicentino e em várias ocasiões o deixava no banco.

No entanto, em 2008 teve seu espaço e uma boa atuação na temporada. Ganhou o Espanhol e brilhou na Seleção. Meteu aquele drible histórico no Maracanã (contra o Equador certo Dener?) e Galvão Bueno até parecia ter esquecido do Ronaldo Gordo. Tudo era festa.

Tanta festa que a empáfia dos tempos de Santos retornou. O Manchester City falou grosso, ao tom de muitos cifrões. De repente, o Real Madrid começou a tratar mal Robinho. E da mesma forma que saiu do alvinegro praiano, saiu da máquina merengue.

Foi para o obscuro Manchester City e lá está sem muito destaque. Dunga ainda o convoca. Seja pelo seu nome ou pelo rabo preso da CBF com o espetáculo midiático do futebol.

Robinho já não causa mais frisson.

Mesmo que na hora do gol, fosse o primeiro a sambar e mostrar a língua para as câmeras, um comentário corrente na Copa das Confederações é de que ele estava se escondendo em campo.

Enquanto isso, lá pelos lados de Milão, alguém com muito mais bola que ele resolvia acordar…

Aguardemos as cenas do próximo capítulo no amistoso da Seleção contra a Irlanda em Londres no dia 2 de Março.

África do Sul demite Joel Santana

Sem títuloO Professor Joel Santana não treina mais a seleção da África do Sul. A SAFA (South Africa Football Association) anunciou hoje a demissão do treinador carioca. A passagem de Joel no país sede da próxima Copa do Mundo foi marcada por um futebol irregular, de muitas emoções, com partidas boas e partidas muito ruins.

Mas convenhamos, o futebol sul-africano não é grande coisa, a culpa dessa irregularidade não passa somente nas mãos de Joel. A mão-de-obra qualificada de jogador de futebol sul-africano é extremamente escassa, o treinador tem que montar um time competitivo com jogadores não tão competitivos.

Mandar o treinador embora, que fez uma bela campanha na Copa das Confederações, é dar um passo pra trás se a seleção sul-africana quiser mesmo fazer uma boa campanha na Copa. Pelo menos Joel pode disputar a Libertadores 2010 pelo Flamengo.

Abraços.
Caio di Pacce.

O Balanço da Copa das Confederações

cdconfCopa das Confederações acabou com mais um título da Seleção Brasileira, com uma surpreendente seleção estadunidense na base da superação, um fracasso da seleção italiana e mais uma vez com uma decepção por parte da Fúria.

O time brasileiro foi dona da competição. Comandou todas as partidas que disputou na base da velocidade, contra-ataque e bolas paradas, teve dois vacilos:
– o segundo tempo contra o Egito, jogo que permitiu o empate de 3×1 por 3×3, mas, graças a Kaká, vitória brasileira no último minuto (4×3).
– o primeiro tempo da final contra os EUA, quando tomou 2×0. Mas com um segundo tempo de superação, vitória por 3×2.

A seleção italiana foi a grande decepção, eliminada na fase de grupo (e com um uniforme celeste), foi um time muito cansado, com a base envelhecida da seleção tetracampeã em 2006, só que sem as grandes estrelas (Totti, Del Piero). Percebe-se que o M. Lippi terá muito trabalho para a Copa do ano que vem.

A fúria espanhola, mais uma vez, jogou bem como nunca e perdeu como sempre. Todos tem uma desconfiança quanto ao time espanhol, porém, esse selecionado estava a 35 jogos sem derrota, credenciado pelo Bi-Campeonato da Euro Copa e estava jogando muito bem. Mas, repentinamente, quando eram favoritos, perderam para os EUA por 2×0.

Quanto ao local da Copa, percebe-se uma grande alegria e boa receptividade dos sul-africanos, estádios regulares (se comparados aos alemães de 2006) e uma preocupação quanto a violência fora dos estádios.
Mas o que realmente ficou explícito foi o barulho IRRITANTE das cornetas durante os jogos.

Abraços.
Caio di Pacce.

PS: O Lúcio estar desempregado é brincadeira!!

Seleção de Dunga: Boa, ou nem tanto?

Caros amigos,
Conforme a solicitação de nosso amigo Alcides Rodrigues vou opinar sobre a Seleção Brasileira, que vem mostrando um bom futebol nessa Copa das Confederações, principalmente no jogo contra a Itália.

É verdade que esse time de azul (celeste, que parecia o Uruguai) não se compara com o time de ótima marcação e contra-ataque, que foi tetra-campeão em 2006, mas o selecionado canarinho jogou muito bem, soube explorar os contra-ataques, jogar com muita velocidade, (principalmente pelas laterais) com o Maicon, Kaká, Robinho e Ramires, e com uma precisão nas finalizações de Luís Fabiano.

Muitos criticam o trabalho do Dunga sem conhecer sobre a formação tática e o padrão de jogo desse time. Digo que esse time é muito eficiente no que ele se propõe a fazer em campo.

Esse é o time do contra-ataque, do desarme e saída de jogo em velocidade pelas laterais, explorando principalmente a força do lateral Maicon, que não é nenhum Carlos Alberto Torres, mas é veloz, forte, eficaz: perfeito para a seleção de Dunga.

Esse time também é forte nas bolas paradas. Escanteios, faltas na intermediária, sempre geram perigos para os adversários.

É um time totalmente diferente do time do Parreira Campeão da Copa das Confederações de 2005, que era o time da posse de bola, da paciência, do aclamado “quadrado mágico”.
Era um selecionado bem mais técnico que esse, porém um time mais lento.

Uso esse comparativo, pois a diferença de estilo é gritante, além disso, esse time do Parreira, que eu me lembre, foi o último que agradou a muitos (lógico, antes do fiasco de 2006), e esse time de Dunga, que está começando a agradar.

Segue o link do vídeo da final da Copa das Confederações de 2005, o sonoro 4×1 contra a Argentina.
Reparem, principalmente, o 4o do Brasil, o time canarinho rouba a bola no minuto 5:22’ e fica com ela até o minuto 6:49’, quando o Adriano cabeceia e marca. Ou seja, 1:27’ de posse de bola, rodando o jogo de um lado para o outro.

 Time da Final da Copa das Confederações de 2005:
[1] DIDA (GK) ; [13] CICINHO, [3] LUCIO, [4] ROQUE JUNIOR, [6] GILBERTO; [5] EMERSON, [11] ZE ROBERTO, [10] RONALDINHO (C), [8] KAKA; [7] ROBINHO e [9] ADRIANO. T: PARREIRA.
OBS: Cafú, Roberto Carlos e Ronaldo foram poupados para essa Copa das Confederações.

Agora, vejam o vídeo dos gols do Brasil de Dunga contra os EUA, na fase de Grupo da Copa das Confederações 2009.
Os três gols mostram as características desse time do Dunga:
– no 1º gol, uma roubada de bola de Ramires, uma suposta “falta” e um gol de bola parada.
– no 2º gol, outra roubada de bola, e um contra-ataque fulminante, veloz que termina com o gol do Robinho.
– no 3º gol, uma bela troca de passes pela direita, aproveitando a força e velocidade do lateral Maicon.

Atual time titular da Copa das Confederações de 2009:
[1] JULIO CESAR (GK); [2] MAICON, [3] LUCIO (C), [15] MIRANDA, [16] ANDRE SANTOS; [5] FELIPE MELO, [8] GILBERTO SILVA, [18] RAMIRES, [10] KAKA; [9] LUIS FABIANO e [11] ROBINHO. T: DUNGA.

O time de Dunga ainda tem muito que melhorar, como por exemplo, a definição do lateral esquerdo (Fábio Aurélio já!), saber atacar em equipes que se fecham demais, entre outros aspectos.

Porém esse selecionado tem um plano tático, um esquema de jogo definido e jogadores competentes, fora os bons resultados conquistados até agora. Isso já é um bom começo para que essa equipe mostre força na Copa do Mundo, daqui exato 1 ano.

Abraços.
Caio Di Pacce.