Fim de uma Era

Conforme o jornal Marca antecipou hoje, Ronaldo Fenômeno deve anunciar o fim da carreira nesta segunda-feira. É o fim de uma Era no futebol brasileiro. Afinal, depois do Fenômeno nenhum outro atacante conseguiu substituí-lo à altura na Seleção Brasileira. Ronaldo também é o pioneiro do Futebol Marketing, com contratos milionários e patrocinadores aos montes por onde passou.

Mais do que julgar sua decisão – se ela deveria ter ocorrido antes ou não – é mais bacana relembrar o que esse craque fez dentro de campo por Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan, Corinthians e Seleção Brasileira.

Cruzeiro

PSV

Barcelona

Inter de Milão

Real Madrid

Milan

Corinthians

Seleção Brasileira

Bateu asas e voou

Enquanto a diretoria e a torcida gremista chorava as pitangas porque Ronaldinho Gaúcho escolheu o Flamengo, o atacante Jonas, melhor jogador do time e artilheiro do último Brasileirão, tomou rumo para o Valencia, da Espanha.

Agora não cabe à torcida vaiar o jogador por sua decisão. As reclamações devem ser enviadas para a diretoria gremista – velha ou nova, não importa – que não valorizou o matador. Porque não pegaram um pouco dos milhões que pensavam em pagar ao Ronaldinho para reajustar o salário dos jogadores, que colocaram o Grêmio na Libertadores? Os caras roeram o osso pro Ronaldinho Balada colar, receber o filé e um caminhão de dinheiro?

Resultado: o Grêmio ficou sem o meia e sem seu artilheiro. Pior, o Valencia deu dinheiro de pinga ao tricolor gaúcho – 1,25 milhões de Euros – pelo passe de Jonas.

Essa situação podia servir de lição para os dirigentes brasileiros (mas isso não vai acontecer). Ao invés de babarem ovo para fins de carreira descartados pela Europa, valorizem o que tem em mãos e observem melhor o mercado interno.

Por exemplo, o Corinthians ofereceu 7 milhões de Euros pelo Luis Fabiano, que estava encostado no Sevilha, da Espanha. Reparou que foi só o Corinthians entrar na história para o jogador voltar a ser escalado? Alguém tem dúvida que o empresário do Luis Fabiano iludiu o Corinthians, sinalizando uma esperança de contratação, como forma de pressionar a diretoria e o técnico do time espanhol para voltar à escalá-lo?

Com essa grana dava pra buscar aqui no Brasil o último artilheiro do campeonato nacional e ainda sobrava dinheiro!.

Ronaldinho no Flamengo

Segundo apurações do Copeiros, Ronaldinho Gaúcho assina hoje a noite o contrato com o Flamengo. Parece que o negócio está sacramentado, com apoio da Traffic, e só um caminhão (ou dois, ou três…) de dinheiro, vindo do Palmeiras ou do Grêmio, pode melar o negócio.

Com esse movimento a Traffic consolida suas garras no futebol carioca – a empresa tem parte em muitos passes de jogadores do Fluminense – e, ajudando o Flamengo, abre caminho para assumir a administração do Maracanã, que poderá ser privatizado após as reformas para a Copa 2014.

E assim, no tabuleiro dos negócios futebolísticos, a Traffic fechará um ciclo: administração da Arena Palestra, em São Paulo; da Arena do Grêmio no Sul e o Maracanã no Rio de Janeiro.

Torcida Moderna

Nos últimos anos a expressão “Futebol Moderno” se tornou popular entre torcedores e imprensa esportiva. Geralmente, ela é utilizada, entre outras situações, para depreciar um time montado por empresários, sem tradição, e jogadores ciganos que pulam de time para time todo ano. Pois bem, no Campeonato Brasileiro 2010 estamos presenciando o nascimento da “Torcida Moderna”.

A “Torcida Moderna” é aquela que não quer só se apropriar do time e da vida dos jogadores, invadindo treinos ou fiscalizando se o cara sai à noite ou deixa de sair. A “Torcida Moderna” também torce contra sua própria equipe e celebra efusivamente os gols tomados. Hoje, em Barueri, na partida Palmeiras 1 x 2 Fluminense, o atacante palmeirense foi vaiado por sua torcida ao fazer gol e o goleiro Deola sofreu com copos na caxola e toda a sorte de xingamentos por defender bravamente a meta palestrina.

A “Torcida Moderna” tem o aval, mesmo que na surdina, dos dirigentes para conduzir essas ações. Afinal, se um dirigente defende que sua equipe dê W.O. na partida para prejudicar um rival, automaticamente ele dá carta branca para “torcedores modernos” tocarem o terror.

Que moral pode ter essa torcida para reclamar de jogadores que não honram a camisa do clube, se ela mesma trata de se revoltar contra atletas que estão tentando honrar a camisa que vestem?

A velha caixinha de surpresas

Existe algum outro esporte no qual um time de refugos, já rebaixado em uma competição, pode derrubar um time grande e eliminá-lo em casa? Acho que não. O futebol provavelmente é o único e é isso que o faz ser tão popular.

O jogo Palmeiras 1 x 2 Goiás, em um Pacaembu abarrotado, ressucitou a velha máxima: o futebol é uma caixinha de surpresas. Com o resultado, o Palestra está eliminado da Copa Sul Americana e o Goiás, que já faz planos para desmontar a atual equipe para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro 2011, vai disputar a final com LDU (Equador) ou Independiente (Argentina).

Se o Goiás for campeão ganhará de brinde uma vaga na Libertadores da América 2011 – o que também pode colocar a equipe no game Pro Evolution Soccer 2012.

A partida que definiu a classificação goiana foi brigada como no primeiro jogo da disputa. O Palmeiras mereceu abrir o placar em um belíssimo gol de Luan. O Goiás já tinha mandado uma bola na trave com Rafael “He-Man” Moura (ex-Paysandu, Corinthians e Fluminense) e mostrava que seria osso duro de roer. No final do primeiro tempo, após mais uma bola no travessão e um cruzamento para área, o volante Carlos Alberto (ex-Figueirense, Corinthians e Atlético MG) empatou para os goianos e silenciou o Pacaembu pela primeira vez.

No segundo tempo da peleja só o Goiás voltou do vestiário com a determinação de conquistar a vaga. O técnico Artur Neto retornou com o atacante Felipe na vaga do disperso lateral Douglas. O Goiás fez um sólido jogo defensivo, com os chutões dos zagueiros servindo para municiar Rafael Moura, Felipe e Otacílio Neto (ex-Noroeste, Corinthians, Ponte Preta e Barueri) no ataque.

Em jogada tramada pela esquerda entre Saci (ex-Itumbiara, Corinthians e Atlético-MG) e Marcão (ex-praticamente todos os times da região Sul e Palmeiras) a bola encontrou Rafael Moura. Ele ajeitou para o zagueiro Ernando guardar na rede. O Pacaembu silenciou pela segunda vez. Com o apito final do juiz, os 34 mil palmeirenses assistiram um heróico time de refugos, já rebaixado no Brasileirão, fazer a festa dentro de campo.

O tricolor da boa terra voltou

Enquanto no “Sul maravilha” a briga nos gramados promete esquentar na reta final da Série A do Brasileirão, já podemos dizer que o carnaval começou na Bahia. O tricolor da boa terra está merecidamente de volta à elite do futebol.

Espero que o Vitória consiga se manter na Série A para o próximo ano. Imagina um domingão com Grêmio x Inter; Flamengo x Fluminense; Corinthians x Palmeiras; Cruzeiro x Atlético-PR; Coritiba x Atlético-PR e Bahia x Vitória na mesma rodada.

Quantos campeonatos de futebol no mundo podem se dar ao luxo de ter ao menos seis clássicos em apenas uma rodada?

O Bahêa voltou para a primeira divisão após vencer a Portuguesa no estádio de Pituaçu por 3 a 0. O resultado já parecia premeditado para os tricolores. Afinal, dias antes da peleja começar a diretoria do Bahêa solicitou a instalação de um telão em Salvador e prometeu espalhar trios elétricos pela cidade após o jogo.

Os jogadores, já pensando em se esbaldar no festerê, não decepcionaram a torcida e atropelaram a equipe Lusa. Destaque para o centroavante Adriano Michael Jackson, que marcou duas vezes para a equipe baiana.

Agora, corre a notícia de que de o jogo entre Bragantino e Bahia, na última rodada da série B, será no estádio do Morumbi, em São Paulo. Segundo o site Globo.com só falta a CBF confirmar o local da partida, pois o acordo com o São Paulo já foi fechado.

Se isso realmente acontecer no dia 27/11 vou vestir a camisa do Bahia, com o número 8 de Bobô nas costas, e irei até o Morumbi saudar o retorno do Campeão Brasileiro de 1988 à primeira divisão. 

Corinthians à moda do Mano

Quando Adilson Batista assumiu o Timão o discurso inicial era o de dar continuidade ao trabalho que vinha sendo feito por Mano Menezes. A fórmula chegou a durar algumas partidas, mas o Professor Pardal não resistiu e resolveu fazer suas invenções: inventou que Thiago Heleno era zagueiro, que Bruno César era ponta-direita e que o Leandro Castan podia ser um bom lateral-esquerdo. Somando esses delírios com as inúmeras contusões que arrebentaram parte do elenco alvinegro, não demorou muito para Adilson Batista ser limado do cargo.

Embora o Corinthians tenha feito partidas emblemáticas no comando do Professor Pardal – a vitória contra o Santos na Vila, a vitória contra o Flu no Rio e a vitória contra o São Paulo no Pacaembu – hoje fica nítido que o scratch alvinegro não estava pronto para imprimir dentro de campo o jogo em alta velocidade que Adilson tanto queria.

Tite assumiu o cargo e resolveu fazer o fácil. Resgatou o futebol que o Corinthians jogava na época do Mano Menezes e que lembra um pouco o time do Parreira em 2002: toque de bola, toque de bola, toque de bola, toque de bola, toque de bola… . Com esse estilo e mais a sorte de ter uma série de jogadores recuperados de lesão – Roberto Carlos não sente mais a coxa no segundo tempo, Ralf e Ronaldo retornoram, Dentinho está de volta e tudo indica que Jorge Henrique ainda pode voltar também – o Tite conseguiu ganhar do Palmeiras, empatar com o Flamengo no Rio e acaba de triunfar contra o Avai por 4 a 0.

O jogo foi seguro para o Timão. Em nenhum momento o Avai ameaçou o arco alvinegro e quando a equipe chegou na frente, chegou com jogadas bem trabalhadas. Com gols de Bruno César, Elias e dois de Ronaldo o Corinthians martela o primeiro prego no rebaixamento do Avai – asa negra de praticamente todos os times paulistas -, encosta novamente no líder Fluminense e vai com moral para o Morumbi enfrentar o São Paulo no próximo domingo.

O clássico tem tudo para ser daqueles com os nervos à flor da pele e bastante equilibrado. Provavelmente Tite vai pedir para seus jogadores manterem o exaustivo toque de bola até chegar a hora certa para apunhalar o adversário de forma cirúrgica.

É esperar para ver. 

Foto: Agência Estado