Sobre Dunga, CBF e o mesmo cheiro

Com a saída do técnico Felipão após a desastrosa Copa do Mundo do Brasil, as atenções estão voltadas para quem será o responsável por encabeçar o projeto de devolver ao país o título de melhor futebol do mundo, embora os ufanistas de plantão ainda considerem este o país do futebol. O nome da vez, pasmem, segundo apurou a ESPN, é o de Dunga, aquele que treinou o escrete nacional na africana Copa de 2010.
A simples possibilidade de recontratar não o capitão do tetra, mas o técnico da Copa de 2010, escancara o que todo mundo sabe, mas ninguém dos que têm o poder (plim-plim!), admite publicamente: não existe um projeto minimamente sério pelos lados da Barra da Tijuca.
Seja quem for o escolhido, e pelos primeiros movimentos da cúpula da CBF (Marin-Del Nero), a tentativa de retomada do posto de número 1 dará com os burros n’água. O primeiro passo foi contratar Gilmar Rinaldi para ser o coordenador de seleções da entidade. Sabe-se que ele era, até poucos dias, agente de jogadores. Ora, não basta à mulher de César que seja honesta, tem que parecer sê-lo também.
Ainda assim, não será a escolha do coordenador ou do treinador, simplesmente, que mudará estestatus quo que teve como ápice as duas lavadas levadas pelo time do Scolari. O problema é outro, bem pior. Os time pequenos, fornecedores de craques para os grandes, estão falidos; o dinheiro, que é pouco ante o que se arrecada, é mal distribuído; os times grandes estão com a base entregue a empresários e agentes preocupados apenas em ganhar dinheiro.
Enquanto o 7 a 1 for tratado resultado de sete minutos de apagão, como tentaram apregoar Pareira e Scolari na cretina entrevista coletiva post mortem, duvido que alguém faça alguma coisa porque quem manda, e isso a gente vê por aqui, não vai parar de tratar o futebol como mero produto de grade de TV. Como o torcedor-telespectador é pouco exigente e, portanto, suscetível a opiniões dos Galvões Buenos e Tiagos Leiferts de plantão, ou de outros jornalistas catequizados sob o Evangelho Segundo os Marinho, acreditarão que o futebol daqui é bom e que ver o Olodum na Copa é divertido.
Voltando a Carlos Caetano, o Dunga, ele chegou à Seleção para ser um contraponto à esbórnia que foi vista na Alemanha, quatro anos antes, quando era Parreira o treinador. No entanto, o trabalho não foi bom, mesmo com os títulos das Copas América e das Confederações. Sob sua gestão, o Brasil jogava fechado e saía no contra-ataque, com a bola saindo diretamente dos pés acéfalos dos volantes para os laterais ou para a disparada do então serelepe Robinho. A Holanda acertou a marcação em apenas meio tempo e deu no que deu. Ou seja, a “renovação” não renovará nada. Vão apenas mudar a cobertura do bolo. O recheio será o mesmo. E não é bom.
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