Dizem que é só futebol

Passadas algumas boas horas após o fim do jogo entre Portugal e Estados Unidos, finalmente consigo escrever sobre a partida. A Copa do Mundo é um grande barato e é capaz de devolver, ao menos por um mês, o tesão por futebol que me foi tirado

O meu bate no ritmo de A Portuguesa, o Hino Nacional de Portugal. Sempre que toca, o sangue corre mais rápido e acontece uma espécie de transe do qual sinto orgulho de participar. É o ápice. É mais que futebol, repito. É o orgulho pela bandeira, pela origem, pelo sangue.

Depois eu percebi que, do contrário do que eu imaginei, Paulo Bento escalou André Almeida improvisado no lugar de Fabio Coentrão. “Um erro”, pensei cá comigo. “Deveria jogar o Miguel Veloso por ali e o William Carvalho no meio”. Quando a bola rolou, a Selecção das Quinas partiu como um rolo compressor para cima dos yankees e abriu o marcador logo aos cinco minutos, com Nani. Bem, minha voz acabou naquele instante.

Mesmo com a vantagem no marcador, o time das Quinas controlava completamente o jogo e dava a impressão de que, no mínimo, descontaria nos americanos a surra que apanhou dos alemães. Mas Jürgen Klinsmann percebeu a lacuna que existia entre o terrível Bruno Alves e o improvisado (e torto) André Almeida. E fez com que seu time atacasse sem parar por ali.

A essa altura, a empolgação inicial já havia virado apreensão. A cada passe errado do Bruno Alves; a cada bola mal dominada pelo Nani; a cada tropeço em si mesmo do medonho Éder. E a cada finalização perigosa deles.  E foram muitos lances assim.

Antes de acabar a primeira etapa, Portugal conseguiu impor-se novamente e poderia ter saído com a vantagem de duas bolas a zero para o intervalo se o chute de Nani não encontrasse o poste esquerdo e o rebote não caísse nos pés de Ederzito.

Veio o segundo tempo e Paulo Bento arrumou metade do problema quando sacou Almeida e voltou com o trinco William Carvalho, passando Miguel Veloso para a lateral. Mas continuou dando bola para os americanos concentrarem seu jogo por aquele setor. A solução, simples, seria abrir o melhor do mundo por ali e acabar com a festa, mas ele seguiu centralizado. Tudo bem que o próprio Cristiano teve a chance de matar o jogo em um contra-ataque mortal, mas foi afoito e resolveu chutar de qualquer jeito (ou sem qualquer jeito), para fora.

Aí veio o empate, na sobra de um canto mal rebatido. O resultado, a essa altura, já era péssimo, mas não punha termo às chances lusas. Só que os Estados Unidos, outra vez pela direita do ataque, viraram o jogo e instauraram o terror no time português.

Assim que eles passaram à frente, algumas pessoas levantaram-se e foram embora. Eu amaldiçoava, em sepulcral silêncio, cada uma delas. Não sei se por educação ou por falta de forças mesmo, o fato é que eu não falava uma só palavra.

Aí subiu a placa de acréscimos com um belíssimo cinco vermelho. Foi o suficiente para que minhas esperanças se renovassem. E o cruzamento perfeito de Cristiano Ronaldo. E a cabeçada fulminante de Varela. E o meu grito de gol. Enlouquecido. Explosivo. E a luz me faltou.

A pressão, que caiu, contrasta com a fé de que o impossível é palpável. Um milagre, somente um milagre, apura a Selecção de Portugal  para a sequência da prova. Mas acreditamos e é a nossa fé que nos mantêm vivos. Para quem ainda espera pelo retorno do rei Sebastião, isso não é nada.

 

 

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