Com muito gosto

Não é de hoje que um sentimento anti-Seleção Brasileira cresce no país. Mesmo representando uma parcela diminuta da população, sobretudo formada por jovens que têm acesso ao futebol internacional e acabam se identificando mais com o futebol visto na ecrã de um computador ou pela TV a cabo do que aquele praticado a poucos metros do seu quintal, é um fenômeno que chama a atenção pelo fato de que, até bem pouco tempo, era impensável alguém que não torcesse pelo escrete nacional.

Vários motivos podem ser apontados: o “complexo de vira-latas” rodrigueano, de achar que tudo o que vem de fora é melhor, mesmo o Brasil sendo exportador do pé-de-obra usado lá fora para encantar o incauto tupiniquim insatisfeito; a ida cada vez mais precoce deste pé-de-obra, que pouco acrescenta na história dos clubes formadores e o consequente distanciamento da própria equipe nacional; o arroubo rebelde e questionador resultante dos protestos que começaram em 2013 e que fizeram com que nada prestasse no Brasil.

Acontece que a Copa não é, e nunca foi, a culpada pelos desmandos e barbaridades feitos no Brasil desde nossos antepassados portugueses cá aportaram (vocês também têm sangue português. Nem tentem negar isso). A Copa não traz estrutura. Em lugar nenhum isso aconteceu e não seria aqui que aconteceria. É compreensível que o desalento esteja à flor da pele, uma vez que há uma enorme carência no que diz respeito às necessidades básicas das pessoas, mas se o problema é o evento, depois de junho não haverá motivo para reclamar?

Mesmo assim, faço parte do ínfimo grupo que torcerá para que a Copa do Mundo fique com qualquer umas das outras 31 seleções que estão chegando. Particularmente, já não torço pela Seleção desde que entendi que ela é instrumento de manobra não de um governo (pura alienação, má vontade e pobreza nos argumentos de quem se diz anti-PT e nem sabe por que, achar que é), mas de um grupo que usurpou o futebol do Brasil e desde 1987 virou posseiro dele.

Assistir aos jogos do Brasil me causava o mesmo furor de uma partida entre Figueirense e Goiás, pela oitava rodada de qualquer campeonato modorrento de pontos corridos. Só que depois do que foi feito com a Portuguesa no ano passado, a indiferença se tornou aversão a tudo o que lembre ou tenha a chancela da CBF.

Eu poderia torcer pela Alemanha pela forma que eles tratam não só o futebol, mas de tudo. Ou pela Argentina, já que seria divertidíssimo ver a cara da pachecaiada se entreolhando enquanto Messi erguesse a taça. Ou por Portugal, por uma questão óbvia.

Mas não. Apenas torcerei contra. E com gosto, muito gosto.
Ps: é bom retornar!

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