Touradas no Maraca

No dia 13 de julho de 1950, o Brasil goleou a Espanha por 6 a 1, pela Copa do Mundo de 1950. Naquela tarde, no Maracanã, 152.772 torcedores cantaram a música Touradas de Madri, de Braguinha, que era uma marchinha de Carnaval de muito sucesso naqueles dias. Mais de 60 anos depois, no mesmo Mário Filho, o Brasil toureou a mesma Espanha, que desta vez chegou ao país do futebol com a alcunha de maior seleção do mundo (e uma das maiores da história).

Para conseguir aplacar o poderoso adversário, a seleção de Scolari teve que ser humilde, renunciar ao seu futebol e jogar de acordo com as características da Fúria. A proposta era adiantar a marcação, pressionar de forma alucinante a saída de bola espanhola, agredir sem parar e recompor a marcação com rapidez quando perdesse a bola, evitando que ela chegasse limpa aos pés pensantes de Xavi e Iniesta, os já míticos responsáveis pela construção de jogadas do time do também lendário Del Bosque.

O volante Paulinho, de futebol vistoso e vertical, foi o volante-volante que Felipão tanto aprecia e se doou pelo time. Hulk, tão criticado pelo torcedor e principalmente por parte da imprensa, que clamava por Lucas, jogou em cima de Jordi Alba, anulando a principal jogada de desafogo da Espanha e, de quebra, ainda abriu campo para Daniel Alves fazer uma de suas melhores partidas pela Seleção. David Luiz, visto como um dos pontos fracos da equipe, fez uma partida perfeita, e só não foi o Man Of The Match porque Fred decidiu, como se espera de um nove, e Neymar mais uma vez foi soberbo.

Claro que seria humanamente impossível empreender este ritmo durante os 90 minutos, mas o gol de Fred, deitado, chorado, antes da segunda volta do ponteiro, facilitou todo o trabalho do time canarinho. A Espanha, nervosa como poucas vezes se viu, esbarrava na marcação e apelava para a ligação direta da defesa para o ataque, abrindo mão da articulação no meio, o que fez com que se tornasse, naqueles instantes, um time trivial, comum.

Quando conseguiu colocar a bola no chão, quase empatou com Pedro, que entrou livre e tocou na saída de Julio César, mas, quase sobre a linha do gol, um monumental David Luiz surgiu do nada e desfez o gol certo, que valeu como um gol. Ainda mais porque, logo na jogada seguinte, Neymar marcou o segundo, numa bordoada de canhota (seu pé menos bom), cruzada, sobre um atônito Casillas.

Assim que a bola rolou na segunda etapa, o filme se repetiu com o avançado Fred marcando o terceiro e fechando o caixão espanhol, também aos dois minutos. E poderia ter sido mais, se Marcelo, que fez uma Copa das Confederações impecável, tivesse visto Fred livre, na pequena área, esperando o passe que não veio. A partir dali, bastou inverter os papéis e tocar a bola sob o incessante “olé”, vindo das arquibancadas, que não cantaram o parara tchimbum das Touradas de Madri, como os mais de 150 mil de 1950, mas viram a camisa mais pesada do mundo jogar, se não sua melhor partida, um jogo para recolocar de vez o Brasil no caminho da reconquista do mundo.

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