É, e sempre será, o Melhor goleiro do Brasil: Marcos!

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Texto de Guilherme de Moraes, do site Canelada.

Lindo, merecido, maravilhoso, estupendo, fantástico, sensacional, emocionante, contagiante… não faltam adjetivos para o jogo de despedida de Marcos Roberto Silveira Reis, o Marcos, São Marcos, o Melhor Goleiro do Brasil, ontem, no Pacaembu. Quase 39 mil pessoas pintaram o estádio de verde e branco e reverenciaram o maior jogador da história do Palmeiras, exatos 343 dias após o anúncio de que estava se despedindo do futebol. Antes de contar sobre a partida, duas histórias minhas diretamente ligadas ao camisa 12:

Em meados dos anos 2000, com o Verdão em alta, minha família sempre fazia compras no supermercado Sonda, dentro do finado shopping Matarazzo (hoje, Bourbon, do lado do Pq. Antártica), e, moleque ainda, estava a fim de um sorvete do McDonalds. Comprada a minha sobremesa, estou atravessando a rua e quem para no Drive Thru, no volante de uma BMW branca? Marcos. Ele fez o gesto liberando a minha passagem e eu ali, com uma baita cara de bobo, vendo o ídolo na minha frente.

Em agosto, fui ao lançamento de seu livro, Nunca Fui Santo, escrito juntamente com o jornalista Mauro Beting, na Saraiva do Shopping Eldorado. Aquilo parecia uma arquibancada, havia cerca de 8 mil palmeirenses pra tirar uma foto com Marcos. Chegada a minha vez, gelado eu estava, com medo de cair, sei lá. Chego na frente Dele e pergunto “Marcos, posso te dar um abraço?” A resposta “Claro que pode, o prazer é todo meu em te conhecer”. Puta que pariu, jamais vou me esquecer desse dia!

Voltando ao jogo, só tinha fera em campo, muitos deles meus ídolos no futebol – Clebão, Sampaio, Alex, Edmundo, Evair, Ademir da Guia, Asprilla, pelo lado do Palmeiras; No Brasil, Dida, Velloso, Cafu, Antônio Carlos, Rivaldo, Edílson, Djalminha. A fachada estava linda, iluminada em verde, como você pode ver na foto abaixo. Tudo tranquilo para a entrada, sem confusão. E na minha cabeça, eu tentava escolher qual teria sido o momento mais marcante do camisa 12. Tem tantos, cara, que eu não consegui chegar a um consenso. Juntamente com meus amigos, proseava sobre como funcionaria o evento e, num dado momento, falei pra um deles que seria legal se o jogo parasse à meia noite e tivesse uma homenagem pra Ele.

Antes do jogo, a bateria da Mancha Verde alegrou o ambiente, cantou um lindo samba que será o tema do Carnaval de 2013 sobre o ex-ator Mário Lago, que comemoraria cem anos de vida. Minutos antes dos jogadores entrarem, o mestre de cerimônias Domenico Gatto, do programa de rádio Estádio 97, foi escolhido para chamar o pentacampeão a campo. Festa na arquibancada e 39 mil vozes cantando “Puta que Pariu, é o melhor goleiro do Brasil, MARCOS”.

Bola em jogo, 22 feras em campo e um Santo solitário na pequena área, se aquecendo para não esfriar (não tinha como, tava um calor egípcio no Paca ontem). Dos jogadores em campo, parabenizo alguns deles aqui: Cafu, pelo fôlego aos 42 anos – ele tá com o mesmo porte físico quando jogava -, Amaralzinho, zóio de goma, que também correu uma barbaridade em campo, Clebão, redondo, mas desarmando como ninguém e Rivaldo, jogando o fino da bola.   Pelo lado do Verdão, Evair e Edmundo eram os mais saudados pela torcida. O “Ê ô, Ê ô, Evair é o terror” e “Au, au, au, Edmundo é animal” foram mais do que declamados pelos alviverdes. Do lado do Brasil, Edílson e Ronaldo, o fofo, eram os mais saudados, só que ao contrário. Os cantos de “Edilson viado” e “Ei, você aí, largou da Cicarelli pra pegar um travesti” levaram os torcedores às risadas.

Eis que, aos 21 minutos de jogo, o Animal recebe na esquerda, invade a área e é derrubado. Ana Paula Oliveira, a juíza – e que juíza -, aponta na cal. Logo, o estádio inteiro, jogadores, imprensa, gandulas, cabomans insistem para que o Santo cobre o penal. Ele reluta no começo, claro, é modesto o suficiente pra dizer que não quer estragar ou manchar a carreira de goleiro, mas caminha, a passos lentos, até o outro lado do campo. Posiciona, corre, e bate no meio do gol. Sim, meus amigos, eu vi o meu maior ídolo fazer um gol. Dane-se que foi de pênalti, dane-se que era amistoso, era um gol e gol Dele.

O Palmeiras fez dois a zero com o Diabo Loiro Paulo Nunes. Outra ótima jogada do Edmundo. Meu, já disse que tinha muito craque em campo? Final do primeiro tempo, o goleiro tinha só mais quarenta e cinco para jogar. Nisso, foi passando um filme na minha cabeça, estava chegando a hora de me despedir Dele. Um pouco mais cedo, conversava com a minha mãe e disse a ela que choraria quando acabasse o jogo. Ela olhou pra minha cara, me chamou de nêgo tonto, disse que faria aquilo por um jogador. Mas Ele não é um jogador qualquer, é uma entidade. Passou na fila do carisma umas 80 vezes, não tem como odiar aquele ser humano.

Segundo tempo, algumas boas defesas – o Rivaldo, o Ronaldo e o Edílson fizeram de tudo pra marcar um gol hoje, mas não conseguiram meter gol no Santo, não -, e o jogo para aos 12 minutos. O Marcos Roberto foi jogar na linha, no lugar do Evair. Entrou o Sérgio no gol – aplaudido e reverenciado bastante, juntamente com o ex-goleiro Velloso. 21 minutos do segundo tempo, entra um senhor de cabelo branco, pequeno. Era só o Divino, Ademir da Guia, o melhor camisa 10 do Palmeiras de todos os tempos. Cara, eu vi o Ademir da Guia dar um passe, pode me chamar do que for, ele foi um monstro no Verdão.

O Brasil de 2002 empatou o jogo, com gols de Edílson e Luizão. Mas chegou a hora, infelizmente. À meia-noite do dia 12/12/12, as luzes do Pacaembu se apagaram e a Festa dos Santos Reis, como diria a música do Tim Maia, começava enfim. Só ele no meio de campo, a torcida em silêncio ouvindo cada sílaba, cada palavra entoada por Ele. No final do discurso, uma passagem que, certamente, será eternizada, assim como suas mãos, na história da Sociedade Esportiva Palmeiras:

“Quando saí de casa, meu sonho era ter sucesso, claro, mas o mais importante era conquistar o torcedor do meu time de criança, que é o Palmeiras. Eu queria que vocês tivessem orgulho de mim, porque eu estava em campo defendendo vocês. Saio de campo realizado e com sensação de dever cumprido. Pra mim, foi uma honra vestir a camisa da seleção brasileira e, principalmente, da Sociedade Esportiva Palmeiras. Peço que vocês nunca se esqueçam de mim, porque eu nunca vou me esquecer de vocês. Muito obrigado.”

Acabou a carreira de um dos maiores. Morre o jogador de futebol, eterniza-se o ídolo. Senhor Marcos Roberto Silveira Reis, o dia que algum de seus súditos esquecerem de vossa imagem, pode ter certeza que ele não merecerá fazer parte desta religião verde e branca chamada Palmeiras. Obrigado, mesmo, pelos 12 anos como titular do time palestrino. Não há verbo, adverbio, substantivo que o classifique melhor como: Í-D-O-L-O.

Estamos carentes de ídolos. No esporte, na música, na vida. Nem na minha profissão eu tenho uma grande referência, olha que louco isso. Mas eu tenho como principal inspiração Ele. Sonhei muitos e muitos dias em conhecê-lo e tirar uma foto com ele, quem faz parte do meu círculo de amizades sabe muito bem que botei isso como objetivo de vida. O dia que eu consegui isso, nossa senhora, eu parecia uma criança de dez anos feliz com um sorvete, assim como naquele dia que o vi pela primeira vez.

A Sociedade Esportiva Palmeiras e seus 16 milhões de torcedores agradecem pelos serviços prestados a um único clube, que é o nosso. Amém, São Marcos. Obrigado, São Marcos. São Marcos. Marcos. E nada mais

FICHA TÉCNICA – PALMEIRAS 2 x 2 BRASIL

Local: Pacaembu, São Paulo (SP)
Data/hora: 11/12/2012, às 22h  Árbitra: Ana Paula Oliveira
Renda/público total: R$ 2.456.510/ 38.800
Cartões amarelos: Belletti e Tonhão
GOLS: 21’/1ºT Marcos (1-0) ; 41’/1ºT Paulo Nunes (1-0) ; 16’/2ºT Edílson (2-1); 24’/2ºT Luizão (2-2)

Palmeiras de 1999: Marcos; Amaral, Cléber, Galeano, Júnior, César Sampaio, Alex, Pedrinho, Edmundo, Paulo Nunes e Evair. Técnico: César Maluco. Entraram: Tiago Silva, Asprilla, Oséas, Agnaldo Luiz, Euller, Sergio, Adãozinho, Tonhão e Ademir da Guia.

Seleção Brasileira de 2002: Dida; Cafu, Edmilson, Roque Júnior, Roberto Carlos, Belletti, Ricardinho , Juninho Paulista, Rivaldo, Edílson, Ronaldo. Técnico: Luiz Felipe Scolari. Entraram: Zé Roberto, Denílson, Djalminha, Luizão, Antônio Carlos, Wellington Cafu e Velloso.

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