O lugar comum e a má vontade.

Hoje, em Carcóvia, na Ucrânia, Portugal massacrou a Holanda e garantiu a apuração aos quartos-de-final da Euro 2012. O placar de 2 a 1 para os comandados de Paulo Bento não refletiu a superioridade sobre o time de Bert Van Marwijk, que saiu na frente, mas em momento algum demonstrou ter bola e cabeça para vencer, mesmo com o placar favorável.

Nem vou falar do jogo em si, pois o leitor por certo já leu impressões de gente mais gabaritada que este que vos escreve sobre os noventa e poucos minutos de jogo. Meu negócio, hoje, é com a imprensa dita especializada.

Chega a ser irritante a má vontade da imprensa brasileira para com a Selecção das Quinas. Começou e competição e já falaram que o time português é fraco, que o Pepe é violento e que Cristiano Ronaldo é pipoqueiro, além de chamarem Portugal de “exército de um homem só”. Puro lugar comum de quem se importa mais com manchetes de jornais do que com um jogo inteiro.

Pepe tem jogado demais. Nenhum zagueiro, mesmo os badalados espanhóis e alemães, tem feito a Eurocopa que o luso-brasileiro faz. Foram três partidas soberbas, embora tenha falhado no segundo golo dinamarquês. Marca na bola, com rispidez, mas na bola, como todo defesa deve ser, diga-se. E ainda marca seus golos. No entanto, na primeira falta mais forte que fizer, já falarão que é violento.

Outro nome que está brilhando é Fabio Coentrão. Um monstro na retaguarda, um tormento aos contrários no apoio. Sem contar que foi o melhor lateral-esquerdo da Copa da África do Sul. Para a crônica tupiniquim, porém, joga menos que o chiliquento e nada confiável Marcelo. Sem contar nomes como Raul Meirelles, Miguel Veloso e João Moutinho, que não têm o reconhecimento dos críticos do NovoMundo .

No entanto, nada se compara com as críticas feitas a Cristiano Ronaldo. É praxe chamá-lo de pipoqueiro a cada atuação ruim ou decisão perdida. Citam as grandes penalidades perdidas na decisão da Champions contra o Chelsea, em 2008, mesmo sendo ele o autor do tento de sua equipa, e contra o Bayern, pelas meias-finais da última época, quando ele também marcou no tempo regulamentar, e por duas vezes.

Mesmo pelo time do Real Madrid, o qual tem levado às costas desde que chegou, é só ter um jogo mais ou menos ou uma derrota para o Barcelona, que deixa de ser o segundo melhor do mundo e vira um jogador trivial.

Hoje reconhecem o seu valor graças à atuação diante dos holandeses. Dizem até que foi sua melhor atuação na equipa nacional de Portugal, mas na primeira atuação mal conseguida que tiver todos duvidarão do seu potencial. Sorte de Eusébio não jogar nos dias que correm.

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