Escalação obrigatória para uma Libertadores

Texto escrito por Juliano Barreto

Não, não rola essa comparação de que a Libertadores é a Champions League da parte de baixo do mapa-múndi. O torneio sulamericano é muito mais próximo da várzea do que dos carpetes verdes dos Santiagos Bernabeus da vida. Isso não quer dizer que nós, fãs do Chaves, não temos uma bela tradição no nosso torneio continental.

Tirando os brasileiros, que levam futebol muito mais à sério do que todos os outros assuntos, os times latinos vão para a Libertadores na base do “no tiene usted? vaya con usted mismo!”. E os hermanos entram SEMPRE em campo com a mesma escalação:

1. Velásquez;
Experiente, o goleirão com cabelo empastado de gel, shortinho meio agarrado e camisa espalhafatosa é sempre um dos líderes do elenco obrigatório para a disputa da Libertadores. Especialista em fazer cera para bater tiros de meta, normalmente pede ajuda de um zagueiro para a cobrança da reposição. Isso só acontece na Libertadores e só acontece quando o time do referido goleirão está ganhando em casa ou empatando fora de casa.

2 – Vásquez que também pode ser Cáceres;
Também experiente, o lateral-direito-padão dos times sulamericanos é um paraguaio bem experiente. Ele já jogou a Libertadores, pelo menos, dezenove vezes. Passar da primeira fase que é bom, ele passou uma vez só, quando era reserva em um time da Argentina. Desde então, ele empresta sua tarimba internacional para ensinar os outros índios do seu time que a camisa deve ser usada por dentro do calção.

3 – Herrera
O zagueirão, capitão da equipe e ídolo da torcida é filho de um ex-jogador que foi zagueirão, capitão da equipe e ídolo da torcida. A diferença entre as duas gerações está na qualidade do futebol. O Herrera pai, apelidado de El capitán, batia até na sombra, apavorava atacantes e até marcava uns golzinhos de cabeça quando vinham aqueles cruzamentos vindos de cobranças de falta na intermediária. Herrera filho, El cabritón, só herdou a parte das porradas.

4 – Cabrera
Cabrera é igualzinho ao Herrera, com a diferença de não ter pedigree e usar um corte de cabelo bem ridículo, sem costeletas e com um repicado que envergonharia os portadores de mullets dos anos 90.

6 – Martinez (que poderias ser Molina, González, Pereya ou Arroritcho)
Baixinho e veloz, o colombiano corre o jogo todo e mesmo assim consegue chegar atrasado nos carrinhos e fazer um monte de merda nos dois tempos. Os comentaristas mais maldosos dizem que além de pulmão, ele é o esfíncter do time.

5 – Ortiz
Advinha só? Ele é muito Experiente, já fracassou na Europa, na Ásia e jogou algumas partidas das eliminatórias por seleções medianas, do naipe de Equador ou Colômbia. Seu futebol se resume a errar passes e fazer faltas. Sua presença em campo, porém, é essencial para pressionar o juiz e provocar os jogadores brasileiros. E sempre dá certo.

7 – Da Siva
Contratado para dar um toque de criatividade ao meio de campo, o brasileiro está perdido pela América do Sul e nem sua mãe sabe direito em quantos times ele jogou ou em que time ele está jogando. De tão desorganizado que é, o clube contrata um meia chamado Mineirinho, registra ele como se fosse um atacante De Albuquerque e vende ele como nome de Marcos, um lateral meio ofensivo.

38 – Ibañez
Em um time de Libertadores, alguém tem que ter til em cima do ene. Está lá no regulamento. É só olhar. Por isso, todo time tem um Quiñonez, Cabañas ou Ibañez que não joga nada. E só para fazer média com a Conmebol, ninguém reclama.

10 – Ramirez
Promessa, apesar dos 29 anos, o meia que chuta forte e bate todas as faltas cavadinhas na área vem de uma estirpe de jogadores que têm um sobrenome tão comum e sem graça, que necessitam de um apelido. Isso não quer dizer que o apelido não seja comum e sem graça. Vale El loco, El conejo, El mago…

22 – Córdoba
Atacante rápido que joga sempre de cabelo molhado, faixinha, munhequeiras, brinco, colar e tudo mais que for possível para esconder a fraqueza do seu futebol. Curte dar uns dribles no meio de campo e partir para o bumba-meu-boi quando a bola é alçada na área. É o desgraçado que vai fazer um gol de contra-ataque no seu time.

9 – Sosa
Argentino que só se fodeu na terra natal, o atacante pesadão que não para de cuspir no chão nem quando está correndo, é o artilheiro do time. Sempre faz gol de cabeça ou de carrinho e só volta ao meio de campo para ajudar a catimba. Sua especialidade é a cotovela escondida na hora do escanteio e a simulação de falta.

Técnico.
Com uns quarenta e tantos anos, o técnico sempre é um ex-jogador obscuro (embora bronzeado), com gel na frente e mulets atrás, blazer e camiseta ou alguma combinação bem escrota. Possivelmente, esse técnico ocupou a mesma posição e teve o mesmo desempenho que o volantão Ortiz.  Ele está no time faz quatro meses e deve sair se o time não ganhar o Apertura. No banco, ele ainda conta com Reyes, Escobar, Méndez, Rojas e Valencia.

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Uma resposta

  1. Genial esse texto.
    MTO BOM!

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