O circo dos horrores

No sábado fui ao Canindé assistir à Portuguesa contra o Catanduvense, pelo Paulistão. Confesso que, desde o fim da Série-B, foi o primeiro jogo ao qual assisti in loco. Não por desleixo, mas por absoluta falta de tempo.

O que vi, malta, nem de longe lembra a equipa do ano passado. A Lusa foi um time absolutamente perdido em campo. Tinha, naturalmente, a posse da bola durante a maior parte do jogo, mas não sabia o que fazer com ela. A Lusa modelo 2012 é um time acéfalo, que corre, corre, corre e não chega a lugar nenhum. Tem uma defesa bem postada, um goleiro que continua operando milagres e um meio-campo que marca muito bem. E só.

Com a bola no pé era o seguinte: bola com Guilherme, que passa para Boquita, que volta com Guilherme, que, sem ter como iniciar a jogada ofensiva, busca Léo Silva. Este aciona Raí, e bola para a lateral. Ou para o adversário. Ou ele tropeça sozinho. Ou erra o passe. Raí é o típico caso de engano da cigana. É inadmissível que um time que disputará a Primeira Divisão tenha um “jogador” como ele.

No mais, Jorginho armou o time com os três trincos citados que habitualmente têm jogado. À frente, Ananias e Henrique jogavam abertos, pelo flancos, e Ricardo Jesus, isolado, brigava com os zagueiros – e com a bola nas poucas vezes em que foi acionado. Talvez assim Jorginho quisesse abrir a defesa do Catanduvense, mas não foi isso o que aconteceu, sobretudo porque Ananias esteve muito mal.

Depois do meio tempo o time voltou com o avançado Vandinho no lugar de Léo Silva. O rombo na criação ficou maior ainda, sendo resolvido somente quando o treineiro luso sacou o inoperante Raí (óóóóó!) para a entrada de Maylson, que também é jogador de contenção, mas dos volantes lusos é o que tem melhor passe, e passou Boquita para fazer a lateral-esquerda.

Quando o empate parecia inevitável, a bronca do torcedor foi direcionada às tribunas, onde estava o presidente Mané da Lupa. Chamado de ladrão para baixo, sugeriram que ele levasse o jogo para Catanduva, pois lá haveriam mais torcedores que os pouco mais de nil heróis que pagaram para ver o espetáculo dantesco que teve lugar no Canindé, uma vez que ele já havia vendido o mando de campo na partida contra o Corinthians.

A Portuguesa perdeu peças-chave, é verdade, mas não repôs. Ou melhor, contratou jogadores que sequer estrearam com a camisa do time. Quando o fizerem, talvez seja tarde. Para o Paulistão, a impensáveis sete pontos do oitavo colocado, a vaca  rubroverde já deitou. Meu medo é a Série A do Brasileiro. Com cara de bate-volta, corremos o risco de ser o Duque de Caxias da elite.

Assim, a Primeira Divisão será um enorme circo de horrores, onde o palhaço, mais uma vez, será o torcedor da Portuguesa.

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