O Wesley do poço

Muita fumaça tem sido jogada na vinda de Wesley ao Palmeiras. A diretoria palmeirense tomou uma atitude polêmica em convocar os torcedores para financiar a compra. Por meio de um site, o palestrino adquire cotas a partir de R$ 100,00, via cartão de crédito, que ainda pode ser parcelada mensalmente. O objetivo é amontoar R$ 21 milhões em (hoje) menos de 27 dias.

A iniciativa ganhou um verniz de ação de marketing. Essa embalagem, comum no futebol moderno de hoje, é como a conta do Papa no filme Tropa de Elite I. Esconde o que há de mais espúrio e impublicável na máfia da bola. Não é a toa que a mídia esportiva (Espn Estadão, Estádio 97) está com as orelhas em pé acerca do assunto.

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Apesar da desconfiança da imprensa, há muita ingenuidade no debate. O discurso dos críticos cobra transparência, dizem que o torcedor necessita de uma contrapartida. Seja uma camisa, um serviço no estádio, um brinde. No entanto, não há como legitimar um esforço dessa envergadura por meio de souvenir e badulaques.

O grande tema por trás de toda essa “ação de marketing” é a inflação espiral do mundo da bola. Os clubes necessitam de bons jogadores para conquistar títulos. Esses títulos garantem maior atenção do público e direitos de transmissão. Uma maior exposição na mídia atrai maiores volumes de patrocínio. Boas campanhas atraem maior exposição e boas campanhas precisam de bons jogadores. E assim, sucessivamente.

No entanto, nesse meio entra o agenciador, o intermediário, suspeito de alavancar e perpetuar a roda capitalista através dos séculos. E no futebol, seu papel vai além de azeitar as trocas interclubes. Aposto na teoria de que o empresário está diminuindo a qualidade do certame.

Em busca de maior exposição (e dinheiro), os clubes buscam montar times galáticos da noite para o dia. Sem categorias de base, confiam nos empresários para equipar seu plantel. Não há tantos bons jogadores, por isso, qualquer rapaz que colheu uma boa temporada em algum time-empresa já vale uma cifra de zeros sêxtuplos. Assim, os cofres dos clubes esvaziam.

O jogador rende bem em alguns poucos jogos, se machuca e cai de rendimento. O clube fica com a dívida enorme, sem nenhuma perspectiva de retorno em qualquer horizonte de tempo. O caso Valdívia é clássico e encaixa muito bem.

A coisa fica mais feia quando as cotas de patrocínios não se alteram. Os empresários (verdadeiros) estabelecem limites para seus desembolsos em propaganda, afinal, não é o núcleo do negócios de suas empresas. Logo, as camisas aparecem recheadas de logotipos coloridos. Para sustentar uma folha de pagamento inchada, a beleza dos uniformes é castigada.

Obviamente, há muito escrútinio no meio de tudo isso e minha aborgadem pode ser simplista. No caso de Wesley, caso o objetivo palmeirense seja alcançado, o torcedor estará inflando o risco de fracasso de seu clube do coração. E queimando seu dinheiro.

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Uma resposta

  1. Se a diretoria precisa da torcida pra pagar cotas de 100 reais para os jogadores, por que não cobrar 200 reais por cota e dar direito de voto nas próximas eleições. Aposto que esse dinheiro viria rapidinho.

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