Ma che vergogna, Italia!

Uma vergonha. Assim pode ser definida a participação da Itália na Copa da África do Sul. Não só pelo fato de ter sido eliminada ainda na primeira fase, mas pelo paupérrimo futebol, se é que pode ser chamado de futebol aquilo que foi apresentado pelo time de Marcelo Lippi.
Os atuais campeões mundiais chegaram ao continente negro com um time experiente, mas envelhecido e muito, mas muito, mal convocado. Lippi levou um esquadrão de jogadores esforçados, mas pouco ou nada talentosos, como Pepe, Montolivo, Iaquinta e Di Natale, enquanto gente como os fantasistas Del Piero e Totti (que levou a Roma nas costas durante o Campeonato Italiano) e os goleadores Luca Toni e Inzaghi, que fedem a gol, ficaram na Velha Bota. Isso sem contar que utilizou a base da Juventus, que realizou uma temporada ridícula.
Desta forma, o único regista da Squadra Azzurra seria Andrea Pirlo, do Milan, mas este machucou-se ainda durante a preparação. Como opções para a função, o treinador tinha Marchisio e Montolivo, que não renderam, obviamente, e o ofício de marcar os gols ficou a cargo dos tão lentos quanto limitados Iaquinta e Gilardino.
Jogadores que poderiam alterar o panorama das partidas, como Cassano e Balotelli, não foram chamados por conta da fama de indisciplinados. O resultado foi um time sem padrão tático, burocrático demais até para os padrões italianos, sem inspiração alguma e que apresentou o pior futebol que uma Itália já apresentou em um Mundial, exceto pelo final da fatídica e dramática derrota para a Eslováquia, quando a Itália finalmente foi Itália e tinha um Pirlo “meia bomba” em campo.
É correto afirmar que a Azzurra foi prejudicada pelas lesões, não só do meia milanista, bem como do craque-goleiro-bandeira Buffon, mas as escolhas do técnico do tetra italiano durante a competição foram tão infelizes quanto a convocação. Camoranesi, que entrou bem nos dois primeiros jogos, foi preterido na última partida; Quagliarela, que quase operou o milagre da classificação, deveria ter tido mais chances, em vez de Pazzini e os já citados Simone Pepe, Gilardino e Iaquinta.
Nem a defesa, historicamente o ponto forte da Itália, se salvou. Marchetti não passa a mesma segurança do contundido Buffon, Chiellini esteve abaixo da crítica e o capitão Cannavaro deitou por terra toda a sua história, construída brilhantemente desde a Copa de 1998, mas que teve um melancólico ponto final no país de Nelson Mandela.
A exemplo de 2002, quando foi vergonhosamente prejudicada pelas arbitragens, os italianos poderiam até reclamar da atuação do trio inglês, que não viu a bola passar a linha do gol no início do segundo tempo, quando os eslovacos venciam por um gol, e que invalidou um gol legal de Quagliarela quando o placar marcava 2 a 1 para a Eslováquia. Acontece que a postura indigna para um país quatro vezes campeão mundial não justificaria a reclamação.
Quando a poeira baixar e acabar de lamber suas próprias feridas, os italianos terão um árduo trabalho de renovação pela frente. Jogadores como Buffon, Cannavaro, Zambrotta e Pirlo deram adeus à seleção. Outros, como Santon, Candreva e Balotelli, que foram preteridos, deverão receber novas oportunidades. E que Césare Prandelle, o novo treinador, não seja um novo Donadoni.
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