Feio, muito feio, feio mesmo

A Copa do Mundo é um evento sui generis. É mais importante do que a Olimpíada. Logo, quando começa a chegar a hora da bola rolar, fico ansioso. Chego a tirar férias só para assistí-la (não nesta, apesar dos meus protestos). 

A Copa chegou, a imprensa, é claro, não fala de mais nada e eu estou vendo tudo o que posso. Acontece que esta é, por enquanto, a pior Copa a qual eu já assisti. Poucos golos, nada que faça jus à lembranças futuras e as irritantes vuvuzelas. Não se salva quase nada.

A primeira edição que eu vi foi em 1986. Foi a melhor também. Sem falsa modéstia, minha memória para jogos de futebol é prodigiosa. Naquele ano, as grandes seleções foram grandes mesmo. E neste ano? Fora Alemanha e Holanda, ninguém jogou. 

A Argentina começou até bem, mas quase se complicou por causa das suas limitações defensivas. A empoeirada Itália fez um jogo chatíssimo contra o Paraguai, mas é a Itália, né? Há que se respeitar…A França, que tem um ótimo elenco mas não tem time nem técnico, fez o que se esperava dela, ou seja, nada. Portugal se resumiu a um chute na trave. O Brasil penou para ganhar da Coreia do Norte. A Inglaterra não tem goleiro. Já a Espanha se superou: conseguiu perder para a Suíça. No caso da Espanha, o que surpreende é que a Fúria começou a fazer água logo cedo.

Ponderemos as possíveis causas: nervosismo da estreia, técnicos retranqueiros, bola “sobrenatural”. Acontece que a tensão do debute existe desde 1930, portanto não é desculpa; os comandantes não são lá muito corajosos, mas não é a primeira vez que vemos gente privilegiando a defesa e a bola foi concebida, de acordo com a Adidas, para aumentar a média de golos. Ao invés disto, caiu. Em 16 j0gos foram marcados 24. Média de 1,66 golo/jogo. Para se ter uma ideia de como está bravo o negócio, a pior média de todas as copas foi a de 1990: 2,22.

A verdade é que o problema está em quem veste as camisas, ecológicas ou não. Falta inspiração, faltam craques, falta tudo, falta as vuvuzelas silenciarem. Neste caso, teremos que conviver com elas até a final do Mundial, pois é da cultura da África do Sul. Se não as quisessem, que não o fizessem na terra de Mandela.

A esperança é que o conforto da primeira rodada deverá dar lugar à obrigação de vencer para não ir à última rodada com a corda no pescoço. Com isso os espaços aumentarão e os golos, rareados na primeira rodada, apareçam e o Mundial se salve. A primeira mostra foi dada hoje pelo Uruguai, que atropelou a anfitriã África, mas ainda é pouco. Honestamente, ainda bem que não estou de férias.

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