Esse é São Marcos

Durante a semana passada muito foi dito sobre a calorosa declaração dada pelo goleiro Marcos, ainda no gramado do Parque Antártica, na derrota do Palmeiras contra o surpreendente Santo André.

Pois bem. Esperei a poeira assentar para tecer algumas considerações. Marcos está cansado. Não só por causa da idade, mas de tudo o que cerca esse mundinho do futebol.

Todos estão sujeitos a falhas, ainda mais sendo exigido como vem sendo o camisa 12 do Verdão. O que poderia ser visto como apenas uma autocrítica do velho arqueiro verde, na verdade é a constatação da falta de compromisso de (grande) parte do elenco do Palestra.

Ele, Marcos, mais do que o maior goleiro da história do Palmeiras, é o maior torcedor do clube da Turiassu. Fala, às vezes, mais do que deveria, é verdade, mas é o único a dar a careca a tapa nos momentos difíceis.

Noto, mais do que qualquer outra coisa, amargura nas suas palavras. Frustração de quem atingiu o patamar em que se encontra, mas tem que conviver com um bando de “Zés Ninguém” que está pouco se lixando para as cores do clube. E isso dói em quem dedicou sua carreira toda ao Palmeiras.
Marcão tem crédito para repreender até o presidente Beluzzo, se for o caso. Neto, que foi ídolo no outro parque e hoje é comentarista de TV, falou o que quis e ouviu o que mereceu. Ao menos teve a decência de não prolongar a discussão.
Pelo bem do futebol, o guardarredes palestrino demoveu-se da ideia da aposentadoria no fim desse ano. Porém deixou claro que, se estiver na reserva, receberá apenas metade do salário, pois não quer, segundo suas palavras, “roubar” o Palmeiras.

Marcos ama tanto o time que defende que, quando o Arsenal quis contratá-lo, inventou um sem número de desculpas para não assinar com o clube londrino. Fez uma série de exigências absurdas, e o Arsenal topou todas elas. Aí não teve jeito: teve que dizer que não queria sair do Alviverde.

É por causa desse tipo de atitude que, desde 1999, ele não é só o goleiro do Palmeiras. É muito mais do que isso: é o São Marcos do Palestra Itália. Amém.

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Uma resposta

  1. Marquinhos,
    Que texto sensacional!
    você soube falar muito bem do seu chará!

    Parabens!
    Abraços!

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